mordeu a própria língua antes que esta o auxiliasse a deixar palavras ardilosas escorregarem para fora de sua boca, contentando-se em apenas mirá-lo por inteiro com uma malícia velada. pro inferno com a discrição, por mais que fosse algo que sequer fosse capaz de conter, apenas guiando-se por seus instintos. comia-o casualmente com os olhos à proporção que centenas de pensamentos tomavam sua cabeça por segundo. libertino era como se sentia, no entanto, não era como se o título o incomodasse tanto. o canto da boca se esticou em um sorriso traiçoeiro, o mesmo que serpenteou pelos lábios, sentindo-se triplamente atraído por ele ao escutar seu tom ríspido. “ah não? então, sendo assim, você prefere quando uso a boca para outra coisa?” cerrou os cílios, cínico. o tom de dúvida que beirava a curiosidade sendo tão fingido quanto as expressões em seu rosto. “marrento, não brinca comigo, não.” o alertou, pois sabia o quão longe conseguia ir quando o davam uma mínima brecha sem que estivessem dispostos a pará-lo na primeira oportunidade. “eu queria dizer pra não ferrar com o resto da minha paciência.” deu risada, umedecendo os lábios antes de prosseguir: “mas tem razão, acho que usei as palavras erradas. não posso pedir pra você não me foder quando quero, e quero muito mesmo, que faça o contrário.” prendeu o lábio inferior entre os dentes da frente, sacana e aliviado por assim dizer, uma vez que o sorriso que surgiu ao escutá-lo logo em seguida fora imperceptível. “e você quer?” em um impulso, soltou a pergunta, muito mais pela surpresa do que interesse em sua resposta. “porque é provável que eu não consiga parar se eu começar.” o sentido dúbio não fora deliberado, rindo ao perceber que se encaixava dentre outras situações. mas não se importou, não deixava de ser verdade. “ei, não. isso não é justo. você pode acabar me cobrando por mais coisas do que eu devo. assim vou ter que pedir mais favores para equilibrar.” sorriu, desavergonhado. usando da sentença alheia como um pretexto para fazer aquilo que já tinha vontade. “sei disso, você fez questão de marcar o meu corpo inteiro.” embora sua intenção fosse soar como uma reprovação, pareceu uma conquista. “eu é quem deveria te fazer essa pergunta.” riu, quase imoral. passando as mãos entre os fios do cabelo. “quero, sim. quero marcar o meu território, eu posso?” soltou a pergunta em um tom pedinte, baixo e sedutoramente manhoso. “eu sou sempre bonzinho pra você, marrento.” murmurou em resposta, sem controle ao perceber a pressão das digitais em sua cintura. e em um suspiro, fora impossível não reagir ao agarrá-lo pela mandíbula, trazendo-o para si ao grudar a boca a alheia rapidamente, atrevido. “cuidado com o que você fala pra mim.” se afastando tão rápido quanto se aproximou, disse. “abusado.” protestou, rindo logo em seguida. “só preciso fazer uma coisinha bem…” se calou no que o olhou pelo canto dos olhos, mudando a postura. “deixa pra lá.” sorriu, puxando-o mais uma vez no que percebeu que ainda o segurava, seguindo a rota ditada pelo alheio tempos atrás. “mas, marrento, será que dá pra pular a parte da lata de sardinha que você chama de metrô? não é assim que eu quero ficar agarrado em você.”
seu olhar permaneceu preso sobre a face alheia, examinando, mais uma vez, os detalhes dessa como se fosse a primeira vez que parasse para o observar; gostaria de conseguir ignorar o mais velho, certamente não teria seu orgulho abalado caso o fizesse, no entanto, a cada novo contato, o objetivo parecia se tornar cada vez mais difícil de ser atingido – talvez devesse interpretar tal fato como um sinal de que não deveria continuar tentando resistir àquilo, afinal, não tinha nenhuma razão, além da própria teimosa, para seguir com isso. os lábios de taehyeon se curvaram suavemente ao ouvir a pergunta que lhe fora feita e, por menor que fosse o sorriso, era quase impossível não notar o teor de malícia exposto nesse “outra coisa que não seja falar? prefiro” rebateu, por pura implicância, “é, acho que você sabe fazer umas coisas melhores com ela” acrescentou, após alguns segundos. “não ‘tô brincando” as palavras foram ditas de forma pausada “quero dizer... conseguiu me deixar curioso, então, é, não vou te barrar de nada” deu de ombros, como se aquilo não significasse nada, “não era isso que você queria?” arqueou as sobrancelhas ao final da sentença; o sorriso, que permanecia fixo em seu rosto, cresceu um pouco “muito? como que posso negar desse jeito?” riu brevemente, balançando a cabeça minimamente, na verdade, o gwan não tinha intenção nenhuma de não o fazer, a forma como o olhava não o deixava mentir sobre isso “eu quero” admitiu, sem pensar muito, quase que num sussurro “ah, é? então não para” respondeu de imediato, ainda com o olhar fixo no de dakho. um riso escapou por seus lábios ao ouvir a reclamação alheia “nem vem com essa, já te fiz favores demais” rebateu, em um tom repreensivo, “não posso ser bacana contigo que você dá um jeito de abusar da minha boa vontade, não tem mais favores pra você” balançou a cabeça e estalou a língua na boca em um sinal de reprovação “pelo menos até pagar pelos outros” acrescentou, em um volume mais baixo. não conseguiu impedir que um novo sorriso nascesse em sua face – esse, por sua vez, pareceu ser mais um sinal de que se orgulhava do que o outro havia dito do que de qualquer outra coisa – “não foi no corpo inteiro” rebateu, como em uma tentativa de defesa, “mas... dá pra mudar isso, se você quiser” deu de ombros mais uma vez, definitivamente não se incomodaria em fazer aquilo, um leve arrepio percorreu sua espinha com a fala seguinte do yi “você... porra, não pode ficar falando desse jeito comigo” o tom pedinte usado por ele havia se tornado um ponto fraco para o mais novo. “não sei se é se-” sua fala foi interrompida, todavia, nem cogitou a possibilidade de reclamar por isso “porra, você curte mesmo me provocar, mhm?” um suspiro escapou por seus lábios junto da fala e taehyeon não se afastou nem um pouco do mais velho, pelo contrário, manteve-se tão próximo que seu corpo quase encostava no dele “por que eu teria cuidado?” questionou, com um arquear de sobrancelhas, mirando-o pelo canto dos olhos no que deixou que ele o guiasse pela rua “não quer pegar o metrô? uau, isso sim é uma surpresa” rolou os olhos em deboche, rindo em seguida, “ok, ãhn...” prendeu um dos lábios entre os dentes enquanto vasculhava sua mente em busca de algum lugar para onde poderiam ir, a verdade era que possuía uma boa opção para isso, afinal, o local onde estava morando temporariamente, a casa de uma de uma de suas amigas mais próximas, ficava perto dali, no entanto, o gwan hesitou, por alguns instantes, em o levar para o apartamento. não demorou muito, contudo, para que se direcionasse até o local “não acredito que ‘tô te trazendo aqui” murmurou, mais para si mesmo do que para o outro, assim que os dois chegaram no prédio.