Colapso Auto Sanitário
Eu abri meu peito como uma janela Pela manhã o que adentrava a casa Eram imagens loucas e pré programadas Que enxertavam-se em minha boca Controlando meu paladar Meu desejo por coito Um ideal servil de beleza Que forçava minha carne contra funis Pela noite, meu peito atrevido Engole imagens febris e grotescas Em um sexo abominável das recomendações Violência e vitral, fundem-se em um transe sabático Hão de me assombrar pelas noites seguintes Até que eu atreva a duvidar de minha lucidez Eu sou um buraco, um veneno e a infiltração Capaz de despejar deuses em infernos particulares Os caminhos por onde vomitei são tua tapeçaria Transmutada com o tempo em teus olhos Gastos por tanta fumaça e promessas Gastas pelos lábios que lhe enganaram Todo o meu afeto obsessivo para um copo Guardado como confissão de Pandora Lacrado como doença do século Cobiçada como fantasia da besta sintética Talvez eu te ouvi entre outras as vozes Como uma armadilha A me arrancar desta casa envelhecida Onde sou inquilino indesejável e mobília Eu sou um parasita que o meu corpo aceitou Eu sou um predador da minha própria sanidade A figuração perdida dentro de si mesmo Olhando abismado uma estátua de gesso oca


















