Autoflagelo
Tudo é motivo, e nada também é. Penso muito e faço pouco, faço muito e penso pouco. Sentir muito ou querer sentir algo, não me faltam possibilidades para o ato. Alegria, tristeza, angústia, empolgação, apatia: emoções traduzidas no sangue escorrendo pela minha pele, a ardência automática e a coceira tardia. Preparo o terreno para novas cicatrizes, descarto as provas do crime, durmo para amenizar o enjoo. Ritual do momento, desejo repentino, gozo do orgulho de ter perdido o medo. Faço do autoflagelo um ato de amor. A destruição faz com que me sinta viva. Prazer imenso ter tomado coragem de tomar atitudes que já passavam na minha mente por muitos anos. Descendo sem freio para o poço. Perder é maravilhoso, doces palavras duras. Admiro a sinceridade cruel, falar o que já sei (e todo mundo também sabe). Um maço, dois maços mais próxima do fim. Comendo até sofrer. Mais um risco de vida desnecessário, outro choro, outra crise. Passo a passo para a ruína.


















