SP tem recorde de estupros e queda histĂłrica de homicĂdios em 2023
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Resultado é o maior desde 2001, primeiro ano da série histórica da SSP
Publicado em 26/01/2024 - 19:47 Por Bruno Bocchini â RepĂłrter da AgĂȘncia Brasil - SĂŁo Paulo
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O estado de SĂŁo Paulo registrou, no ano passado, recorde no nĂșmero de estupros. Foram 14.504 casos, superando em 9,5% as ocorrĂȘncias de 2022. O resultado Ă© o maior desde 2001 â primeiro ano da sĂ©rie histĂłrica disponibilizada pela Secretaria de Segurança PĂșblica (SSP) paulista.
De acordo com a SSP, do total de 14.504 estupros, 11.133 foram praticados contra vulnerĂĄveis. O levantamento, divulgado nesta sexta-feira (26), considera as ocorrĂȘncias somadas de todos os meses de 2023.
Segundo a secretaria, o aumento dos registros desse tipo de crime estĂĄ ligado ao aumento no nĂșmero de notificaçÔes e mostra que as mulheres estĂŁo âmais conscientes sobre a efetividade de denunciar os agressoresâ.
A maioria dos casos de estupro ocorre em uma dinĂąmica na qual o autor Ă© conhecido da vĂtima, muitas vezes dentro do ambiente familiar, destaca a SSP. "Isso dificulta nĂŁo sĂł a prevenção por parte da polĂcia, mas tambĂ©m a denĂșncia por parte da vĂtima, fazendo com que os crimes de estupro e estupro de vulnerĂĄvel sejam os dois com os maiores Ăndices de subnotificação.â
Para o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) e membro do FĂłrum Brasileiro de Segurança PĂșblica, Rafael Alcadipani, hĂĄ falta de polĂticas pĂșblicas para combater esse tipo de crime. âQual a polĂtica pĂșblica que foi implementada em SĂŁo Paulo para enfrentamento de violĂȘncia contra mulher e violĂȘncia contra vulnerĂĄveis? A gente nĂŁo vĂȘ nada nesse sentido, nĂŁo vĂȘ nada que seja objetivo, que tente lidar com essa situaçãoâ, questiona Alcadipani.
âDizer que Ă© porque Ă© uma questĂŁo entre pessoas, e que Ă© de difĂcil acesso, Ă© apenas uma mera desculpa que nĂŁo responde, nĂŁo resolve o problema que, como a gente tem visto, tem batido recordesâ, acrescenta.
A SSP informou que conta com 140 unidades fĂsicas de delegacias de Defesa da Mulher (DDM) e mais 77 salas DDM nos plantĂ”es policiais, e que as vĂtimas tĂȘm atendimento 24 horas por dia. âAs denĂșncias podem ser feitas em qualquer delegacia do estado, ou em uma das 140 unidades territoriais de DDM, nas DDMs online e nas 77 salas DDM em plantĂ”es policiais.â
O estado de SĂŁo Paulo fechou o ano de 2023 com a menor taxa de homicĂdios dolosos desde 2001. No ano passado, foram 2.606 casos, contra 2.909 em 2022. De acordo com a SSP, foram 5,72 homicĂdios dolosos para cada grupo de 100 mil habitantes. Esta foi a primeira vez, desde o inĂcio da sĂ©rie histĂłrica, que o Ăndice ficou abaixo de 6.
âAs reduçÔes consecutivas sĂŁo resultado das polĂticas criadas pela gestĂŁo para combater este tipo de delito, como o Sistema de Informação e Prevenção aos Crimes Contra a Vida (SPVida). Lançada em fevereiro, a plataforma automatiza os dados e auxilia as polĂcias a analisarem a dinĂąmica criminal dos crimes contra vida, para que, desta forma, seja possĂvel elaborar diagnĂłsticos e planos de açÔes com o intuito de reduzir as mortesâ, destaca a SSP em nota.
Para o professor Rafael Alcadipani, o bom resultado pode ser atribuĂdo Ă estruturação das delegacias de homicĂdios e Ă eficiĂȘncia da PolĂcia Civil. âA gente vĂȘ uma manutenção desses indicadores , que jĂĄ eram indicadores bastante positivos. Tem mĂșltiplos fatores que afetam isso: a estruturação de delegacias de HomicĂdios, a PolĂcia Civil ter conseguido dar uma resposta efetiva e rĂĄpida para esse tipo de crime, principalmente no interior do estadoâ, afirma.
Alcadipani diz ainda que a queda nos homicĂdios dolosos tem relação tambĂ©m com a dinĂąmica do crime organizado no estado. âEm SĂŁo Paulo, hĂĄ o monopĂłlio do crime organizado por parte do Primeiro Comando da Capital, que exerce o controle, e a morte Ă© regulada. Para acontecer, ela tem que ser regulada, tem um debate anterior .â
Os dados da SSP mostram ainda que houve aumento, em 2023 em comparação a 2022, dos casos de tentativa de homicĂdio (4,8%); e de lesĂŁo corporal dolosa (11,3%).
Edição: Nådia Franco