As três Antonias disseram que viram CAEL BENEDICT RIZZI passando na praça de manhã, você ouviu? Não é de se espantar, já que BENE tem 22 ANOS e quase todo mundo aqui já conhece a rotina dele por estar em Monteluna DESDE QUE NASCEU. A cidade pode até estar mudando, mas ele segue firme sendo bastante OBSERVADOR, mas também tendo seu lado LENTO. Ele continua se parecendo com ALESSANDRO BEDETTI e NÃO ESTÁ ansioso para conhecer os novos moradores!
AESTHETIC: Camisetas lavadas demais, tricôs de segunda mão, cordões com pingentes simbólicos que ele nunca explica, livros em línguas que ele não lê (ainda), pedaços de plantas secas entre as páginas, uma luminária amarela que ele acende só quando precisa pensar, molduras vazias na parede, andar leve.
Cael não chorou ao nascer.
A comoção dentro da sala da maternidade foi enorme para que ele chorasse, mas não o fez. Tampouco chorava quando chegou em casa e era apenas um bebê que nada entendia. Apesar da saúde intacta, Cael se recusava a chorar. Seus olhos grandes e escuros seguiam curiosos os movimentos de todos ao seu redor, mas ele não chorava nem para conseguir atenção.
Com o tempo, o choro — já inexistente — tornou-se ainda mais raro. Não chorou no primeiro dia de creche. Não chorou porque a barriga doía. Não chorou porque o brinquedo quebrou. Cael simplesmente não chorava.
Mas apesar do silêncio, Cael sabia de cor a cadência das lágrimas dos outros. Sabia quando sua mãe se emocionava com algo relacionado à religião. Sabia quando seu pai estava preocupado e uma breve lágrima brilhava no canto esquerdo do olho. Ele via tudo. Sentia tudo. Mas permanecia distante.
A distância, aliás, era sua linguagem de amor mais clara. Cael ama de longe. Protege observando. Conforta calando. E por isso, ninguém nunca soube ao certo o quanto ele sente.
Ainda na pré-adolescência, começou a colecionar sons. Hoje, em seu quarto, há caixas e mais caixas de gravações que ele conhece de cor: Conversas sussurradas. Cantos eufóricos. Vidros se quebrando. Vendas acontecendo. Tudo está guardado e tudo foi gravado enquanto Cael se escondia.
Ou melhor — não se escondia, apenas não se oferecia. Observava mais do que participava, mas estava sempre ali, inteiro. Sabia das conversas que aconteciam enquanto ele “lia um livro”. Percebia as dinâmicas que ninguém dizia em voz alta. Estava onde poucos alcançam: no subtexto.
Com o tempo, outra coleção se iniciou. No antiquário da família, Cael começou a guardar objetos quebrados — pedaços de porcelana, relógios que pararam, fragmentos sem função. Ele cuidava deles, mesmo sem consertar. Apenas guardava, como quem reconhece neles um sentimento familiar.
Cael não se via inteiro. Mas também não queria se remendar.
Tudo isso faz parte de quem ele é. De quem sempre foi. Junto de seus desejos — desejos que nunca disse em voz alta, mas que carrega com ele como se fossem ossos.
Cael observa tudo, entende tudo, mas ninguém parece realmente saber o que ele sente. Mais que tudo, deseja ser lido como lê os outros. Ser entendido sem precisar se explicar. Às vezes, Cael imaginava como seria se alguém notasse quando ele quase falou, quando quase chorou. Queria ser visto sem precisar acenar. Ser alcançado sem precisar se mover.
Havia noites em que Cael colocava os fones e ouvia gravações de pessoas chorando. Não por prazer. Por curiosidade. Queria entender como era. Como era deixar doer por fora. Como era ser tocado por dentro a ponto de vazar.
Quando nasceu, a casa já estava mais silenciosa. Os sorrisos vinham mais curtos. O pai já começava a envelhecer para dentro. E Cael, mesmo criança, entendeu que participar significava se ferir. Sempre teve muito a dizer, mas nunca soube se alguém queria ouvir. E, por autopreservação, se calou.
whispersinfragile ━━━━━━━━━━━━ open.
Uma amiga que é completamente aberta e emocional, alguém com quem Cael tem uma relação de lealdade sem palavras. Ela confia nele porque ele nunca questiona suas decisões impulsivas ou dramáticas, mesmo que ele não participe ativamente das aventuras dela. Ela está constantemente abrindo seu coração, compartilhando suas dores e medos com Cael, esperando algo de resposta que ele nunca dá de forma explícita. Cael é sua âncora, mas ela deseja mais dele, sem saber exatamente o quê.
ghostsweguide ━━━━━━━━━━━━ open.
Uma figura mais velha que serve como mentor para Cael, talvez alguém que reconhece a complexidade emocional dele, mas também está ciente de que Cael nunca pedirá por ajuda. Ele pode ser alguém de caráter forte e silencioso também, compreendendo as nuances da distância emocional de Cael. O mentor tenta, de forma sutil, se aproximar de Cael, ensinando-lhe lições de vida sem palavras, apenas com gestos e ações. Cael, por sua vez, respeita essa pessoa, mas não sabe como expressar sua gratidão. O mentor percebe que Cael guarda muito dentro de si e tenta buscar a chave para que ele se abra, mesmo que isso vá contra sua natureza.
untolddisagreement ━━━━━━━━━━━━ open.
Um personagem com quem Cael tem uma relação complicada de rivalidade, mas que, de certa forma, é um reflexo de tudo o que Cael não se permite ser. Essa rivalidade pode ser em vários aspectos: acadêmico, físico, moral ou até afetivo. O rival desperta em Cael um desejo de se provar, mas ao mesmo tempo, ele sente desconforto por não ter uma reação à altura.
unspokenreflections ━━━━━━━━━━━━ open.
Um personagem que é muito parecido com Cael, alguém que compartilha o mesmo comportamento de afastamento, mas também guarda segredos e camadas que os tornam quase reflexos um do outro. Essa pessoa é uma versão de Cael que se permitiu expressar mais, mas ainda compartilham a mesma distância emocional. Eles se observam, mas nunca se oferecem completamente um ao outro. Eles têm conversas densas, mas sempre em nível subtextual, nunca se entregando totalmente. O outro personagem poderia ver Cael como alguém que, se se permitisse, poderia ser algo muito grande.
transparenttides ━━━━━━━━━━━━ closed @milliesaway
Alguém extremamente expressivo e transparente, que tem dificuldade em entender o distanciamento emocional de Cael, mas é profundamente cativado pela sua calmaria. Ao contrário de Cael, essa pessoa não tem medo de demonstrar seus sentimentos, e isso cria uma dinâmica onde ambos são extremos opostos emocionalmente. O personagem transparente tenta abrir Cael emocionalmente, buscando ir além do que ele deixa transparecer, o que pode ser frustrante e até doloroso para Cael, mas também lhe oferece uma chance de explorar o que está por trás do silêncio dele.
firstflicker ━━━━━━━━━━━━ open.
Alguém com quem Cael tem uma atração natural, mas que é muito inocente e impulsivo nas emoções, criando uma relação onde ele se sente tocado por algo que não sabe bem como lidar. Essa pessoa pode ser mais jovem ou com uma personalidade mais efervescente e impulsiva, que traz um pouco de caos emocional para a vida de Cael. A paixão nasce de um momento de vulnerabilidade compartilhada, talvez uma confissão ou um gesto inesperado de carinho. Para Cael, isso é um desejo de compreensão, mas também algo que ele não sabe como lidar ou expressar de maneira clara. A pessoa pode ser intensa, criando um contraste com a natureza calma e reservada de Cael.
e muitas outras !

















