Após adormecer, acordei no dia seguinte e reparei que o Ken adormeceu no meu quarto comigo.
Fiquei bem preocupada, pois se meus pais vissem ele provavelmente brigariam feio !
Ele me cobriu na cama e ficou com a cabeça deitada na borda da cama.
Admito que fiquei alguns minutos admirando ele.
Ele tem sido tão bom pra mim, e eu fico chateada comigo mesma por ter tratado ele tão mal no passado . . .
Éramos bons amigos, não sei quando foi que comecei a tratar ele tão mal. . . Na verdade acho que sei sim, quando ele se declarou pra mim pela primeira vez.
Depois da primeira declaração dele eu comecei a trata-lo muito mal, eu sou uma pessoa horrível. . .
Na minha cabeça eu acreditava que tratando ele mal ele deixaria de gostar de mim.
Ken, você é um otário, sabia ? Eu te ferrei inúmeras vezes e mesmo assim você continua gostando de mim e me tratando super bem.
Quem em sã consciência faria isso ?!
Mas . . . Admito ficar agradecida, acho que se ele não se importasse tanto comigo eu agora estaria bem sozinha.
É meio psicótica a preocupação dele, mas é gentil.
Ken acordou aos poucos e olhou pra mim, eu estava olhando fixamente ele dormindo, admito ter ficado com bastante vergonha, e se ele reparou ??
Espero que não tenha reparado que eu estava 'secando' ele.
De qualquer forma eu me arrumei e fui pro colégio.
Ken me acompanhou.
Agora ele sabe minha relação com cada um . . . Mesmo sabendo que ele nutre sentimentos por mim eu quis deixar claro pra ele qual foi/é minha relação com o Lysandre e Castiel.
Ele não pareceu surpreso . . . Admito que me senti mal com isso.
Ao chegarmos no colégio vimos uma algazarra enorme.
Logo me meti no meio e puxei o Nath pra perguntar o que estava acontecendo.
"Nós vamos ter um mascote na sala de ciências. A Diretora disse que é pra tornar os alunos mais responsáveis e aprendermos a cuidar de algo. Todos estão querendo ver o tal mascote."
Fiquei bastante curiosa.
Um mascote ? ! Vou adorar cuidar de um mascote !
O que será ?
Um ratinho ?
Um pássaro ?
Um peixe ?
Estou muito curiosa . . .
Eu tentei juntamente dos outros me meter no meio, mas fui brutamente esmagada, eu estava quase caindo e sendo pisoteada, quando alguém me puxou.
"Obrigad--" eu estava prestes à agradecer quando vi que quem havia me puxado dali foi o Lysandre.
Eu engoli minha gratidão, ele pareceu triste.
Lysandre só me levantou com calma e se retirou em silêncio.
Eu estava muito irritada ainda com o Lysandre, e sinceramente, achei aquela placa de cartolina dele ridícula.
Ken agora sabia de tudo, e ele se aproximou de mim falando que eu devia perdoar o Lysandre.
Ken, você é muito bonzinho.
Não é porque ele perdoou uma monstra feito eu que eu deva fazer o mesmo com o "meu monstro".
De fato, eu não perdoei o Castiel mas consigo tratar ele normalmente e ele fez tanto quanto o Lys, mas sabe, o Castiel SEMPRE foi meio "assim", e eu sempre soube, não me senti necessariamente enganada por ele, além do mais ele faz um esforço absurdo pra tentar voltar atrás com as coisas . . . Já o Lysandre ele sempre passou a imagem de "santo".
Eu sempre via ele sendo o "equilíbrio" de maldade do Castiel, e agora . . . Vejo que me enganei.
Castiel sempre mostra ser mais são nessas situações de "perdão" do que o Lysandre.
Aquela placa não me desce a garganta . . .
Bem, mesmo em meio a minha ansiedade eu fiquei no canto com o Ken.
Alexy veio até mim . . . "Desculpe por ontem, Celes. Eu sei que eu fiz errado em ficar perseguindo você." Alexy falou.
Eu não consigo ficar com raiva, falei que estava tudo bem . . . E me lembrei das palavras da Debrah, que eu tinha que me aproximar do irmão do Alexy.
"Alexy, onde está o Armin ?" eu perguntei.
Alexy parecia espantado, Ken não, ele já sabia que eu queria me aproximar do Armin.
Mas Alexy não sabia o paradeiro do irmão . . . Bem, imagino que esteja em uma sala de aula trancado. . . Fazendo o que ele faz melhor: punhetando.
Alexy parecia curioso e assustado por conta de minha procura repentina.
Nathaniel e Rosa se aproximaram da gente, nesse momento ele logo mudou o foco e começou a me zoar com o lance do teste de gravidez.
Na boa, se eu pudesse matar o Alexy agora, eu mataria.
Rosa e Nath olharam pra mim assustados e perguntaram sobre o teste.
Ken tomou frente e começou a tentar explicar o mesmo de ontem . . . Eu estava nervosa, aliás, voltei com minha paranoia que eu havia esquecido . . .
E se o teste estiver errado ? Eu não lembro quando exatamente ocorreu o estupro . . .
Ai, meu Deus . . . Eu estava nervosa, e mesmo com o Ken explicando (daquele jeito tímido dele) o Nath e a Rosa olhavam pra mim muito assustados.
Nathaniel não parecia acreditar em nada do que ele dizia . . .
Foi quando novamente senti um puxão, deixei que me levasse sem fazer força pra saber quem era, qualquer um me puxando seria melhor do que enfrentar aquela confusão.
Foi quando finalmente vi, era o Castiel.
Ele me levou pra bem longe e logo começou a falar "antes que pergunte, te tirei de lá porque vi que você não estava dando conta da pressão que fizeram em cima de você. Além do mais, eu queria saber como estava sua cabeça depois de tudo que aconteceu ontem."
Admito, ouvir isso vindo dele me deixou bastante feliz.
Assumi pra ele que que estava muito preocupada ainda, que pensava incontáveis vezes que o teste poderia ter dado errado e bla bla bla.
"Eu sabia que você ia estar assim, já te conheço o suficiente pra ter certeza de que sua reação ia ser mais uma bola de neve de paranoia. . . Caolha, você não tá gravida." ele falou.
Mas eu me alterei e perguntei várias vezes como ele poderia ter certeza disso . . . Mas ele estava afiado nas respostas.
"Primeiro: Você disse que faz 5 meses que foi estuprada né ? Ou é menos ?" odeio como ele fala "estupro". Sei lá. Me incomoda ele não polir as palavras.
"Eu não me lembro de tudo muito bem, eu posso estar confundindo as datas, mas menos de 3 meses eu tenho certeza que não é" eu tentei responder tudo que ele falava.
"Ok, agora vamos pro segundo: quanto tempo faz que não menstrua ?" nossa, o Castiel é tão direto. Não me admira ele ter namorado a Debrah . . .
"M-Mês passado . . . " eu respondi timidamente.
"Temos um ponto: Se faz 3 meses no mínimo que ocorreu algo você já não menstruaria. O normal é que você comece ter os sintomas logo na segunda semana de gestação. Existe um número pequeno que demora 3 meses, mas não acho que seja seu caso. Você parece muito bem, aliás, parece que só começou a passar mal quando começou a pensar nisso. Mas de qualquer forma o atraso já seria no primeiro mês, então não tem sentido. Você teria que dar um azar gigantesco de ser a porcentagem baixíssima de meninas que engravidam e continuam a menstruar e que sequer têm sintomas. Mas duvido que você esteja nessa porcentagem. Aliás, vale lembrar que nem menstruação é aquele sangue que saí de mulher gravida e "rara", é só um sangue que escorre sem mais nem menos e que só 40% das mulheres sofrem esse fenômeno. Você com certeza não tem nada. Pode ser uma infecção ou algo assim, mas é visível que é diferente de menstruação, não é aquela coisa grossa. A menos que você tenha tido um aborto espontâneo ou o feto tenha se gerado fora do útero, você não tá grávida." ele falou muito convicto. Admito ter ficado admirada com o conhecimento dele.
"Mas e se eu for ? Eu sou tão azarada que não duvido nada . . . " eu falei realmente acreditando que poderia ser. Lembrando que a Debrah deu uma explicação lógica pra eu ter tanto "azar".
"OK, suponhamos que seja 5 meses como você falou no início. Você já estaria apresentando barriga. Mas você deu pra trás com 3 meses agora, então você teria reparado aumento de peso e barriga maior. Eu já te segurei varias vezes e posso dizer com certeza que você tá mais leve, além do mais, no show quando fui pra cima de você sua barriga estava bem pequena. Nem um sinal de gravidez. Você com certeza não tem nada. Só paranoia mesmo. Agora se continuar assim vai arrumar uma gravidez psicológica. Se insistir muito faz um exame de sangue, mas eu posso te garantir que você não tem nada na barriga, só na cabeça mesmo."
Admito que a explicação gigantesca dele me deixou um pouco calma . . . Aliás, não pude evitar de perguntar:
"Ok . . . Você conseguiu, me acalmou. Ainda mais porque tô espantada com o Castiel que falou comigo agora. Não sabia que você era tão sábio nesse assunto." eu falei com toda sinceridade do mundo.
"E não sou. Até ontem eu não sabia de nada . . . Eu pesquisei antes de dormir porque sabia que você ia ficar paranoica." . . . Quando Castiel falou isso . . . Eu fiquei bem atônita.
Eu não sabia bem como reagir.
Devo ter ficado da cor do cabelo dele, porque realmente fiquei muito envergonhada em saber que ele dedicou a noite dele por preocupação comigo.
"O-o-obrigada p-pela preocupação . . . " eu falei sem graça.
"Você tá andando muito com o Kentin. Tá até falando igual a ele já" ele disse enquanto ria.
"Oh é verdade ! O Ken ! Onde ele tá ? Eu me perdi dele . . . " Castiel pareceu incomodado mas falou que ele tava no corredor.
Eu pedi licença pra ir atrás dele e pude sentir o Castiel me segurando pelo braço.
"Só uma última pergunta . . . Quem além de mim sabe disso tudo ?" ele perguntou.
"Você, Debrah e Ken, só. Por quê ?" quando respondi ele me soltou e sem expressar nada só soltou um "nada não, vai lá"
Fiquei curiosa sobre a reação dele, mas deixei pra lá.
Lá longe vi o Ken.
"Ken ! Desculpe a demora. Estranhei que você não me seguiu . . . "
"Eu admito que não gosto muito de ficar perto do Castiel, acho que ele tem raiva de mim até hoje por causa daquele soco que dei . . . " ele falou com um olhar assustado. Ele é fofo, admito.
Admito que ri, até porque o Castiel parece ser muito tranquilo quanto ao Ken . . .
De qualquer forma finalmente entramos na sala pra conhecer o mascote e ter aula (milagre ????)
Todos nos sentamos, eu me sentei do lado do Ken dessa vez.
A Rosa soltava um sorrisinho de quem estava gostando de me ver colada no Ken, novidade, o sonho dela é me ver "desencalhar".
Já o Alexy não parecia gostar nem um pouco de nossa proximidade, não me admira.
O professor Faraize entrou na sala de aula com um lindo coelhinho !
Eu derreti, nunca vi um coelho ao vivo.
Lysandre olhava fixo pro coelho, ele parecia um gatinho quando está muito feliz e chega a tremer. Nossa ele realmente ama coelhos. Admito que achei fofo . . .
Todos queriam tocar no coelho e tudo mais.
Começou a ter uma votação pra dar um nome pro coelho. Após o intervalo sairia o resultado.
Eram opções já dadas, no caso, escolheríamos entre as opções que tinham no papel.
Ao ler a lista me perguntei quem diabos escreveu aqueles nomes . . .
Bam, Bambam, Bum, Bana, Bimbo . . . Que bosta.
Sério, eu fiquei com pena do coelho.
Mas como não tinha muito o que fazer, votei em Bimbo . . . Que bosta.
Lysandre estava grudado com o coelhinho, era uma visão muito fofa, admito.
Ele parecia perdido enquanto brincava com o coelho.
Decidi ir até ele e pedi pra brincar um pouco também.
Ele pareceu nervoso com minha presença, mas pra aliviar um pouco eu sorri.
Isso não significa que eu perdoei o que ele fez, mas de fato ele não tinha porque fingir gostar de coelhos, e afinal, ele mesmo disse que cria coelhos brancos.
Fora que tem o que a Debrah me falou né, deixar eles sob meu controle, dando gelo não vou conseguir nada.
Lysandre me deu o coelho sem hesitar.
"Qual nome você escolheu pra ele Lysandre . . . ?" tentei puxar assunto.
"Eu . . . Esqueci, desculpe." Ele respondeu.
Era de se esperar . . . Nem sei por que perguntei, sinceramente.
"Eu acho que quem fez essa lista tem um péssimo gosto pra nomes, esse coelho vai ter depressão." Ele sorriu.
É nossa primeira conversa sadia depois de tanto tempo . . .
Eu não queria desgrudar do coelho, era tão fofo.
E ele parecia ter ficado bem a vontade comigo.
"Você cria coelhos né ? Você me falou uma vez." eu perguntei pra ele, pra puxar assunto.
"Sim . . . Tenho 15 coelhos em casa." ele falava enquanto acariciava o coelho no meu colo.
Ken estava de longe vigiando se algo iria acontecer, pude reparar sua visão atenciosa pra mim.
"Ele parece ter gostado bastante de você. Sabe, o senso crítico dos coelhos é bastante elevado. Eles são muito desconfiados, pra ele ter permitido tal grau de intimidade com você significa que você realmente é uma boa pessoa." ele falou gentilmente.
"Seus coelhos se dão bem com você ? " eu perguntei curiosa.
"Sim. Eles são muito carinhosos e peraltas." ele respondeu.
"Hmm . . . Acho que o "senso crítico" dos seus coelhos está com defeito, eles não conseguiram enxergar quem o dono deles é de verdade . . . " eu acabei soltando esse comentário em um lapso de raiva.
Ele pareceu deprimido, aquele sorriso lindo que ele estava dando se transformou em uma boca triste.
Ele desviou o olhar e se desculpou enquanto se levantava.
Acho que peguei pesado . . .
Realmente não tinha necessidade, não agora . . .
Ficou somente eu e Ken na sala, os alunos se espalharam. Antes estava eu Ken e Lysandre.
Parece que o coelho não prendeu muito a atenção dos alunos, e como temos mais intervalos do que aulas, bem, todos foram pra um dos muitos intervalos que temos nesse colégio.
"Eu ouvi o que você falou pro Lysandre . . . " O Ken falava enquanto se sentava
"Sim, e daí ?" eu respondi um pouco irritada com o fato dele querer meio que me pressionar.
"Eu já falei . . . Acho que devia perdoar ele . . . A Debrah mesma falou que você devia se aproximar deles com cautela . . . Eu admito que sinto c-ciúmes, mas . . . A-acho que é a melhor solução . . . "
É incrível como o Ken tem facilidade em falar que gosta de mim.
Ele expõe os sentimentos dele pra mim sobre mim tão facilmente que às vezes termino duvidando . . .
"K-ken . . . Por que eu ?" eu perguntei, estou engasgada com isso.
"Eu fiz maldades horríveis com você e mesmo assim você me protege e fala sem medo que gosta de mim . . . Por quê . . . ?"
O Ken começou a se aproximar aos poucos, meu coração palpitava intensamente.
"Nós não escolhemos de quem gostar. Simplesmente gostamos . . . Mas pode ter certeza que se eu tivesse a opção de escolher uma pessoa pra gostar eu escolheria você" enquanto ele falava isso de forma delicada e séria da qual nunca vi o Ken falar na vida (ele nem gaguejou !!) ele se aproximava.
Eu podia ver cada poro dele de tanto que ele estava próximo à mim.
Ele ia me beijar, tenho certeza.
Mas eu por impulso peguei o Bimbo (que bosta) e coloquei na frente enquanto fechava meu olho.
Ao abrir meu olho eu vi uma luz similar a que vi quando ele beijou a Ambre.
Uma luz intensa entre ele e o coelho.
O que significa isso ???
No susto eu levantei de uma vez e saí correndo com o Bimbo de lá.
Meu coração estava disparado.
Tanto com o fato de que ele quase me beijou, quanto com o fato de eu ter visto aquela luz estranha entre o Ken e o Bimbo.
Mais à frente pude ver o Nathaniel entrando na sala do grêmio.
Eu chamei por ele, ele parou e acenou pra mim.
"Eu estava querendo falar com você ! Por onde você andou ?"
Por algum motivo eu sinto coisas muito estranhas pelo meu corpo, não sei dizer, calor talvez.
Entrei no grêmio com o Nathaniel muito curiosa sobre o que ele queria falar comigo.
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Acordei com uma dor de cabeça irritante, meus ouvidos pulsando, meu coração acelerado. Só consegui abrir os olhos depois de alguns segundos, não reconhecendo o ambiente. Estava em algum tipo de cubículo completamente vazio a não ser por mim, deitada desconfortavelmente no chão. Uma grade se encontrava aos meus pés, uma corrente bruta de metal a prendia com uma porta de ferro. Tudo que eu podia ver eram caixas de madeira, milhares delas, todas iguais. Apoiei meu peso nos cotovelos, tentando me levantar. Arrependi-me instantaneamente, a dor era insuportável. Repousei a cabeça no chão mais uma vez e deixei que o sono chegasse.
Eu sei que estou sonhando, mas não consigo controlar os movimentos da Ashy do sonho. Eu corro em direção à uma floresta, é notável que estou fugindo de alguém. Sinto o medo, o suor me escorre pelas têmporas mas me recuso a desviar meu foco do destino. No momento em que meus pés tocam a relva, eu entro em uma queda assustadora. Sinto o vento em meu rosto, secando o suor e espantando qualquer esperança de sobrevivência que eu tivera.
Acordei com um susto, me sentando bruscamente e fazendo minha cabeça latejar mais uma vez.
- Já era hora! Garota folgada. - A voz veio de fora da grade.
Pude reconhecer a silhueta de uma pessoa, um homem pela voz.
Eu: Quem está aí? - Eu tentei enxergar o homem, mas a iluminação era pouca e a dor de cabeça provocava manchas pretas em minha visão.
- Não é com quem está aqui que você devia estar preocupada, mas sim com o que vamos fazer com você. - Ele riu, um som rouco e assustador.
Eu: O que você quer? - Minha voz era fraca, minha garganta estava seca como se eu tivesse engolido um punhado de areia.
Dessa vez não obtive resposta, o homem ficou parado por uns bons 2 minutos. Enquanto me esforçava para enxergá-lo, ele tirou algo das costas, percebi que era metálico pelo barulho insano que provocava em contato com a grade quando o homem o arrastava até completar a volta toda e depois refazia o percurso.
Um grito horrível e assustado escapou pela minha garganta enquanto eu me encolhia no meio da cela, tentando evitar os extremos. Aquele barulho atravessava a concha que havia feito com as mãos nos ouvidos e perfurava meu cérebro. Até que havia silêncio absoluto, um oco no ar. Meu grito havia falhado a muito e o homem não estava mais presente, e então, fui deixada mais uma vez desconfortavelmente assustada e um barulho agudo em meus ouvidos como companhia.
Eventualmente peguei no sono e só percebi quando acordei suando. Minha noção de tempo me dizia que era madrugada, apesar do ambiente fechado me fazer pensar que minha mente poderia, a esse ponto, estar me pregando peças. Depois de um tempo, foi possível reconhecer um cochicho baixo, uma conversa sussurrada. Me aproximei da grade com a corrente e pressionei meu ouvido contra o metal na intenção de ouvir algo que pudesse me tirar daquela situação. Tentei me concentrar por alguns minutos mas os sussurros eram incompreensíveis, até que cessou. Depois, estalos de salto-alto e outro par de sapatos batendo no chão preencheu o ambiente e eu me joguei à posição anterior quando percebi que estavam vindo na minha direção. Fechei os olhos com força e torci que não reparassem que eu estava acordada.
Os passos pararam, bem na frente da cela.
- Mas como você é burro! Essa é a garota errada. - Uma voz feminina extremamente fina esclamou.
- Eu não entendo, o retrato… - O mesmo homem de mais cedo tentou argumentar.
- Cale-se! Se livre dela e me traga a que eu ordenei. - Ela estalou a língua e saiu batendo os salto até que fosse impossível ouví-los.
Um alívio repentino me invadiu, eu não era a garota… Mas então, o que fariam comigo? O que a mulher quis dizer com “se livre dela”? O medo arrepiou minha espinha até que fosse impossível controlar o tremor de meus membros.
Um baque surdo foi produzido quando o cadeado da corrente foi ao chão, não pude evitar de abrir os olhos e me sentar, assustada com o barulho.
- Realmente sinto muito por isso. - O cara adentrou a cela. - Mas pense por esse lado: morrer vai ser bem mais fácil do que se tu fosse a menina certa. - Ele piscou, fazendo que eu tivesse vontade de cuspir em seu rosto.
Eu me controlei, não era o fim ainda e eu lutaria até que fosse.
***
O tal cara me arrastou pelos pés por um caminho torturante, cada saliência era um ponto de dor excruciante, até que eu estivesse deitada em campo aberto, minha cabeça latejando e meus pés dormentes pelo aperto. Por um segundo, achei que poderia correr, que ele tivesse me deixado ali para encarar uma morte por causas naturais. Mas então o ouvi gargalhar e então engasgar.
- Me desculpa, fico nervoso quando chega nesse ponto. - Ele disse, tossindo.
Sentei-me e o encarei. Ele segurava uma arma com as duas mãos apontada para mim e me olhava fixamente. Meu corpo todo gelou, mas então, lembrei da minha promessa de lutar e respirei fundo.
Eu: Você não precisa fazer isso. - Tentei soar gentil mas o rouco em minha garganta fez com que a frase saísse um pouco grave.
- Ah, eu tenho! - Ele berrou. - Tu não conhece ela! Não sabe o que ela faz com quem desobedece! - Ele tremeu e a arma escorregou.
Tudo aconteceu muito rápido, no que ele tentou agarrar a arma, a disparou acidentalmente, acertando o chão com um barulho ensurdecedor, e caindo de sua mão. Aquela era a distração que eu precisava, juntei toda minha força, me levantei e corri sem olhar para trás. Eu suava frio, meu corpo todo protestando por ter estado tanto tempo parado mas eu me recusava a perder o ritmo, temendo minha vida.
- Volte aqui, peste! - Eu ouvi o cara gritando.
Provavelmente já teria recuperado a arma e estaria atrás de mim a essa altura, mas o oco em meu estômago viajava até meu cérebro, fazendo com que eu não conseguisse discernir passos além dos meus.
Outro som ensurdecedor e eu tropecei em meus pés com uma dor insana no ombro direito. Levei um longo segundo para perceber que uma bala havia passado de raspão por mim. Mas aquilo não podia me parar, e eu continuei correndo até que entrei na floresta e ganhei vantagem bastante para poder olhar para trás. Não havia sinal do homem, eu bufei de alívio.
Segui um caminho zigue zague sem me preocupar com a direção, já estava perdida de qualquer maneira. O sol estava nascendo na minha frente, então eu sabia que ali era o leste, não que fosse de muita ajuda, não fazia a menor ideia de onde a cidade ficava e nem a distância a percorrer para chegar a uma civilização. Mas, de qualquer jeito, não deixaria de tentar.
***
Caminhei pela floresta até que o sol marcasse o meio do céu, meio-dia. Meu estômago era um oco inimaginável, a fome já havia o consumido a muito, minha garganta ficava mais seca a cada passo. Até que adentrei uma clareira não muito grande, mas o bastante para que o som de alguma fonte de água esperançosamente perto se propagasse por ela.
Andei por mais alguns metros sendo guiada pelo som de água corrente e quando avistei o riacho, disparei em uma corrida desesperada. Não era muito grande, de pé, a água batia na minha cintura, mas era perfeito para o banho que eu tanto ansiava. Enchi minhas mãos com água e a tomei, feliz. Aquilo era um sinal, eu não podia desistir.
Depois de me banhar e recolher o máximo de galhos secos que pude, juntei quatro pedras na clareira e os joguei dentro. Sorte minha que meu isqueiro ainda estava no bolso, junto com um maço completamente amassado de lucky strikes. Ascendi uma fogueira improvisada quando a noite caiu estranhamente rápido, me encolhi ao lado dela e esperei que os pesadelos não fossem piores do que a realidade.
Acordei no meio da noite quando um som de estalo de galho seco percorreu a clareira. Me levantei rapidamente e tentei apagar a fogueira com todo meu esforço.
- Tu foi burra demais, acreditava mais em ti, garota. - A voz do homem me atingiu.
Eu balancei a cabeça em negação, torcendo para que fosse só imaginação mas quando me virei, lá estava ele parado como se o mundo fosse esperar. Reparei que não via arma em lugar nenhum e suspirei em alívio. Pelo menos isso.
- O que tu acha de me acompanhar e eu acabar logo com tu? - Ele começou a caminhar na minha direção.
Não vai ser dessa vez, meu amigo. Eu corri até ele, me jogando com minhas forças restantes e o derrubando. Tentei o socar o máximo que pude, até que eu tivesse feridas nos nós das mãos.
Eu: Não vou morrer hoje, tenha certeza disso! - Eu urrei.
Só parei quando o cara desacordou e percebi que não tinha sido uma luta de uma via somente, eu estava um caco. Revirei os bolsos do homem enquanto ele estava desmaiado e sorri histericamente quando reconheci o formato de um celular, não, o MEU celular. O peguei e corri, corri até que tropeçasse e caísse, sem mais forças para continuar.
***
Acordei desnorteada, segurando firme meu celular perto do peito e respirando com dificuldade. Olhei para o céu e era tarde, finalzinho da tarde. Respirei fundo e disquei o único número que eu sabia que atenderia no primeiro toque. Dito e feito.
- Alô?
Eu: ...Mãe?
O The Sun na Inglaterra era conhecido por ser um tabloide sensacionalista e também com pouca credibilidade em meio aos ingleses. Eles eram famosos por estarem sempre publicando fofocas e boatos pouco verídicos, além de tudo eles pareciam ter uma enorme birra com a Família Real.
O The Sun foi o único tabloide na Inglaterra a publicar as fotos de Harry em Vegas e igualmente, as fotos de Daisy em sutiã e calcinha, fumando na janela – as polêmicas fotos, vendidas pelo menino que a jovem costumava namorar.
De fato, o histórico do The Sun se encrencando com a Família Real era longo, mas nem sempre tudo acabava numa catástrofe, muitas vezes as pessoas simplesmente não davam a mínima para o que eles tinham a dizer...
Naquele dia em especial, Harry ao ler o novo boato que corria solto pela mídia sobre ele e Daisy – ah, que grande surpresa – soube de imediato, que nem o povo, nem sua família, dariam a mínima...
Mas ele não podia deixar de ficar encucado com a veracidade daquela história.
Bebê a bordo: Será que o Príncipe Harry vai ser papai?
Num sábado a noite, SAR Príncipe Harry e sua namorada, senhorita Daisy Cooper, foram clicados entrando juntos a casa noturna de um dos amigos próximos do casal, o empresário e socialite Guy Pelly e também clicados, deixando o local, igualmente, juntos, às duas e pouca da madrugada.
De fato, não é uma surpresa que os dois pombinhos tenham tirado uma noite para se divertirem com os amigos, dançarem e beberem à vontade. Apesar de que o Príncipe Playboy parece ter sido finalmente domado, pela bela jovem, eles são conhecidos por gostarem de se divertir em grupo com os amigos – tanto dele quanto dela.
A grande bomba da noite não foi nenhuma briga com paparazzo e nem ninguém que bebeu demais e sim, de Daisy entrando num box do banheiro da balada, acompanhada de sua inseparável melhor amiga Helen McAvoy – que inclusive, está namorando um dos grandes amigos do Príncipe, o Conde Percy – e fontes que estavam no banheiro, informaram que as duas amigas conversaram por um tempo e parece que Daisy Cooper estaria grávida!
‘Ela estava bem nervosa, parecia. Estava chorando e dizia que não havia o contado ainda, que estava com medo e não sabia o que fazer’ Informou uma das garotas que estava no banheiro na noite de sábado ‘E eu acho que ela estava passando mal, parecia meio pálida e saiu abraçada com aquela amiga dela’.
Uau! Não sabemos quanto à veracidade da notícia, mas de certo sabemos que Daisy não parecia no melhor dos dias quando ela chegou.
Se essa história é verdade mesmo, só o futuro poderá nos dizer, mas a certeza que podemos ter é que...
A Rainha jamais admitirá um bisneto bastardo!
E aí? O que vocês acham? Será que o Príncipe George vai ganhar um priminho?
O jornal estava estendido sobre sua mesa e Harry encarava um ponto fixo na parede branca de seu gabinete. Com os punhos cerrados e mordendo seu lábio inferior, ele repassou a matéria e os pontos principais, mentalmente.
- Será meu Deus? – Pegou-se murmurando para si mesmo.
A porta do gabinete abriu fazendo um estrondo desnecessário – Edward precisava aprender a ser mais delicado – contudo aquilo não fez Harry tirar os olhos da parede branca. Eles pareciam quase petrificados!
- Harry, dez minutos atrás eu estava conversando com o Embaixador da Itália e ele disse que estão mais do que ansiosos em...! – Edward parou abruptamente sua fala, quando seus olhos repousaram no que, minutos antes, Harry estava lendo. – Ah, você recebeu o lixo do dia, pelo visto... Enfim, como eu dizia...
Não o respondeu. Na verdade, ficou de pé e começou a juntar seus materiais e artigos pessoais, como celular, carteira, chaves e pasta.
- Uh, você está indo a algum lugar? – Replicou Edward em completa confusão.
- Yeah... Eu meio que tenho um monte de coisas para resolver. – Disse com o cenho franzido.
Sentindo-se extremamente perturbado, lembrou-se da mensagem de texto que recebeu naquela manhã com os dizeres ‘ugh, não vou trabalhar hoje... não estou saudável o bastante para lidar com os fotógrafos ou sequer ter um rendimento decente no serviço’.
Pela primeira vez ele se sentiu preocupado com a veracidade de uma matéria do The Sun. Pela primeira vez ele não poderia simplesmente rir e revirar os olhos para aquilo, porque era perturbador demais.
Ela estava se sentindo mal há dias e o dava a desculpa que quando os nervos dela se alteravam drasticamente, ela costumava ter aqueles ataques. Harry mesmo sabia que realmente, Daisy quando ficava nervosa tendia a ter dores de cabeça, tendia até mesmo a perder o apetite e vomitar de angústia, mas aquilo nunca foi tão persistente. Nunca!
Será que era possível? Sua namorada estaria grávida? Mas como? Eles sempre foram tão cuidadosos!
- Edward, eu preciso resolver uma coisas. – Disse enquanto jogava a mochila sobre o ombro.
- Ok, mas hm, Simon não está aqui e...
- Dane-se o Simon. Diga a ele para me ligar, eu não posso espera-lo.
-x-
Estirada em sua cama e sentindo pena de si mesma, Daisy gemeu sentindo sua garganta completamente fechada. Ótimo, além do mal estar de dias, agora ao que parecia estava resfriada. Definitivamente Nate estava certo quando disse que não era uma boa ideia ela sair à noite, no sereno, após tomar banho, tomar sopa e passar o dia todo embaixo das cobertas.
O choque térmico estava a matando aos pouco e Daisy só queria poder dormir, mas era insuportavelmente difícil. Seu nariz entupido a impedia de respirar direito, sua garganta estava dolorida, seus ouvidos latejavam...
É, ela se lembrava de comentar que quando as coisas decidiam dar errado era tudo de uma vez! Perguntou-se interiormente quando é que tudo voltaria a dar certo e ela poderia enfim se sentir renovada.
Fechando os olhos lentamente, ela se obrigou a acalmar seus pensamentos, obrigou-se a tranquilizar sua respiração e pensar em um enorme jardim perfumado e florido, onde o único som era o de passarinhos e da água jorrando de uma fonte. Sentada no gramado, em posição indiana, ela meditava, respirando fundo e apenas sentindo a calma envolver seu corpo, o sossego acariciar sua mente com leveza e o conforto a puxá-la para um abraço. Ela teria dormido, se não tivesse escutado um xingamento em uma voz conhecida e se seus olhos não tivessem abrido de repente, para capturarem Harry gemendo e segurando o próprio cotovelo.
- Merda, merda, merda! – Ele xingou gemendo de dor e Daisy sorriu sem forças, sabendo que como sempre, ele havia se esquecido que ela mudara a cômoda de lugar e havia metido o cotovelo em sua quina. – Maldita cômoda do caralho...!
- Harry? – Murmurou com a voz preguiçosa.
Ele parou de xingar no mesmo instante e suas expressões rígidas de dor, amoleceram, enquanto ele ia até a cama. Daisy sorriu de lado ao perceber todo o cuidado que Harry tivera no ato, de como se sentou na beirada de sua cama com os olhos preocupados e tocou seu rosto checando se ela estava com febre.
- Meu amor, você está ardendo... – Comentou ele parecendo aturdido.
- Febre é um sinalizador de que tem algo de errado com meu corpo, não é realmente o problema dele. – Disse enquanto tentava se sentar, mas Harry colocou as mãos em seus ombros e a empurrou de volta a cama. – Eu posso me sentar Harry, não estou tão ruim assim...
- Pelo contrário, você está horrível Daisy! – Ele disse com o cenho franzido.
Ela arregalou os olhos pelo comentário e também ao ver como Harry parecia apavorado e nervoso, uma mistura de sentimentos.
- Uau, é tudo o que eu preciso escutar do meu namorado, de fato. – Tentou brincar, numa tentativa de acalmá-lo, que foi completamente em vão.
Harry já era agitado por natureza. Muitas vezes, aquilo incomodou Daisy porque quando ele estava hiperativo significava que algo o afligia e quando isso acontecia, Harry acabava estressando não apenas a si mesmo, mas todo mundo ao seu redor.
Os olhos dele estavam percorrendo todo o cômodo desde que chegara e em nenhum momento haviam se fixado nela. A perna dele estava balançando de forma incessável e ele estava vez ou outra passando a mão no cabelo, um ato de nervosismo.
- Harry... Está acontecendo alguma coisa? – Perguntou com delicadeza, temendo que as palavras erradas pudessem despertar algo nele, como sua fúria.
Fazia meses desde a discussão no apartamento dele por conta das fotos de Sebastian que ele encontrara em seu backup, contudo Daisy ainda se arrepiava com os gritos que Harry dirigira a ela naquele dia.
- Eu... Eu não sei. – Harry encolheu os ombros. – Me diz você... Eu estou muito, muito preocupado com seu bem estar Daisy.
- O quê? – Franziu o cenho.
- É! Você está doente há dias! Deveríamos ir ao médico verificar isso...
- Ah Harry, eu estive ruim por causa dos nervos, a minha imunidade anda baixa e eu peguei uma friagem do caramba. Não tem nada que se preocupar...
- Você tem certeza? – Franziu o cenho.
- Harry se eu estou dizendo que estou bem, é porque estou.
- Então não tem nenhuma chance de você estar... Sei lá... Grávida?
Daisy arregalou os olhos e se sentou depressa, perguntando-se de onde é que Harry havia tirado uma besteira como aquela. Ele não estava brincando, ela concluiu, quando viu os olhos sérios e o maxilar torto em expectativa pela resposta.
- Harry... – Ela até mesmo riu sem humor. – Claro que não.
- Você tem certeza? Você tem passado mal por dias e...
- Harry! – Impediu-o de continuar, revirando os olhos. – Eu tenho absoluta certeza de que eu não estou grávida. Nós tomamos tanto cuidado com isso, como sequer cogitou a ideia?
- Bem, saiu uma matéria no The Sun de duas garotas que viram Helen e você conversando no banheiro, disseram que vocês entraram no boxe juntas e que você disse que ‘estava grávida e que não sabia como me contar’ ou coisa do tipo.
Daisy revirou os olhos e sorriu balançando a cabeça em negação. Não era a primeira vez que algo ridículo como aquilo saía no The Sun. Já houveram outras como uma gravidez falsa, um golpe da barriga, casamento a vista e certa vez até inventaram que ela estava traindo Harry com Skippy – Pelo amor de Deus! Com Skippy! Quase seu irmão.
- Você mais do que qualquer um sabe o quanto essa gente inventa. – Disse a ele.
- Eu sei, mas eu fiquei encucado. Você esteve passando mal por dias e você realmente foi ao banheiro com Helen... Eu vi vocês duas voltando abraçadas.
- Harry, mulheres vão juntas ao banheiro sempre!
- É, eu sei, eu sou um idiota... – Ele deu um sorriso nervoso. – Desculpe ok?
- Está tudo bem. – Sorriu e sentiu os braços dele rodearem seu corpo e ronronou satisfeita quando o rosto d Harry se escondeu em seu pescoço. – Mmmm...
Suspirou, sentindo os beijos distribuídos e percebeu, ao estremecer, que ela realmente devia estar febril, porque os lábios de Harry pareciam gelados, mas ela sabia que não... Ela já o beijara mil vezes com a certeza de que não havia beijo mais quente que o de seu namorado, ela é que estava borbulhando feito um legume numa sopa.
Ela sabia que provavelmente não era o melhor momento, mas não pôde evitar ao afrouxar a gravata de Harry e desabotoar os primeiros botões de sua camisa.
- Daisy... O que você está fazendo?
- O que acha? Tentando engravidar. – Sorriu e revirou os olhos. – Faz amor comigo, Wales.
-x-
Ele não a deixou cozinhar naquele dia. Diante do fogão, Harry se viu preparando o macarrão que era a única coisa que sabia preparar decentemente. Estirada no sofá, usando a camisa dele, Daisy estava assistindo a um filme em desenho animado.
- Você nunca vai se cansar desse filme vai? – Harry perguntou enquanto preparava o molho a bolonhesa para o macarrão.
Daisy sorriu e encolheu de ombros, enquanto assistia sua cena favorita de Meu Malvado Favorito – a parte em que Agnes ganhava o unicórnio e gritava ‘ele é tão fofinho!’.
- Ei... Eu tenho uma coisa pra te contar na verdade. – Daisy disse do sofá. Harry empalideceu e a pegou rindo. – Honestamente, eu vou ficar ofendida... É tão horrível assim a ideia de eu estar grávida? A ideia de eu ser mãe dos seus filhos?
Harry se sentiu imediatamente mal, porque percebeu que por mais que Daisy estivesse rindo, ela parecia desconcertada e tensa. Ele não queria nunca fazê-la se sentir daquela forma.
Daisy ser mãe de seus filhos era a coisa que Harry mais queria na sua vida – e de fato, ele já havia deixado claro aquilo pra ela – mas não no momento. Não quando eles não eram casados, não quando Harry não precisava de mais fama ruim para seu histórico.
- Claro que não. Você vai ser a mãe dos meus filhos... – Disse enquanto abaixava o fogo e a viu ficar corada. – Só não é o momento ideal para isso...
- Mas e se eu estivesse? – Daisy mordeu os próprios lábios. – Como você reagiria a isso?
Harry estranhou a pergunta e honestamente, se perguntou se Daisy estava o escondendo alguma coisa... Qual afinal era o motivo daquela pergunta?! Ela não estava grávida, certo?
Harry pessoalmente nunca havia pensado naquilo. O que ele faria, afinal, se Daisy estivesse grávida?
- Eu acho que gostaria de saber primeiro como você está se sentindo e como você está disposta a lidar com isso... – Franziu o cenho.
- Sim... O Harry, meu namorado, faria isso. – Daisy acenou com a cabeça. – Mas e o Príncipe Harry?
- Uau! Você tem certeza que...
- Absoluta. – Daisy cortou-o, um pouco mais impaciente. – Responda-me, sem medo.
Acenando com a cabeça Harry engoliu em seco e desligou o fogo, enxugando as mãos no pano de prato e preferindo sentar-se para conversar aquilo com ela. Daisy até mesmo dera pausa em seu filme e arredou no sofá, para dá-lo espaço.
- Eu acho que como Príncipe um filho “bastardo” – Fez aspas com os dedos. – Seria inadmissível. Ele provavelmente não receberia um título. Também não entraria para a linha de sucessão ao trono... Mas não seria menos meu filho. Não pra mim. Eu o amaria da mesma forma que amaria um filho que tive dentro do casamento... Daisy, eu estou meio curioso por causa dessas perguntas.
- Você acha que me pediriam para interromper minha gravidez se eu estivesse esperando um filho seu? – Ela o ignorou totalmente e a pergunta que fizera apenas deixara Harry ainda mais abafado.
- Pelo amor de Deus, Daisy! – Ergueu seu tom de voz e arregalou os olhos. – Minha família não é flor que se cheire, mas também não somos um bando de monstros! Ninguém pediria a você, jamais, para interromper sua gravidez. O que são todas essas perguntas Daisy Olympia?!
- Harry... Não é nada de mais, honestamente...
Contudo, Harry não acreditava nela. Encarando-a com seriedade, cruzou os braços sobre o peito, esperou para que ela tomasse atitude de uma namorada, de uma mulher e o contasse a verdade. Não, ela não era tão cara de pau de mentir pra ele e dizer que não estava grávida e agora, desmentir!
- Tem algo acontecendo que eu sei. – Insistiu. – Daisy...
- Eu não estou grávida, Harry! – Daisy respirou profundamente tentando manter a calma. – Agora, o mesmo não se pode dizer de Helen!
Harry arregalou os olhos. Espere... Ele havia escutado direito?
- Sim, você escutou direito. – Daisy disse passando as mãos pelo rosto. – Eu só estou realmente ruim de saúde, nada de mais... Helen está grávida. Foi ela que as meninas do banheiro da boate escutaram falando sobre gravidez e não eu.
- Mas... O quê?
- Pois é... Seu amigo vai ser papai.
Harry arregalou os olhos com a notícia. A melhor amiga sem juízo de sua namorada estava grávida de seu bom, velho e centrado amigo de infância, George.
De repente agora tudo fazia sentido, agora as perguntas de Daisy tinham pé e cabeça. George era um conde e Harry estava bem ciente de que os Percy eram cheios das frescuras e modismos ingleses – tanto quanto a própria família dele – e que Daisy fazia as perguntas por sua amiga e não por si mesma.
Foi como tirar o peso do mundo de suas costas, porém sem deixar de se sentir um pouco mal com os olhos chateados de Daisy. Ela provavelmente se sentiu meio constrangida com a reação dele a uma suposta gravidez dela.
- Eu não queria te magoar ou coisa do tipo. – Murmurou. – Eu já te disse... Só não seria o momento ideal.
- Eu não estou magoada, é só que você parece tão negativo com isso. – Deu de ombros. – Eu só estou imaginando agora, o que faríamos se a situação fosse contrária.
- Mas não é.
- Não é, mas poderia ser...
- Daisy... – Gemeu aflito. – Eu não quero uma discussão. Eu estou tão cansado de brigar com você! Nós temos feito isso bastante.
Daisy encolheu os ombros e desviou o olhar e Harry suspirou, aproximando-se e a puxando para um abraço, querendo que talvez aquilo consertasse as coisas. De fato, não consertaria e ela ainda parecia magoada, embora não admitisse.
- Eu iria amar ter filhos com você... – Disse no ouvido dela, afagando suas costas.
- Mas não um bastardo... – Havia um tom de acusação e meio decepcionado.
- Desculpe querida.
-x-
Ela não estava chateada, realmente não estava, mas nunca pensou que se sentiria tão constrangida como se sentia naquele momento. A ideia, para ela, de estar grávida de uma criança fora do casamento, não parecia tão terrível como parecia para Harry.
Daisy balançou a cabeça negativamente questionando aquela situação. Ele estava certo... Onde estava com a cabeça afinal? Imagine, grávida de seu namorado, aos vinte anos! Ela estava era ficando louca, isso sim! Louca!
- Er, eu tinha que conversar algo com você... Lembra? – Disse afastando-se de Harry e o tocando no rosto.
- Meu amor... Me desculpe...
- Harry, por favor, vamos deixar isso pra lá – Pediu e então inclinou-se para pegar na mesa de centro o papel que estava embaixo da um dos poucos enfeites de Lily que restaram no local. – Isso é uma carta de aceitação da Universidade de Westminster.
Os olhos de Harry se arregalaram e ele sorriu enquanto pegava o papel. Daisy sorriu de volta, enquanto o via percorrer os olhos pela carta de aprovação, com um sorriso que a cada palavra parecia mais largo.
- Isso é ótimo querida, maravilhoso. – Disse Harry abraçando-a. – Eu estou tão orgulhoso de você. Eu não sabia que tinha se inscrito para Westminster...
- Eu não me inscrevi, meu irmão me inscreveu. – Disse se soltando do abraço, para olhá-lo. – Ele me entregou a carta ontem.
- Bem, um salve ao Nate!
- Um salve ao Nate. – Concordou acenando com a cabeça.
- E você vai? – Harry perguntou enquanto dobrava a carta.
- Ora, é claro que sim. – Disse como se fosse óbvio. – Eu vou fazer minha matrícula assim que possível.
- Mas e Oxford? – Replicou Harry. – É o seu sonho! Talvez você consiga ano que vem...
Daisy respirou profundamente e negou com a cabeça, veemente, enquanto mudava-se para o colo de Harry, forçando-o a encará-la e num tom baixo disse.
- Eu não entrei esse ano nem em Londres, Cambridge ou Oxford e a Universidade de Westminster me aceitou. Eu seria muito arrogante de dizê-los não, apenas por um mero capricho... Eu vou poder estudar e me tornar uma socióloga em Westminster. Oxford é o sonho da maior parte das jovens que estudam em colégios particulares Haz.
- Você tem chance de alcançar isso e...
- Eu tive a minha chance! Eu disse não! – Daisy cortou-o.
- E você não se arrepende? – Replicou Harry aturdido.
- Claro que não! Se eu tivesse ido para Oxford, eu não estaria aqui com você.
Daisy perguntou a si mesma por um momento se Harry estava incomodado com ela. Será que ela estava sendo pegajosa demais? Será que ela estava o pressionando a alguma coisa?
Refletindo em suas atitudes, Daisy honestamente não achava que estava fazendo nada de errado. Ela apenas retribuía a Harry, ela nunca foi a primeira a mencionar qualquer passo importante da vida a dois deles.
- Oxford é seu grande sonho! Você sabe... Fica apenas à uma hora de Londres, amor. – Harry disse lentamente e tocou seu rosto. – Isso não mudaria nada.
As expressões franzidas em confusão de Daisy se suavizaram e ela já sabia o que se passava na cabeça de Harry. Ele provavelmente imaginava que se tratava dele, de ela não querer deixa-lo em Londres, temendo que aquilo pudesse afetar seu namoro.
- Não é nada sobre você... Eu sei que você sempre se preocupa com o quanto você pode afetar minha vida, e apesar de que sexual e romanticamente você tenha feito uma completa reviravolta... – Constatou com um sorriso ao vê-lo rolar os olhos. – Não se trata de você, amor. Não mesmo. Trata-se de mim. Eu não quero desperdiçar essa chance para satisfazer um mero capricho... Não é sonho! É capricho! Pessoas que sonham com Oxford, não desistem da vaga, apenas para tirar um ano de descanso e vagabundagem.
Apesar de não completamente convencido, Harry parecia mais aliviado e Daisy ficou feliz que os dois tivessem chegado a um consenso, sem terem que discutir a relação e desgastarem-se, apenas para provar ao outro o que estava certo e o que estava errado.
Ela quis dizer cada uma daquelas palavras, e na verdade, ela queria completar e dizer ‘você é o meu sonho agora’, mas achou melhor não, porque na sua cabeça ainda estava martelando a ideia de que talvez Harry estivesse um pouco enjoado dela e quisesse dar outro pique à relação dos dois, que talvez ela estivesse retribuindo demais ao amor descomunal que ele a dava.
- E como você vai fazer com seu emprego? – Harry perguntou curioso.
- Bem, eu vou diminuir minha carga horária. – Encolheu os ombros. – Eu vou conversar com a senhora Emerson e ver o que dá pra fazer... Eu vou entender se ela preferir me mandar embora.
- Você não tem que trabalhar... Você ainda recebe a mesada, certo?
- Sim... Mas Nate não. – Riu sem humor balançando a cabeça negativamente para a infantilidade de James em ter cortado o dinheiro de seu irmão. – E por isso eu devia continuar trabalhando.
- Nate vai se formar em Junho! Ele vai arrumar um emprego depois. – Harry revirou os olhos. – E você só vai para a faculdade no outono... Não há razão para que você trabalhe. Você vai ficar desgastada.
- Harry... Um monte de pessoas, na faculdade, estudam e trabalham. – Disse com tranquilidade. – Eu não vou morrer.
- Mas é diferente! Você tem a opção de não trabalhar... – Harry insistiu.
- Não, eu não tenho essa opção. Harry eu não sou rica! – Daisy franziu o cenho, sentindo a mão dele sobre sua coxa e o vendo revirar os olhos, parecendo ainda inconformado. – Eu não posso simplesmente pegar o dinheiro e começar a gastá-lo...!
- Você fazia isso antes!
- Antes! Agora eu tenho um emprego, Harry! Um emprego que eu amo por falar nisso... Às vezes parece que não significa nada pra você!
- Significa, é claro que significa. Qualquer coisa que tenha valor pra você tem pra mim.
- Então assunto encerrado! – Daisy franziu o cenho frustrada. – Meu Deus, parece que decidimos discutir tudo de uma vez, todas as brigas que não tivemos nesses meses todos...
Erguendo-se do colo de Harry, passou as mãos pelo pescoço, respirando profundamente e já sentindo as consequências daquela longa conversa desgastante, quando sua garganta se mostrou extremamente dolorida. Deus, ela teria sorte se conseguisse sequer comer.
- Desculpe, eu sei que estou errado, mas é porque estou pensando mais longe do que você... – Ela escutou-o e escutou também o ranger do sofá, para então ver Harry ficando em pé. – Daisy, na faculdade... Ugh, vai ser ainda pior. Vão te fotografar no campus, na sala de aula e honestamente, você vai ter que escolher muito bem com quem andar lá dentro. Infelizmente é o peso de se estar comigo.
Daisy ficou calada, é claro que ela já havia pensado naquilo e considerado todas as suas opções. Estava bem ciente que se fosse aceita na faculdade, haveriam fotógrafos no campus, haveriam colegas de classe que iriam vigiar os mínimos movimentos dela e registrá-los em seus celulares para fazerem um dinheirinho rápido, haveriam pessoas que se aproximariam dela por causa de Harry e não por quem ela era.
É claro que olhando daquele jeito, ir pra faculdade parecia uma completa loucura, contudo, Daisy estava bem ciente de que havia muitas outras pessoas que almejavam ter a chance que ela tinha – uma vaga e condições para pagar as mensalidades e os materiais – e ela sempre disse a si mesma que seria uma mulher graduada e não poderia mudar aquilo.
Sonhos mudavam, sim. Contudo, aquilo ia muito além de um sonho... Era sua obrigação.
- Quer saber de uma coisa? Vamos deixar para nos preocuparmos com isso quando chegar a hora... – Harry colocou as mãos sobre os ombros dela e a encarou, Daisy podia ver o quanto ele estava se sentindo culpado. Por sua reação quanto à falsa gravidez, pelas discussões bobas e por ter a lembrado daquele pequeno detalhe. – Eu estou feliz e orgulhoso de você...
Sorriu fraco e acenou com a cabeça, colocando as mãos no pescoço de Harry para selar os lábios dos dois rapidamente.
Eles estavam bem.
-x-
Honoré de Balzac uma vez citou que ‘É mais fácil ser amante do que marido, pois é mais fácil dizer coisas bonitas de vez em quando do que ser espirituosos dias e anos a fio’.
Deitada na cama, vestindo apenas a camisa de George e o vendo ressonar longamente, após terem uma longa e maravilhosa transa no apartamento dele, Helen refletiu, no silêncio do quarto, sobre as palavras daquele homem metido a sabe tudo. Geralmente, ela não costumava dar muitos ouvidos a essas baboseiras, ela achava que a vida era o que fazíamos dela e apenas isso!
‘Pra quê perder tempo refletindo? Faça o que tem vontade e pronto!’ Helen viveu com aquele mantra por tempo demais supôs.
Ela nunca imaginou que Daisy ter conhecido Harry causaria uma reviravolta em sua vida. Era engraçado, porque ela sabia que a vida de sua melhor amiga nunca mais seria a mesma a partir do momento em que ela se mostrara pública com Harry, mas Helen nunca sonhou que as coisas iriam mudar para ela também...
Não, ela não falava dos paparazzi, das pessoas que a adicionavam no Facebook, das suas fotos circulando na internet... Ela falava do homem ao seu lado, do homem que era o pai do bebê que estava crescendo em seu ventre.
Seu filho.
Ela teve tempo de sobra para refletir sobre o que queria e o que não queria e também o que era melhor e o que não era viável... Em meio àqueles balanços, Helen procurou a melhor alternativa, a melhor resposta que ela daria para George quando ele despertasse de seu sono profundo.
Era muito difícil mulheres como ela, terem sorte de encontrar homens como George. Helen sabia o quanto era sortuda por ter alguém tão maravilhoso como ele era. Ela até podia fazer piada daquelas gravatas ridículas que ele vestia, do fato de que ele agia como um velho para a idade podia tirar sarro porque ele estava perdendo cabelo e até se sentir um pouco irritada por ele implicar com seu vestido curto e seus decotes exagerados, mas ainda assim, não importa o quanto George demonstrasse ser o cara mais errado para ela, Helen não conseguia não amá-lo.
Talvez porque ele foi o primeiro que a respeitou e não a meteu um par de chifres, além de tudo, também foi o primeiro que não a viu e a tratou como uma ‘qualquer’.
Aquela era a história de sua vida, se recordou com tristeza. Todos os caras achavam-na interessante para beber, se divertirem, transarem algumas vezes e apenas, mas quando ela mencionava um relacionamento, eles só faltavam rir na cara dela.
Eles não gostavam que ela falasse o que pensava; não gostavam de seu jeito desinibido; não gostavam dos seus vestidos extravagantes; não gostavam que ela não tivesse problemas de autoconfiança quanto ao seu corpo. Eles preferiam meninas como Lauren e Daisy... Mais discretas, mais sensatas, mais cuidadosas e, como muitos deles jogaram na cara dela, mais de uma vez, ‘com mais conteúdo intelectual’.
Em resumo, eles achavam-na burra e houve um tempo em que Helen, realmente acreditou Talvez ela fosse burra mesmo, talvez o melhor fosse ela viver a vida daquele jeito, pulando de colo em colo, tropeçando em boate por boate, sendo rejeitada e bebendo o tanto que pudesse.
Ela teve tanta sorte por encontra-lo... Tanta.
Ela nunca imaginou que ele poderia retribuí-la, ela honestamente pensou que no fim da noite, acabaria cedendo a Skippy e treparia com ele no banco traseiro do carro para então, cada um seguir com sua vida tranquilamente. Se fosse para ser honesta, a princípio, a incomodou que George logo de cara havia declarado os dois como oficiais, como exclusivos... Ele não se incomodou em chama-la para sair mais do que duas vezes, antes de eles repentinamente se tornarem namorados. Hoje, ela apreciava aquilo.
Ela apreciava sua seriedade e objetividade, apreciava seu carinho e cuidado. Apreciava que ele tivesse sido tão respeitoso, desde o inicio. Ele não foi menos amoroso com ela na primeira transa só porque ‘não se conheciam’ e ‘não tinham nada’. Não... Ele passou a noite e pediu seu telefone, ela o passou, imaginando que ele nunca iria ligar, mas ele ligou. E ele apareceu de novo e de novo...
Helen se viu apaixonada por ele muito rápido, mas aquilo não a assustou. Era confortável, ela tinha um homem bom, bonito que a amava e cuidava dela. Um homem que estava pronto para lidar com a situação que eles estavam passando e não querendo fugir!
George era o melhor namorado do mundo. E ela não tinha dúvidas de que ele também seria um marido e pai incrível...
- Ei... Você está acordada. – Ele murmurou com a voz cansada.
- Sim. – Sorriu de lado.
- Você estava me olhando dormir, ugh, você vive fazendo isso.
- Desculpe não posso evitar.
- Está tudo bem.
Helen suspirou e esticou o braço pela cama para tocar os fios ralos loiro médio no cabelo George e o viu fechar os olhos novamente, adorando o carinho. Ela sorriu, sabendo que aquilo o deixaria sonolento e decidiu parar.
- Hmmm não... – Ele gemeu traído. – Continue.
- George...? – Ela o chamou suavemente.
- Sim, meu bem? – Ele perguntou em meio a um bocejo.
- Eu vou me casar com você.
Não era a forma correta de dar a resposta a um homem, mas o sorriso de George seria inesquecível. Quando ela tivesse quarenta anos, Helen estaria assinando os papéis do divórcio e se lembraria do sorriso que ele a deu e aquilo, encheria seus olhos de lágrimas, porque George tinha o sorriso mais lindo do mundo – e todos os filhos deles o teriam também.
- Você está falando sério?! – George perguntou, mandando toda a preguiça para o espaço e sentando-se. – Você vai se casar comigo?
- Depende. – Encolheu os ombros. – Você não mudou de ideia?
- Helen McAvoy, nem que você tivesse um pênis eu deixaria de me casar com você.
Rindo, ela o puxou de volta para a cama, mais especificamente para cima dela e o beijou nos lábios. Apaixonada, derretida com o calor de seu beijo, com o toque de suas mãos e orquestrando suspiros e gemidos enquanto ele descia os lábios por seu corpo, parando em seu colo, levantando a camisa e chegando onde ele bem queria.
- Ei bebê... A mamãe disse que vai se casar com o papai. – Murmurou ele para seu baixo ventre e colocando um beijo suave ali.
- Ah George... – Helen fez uma careta. – Isso é tão embaraçoso.
- Me deixa Senhora Percy.
- Ugh... Sua mãe provavelmente vai me odiar!
- Há! Quando ela ouvir que você está me dando um varão, ela vai te colocar em cima de um pedestal!
- Que diabo é um varão, George?! – Helen arregalou os olhos.
- Ah Helen, você tem muito pra aprender...
-x-
Se o fato de que ele era o garoto da mamãe aos sessenta e cinco anos estava errado, Charles escolheu não estar certo porque sentado, tomando o chá das cinco, com a mulher que o dera a vida, ele se deu conta de que não havia ninguém mais forte e mais incrível do que ela.
Óbvio que havia muitas mães no mundo e que para seus respectivos filhos, suas respectivas mães é que eram as mais fortes e incríveis, mas Charles, por mais ignorante e até mesmo presunçoso que aquilo soasse, sabia que havia algo a mais na mamãe dele. E não, o que a tornava mais especial que as demais não era o fato de que ela era a Rainha da Grã Bretanha.
- Willis trouxe George para me visitar um dia desses... Eles vão sair em turnê com o pequenino. Segundo ele Catherine insiste para que os três voem no mesmo jato. – Suspirou Elizabeth. – Eu decidi tomar a sua opinião com isso... O que acha, querido?
Charles inclinou as sobrancelhas e por um momento se recordou de quando sua turnê incluía seus dois pequeninos – Will e Haz – e sua primeira esposa, Di. Os meninos geralmente voavam juntos com a mãe e ele, num jato separado e honestamente, não havia um momento na viagem que ele não desejava que os dois pestinhas não estivessem ali para dar um pouco de alegria.
- Eu não vejo porque não. – Disse com honestidade. – São outros tempos mamãe... Podemos alegar corte de gastos, o povo não vai sequer dar um pio sobre isso.
- Bem, se você acha que é o melhor. – A mais velha bebericou o chá. – Você viu seu pai hoje?
- Ah, eu passei e dei olá brevemente... – Charles acenou com a cabeça. – Ele parecia concentrado na partida de xadrez contra ele mesmo, eu não quis atrapalhar.
Elizabeth riu e balançou a cabeça negativamente, murmurando algo como ‘aquele homem’ e Charles sorriu, acompanhando-a.
- Eu gostaria que você desse uma palavra com ele, Charles – Pediu ela com delicadeza. – Ele não tem estado bem, mas você conhece-o... Cabeça dura! Disse que não quer ir ao médico porque ‘quem procura acha’.
- Ele não está errado. – Charles disse fazendo-a rir de novo. – Mãe, nós dois sabemos que eu não sou o mais indicado para falar qualquer coisa com papai. Peça a Anne! Ele não consegue argumentar com ela por mais de dois minutos...
- Ah Anne... – Suspirou Elizabeth. – Ela está nas nuvens com Mia.
- Quem não está? Ela é adorável.
- Você se lembra de como Zara e Will eram inseparáveis? Eu tenho certeza que Georgie e Mia serão, igualmente.
- Ah eu me lembro. – Charles sorriu. – Zara e Will, Bea e Haz.
- Pobre Eugenie, sempre estava tentando se encaixar nas brincadeiras a qualquer custo. Harry sempre foi mais paciente e gentil, eu me lembro mais de uma vez que ele tirou Bea de cima de Genie.
- Há! Isso quando ele não estava mordendo as bochechas da Bea...
Elizabeth riu novamente e Charles a acompanhou. Ele adorava aqueles momentos, adorava relembrar a sua infância e a infância de seus filhos. Ele olhava pra trás e se lembrava de quando era mais jovem, que as pessoas diziam que depois dos vinte o tempo voava... Só agora ele via como estavam certos. O tempo havia passado rápido demais.
- E como ele está? Nosso querido Henry... – Elizabeth perguntou suavemente.
Charles sorriu. Apesar de que William ter tido um grande apego à saia de sua avó, ele sempre percebeu que Elizabeth mantivera um olhar carinhoso em cima de seu segundo filho. Ele imaginava que era porque Harry era tão parecido com Diana.
- Ele está ótimo. – Sorriu Charles. – Ele vem trabalhado muito e há muita expectativa com essas duas turnês...
- Você está orgulhoso pelo visto.
- Muito, mamãe. Se há uma coisa que Harry sempre exerceu corretamente foram seus serviços para a coroa. Quanto a isso eu não tenho o que reclamar dele... – Charles disse com honestidade.
- Bem, o seu primogênito poderia aprender alguma coisa quanto a isso. William está demonstrando interesse demais em seu serviço como Piloto de Ambulância do que como Real.
- Eu acho que ele só quer aproveitar agora, que tem a chance de pegar um pouco mais leve, para poder ter o máximo de normalidade possível e também aproveitar sua família.
- Ainda assim, eu acho que um esforço da parte de Will não cairia mal para ele e para sua esposa. As pessoas comentam Charles...
- Eu sei. Eu... Eu vou ver o que posso fazer. – Disse em tom de promessa.
- Ótimo! Bem, William disse que tiveram um maravilhoso fim de semana em Highgrove acompanhado da moça que Harry está saindo...
- Namorando. – Corrigiu Charles delicadamente.
- Sim, claro. – Elizabeth acenou com a cabeça. – Você... Você a aprova?
Charles teve que prender o riso. No fundo, ele sabia exatamente que rumo aquilo tomaria. Era de conhecimento dele que de repente sua mãe parecia interessada em conhecer a jovem que havia roubado o coração de seu filho caçula.
- Eu acho que ele não poderia ter encontrado ninguém melhor. – Disse com honestidade. – E Harry parece muito certo de se casar com ela, um dia.
- Bem, quanto tempo mais ele vai esperar? Ela tem o quê? Vinte, você disse?
- Ah mãe, honestamente, eu não acho que ele vá ter que esperar muito. Eu acho que a senhora vai estar viva e completamente capaz de vê-lo caminhar ao altar, se é esse o seu receio.
- Olhe bem pra mim Charles, eu vou ver Jaime caminhar ao altar! – Disse com firmeza e Charles acenou com a cabeça, concordando.
- Deus te abençoe, mamãe. – Disse a ela. – A senhora está interessada em conhecer a moça?
- Mas é claro que sim! Se ela está frequentando Highgrove, se Henry está falando de se casar com ela, não que ele não tenha falado disso com cada moça que ele se relacionou, então eu acho que já passou da hora de eu ser apresentada a ela!
- Bem... Eu acho que ele pretendia esperar mais, principalmente quando a senhora se mostrou tão negativa quanto a isso. – Charles escolheu bem as palavras, vendo o cenho franzido da mulher. Respirando profundamente, acrescentou. – É uma boa menina... Acho que Harry e ela estão em sintonia.
- Vai ser um completo desgosto, porém, se ele quiser esperar os quarenta para subir ao altar.
- Mamãe, digo e repito, não acho que eles vão esperar tanto assim... Ela tem vinte anos, mas bem... Há vários tipos de jovens hoje! Ela sabe com quem está saindo, ela sabe quem Harry é e ele mesmo me disse que os dois conversaram sobre isso...
Ela não parecia completamente convicta e Charles suspirou. Conhecendo sua mãe como conhecia, sabia que ela não se convenceria daquilo até que tirasse suas próprias conclusões. Decidido a não insistir naquilo, se serviu de mais chá e pegou um biscoito no prato.
- Tudo bem. – Elizabeth disse de repente. – Mas diga a Henry que eu quero conhece-la antes da turnê na América do Sul. Convide-a para um fim de semana em Balmoral...
*Narração Giovana* Quando acordei, mandei uma mensagem à Felipe dizendo que hoje não poderia ir para sua casa, e depois eu justificava com qualquer motivo. Com isso, liguei para Elidio para falar o que eu estava planejando. - Elidio? Alô? - perguntei ao celular. - Oi, Gio... Acabei de acordar, mas pode dizer. - ele dizia sonolento. - Hoje eu estou planejando fazer com que Melissa vá ao médico. Fique atento ao meu sinal, tudo bem? - alertei-o. - Tudo bem, Gio. Preciso te contar o que tive que falar ao Daniel para ele parar de suspeitar. - ele respondera. - Então, até depois. - disse desligando o celular. Pelo meu quarto eu ouvi o barulho da porta do quarto de Melissa se abrir e ouvi algumas risadas. "Você vai querer almoçar o que hoje?" Anderson perguntava à Melissa. Os dois pareciam bem humorados e felizes, então, resolvi me aproveitar de tal situação. Sai do meu quarto e comprimentei os dois, apesar de Melissa ter fechado a cara pra mim. Mel foi ao banheiro e Anderson desceu para pegar a carteira e ir no supermercado comprar algo para o almoço. Então, fui atrás dele. - Anderson... Oi. - falei timidamente. - Como está a gravidez de Mel? Ela não se abre comigo. - tentei puxar assunto. - Está ótima, ela já me mostrou vários exames e afins. - ele disse forçando um sorriso. - Você sabe que ela tem que voltar ao médico hoje, né? - eu disse. - Mas hoje? Porque? Tem que ser uma vez por mês. - Anderson parecia confuso. - Ela passou muito mal ontem, e ela não parece ter se recuperado, coitada. Hoje ela tem que ir só pra rotina mesmo. - tentei inventar algo. - Vou falar com ela, obrigada pela preocupação. - ele completou. Sorri pra ele e me sentei no sofá, e peguei um esmalte qualquer para fingir que ia pintar as unhas, para conseguir ouvir a conversa dos dois. - Mel, hoje iremos ao médico, ok? - Anderson exigiu. - Mas porque, Andy? De novo? - Mel dizia brava. - Sim, sua irmã disse que é bom você ir fazer um exame de rotina. - Anderson prosseguia. - Ahh, ideia da Giovana, né? Tudo bem, Andy. Eu vou. Mas não precisa se preocupar, pois irei sozinha. - Mel dizia enquanto me fitava. - Porque eu nunca posso ir? - Anderson questionava. - Porque... - Mel tentava dizer. - Eu vou com ela, Anderson. Vá comprar as coisas para o almoço e vou com ela. - sorri de lado. Melissa me olhou confusa, e Anderson entendeu. Deu um beijo na testa de Mel, ficou uns minutos falando feito idiota com a barriga dela, e então foi embora. - Você não vai comigo, Giovana. - Melissa se exaltou. - Nem quero ir, pode ir sozinha. Mas eu quero ver mais ultrassons e tudo viu? Linda. - sorri ironicamente mandando beijos a ela. - Eu vou agora, que ai consigo chegar rápido. De manhã é mais vazio né? - Melissa sorria forçado. Apenas retribui o sorriso, e mandei Elidio passar na casa de Felipe e pegar o carro da mãe dele, pois já estava tudo esquematizado. Mandei uma foto da Julia, para Elidio saber reconhecer caso ela se encontrasse com Mel. "Siga-a e não desgrude dela." Ordenei. - Tchau, Gio. Depois volto. - Mel disse saindo rapidamente. Fiquei torcendo para Elidio se dar bem nessa busca, e aguardei por noticias. *Narração Elidio* Recebi a mensagem de Giovana, e já estava pensando no que eu diria à Daniel. - Dani... Preciso... Sair. - eu pedia. - Com quem? Pra onde? Até que horas? - Dani questionou. - Rapidinho, com a Giovana, irei acompanhá-la numa consulta. Não demoro, te amo. - disse beijando-o em todo seu rosto. Daniel virou um pouco a cara, mas ignorei e fui até a casa de Felipe, que não ficava longe dali. Consegui pegar o carro e parei na porta da casa de Melissa esperando-a sair. Eu havia vestido uma blusa de frio preta com capuz, e coloquei o capuz para ela não me reconhecer. Assim que cheguei, Melissa estava saindo. "Em cima da hora..." pensei comigo mesmo. Esperei Melissa andar uma distância média, e a segui de carro pelo outro lado da avenida. Ela falava ao celular, então me aproximei e consegui ouvir algumas palavras como: "chegando", "você está". E apesar de não entender, segui-a. Às vezes ela olhava por dentro do carro, e eu virava o rosto. Melissa andou até chegar numa sorveteria, e uma garota estava lá esperando-a. Aproximei-me com o carro, e era idêntica a da foto... Era Júlia. Parei o carro um pouco atrás, e me deitei no banco, aumentei o capuz da blusa tapando meu rosto, e fitei-as o tempo todo. Júlia tirou um envelope de sua bolsa e entregou Melissa. Melissa pegou os mesmos e guardou na bolsa. Tentei fotografar e consegui alguma coisa, e mandei no whatsapp de Giovana. "Ela está com Júlia e chegará com um envelope. Me diga o que estiver nele." Depois, Júlia e Melissa começaram a rir juntas, e sairam dali. Elas andaram até uma padaria ali perto e segui-as, parei na porta da padaria e eu ouvia-as rindo. "O Anderson não me deixa beber, pois estou grávida. Então, vamos aproveitar." Dizia Melissa brindando com Júlia suas Heineckens. Esperei elas se distrairem e tirei mais fotos, e mandei à Giovana o que elas estavam falando. Agora tinhamos provas, e Anderson poderia confiar na gente. Depois de 1 hora, elas se despediram e eu voltei para o hotel. "Só estou esperando-a com seus supostos exames." *Narração Melissa* O tempo todo, percebi um carro branco me seguindo, e dentro, um homem todo de preto. Não consegui ver quem era, porém me pareceu muito suspeito. Será que Giovana estava me vigiando? Eu me questionava. Ignorei aquele carro e voltei para casa. - Oi, amor. Já fiz tudo que você pediu. - Andy me recebeu abraçando. - Oi, querido. Tudo deu certo no médico. - sorri para ele. Giovana estava no sofá, até agora mexendo nas unhas, e tentei ignorá-la. - Bom, você trouxe algum ultrassom? Como que é? - Andy perguntava curioso. - Trouxe sim, está tudo aqui nesse envelope. - entreguei a ele. Quando eu disse aquilo, Giovana olhou de relance pra trás e depois se virou novamente. - Melissa, esses exames estão errados. Aqui está com outro nome, tem uma etiqueta aqui... - Anderson dizia confuso. - Será que o médico confundiu? Ah, não acredito. - forcei um choro. Nem eu, nem Júlia haviamos percebido que nesse exame tinha a etiqueta com o nome dela. - Não chora, não chora, meu amor. - Anderson me abraçou. - Está tudo bem. - ele tentava me acalmar. Giovana saiu dali e sorriu para a gente e foi para seu quarto. Continuei meu choro fingido, e abraçando Andy fortemente. *Narração Elidio* Voltei para o hotel e tirei minha blusa de frio. - Voltei, meu amor. - eu dizia animado. Quando olhei Daniel na cama, ele estava espirrando e tossindo sem parar. - Oi, Lico. - ele disse em meio aos espirros. - O que foi, Dani? Que você está sentindo? - fui para perto dele e o abracei. - Acho que gripei. Quem mandou eu ficar por cima né. - Dani riu de lado. - Eu vou cuidar de você, não se preocupe. - beijei sua testa. Daniel estava ardendo em febre, e seu nariz estava avermelhado. Liguei para o Anderson desesperado. - Andersooooooon - eu gritava. - O que foi, Lico? - ele questionava. - O Dani está doente, eu não sei o que fazer. - eu dizia enquanto meus olhos enchiam d'água. Anderson ficou no telefone comigo e me instruiu, sobre quais remédios eu devia comprar, como devia aplicar, e me deu instruções para ficar o tempo todo com o Dani. - Enquanto os remédios não chegam, venha, Dani, você precisa tomar um banho quente. - peguei em sua mão e o trouxe até a banheira. Preparei um banho quente e com sais minerais, e sentei do lado de fora da banheira, enquanto ajudava Dani. - Não estou morrendo, Lico. É só uma gripe. - Dani dizia. - Eu não sei o que fazer nessas ocasiões, Dani. Então, nunca mais debaixo de chuva. - eu dizia firme. - Nunca? - Dani me olhou passando a mão em meu rosto. - Tudo bem, quando estivermos loucos, faremos. Mas, não quero que adoeça. - eu dizia preocupado. Dani sorriu pra mim e me roubou um beijo quente e demorado, passei minhas mãos pelo seu rosto, e desci-a por suas costas, enquanto me inclinava pra frente. - Se ficarmos assim, iremos nos empolgar. - falei rindo sem graça. Dani concordou comigo e sorriu de volta. Depois, tirei-o da banheira e mandei-o vestir uma roupa quente e deitei com ele debaixo de um cobertor grande que tinhamos. Acariciei seu cabelo dando beijos em sua cabeça, até Dani dormir.
Acordei e Analiveh estava tomando banho , só fiquei sentado na cama pensando na vida . Ela saiu , tem como ser mais sexy do que ver ela de toalha saindo do banheiro um pouco molhada ? Eu estava super feliz , nós fizemos dois meses agora , quase eu estrago tudo mas, no final acabou bem , enfim .
Analiveh : Dormiu bem ?
Eu : Perfeitamente . (Sorriso)
Enquanto ela trocava de roupa fui tomar banho , quando saí ela não estava mais lá .
Coloquei uma cueca , meu celular vibrou era o Mateus ligando .
Eu : Cara sabia que meu quarto fica depois do seu ?
Mateus : Aham , eu esculto a Analiveh gemer sempre !
Eu : Não fode porra , hahahaha ! O que tu quer ?
Mateus : A gente tem um plano pras meninas , vamo dar uma saída !
Di : Se arruma logo noiva porque tu demora pra porra !
Viva voz é uma merda .
Eu : Me chamo bem Diego mesmo .
Mateus : Bora porra ! Ah , não conta pras meninas !
Desliguei .
Comecei a me arrumar , depois que eu coloquei minha camisa a Analiveh chegou . Fodeu !
Analiveh : Oi ?
Eu : Nossa , que susto !
Analiveh : Hum … Pra onde você vai ?
E agora ? Siba mentir Lucas , você é bom em mentir !
Eu : Vou ter que dar uma passada em casa ! Parece que meu o pai tá com problemas …
Merda , meti meu pai no meio do desespero .
Analiveh : Você quer que eu vá com você ?
Eu : NÃO PRECISA !
Falei meio que assustado , ela arregalou os olhos . Eu sou um idiota que não sabe mentir cara !
Analiveh : Tá , foi mal por ter peguntado !
Eu : Tá , já vou tchau !
Ela deve ter falado alguma coisa mas, eu não escultei muito bem .
Fui frio senão ia fazer mais merda ainda .
Desci pro meu carro desesperado . Os meninos chegaram depois .
Eu : Olha , parece que a noiva chegou primeiro ! (Sorriso)
Di : Tive problemas no quarto , fiquei com pena da minha ruiva , nem dei um beijo nela .
Mateus/Eu : Eu também não dei um beijo na minha morena/loira !
Di : Estamos ferrados !
Mateus/Eu : É !
No caminho fomos escultando música e bagunçando pra caralho , paramos em um bar qualquer .
Eu : E aí , o que vocês querem fazer para as nossas meninas ?
Di : A gente tava pensando em fazer uma festa surpresa , tipo em comemoração pelos nossos namoros , já que são o seu e da Analiveh passaram o do Mateus e Lawanne também e amanhã é segunda .
Mateus : Aí a gente poderia fazer a festa na minha casa , pra tudo ficar zen .
Eu : Entendi mas, quem vai organizar ?
Mateus : Nós ué !
Di : As meninas cara ...
Mateus : Ah é !
Eu : A gente pode falar que vamos fazer "besteiras de homem" como elas dizem .
Mateus : Pode dar certo !
Di : Elas vão ficar muito putas .
Eu : A Analiveh nem tanto , a gente nem fica tão juntos pra tudo assim ...
Mateus : Sorte sua !
Di : A gente tem que despistar a Anabella , ela é muito filha da puta pra descobrir as coisas .
Mateus : Pois é !
Eu : Vamo farrear !
Di/Mateus : Aí sim !
Fomos pro carro .
Eu : Peraí , pra onde a gente vai ?
Mateus : Pois é , a gente nem sabe onde tem festa ! Bando de cuzão .
Di : O fazedor de ciúmes !
Eu : Quem ?
Di : Pera porra vou ligar !
Ele colocou no viva voz .
Cara : Fala !
Di : Tem uma festa pra hoje ?
Cara : Sempre !
Ele nos explicou onde era a rua e achamos e que festa foda !
Quando chegamos descobri que o cara era o Bruno . Nos juntamos a ele com mais um amigo e ele nos deu uma bebida colorida .
E a festa foi do caralho , tinha meninas que me puxavam mas , sempre no foco que eu tenho namorada , não posso trair minha Analiveh agora que ela é minha mesmo .
A festa tava foda , até eu encontrar a Isabelle .
Isabelle : E aí gato ?
Eu : Não enche !
Isabelle : Cadê sua namorada gatinho ?
Eu : Não interessa !
Isabelle : Uhhh , veio sozinho para a festa , bom saber !
Eu : Argh ! Tchau !
Ela puxou o meu rosto .
Isabelle : Você ainda vai voltar pra mim !
Piscou e foi embora .
Rum !
Se a Analiveh tivesse aqui iria matar ela na porrada .
Continuei minha jornada de dança e bebidas e tudo mais , apaguei depois de umas duas horas .
-
Acordei meio atordoado por causa do horário , quando vi eram 3h00 da manhã , vi que nem aproveitei meu domingo com a minha chata fiquei meio triste . Tentei puxar assunto com ela pra ver se ainda estava dormindo e graças ao Grandão , ela não tava .
Eu : Ei , você está dormindo ? (Sussurrando)
Analiveh : Não !
Eu : Que bom ! A gente vai já embora .
Analiveh : Hum .
Ela ficou em silêncio por um tempo .
Analiveh : O que aconteceu com o seu pai ?
Eu : Nada por … aaaaaaaaaaahhhhhhh tá ! Ele teve um enfarto …
Merda , acabei esquecendo que meti meu pai no meio dessa .
Analiveh : Não precisa , eu já sei que você foi pra festa !
Ela me interrompeu .
Isso aí porra , tô fodido !
Eu : Não foi isso amor , é que … droga !
Não dá pra explicar .
Analiveh : Entendi , agora se quiser ir pra festa vai ué , a vida é sua , não precisa esconder porque eu não vou te proibir .
Graças !
Eu : Então por que tá com raiva ?
Analiveh : Porque você mentiu ! Foi embora sem nem dar um beijo em mim ou olhar pra mim .
Shit !
Eu : Tá bom , me desculpe ? Por favor ? Eu quero que a gente fique bem ! Prometo não mentir mais pra você !
Tentei concertar .
Analiveh : Okay , se fizer isso de novo arranco suas bolas !
Grossa !
Eu : Porra amor , tudo você quer arrancar ou minhas bolas , ou meu pequeno Luke !
Nem é assim que eu chamo ele , só falei pra ela rir . Amo esse sorriso porque ele é só meu .
Analiveh : Pequeno Luke ?
Eu : É , o meu branquelo aqui embaixo !
Ela deu uma risada muito gostosa , me fez ter orgulho da minha piada idiota .
Analiveh : Idiota !
Demos um beijo e levantamos pra arrumar as coisas .
No meu carro foi Analiveh no lugar dela que é ao meu lado , Geovanna e Victor que agora estavam namorando , que escroto . Dormi tanto assim ? É , eu dormi !
O caminho foi tranquilo , Analiveh foi dormindo , por que será né ? Enfim .
Deixei Geovanna e Victor na casa deles e Analiveh foi dormir comigo .
-
Acordei a minha morena para tomar banho , eu já estava pronto , só coloquei uma blusa listrada e uma calça qualquer com um vans preto . Era um dia especial , eu sei mas , eu me sinto bem assim e o que importa é a opinião da minha Analiveh !
Nem tá tão simples assim .
Analiveh saiu do banho .
Analiveh : Dia !
Eu : Bom dia meu amor !
Dei um beijo na testa dela , pense numa mina chata quando acorda ? Agora triplica filho porque é a Analiveh !
Ela colocou uma roupa qualquer e descemos para tomar café .
Depois , saímos entramos no carro e rumamos para escola , fomos escultando música , McFly - One For The Radio .
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Acordei com a porcaria do despertador, levantei, tomei um banho, pus uma saia e uma blusa e desci, deixando o Vinicius dormir. O Joe estava tomando café na bancada, me sentei ao seu lado, me servi e puxei papo. - Como você ta? - Melhor que ontem. - Bom... - Quer uma carona? - Se você não se importar... - Nem um pouco. - Ok, só vou avisar pro Vini. - Te espero na moto. - Ta. Subi correndo a escada, dei um beijo na bochecha do Vinicius e sem querer ele acordou. - Já levanto. - Não precisa, o Joe vai né dar uma carona, de tarde eu volto meu amor. - Ok. Fomos de moto até o campus, ele me deixou lá e eu fui direto pra minha sala. O professor chegou e começou a dar a sua aula, no começo eu até prestei atenção, mas depois fiquei pensando no Vinicius e em como ele deveria estar. - Acorda, ta na hora do intervalo.- A Marina me tirou dos meus pensamento me puxando. - Já tô indo, calma. - Você não tem nada para me dizer? - Hã?- Menti. - Deixa, não é nada não. - Ta. Todos estavam reunidos ja, peguei um pão de queijo e fui sentar com eles, mas antes dei uma ligada para o Vinicius saber como ele estava. - E ai? - E ai. - Taís onde? Achei meio estranho, porque ouvia barulho de vozes e essas coisas. - No mercado torrando o dinheiro do coroa em bebida e coisas pra festa da Marina. - Onde que vai ser? - Lá em casa, já tem uma raça convidada. - Tudo bem, eu vou avisar os outros, beijo, te amo, tchau. - Te amo, tchau. Desligamos e cheguei no pessoal. - Mari, tens remédio pra cólica? - Tenho na minha bolsa. - Pega pra mim, por favor? - Ta. Assim que ela saiu me virei para os outros. - Festa na casa do Vini, ele já ta comprando tudo. Eles comemoraram, mas logo viram a Marina chegando e pararam. - Esse daqui é bom. - Obrigada. Peguei o bagulho e sem ela perceber deixei cair no chão, tomando um gole da bebida dela em seguida para disfarçar. - Ih Ma, podes ir comigo na casa do Vinicius pegar umas coisas minhas depois da aula? - Tu não vai dormir lá? - Hoje não, ele ta meio bolado com umas coisas dele e acho melhor dar um pouco de espaço pra ele. - Ah, ok. O sinal bateu e voltamos para as salas. Nas próximas aulas consegui prestar um pouco mais de atenção. Na saída mandei mensagem para o pessoal dizendo pra irem pra casa do Vinicius e pra ele dizendo que o pessoal ia lá, depois encontrei a Marina. - Que tal um dia de princesa? Minhas unhas estão medonhas. - Ai, as minhas também. Depois a gente podia fazer umas comprinhas né? - Melhor impossível. Fomos ao Cabeleleiro, fizemos as unhas e o cabelo e depois fomos ao shopping, entramos numa loja que só tinha roupa perfeita e levamos um monte de roupa para o nosso provador. Ela acabou comprando um vestido de um ombro só prata e eu um tomara que caia dourado. Saímos dessa e já do lado tinha uma de sapatos. Eu escolhi um preto e ela um vermelho, depois disso fomos pra loja de maquiagem. Chegando ali as moças foram fazendo umas maquiagens na gente e depois nos mandamos dali rindo. Enrolei mais um pouco com ela no shopping e depois a levei para a casa do Vinicius, mas antes mandei uma mensagem dizendo que a gente já tava chegando. Quando finalmente paramos na porta da casa dele tava um silêncio absoluto, peguei a minha chave, abri a porta e assim que entramos todo mundo gritou "surpresa!". - Vocês não esqueceram! - Não mesmo! Dei um abraço nela e depois desapareci na multidão de pessoas querendo cumprimenta-la. Já que não estava muito com clima de festa peguei uma bebida e subi para o quarto do Vinicius. Não tinha ninguém lá, então fui pra sacada, acendi um cigarro e fiquei lá de boa. Segurei a fumaça, tombei a cabeça para trás e depois soltei, estava tão zen que nem notei entrarem no quarto, me escondi ao ver quem era. O Vinicius estava com uma menina loira que tenho que admitir: era linda. - Hannah, cara, eu não acredito que tu voltou!- Ele disse abraçando ela. - Pois é! Como andam as coisas? - Ah, vão indo e contigo? - Também. - Vai ficar até quando? - Acho que um mês, não tenho certeza, a gente tem que combinar um monte de coisa pra acabar com essa saudade logo. - Verdade. - Eu vou numa festa do Vegas daqui a pouco, vamos? - Do Vegas que mora perto do seu apartamento? - Esse mesmo, topa? - Topo!- Concordou na hora. A expressão dele mudou após uns momentos. - Primeiro eu tenho que falar com a minha namorada. - Namorada?!- Ela quase teve um ataque. - É - E ela vai junto? - Acho que não, hoje é o aniversário da melhor amiga dela. Um sorriso se formou em seus lábios. - Ta vai lá falar com ela. Os dois saíram do quarto. Esperei um pouco, sai também e me misturei na multidão pra disfarçar. Quando estava pegando uma bebida ele me achou. - Alaska, eu vou dar uma saída com uma amiga. Olhei séria pra ele. - Tô sabendo, saída né?- Fiz aspas. - Ela é super minha amiga e se mudou, só vai passar um tempo aqui. - Tô ligada, Vinicius.- Falei com desdém. - Ah, deixa vai! - Quer saber? Foda-se. Vai logo! Tchau! Ele sorriu com desconfiança e foi. Se ele pode sair com uma "velha amiga" eu posso sair com um "velho amigo", certo? E eu já sei exatamente quem vai ser, posso não gostar mais dele nem ele de mim, mas duvido que ele vá recusar. Como ele estava conversando com alguns amigos saímos de perto e fomos num dos quartos. - Joe? - Fala. - Tu conhece uma Hannah? Ele arregalou os olhos. - Por favor, não me diz que ela veio? - Ela veio e levou seu irmão com ela para uma festa. - E tu deixou? - Deixar eu não deixei, mas ele acabou indo. - Isso vai dar merda! - Por quê? - Digamos que ela tenha sido a primeira namorada séria dele. - Puta merda! Ele disse que era uma "velha amiga". - Uma velha amiga que quer comer ele! Encostei minha cabeça no seu peito. - Ai, Joe, o que eu faço agora? - Pera aí, eu vou dar uma ligada pra ele. - Ta. Me desencostei e cai de encontro com a cama. Em alguns momentos ele elevava a voz e em outros sussurrava, quando estava vindo até mim eu apenas pude ouvir uma última antes de ele desligar: - Faça o que você quiser! Eu e a Alaska vamos vazar também! Não interessa pra onde a gente vai? Você deixou ela aqui e agora ela vai comigo! Me sentei. - E ai, como foi? - Nada pra se preocupar, eu acho, vamos sair daqui? - Não tô com clima pra festa mesmo... tava afinzona de ir pra casa, daí a gente fica na piscina, que tal? - Pode ser, só tenho que pegar um calção e essas coisas. - Tudo bem, vou me despedir da Marina. - Ok. Desci e fui até a pista de dança improvisada, a encontrei e a abracei. - Mari, desculpa não poder ficar, mas é que aconteceram algumas coisas e eu não tô muito no clima de festa. - Ah, qualquer coisa me liga.- Ela estava com a voz arrastada. - Te amo, vadia. - Biscate! - Olha quem fala!- Rimos. Fui até a mesa de bebidas e peguei algumas garrafas, fui pra fora e o Joe tava me esperando na moto. No caminho ficamos rindo que nem retardados. Assim que chegamos peguei um cooler, enchi de gelo e coloquei as bebidas. - Ta, eu vou botar um biquíni. - Não demora. Fui pro quarto, tirei minha roupa, botei um de cortininha verde água e voltei para o deck onde o Joe tava bebendo, me juntei a ele. Estávamos os dois sentados na beira da piscina, me deitei colocando a cabeça no sei colo e fiquei olhando as estrelas. - Alaska? - Oi. - Por quê a gente não deu certo? Me concentrei nos seus olhos. - Eu também não sei. Acho que foram vários fatores, mas sei lá.- Ri. - Acho que o que eu sentia pela Juliana era só pra compensar o vazio que sobrava. - Será? - Me beija. - O que? - Eu quero sentir alguma coisa! Ele se curvou sobre mim e eu puxei para mais perto, até que nossas bocas se encontraram. Foi como se eu achasse dinheiro onde eu tinha esquecido que tinha. Estranho. - Joe, você sabe que nós estamos bêbados, certo? - Correto. Me distrai de novo olhando a forma como a piscina fazia ondinhas. - Foi melhor do que com a Juliana. - O que? - O beijo. - Foi bom. - Foi... Ele ficou fazendo carinho no meu cabelo enquanto víamos as estrelas no céu escuro. - Tira as mãos dela! Olhamos assustados para a porta que separava o espaço da piscina do resto do apartamento, o Vinícius estava irritado, parecia meio bêbado também, aquele seu bom humor havia desaparecido. - O que foi, Vinicius?- Fiquei na defensiva.- Voltou cedo da "saída" com sua amiguinha. - Alaska, ele ta muito bêbado, acho melhor não provocar.- Joe sussurrou.-Eu vou levar ele pra casa antes que dê merda. - Mas você também bebeu, é perigoso. - Você tem razão. Nós pegamos um taxi então e amanhã eu volto pra gente conversar direito e pegar a moto. - Toma cuidado. Ele beijou minha testa e levou o irmão pelo braço. Passei os dedos pela minha boca, eu ainda podia sentir o beijo. Guardei o resto das bebidas na geladeira, tomei um banho e me deitei para dormir. Fiquei encarando o teto, mudando de posição, mas nada funcionava, forcei mais um pouco e peguei no sono. Não queria ficar escutando meus pensamentos, eles estavam muito turbulentos. Quando acordei não tinha ninguém em casa. É, hoje vai ser um dia longo. Tomei uma xícara de café. Já era hora do almoço, só conseguiria pegar o turno da tarde no curso. Uma lembrança me acertou em cheio. Eu, o Joe e beijo. Pqp! Até bêbada eu não paro de fazer merda! Hoje eu ainda teria que conversar com os dois. Terminei o que estava bebendo, comi um pão com manteiga, me arrumei e fui andando para o campus. Por pouco o professor não me deixou entrar, me sentei no fundo e tentei prestar atenção ao máximo. No final da aula o professor me chamou quando eu estava saindo, ele esperou todos saírem para começar a falar. - O que esta acontecendo, Alaska? Você esta perdendo a atenção. - É que eu estou com uns problemas, mas é coisa passageira. O senhor não tem que se preocupar. - Ei, eu pareço tão velho assim.- Disse sorrindo. - Não! Não, é que... - Não se preocupe, estava apenas brincando.- me interrompeu. Corei. - Sabe, eu notei você desde a primeira aula. Por sorte meu celular começou a tocar, pedi um minuto e atendi. - Alô? - Alaska? - Oi Joe. - Tem como eu passar na tua casa hoje? - Eu ainda não tô em casa, mas já vou indo agora, passa lá daqui mais ou menos uma horinha. - Ok. Ele desligou e eu me voltei novamente para o professor. - Eu tenho que ir agora, outra hora a gente conversa, tudo bem? - Sim sim. Fui apressada para casa. Estava suando por causa do calor, logo que cheguei pus um biquíni e me joguei na piscina com o pessoal. Mas como nada que é bom dura muito as responsabilidades chegaram, me enrolei numa toalha e abri a porta para o Joe, mas estava muito cedo para ser ele, dei de cara com o Vinicius. Fiz a pior cara de merda. - Entra. - Eita mal humor!- Pelo visto seu humor tinha voltado. Ótimo... Levei ele para meu quarto e nos sentamos na cama. - Olha, Vinicius... - Quando eu ia terminar a frase ele colocou o dedo na minha boca. - Deixa que eu falo. Alaska, me desculpa por ter feito aquilo. - Aquilo? - É, na hora que eu tava com a Hannah. - Só me fala o que é pra mim ver se estamos falando da mesma coisa. - Ter deixado ela me beijar. Quase saiu fogo dos meus olhos quando ele falou isso. - Você o quê?! Seu babaca! Comecei a bater no peito dele com os punhos fechados. - Mas você também deixou meu irmão te beijar. - Foram situações totalmente diferentes, Vinícius! Eu tava bêbada, com raiva de você e ele também tava bêbados. Já você não! Você até podia estar bêbado e ela também, mas era só isso, não tinha nada a mais. A não ser que você goste dela... - Não viaja, Alaska! - Era só um palpite, mesmo assim você deixou! - Eu tava lento pra caralho por causa da bebida, eu errei, desculpa. - É a segunda vez que isso acontece, Vini. Porra, uma hora cansa! Primeiro com uma amiga minha você transa, depois você deixa a sua "amiga" te beijar, se não aconteceu nada mais... - Foi só a droga de um beijo. - Daora a vida, cara! - Alaska... - Me dá um tempo pra pensar! - Ok, eu vou indo então. - Tchau. - Grossa! Lancei um olhar matador e ele foi embora. Alguns minutos a campainha tocou de novo. Ta, dessa vez tinha que ser o Joe. Abri a porta e era ele mesmo. Ele estava com uma cara de agoniado. - Que foi, J? - Alaska...- Fez uma pausa. - Fala. - Eu te amo.
Camila, Suliê e Alba estavam mexendo no notebook para configurar a twitcam enquanto eu e Ruggero assistíamos tv e Samuel fazia sabe-se lá o que em seu quarto. Nossa atenção apenas foi desviada quando Jorge e Nicolás saíram da cozinha.
- Porque eu vi um passarinho e ele era bastante bonitinho, o passarinho, é, era bastante bonitinho. Inho, inho, inho. – Cantava Jorge.
- E eu vi um falcão, nossa, ele parecia um avião, ão, ão, parecia um avião. – Completou Nicolás. Revirei os olhos e dei uma risada, não conseguia acreditar que pudesse existir - em qualquer parte do universo - algum rapper tão ruim quanto Nicolás e Jorge. Logo em seguida, os dois se jogaram no sofá desocupado e suspiraram.
- Não tá pronto ainda? – Jorge perguntou, bocejando em seguida.
- SAMUEL NASCIMENTO! VENHA IMEDIATAMENTE PARA A SALA! – Suliê gritou enquanto terminava de ajeitar o notebook na mesinha de centro e todos os presentes tampavam os ouvidos devido ao grito alto dela. Camila e Alba riam de nós quatro.
- Suliê, meu amor. Poderia ter pena dos meus pobres tímpanos? – Ruggero perguntou, massageando seu lóbulo esquerdo.
- Rugge, meu amor... – Suliê se aproximou de Ruggero e acariciou seu cabelo, falando num tom carinhoso – Se Samuel não estiver aqui em dez segundos, seus tímpanos vão explodir. – sorriu e Ruggero arregalou os olhos, junto a mim, Jorge e Nicolás.
- SAMUEL! – Jorge gritou.
- VEM LOGO, CARAMBA! CORRE AQUI! ONDE JÁ SE VIU ATRASAR UMA TWITCAM? – foi a vez de Nicolás gritar enquanto Suliê ria dos dois.
- Que coisa feia! Fazendo os meninos gritarem por você. Cadê a educação que eu te dei? – Samuel fingiu repreendê-la ao chegar na sala.
- Se liga, tô colocando em prática. – apontou para nós, que a olhamos assustados e Samuel sorriu em aprovação.
- Venham logo! – Camila riu, já se ajeitando no sofá. Me puxou para que eu sentasse ao lado de Alba e acenou para a câmera do notebook – Oi, oi! Eu sou Camila.
- E eu sou Samuel! – apareceu atrás de Cami e após falar lhe deu um beijo no topo da cabeça.
- Suliê. – acenou.
- E eu, Ruggero.
- Jorge! – apareceu sorridente na nossa frente, fazendo com que a câmera enquadrace apenas ele.
- Sai bundão! – Nicolás o empurrou – E eu sou Nicolás. – sorriu.
- E bom, os entrevistados de hoje são Facundo Gambandé – Camila apontou para mim – E Alba Rico. – apontou para Alba.
- Só quero deixar claro que isso é totalmente inesperado da minha parte! – Alba sorriu e Jorge deu uma gargalhada.
- A gente sabe disso. – completou.
- Então, – Camila prosseguiu – Mandem suas perguntas para os twitters dos entrevistados com a tag #AskFalba. O twitter do Facundo é @facugambande e o da Alba é @AlbaRicoNavarro, ok? – sorriu.
- Cami, já temos uma pergunta! – Samuel avisou.
- Ok. @NicolasTGarnier perguntou: “Facundo, a Alba é uma boa mulher?” – todos riram.
- Ele quer saber se ela é boa de ca... – Suliê tampou a boca de Jorge antes que ele falasse asneira e eu suspirei.
- Sim, ela é uma ótima mulher. – Alba deu uma risadinha tensa e se virou para Camila.
- Próxima pergunta... – pediu.
- @GottaBeSamuk perguntou: “Alba, qual dos cinco meninos é o mais bagunceiro?”
- Jorge. – exclamou sem pestanejar e todos riram mais uma vez.
- Eu? Mas que calunia! – Jorge se fez de ofendido e as gargalhadas sessaram alguns minutos depois.
- @LoveForFacundo perguntou: “Facundo, Cami é sua melhor amiga não é? Como vocês se conheceram?” – Camila levantou o olhar para todos os presentes na sala e eles deram um sorriso malicioso. Ah não! Somente a banda e Suliê sabiam como havia acontecido, mas com certeza eles fariam tudo para que ficasse mais dramático.
- Nós iremos demonstrar isso! – Nicolás se meteu na frente da câmera, como Jorge havia feito a alguns minutos atrás. E após dizer isso, ele se encaminhou até o centro da sala, acompanhado de Ruggero e Jorge. Camila mirou o notebook para eles.
- AÇÃO! – Samuel gritou e eles começaram.
- Gambandé, idiota. – Nicolás começou com uma voz grave me fazendo rir e Jorge se aproximou, mexendo freneticamente no cabelo. Nicolás fingiu dar um soco em Jorge e este se jogou no chão.
- Oh, não! Quem poderá me defender? – forçou a voz dramaticamente, levando a mão à testa.
- Eu! – Ruggero se colocou ao lado de Jorge num pulo, com as mãos na cintura, fazendo referência à um seriado que todos ali adoravam: Chapolin Colorado. Sinceramente, nunca vi Ruggero forçar uma voz tão aguda. – A Camila Brito! – levantou uma mão e a cabeça me fazendo rir ainda mais.
- Oh, Cami! Acho que é tarde demais! – Jorge gemeu com as mãos na barriga.
- Nossa, Facundo! Pensei que você tivesse levado um soco na cara, não que estava com diarréia! – Ruggero forçou mais a voz e nós rimos mais ainda quando Jorge lhe lançou seu dedo do meio – Mesmo você fazendo questão de demonstrar o quanto me ama, eu vou cuidar de você. – Ruggero sentou ao lado de Jorge e começou a acariciar os cabelos dele dele.
- E foi assim que tudo aconteceu. – Samuel falou com uma voz infantil enquanto colocava o notebook na posição inicial e eu me segurei para não rir.
- Eu gostaria de agradecer a participação dos senhores Garnier, Blanco e Pasquarelli... – Camila disse.
- ...Por essa incrível interpretação! – Suliê completou e as duas sorriram. Alba caiu na gargalhada e eu me juntei a ela.
- Precisam mesmo completar as frases uma da outra? – Jorge fez uma careta e recebeu um tapa na cabeça – Ok, ok, vamos continuar com esse Ask Falba de uma vez! – resmungou e todos os presentes riram.
Vou explicar que a Austrália é um lugar maravilhoso e quente, muito quente pra quem está acostumado com o clima europeu. Já estava há um mês lá e a “despedida” no aeroporto tinha sido uma bagunça, uma mistura de risada e choro dos meus pais e principalmente dos meus amigos, dos quais eu sentia muita falta e olha que só fazia um mês mas no meio do ano eu iria receber a visita deles, de alguns deles pelo menos. As gurias tinham dito que vinham e os meninos era incerto, pois sua agenda estava lotada com seu início de carreira. Eles ainda não estavam no topo de nada ou com algum número incrivelmente notável de fãs. Era um grupo pequeno ainda mas eu tinha a sensação que isso mudaria, era o que pensamento positivo me fazia acreditar. Quanto a Austrália, tinha vindo pra cá para meu curso de gastronomia. Tinha conhecido várias pessoas incríveis e o sotaque australiano somado com a praias me faziam extremamente satisfeita. E quanto a mim e Niall? Resolvemos dar um tempo. Era o outro lado do mundo e sabíamos que seria difícil. Estávamos separados e não era algo que eu amava mas entendia e os australianos valiam.
POV Liz 27.03.2013
Era meu primeiro dia em Leeds e meu estágio de entrosamento social me deixava um pouco nervosa mas sabia que me daria bem. Engenharia era um curso que eu gostava muito apesar de todo mundo me dizer que 90 por cento da minha classe seria da ala masculina, como se isso fosse ruim. Cheguei no meu quarto e conheci minha colega do mesmo, que se chamava Pattie e era bem querida, havia gostado. Ela cursava drama e artes. Depois de conhecer ela e me alojar, fui conhecer o campus. Resolvi também, já deixar meus materiais no meu armário, era muito material. Os armários era divididos por cursos e logo que fui guardar meus livros, os deixei cair que nem uma estabanada. Vi duas mãos masculinas me ajudarem a juntar o que havia deixado cair.
- Obrigada. – Falei sem prestar atenção em quem era, apenas colocando os materiais no seu devido lugar.
- Engenharia, Liz? – Uma voz conhecida, vinda do menino que me ajudara disse e eu me virei o olhando finalmente.
- Nathan? – Perguntei surpresa o abraçando. Depois disso, ele me explicou que por coincidência, estávamos cursando a mesma coisa.
POV Shay 30.03.2013
Choradeira. Foi isso que aconteceu no aeroporto. Admito que principalmente da minha parte. Porém, era preciso. Eu e Liam íamos tentar manter, se ia funcionar eu não sabia mas íamos tentar. Princeton era uma faculdade gigante e incrível. Eu iria cursar Relações Internacionais, eu realmente gostava de línguas. Fazia exatamente dois meses que eu havia partido e a saudade era imensa. Eu iria no meio do ano para Austrália visitar Lea e logo depois visitar meus pais e meus irmãos gêmeos que ainda estavam na barriga de minha mãe. Minha colega de quarto era Hannah, uma garota super carismática e, por incrível que pareça, britânica, assim como eu, iríamos nos dar muito bem.
POV Spencer 01.04.2013
Oxford sempre foi o sonho do meu pai. Desde pequena eu ouvia falar na faculdade e de como ela era ótimo e o lugar perfeito pra mim. Não posso negar que um parte de mim queria bastante isso também. Direito foi meu curso escolhido e eu sempre me interessei por isso, bastante. Claro que a pior parte era ficar longe de todo mundo e principalmente do Zayn, não havíamos terminado e também não estávamos tão distantes, iriamos ver no que daria.
POV Emily 13.04.2013
Um ano sem escola ou faculdade, com livros e estudos em casa e pra compensar o tédio muitas festas, por favor. Eu estava relativamente perto de Spencer e Liz e na mesma cidade que os garotos, em Londres. Não estava tão ruim, morava sozinha, no meu novo apartamento alugado mas Louis estava sempre lá então metade da parte do “morar sozinha” era preenchido por Tomlinson.
POV Niall 30.04.2013
Era um sonho se realizando. Estávamos prestes a gravar um CD e começando a fazer pequenos shows pela Europa. Tínhamos algumas fãs, poucas, mas algumas e dávamos alguns autógrafos de vez em quando, era um bom começo e era muito legal. Ficar longe da Lea era difícil mas eu não podia reclamar, estava vivendo um sonho, talvez algum dia a gente se veja de novo mas eu sabia que era um namoro de colégio e podia terminar a qualquer hora infelizmente. Agora, eu tinha que focar na carreira que desde meus, na verdade, não sei, talvez cinco anos? Na carreira que eu sempre quis e sempre sonhei e estar finalmente progredindo era, posso dizer, mágico ainda mais porque sabia que tivemos sorte, conseguir um contrato não era fácil e ainda mais onde estávamos. Devíamos talvez tudo isso a Shay que graças a ela tocamos na formatura e o olheiro estava lá, graças a Deus.