kanvhanaâ:
apertou as mĂŁos, entrelaçando seus dedos e ponderando sobre como seria a melhor forma - em outras palavras: aquela que a faria sair com vida da presença da irmĂŁ mais velha - de responder Ă s acusaçÔes que lhe eram apresentadas por meio do sermĂŁo. reconhecia que nĂŁo deveria usar o dinheiro de sua irmĂŁ para seus supĂ©rfluos daquela forma, mas o que diabos poderia fazer se a loja de açaĂ era simplesmente tĂŁo boa? alĂ©m do mais, yerin nĂŁo deveria tĂȘ-la deixado sabendo a informação completa de seu cartĂŁo de crĂ©dito, porque nĂŁo deveria ser surpresa alguma para ela que hana simplesmente nĂŁo era confiĂĄvel com dinheiro. nĂŁo que fosse deixĂĄ-la saber da opiniĂŁo que tinha sobre isso, Ă© claro, pois buscava essencialmente preservar a prĂłpria vida. âhmâŠâ seu murmuro saiu baixinho, conforme pegava das mĂŁos alheias a conta e analisava com os prĂłprios olhos o que jĂĄ sabia que estaria ali. ah, maldita fosse a hana do passado que a colocara bem no aperto em que estava agora com sua irmĂŁ. âeu pedi bastante da loja de açaĂ, mas⊠estavam com promoção, e sempre me anima quando eu tenho um dia ruim. e eu tenho muitos dias ruins por culpa da faculdade. e a loja Ă© na frenteâŠâ tentou justificar-se, engolindo em seco, a folha de papel sendo lentamente posta sobre a mesa. ânĂŁo achei que iria dar tanto, eu juro! Ă© que as promoçÔes me enganaram, e, Ă s vezes, quando a bora decide de Ășltima hora que a visita vai se estender pra noite, ela se esquece de pedir dinheiro pros pais dela antes⊠os pais dela sĂŁo ocupados e nĂŁo gostam muito de emprestar de Ășltima hora pra nossa janta- e eu tambĂ©m nĂŁo quero te fazer parecer uma anfitriĂŁ ruim pra eles! e aĂ eu pago todo, hm, o valor que dĂĄ pra comida de nĂłs duas.â despejou praticamente tudo de uma vez, sentindo a culpa de colocar atĂ© o nome de sua melhor amiga no meio. embora, nesse caso, realmente bora era uma visita que nĂŁo colaborava em quase nada com valores. âacho chato brigar com ela, a bora Ă© visita, sabe. e eu tambĂ©m nĂŁo quero que ela fique brava comigo, ou que incomode, sei lĂĄ, os pais, e aĂ eles reclamem de ela vir aqui. eu nĂŁo tenho muitos outros amigos.â era mesmo a verdade, entĂŁo nĂŁo se sentiria culpada de utilizar as infelicidades de sua vida como os argumentos para amolecer yerin.
os braços da mais velha continuaram cruzados enquanto ouvia as primeiras explicaçÔes da menor, os olhos se estreitando diante das palavras jĂĄ que aquelas desculpas apenas reforçavam que nĂŁo havia sido qualquer imprevisto que acarretara naqueles gastos absurdos, mas sim a pura irresponsabilidade de hana com um cartĂŁo de crĂ©dito em mĂŁos. mesmo que no momento sua mente trabalhasse apenas para pensar em como faria para pagar aquela conta exorbitante, o que a deixava com uma dor de cabeça quase instantĂąnea, sabia que nĂŁo resolveria nada ali se gritasse com a caçula, o que a fez respirar fundo para se acalmar antes de voltar a falar qualquer coisa. âvocĂȘ entende que nĂŁo dĂĄ pra continuar fazendo isso, nĂŁo Ă©? mesmo se a gente rasgasse dinheiro, o que nĂŁo Ă© o caso, nĂŁo dĂĄ pra gente ficar gastando desse jeito com besteira, hana.â por mais que tivessem uma vida confortĂĄvel, nĂŁo era como se aquilo viesse de graça. mesmo tendo a facilidade de conseguir um trabalho no escritĂłrio do pai, yerin trabalhava das oito da manhĂŁ Ă s oito da noite para merecer o salĂĄrio que recebia no final do mĂȘs, e simplesmente nĂŁo era justo que o dinheiro fosse embora daquela forma. âeu entendo como pode ser difĂcil controlar as coisas no cartĂŁo, porque Ă© um dinheiro que vai embora sem vocĂȘ ver, mas nĂŁo dĂĄ pra fazer isso de novo. vocĂȘ Ă© nova, mas jĂĄ nĂŁo Ă© mais tĂŁo nova assim. precisa começar a ser responsĂĄvel.â aproximou-se, para pegar a fatura das mĂŁos dela de novo. âdessa vez, eu vou pagar e nĂŁo vou contar nada para o papai. mas a partir de hoje, vocĂȘ sĂł vai poder pedir comida uma vez por semana, ouviu? e se a bora vier aqui, vocĂȘs duas que fritem um ovo se ela nĂŁo tiver dinheiro pra pagar as coisas que quer comer.â mesmo que nĂŁo estivesse satisfeita com aquela situação como um todo, estava menos ainda por estar pagando as coisas da seong. hana era sua responsabilidade, bora nĂŁo. âe pode falar pra ela que fui eu que mandei! sinceramente, nĂŁo me importo se ela Ă© visita se sou eu que estou pagando as contas da bonita no final do mĂȘs. atĂ© porque, bora nem precisa disso, nĂŁo Ă©, hana? aquele irmĂŁo dela faz umas dez viagens por ano com a namorada, a bora que peça para ele pagar as coisas dela, nĂŁo vocĂȘ!â o cenho franzido elucidava o quanto aquela situação era especialmente absurda. sua irmĂŁ bancando a melhor amiga, era sĂł o que faltava mesmo! âquero que devolva meu cartĂŁo tambĂ©m. eu vou começar a tirar dinheiro e te dar uma quantia toda semana, acho que vai ser bom pra vocĂȘ aprender a se organizar e administrar melhor.â concluiu, acabando por comprimir rapidamente os lĂĄbios ao escutar a queixa da menor sobre nĂŁo ser uma pessoa de muitos amigos. acabou elevando a mĂŁo livre atĂ© um dos ombros dela, afagando levemente o local enquanto abrandava a expressĂŁo, para nĂŁo parecer mais tĂŁo frustrada. âeu tenho certeza que a bora nĂŁo Ă© sua amiga porque vocĂȘ paga coisas para ela. ela Ă© sua amiga porque vocĂȘ Ă© vocĂȘ.â esboçou um sorriso gentil, abrindo os braços em seguida, em um convite silencioso para que acabassem logo aquela discussĂŁo. yerin odiava discutir com a irmĂŁ, e nĂŁo queria de forma alguma que ela parasse de vĂȘ-la como um ponto de apoio. âum abracinho? pra eu saber que vocĂȘ entende que eu sĂł estou fazendo isso pro seu bem?â















