Às vezes, você só precisa estar com as pessoas certas.
Numa conversa sobre nomes, um amigo muito querido recordou o meu eu do Antigo Testamento e o contraste do meu nome com seu significado. O significado pode variar, mas, basicamente, é: “Aquela cuja força vem de Deus e que pertence a Cristo”, algo assim.
Nada contra Cristo. Ele é legal, revolucionário e tals. Mas, por um acaso, essa criatura que vos fala é deveras fascinada por tudo que é profano.
Eu tinha três figurinhas no WhatsApp que me definiam tanto. Pena que as perdi. Elas eram de um anjinho com os seguintes dizeres: “Isso é pecar? Pecar é bom. Eu quero pecar.”
Adorava elas com todas as minhas forças.
O enviado de Cristo ser a própria profanação.
Sempre tive atração por tudo que é transgressor, fora da curva, politicamente incorreto, herege.
Minha avó me perguntou, quando eu era pequena, se eu queria fazer catequese. Na época, pensei: “Vou nada. Vão me queimar como bruxa quando descobrirem que tu é macumbeira.” A resposta foi não.
Meu interesse pelo catolicismo veio posteriormente, quando descobri os demônios e O Código Da Vinci. Tem a questão da estética, mas é fofoca para outro texto. Porém, com absoluta certeza o interesse pela igreja foi pelos motivos errados.
Se falassem “você não pode fazer isso”, eu ia lá e fazia. Um “não tenho interesse em você”? Ok. Agora você vai implorar pela minha atenção.
Atentar contra o juízo alheio, tirar a paz, ver quem perde a sanidade primeiro... Mas sempre foi injusto: juízo e limite são duas coisas que eu nunca tive. Tenho trabalhado bastante nisso, inclusive.
Fazer o quê, né? É instintivo, predatório e deturpado. No mínimo, problemático, bem sei. Mas deliciosamente problemático.
Tinha me esquecido de que meus textos ligeiramente tortos conversam perfeitamente com essa persona, que hoje se encontra profundamente entediada.
Tô sentindo falta desse demônio.
E, sim, nenhum dos títulos que conquistei foi meramente ilustrativo. Todos foram merecidos.
Triste. Quem chegar agora não vai ter nem uma palinha dessa ilustre criatura.
O apetite se mantém voraz. Continuo me regozijando com a boa e velha profanação, mas tudo que é fácil perde a graça.
Os mortos de fome sem etiqueta... Amolecem rápido na minha mão. Ultimamente, não tenho nem brincado com a comida. Nada do que tenho diante de mim atualmente desperta a criatura adormecida.