Junho tem sido usado por muita gente para se desfazer do romantismo, por ter o dia des namorades nele, pois assim como fazem no hemisfério norte com o dia de São Valentim em fevereiro, assim podemos fazer em junho mesmo.
Vim falar sobre níveis de arromanticidade, isso não tem muito a ver com o espectro arromântico, mas sim os vieses (as obliquidades).
Muita gente que é assexual alorromântica (que não é arromântica) poderia se ver como arromântica em certos aspectos, porém como ela quer denotar que tem algum afeto, acaba usando a romanticidade invés de afetividade ou platonicidade. E isso é válido.
Por outro lado, há pessoas arromânticas que querem falar sobre sua platonicidade, ou seja, elas também amam, mas não romanticamente, apenas isso.
Há aquelas que não distinguem amor platônico do romântico, essas são chamadas de platonirromânticas.
Muita gente se sente suspiciosa ao apontar que arromanticidade abre brecha pra inafetividade romantizada. E o que seria isso?
A forma que coloquei parece engraçada, mas as suspeitas também são. Se a pessoa não tem afeição por ninguém, ela não está afetando outras pessoas por causa disso, certo?!
Ser anamical, ou seja, não ter vontade de estabelecer um vínculo amical (amizade), por si só não é um mal a ninguém. Porém existe algo chamado amicabilidade, descrevendo atitudes amigáveis e a qualidade/capacidade de ser amigável.
Por mais que as pessoas a sua volta te encham o saco às vezes, demonstrar o oposto da amicabilidade não aparenta ser uma prática saudável. Mas devemos notar que ninguém tem um comportamento 100% igual o tempo todo, afinal na psicologia nada é 100%.
O amor é um sentimento momentâneo às vezes, exceto caso você interprete amor como eterno ou de forma espiritual, no fim do dia ele também é uma crença. O amor pode ser visto de várias formas, muites religioses vêem como a busca de se ajudar e próxime.
O amor também é hierarquizado, entre amizade e namoro, ami- de amigo e namor- de namorade derivam de amor. Somados a monogamismo e amato-normatividade, ambas as coisas estão interligadas. Relacionamentos sérios, fechados e difíceis são amplamente admirados na estrutura monogamista, nacionalista, imperialista, colonialista, natalista e cisheteropatriarcal.
Então romanticidade tem a ver com amor? Não! Ao meu ver, as vezes pode ser um simples "quero namorar" ou "se envolver com alguém". Acontece que, cabe a nós associar esse envolvimento ou parceria como amor romântico ou não, poderia ser quasiplatônico por exemplo.
Então pode ser que algumas pessoas arromânticas podem ser vistas como alorromânticas às vezes, nem todas são associais também, nem deveria-se criar elitismo identitário em cima disso, ninguém é mais arromântico que ninguém.
Tem como individuos arromanticos serem vistos em relações possivelmente românticas, mas eles poderiam não dar a minima se é romantica ou não, poderiam ser lamvano-, chamaleo- ou placioromantic.
Todo mundo poderia ser arromântique em certos momentos, não é querer banalizar a situação, mas querer humanizar a condição, mas sabemos que nunca acontecerá uma identificação coletiva radical, há vários pontos de vistas a serem levados em consideração.
O desapego e desintoxicação do romance vem sido retratado como um suspiro de alivio diante de tanta forçação que inventam para manter um relacionamento vivo. Viver feliz independente do relacionamento, isso sim deveria ser saudável.
Sexo sem amor existe? Logicamente, uma grande realidade, tanto de quem almeja quanto de quem critica isso. Mas amor sexual também existe, ele nem sempre é embutido como paixão. O amor é algo banal, não vejo nada de tão puro dentro do amor sempre, pra ser bem sincere. Inclusive olhem a outra postagem sobre formas de amor grego: facebook.com/arromanticidade/posts/1044169635764983
O amor muitas vezes dá pra ser substituído por romance, tudo porque a amato-normatividade é bem estruturada na cabeça das pessoas, já não é algo que possamos controlar. Mas ser sem amor não é um problema, muito pelo contrário, ser sem amor pode te livrar de muitas situações problemáticas e ruins.
Algumas pessoas nonamor se descrevem como sem amor, mas são exceções, a sociedade ainda requer que você tenha amor em seu "currículo" (narrativa identitária), nem todo mundo gostaria de ser viste como anormal, embora ser sem amor não era pra ser motivo pra te taxarem como anormal.
Ser nonamor ou agâmique (adepte da agamia) é descrito por muitos como não querer casar, namorar ou desejar relações românticas ou platônicas. Note que não desejar é diferente de não sentir atração.
Na imagem: romance é uma construção social, a romanticidade também, por consequência. logo há níveis de arromanticidade, pois ela pode ser vivenciada de várias maneiras e modos. existem assexuais alorromântiques e arromântiques alossexuais. romanticidade não significa sempre afetividade. Com as bandeiras aro, anamical, alloace (aloace) e alloaro (aloaro).