As três Antonias disseram que viram LORENZO ELIO MORETTI passando na praça de manhã, você ouviu? Não é de se espantar, já que ENZO/ELIO tem 26 e quase todo mundo aqui já conhece a rotina dele por estar de volta a Monteluna HÁ 4 ANOS. A cidade pode até estar mudando, mas ele segue firme sendo bastante RESILIENTE, mas também tendo seu lado DESONESTO. Ele continua se parecendo com EVAN MOCK e ESTÁ ansioso para conhecer os novos moradores!
jaqueta de couro desgastada, relógio analógico antigo, gravador portátil, cabelo colorido, moletons de cores neutras, acessórios prata, carta escrita e nunca enviada, mural de fotos preto e branco, casaco de lã esquecido numa poltrona antiga, estática do rádio, caderneta manchada de tinta e cheia de palavras, cheiro de café, sândalo e chiclete de menta.
tw: morte, câncer
RESUMO
Lorenzo nasceu em Monteluna, filho de um local e uma estadunidense mas acabou indo morar em NY por alguns anos antes de voltar para cidade com o pai com as notícias da morte de sua mãe e completamente diferente do que seus amigos o conheciam. No mesmo ano foi a Roma cursar jornalismo e voltou melhor após tirar esse tempo para processar tudo, atualmente trabalha na rádio do tio nos turnos da noite; é bem provável que já tenha ouvido sua voz trazendo reflexões no meio da madrugada. Não fala muito fora do trabalho e é mais reservado do que era anos atrás, então é mais provável que conheça mais sua voz do que ele mesmo.
ABOUT
“Buona sera Monteluna, aqui é Elio e esta é a hora em que as ruas cochicham segredos que só a madrugada escuta”
Lorenzo nasceu em Monteluna mas foi embora para os EUA com os pais aos 16, se despedindo da cidade que tanto amava com um pesar enorme no coração e caindo de cabeça no país em que a mãe nasceu mas que nunca teve contato até aquele momento. A família passou por tribulações no local que era novo para o pai mas casa para a mãe, se normalizando com os anos de vivência e trabalhos estáveis; a calma, como tudo que é bom não durou muito tempo: o câncer da mãe de Lorenzo foi descoberto e isso acabou com qualquer senso de normalidade que o adolescente tinha conquistado com os meses.
O fato de ver sua mãe morrer aos poucos sem nada a ser feito e seu pai trabalhando até colapsos de cansaço para pagar as contas do hospital mudou o garoto completamente em pouco tempo, o garoto sorridente e persistente se tornando amargo com sua insignificância no mundo e o luto tão repentino que teve que aguentar tão jovem e sozinho; em pouco tempo estava morando com os avós maternos imigrantes e trabalhando meio período da forma que podia para ajudar e até se afastar um pouco da realidade.
O luto ainda descia amargo em sua garganta quando ele e seu pai voltaram para Monteluna aos seus 19, os fantasmas da mulher que amavam ainda muito recentes causava tudo o que ela mais temia ao partir: o afastamento, incompreensão e brigas. Quando foi aceito numa universidade em Roma, Lorenzo nem fez questão de olhar para trás ao partir, sentindo que a relação tão boa que tinha com o pai estava quebrada sem chance de conserto daquela vez. No final, tudo era demais para um garoto que foi obrigado a carregar o mundo nas costas tão jovem: Na universidade era um aluno problemático apesar de brilhante, afundado num mundo de festas e pessoas erradas na noite e arrependimentos pelo dia.
Não foi até uma ligação do tio, Constantino, que teve notícias do pai doente mentalmente e demonstração de preocupação pela parte paterna de sua família. O tio, tão acostumado a lidar com aquele tipo de jovem foi um de seus maiores apoios durante a faculdade; ajudando também na relação entre pai e filho até que conseguissem se comunicar com mais facilidade com o tempo. Após se formar, trabalhou apenas alguns meses presencialmente em um jornal de Roma com a indicação direta de seus professores antes de seguir seu caminho de volta a sua casa: Monteluna.
Trabalhar home office na cidade foi extremamente tedioso até que Constantino oferecesse a oportunidade de cuidar do turno noturno da rádio local após a mudança de outra pessoa que cuidava daquilo, hoje em dia é conhecido por Elio na estação certa a partir das 22hrs, onde com sua voz suave e tom cheio de ironia e um toque melancólico compartilha seus pensamentos mais profundos, músicas favoritas e histórias que correm pela cidade vez ou outra.
Lorenzo ainda se prende a ideia romantizada de recomeço que teve ao voltar para sua cidade natal, ele fica feliz em ver isso em algumas das pessoas novas que estão chegando na cidade também. O olhar brilhando com esperança e a resiliência que acompanha a cada dia com esses novos moradores é definitivamente inspirador, além de certamente ficar feliz por poder ter mais prováveis ouvintes no seu horário que se torna lentamente mais famoso com os quadros que trás um dos poucos entretenimentos que a cidade tem a oferecer após as dez horas da noite.
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Permanecia sentado em uma pedra com um formato propício para isso, quase desenhada perfeitamente para alguém - ou duas pessoas - aproveitarem do descanso, ou seja lá o que seria feito ali. O silêncio era calmante, entretanto em sua mente havia gritaria, impedindo-o de aproveitar por completo do lugar. Estava distraído observando a água serena que refletia o céu azul que aos poucos dava lugar para um amarelo, talvez avermelhado ou quem sabe a mistura misteriosa de cores perfeitas do pôr do sol. O barulho chamou sua atenção, assim como a voz familiar, mas que havia sido esquecida pelos anos. Ergueu o olhar para o outro, um tanto surpreso, nem fazia ideia que o mais novo estava de volta na cidade, o que era um milagre já que as senhoras fofoqueiras não deixavam passar nada. — Sorte a minha que são os vivos. — Comentou divertido, a outra opção seria de longe bem assustadora. — Eu diria vivendo. — Respondeu, ainda que tivesse dúvidas sobre o modo como o fazia. — Você parece ter ficado bem durante esse tempo... O que te trouxe de volta? — Questionou tímido, era estranho o universo lhe colocar naquele lugar, com aquela pessoa.
Não deixou de soltar uma risada com seu comentário, as histórias de fantasmas não eram estranhas em Monteluna e tinha certeza que ainda podia lembrar de algumas várias que já contaram um para o outro ali mesmo. O observou com provavelmente mais atenção do que deveria ao ter a resposta de sua pergunta instintiva, ainda assim afirmando com a cabeça em indicação de que estava ouvindo; a pergunta rebatida do loiro o deixou um surpreso e tinha certeza que deixou transparecer na expressão normalmente serena. Os olhos castanhos voltaram a observar o lago, um suspiro pesado antecipando a resposta que demorou alguns segundos para formular "Quando parti deixei muita coisa para trás, entende?" a pausa foi usada para pegar uma das pedrinhas ali perto para brincar entre os dedos "eu tinha certeza que passaria o resto da minha vida aqui e de um dia para o outro tudo virou de cabeça para baixo, meu tempo lá fora foi caótico por várias razões mas mesmo quando finalmente pude relaxar eu ainda não conseguia me sentir em casa." da de ombros, uma risada sem graça escapando dos lábios franzidos "eu sinto que posso rodar o mundo e ainda não vou achar algum lugar que me faça sentir como me sinto aqui..." admite um tanto tímido, era a primeira vez que falava sobre aquilo com alguém "Além disso, o que resta da minha família precisa de mim aqui e eu também preciso deles." joga a pedra no lago antes de se voltar para o mais velho novamente "E você, por que ainda está aqui? Acho que te conheço bem o suficiente para saber que seria mais feliz lá fora."
Ela também riu, sabendo que ele ficaria no mínimo surpreso com a sugestão de bebidas. "Acredite se quiser, mas eu tenho clientes que vem aqui só para tomar chá e bater um papo." Ela disse, simplesmente, virando-se de costas apenas para pegar os itens que serviriam para preparar a bebida. Por ser inicio de noite, o bar estava tranquilo — apenas alguns clientes dispersos, o som suave de talheres e conversas abafadas preenchendo o espaço. Enquanto o vapor da água quente subia, Serena pegou um pequeno pote de vidro com mel de flor de laranjeira e uma colher generosa deslizou até a xícara, misturando-se à infusão ainda quente. Serena levou um instante para absorver a informação, sem pressa para responder. O sorriso que demonstrava era acolhedor, como se dissesse 'eu entendo', mas sem realmente falar. Então, com um tom calmo, ela disse: "Acho bonito vocês estarem tentando. Nem sempre a gente tem força pra isso, sabe? Relações de família doem de um jeito que às vezes a gente nem sabe explicar." Fez uma pequena pausa, desviando o olhar por um instante, apenas para pegar dois cravinhos e algumas raspinhas de limão siciliano, que adicionou com delicadeza no chá antes de servir ao amigo. "Eu tô... seguindo. Tem dias em que eu acordo com vontade de fechar tudo e sumir, e tem outros em que qualquer coisa me faz sorrir sozinha. Então eu vou vivendo um de cada vez." E então, voltando o olhar, dessa vez com mais brilho nos olhos: "Mas hoje você tá aqui, e eu também. E isso já faz o dia parecer mais leve, não faz?"
O fato era que realmente acreditava naquilo, Serena sempre fora boa com pessoas de forma que ele mesmo não era: os sorrisos calorosos, a risada despreocupada e sua forma de se segurar a coisas preciosas sempre foram alvo de não só um pouco de inveja mas também apreciação do mais novo. Naquele momento, a ver trabalhando no chá o transportou para o passado e trouxe a superfície algumas dores que sabia que podia compartilhar com ela; o olhar finalmente se levantando com seu comentário e um sorriso melancólico aparecendo nos lábios "É difícil, nós dois perdemos a pessoa que amávamos num momento de muito estresse e as coisas se quebraram no que achei que seria impossível de se consertar. Mas com o tempo e muita paciência tem se tornado...estável." afirma com a cabeça um tanto pensativo "cada dia se torna uma prova de que meu mundo não acabou aquele dia." solta uma risada leve com o pensamento e se cala para a ouvir. Finalmente com um sorriso genuíno concordou com a cabeça algumas vezes "Um dia de cada vez." seu comentário seguinte não deixou de arrancar uma risada mais sincera dessa vez "Sim, é bom ter companhia." levanta a xícara como um brinde tímido "por mais dias assim." assopra algumas vezes antes de finalmente tomar um gole, soltando um som satisfeito do fundo do peito "perfeito, como sabe fazer isso ficar tão bom!? devia ser considerado um super poder!"
a comparação com o pai pareceu animar o ruivinho que começou a saltitar contente mas o adulto suspirou pesadamente. "bem, obrigado. agora ele vai usar isso de desculpas pra correr pra todo canto." o lamento era apenas para dramatizar e arrancar uma risada do filho, coisa que funcionou. "sim, como o poste de semana passada. não sei como não abriu a testa." contou, estremecendo levemente com a lembrança. o garoto provavelmente também tinha tdah então não havia como jannes culpá-lo por toda aquela energia; crianças já eram energéticas, tendo isso então? ele bem sabia que às vezes era difícil de controlar, quanto mais o pequeno de apenas quatro anos? "não tá feliz aqui? posso te mostrar meus legos! eles me deixam feliz." carlito ofereceu, se inclinando para abraçar as pernas de lorenzo. o menino era empático apesar da pouca idade. "mudanças não são fáceis, carlito. são cansativos, lorenzo pode estar cansado." tentou dar uma saída ao outro. "e monteluna não tem muita coisa pra animar, não é?" não podia deixar de alfinetar, mesmo que superficialmente. perder o amigo de infância para uma mudança foi algo ruim, deixava para trás uma cicatriz que não desaparecia com o tempo.
O sorriso que tinha no rosto se tornou momentaneamente uma careta ao ouvir o outro falando mais sobre as aventuras da criança, lembrando a vez que ele mesmo bateu de frente com algo e teve que fazer os pontos na testa. Os pensamentos foram rapidamente interrompidos pela fala do menor, uma expressão carinhosa aparecendo no rosto por algum tempo; ao lançar apenas um olhar para Jannes resolveu se manter com apenas um agradecimento em murmúrio pois não queria interromper demais o dia bom que pareciam estar tendo. Com o comentário do outro adulto ali, sua mente presa na auto sabotagem apenas levou a frase como uma rejeição sem nem pensar duas vezes mas fez questão de forçar seu sorriso mais convincente para o olhar esperançoso que o encarava "Talvez depois, Carlito! Pode passar lá na rádio também pra ver os gatinhos que tem lá as vezes." apertou uma das bochechas do menininho mas fez questão de olhar nos olhos do loiro para responder sua declaração "recentemente tenho achado mais coisas pra me animar aqui do que em qualquer outro lugar." soou um pouco mais sério do que tinha intenção, forçando o sorriso mais uma vez com um tom de voz mais leve para acompanhar "sempre soube que aqui era minha casa, só estava perdido e precisava achar o caminho de volta." da de ombros e leva as mãos aos bolsos "não é como se a mudança tivesse sido uma opção, Jan, mas como agi depois foi e sinto muito por isso."
Com a mudança de novas pessoas, era cada vez mais fácil de achar alguns perdidos ou com dúvidas e Lorenzo não era a melhor pessoa para ajudar mas quando encontrou o loiro parado na frente da vitrine do café parecendo meio incerto do que pegar, finalmente viu uma brecha para ajudar em algo que tinha real experiência "Novo aqui, certo?" solta uma risada leve e para ao lado do outro para ver o que tinham "O croissant é uma delícia, e recomendo o cappuccino também." da de ombros fazendo o mesmo exato pedido para si, parando ao lado do balcão para esperar ficarem prontos "Tem gostado da cidade?" não consegue conter a curiosidade, observando o homem com cuidado apesar do sorriso sereno nos lábios.
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O final da tarde em Monteluna sempre carregava nostalgia e melancolia para Lorenzo, uma pitada de saudades de quando andava com seus amigos que agora tinha uma distância era o que o levava a andar pela cidade e parar em algum lugar para assistir o por do sol. Desta vez procurou casa em um dos lugares com suas memórias favoritas da cidade, a desatenção fez com que quase não percebesse Sam sentado ali "Parece que o que dizem sobre quem é vivo sempre aparece é verdade..." abre um sorriso leve, era a primeira vez que tinham se encontrado ali após ter voltado. Talvez foi o fato de o ter encontrado em um lugar que compartilharam memórias ou sua nova missão de tentar se aproximar novamente das pessoas mas se aproximou para se sentar ao lado do outro, o olhar caindo no lago sereno "Como você tá, Sam?" não era sua melhor forma de puxar um assunto mas tudo o que tinha pensado naquela hora.
O início de toda transmissão de Elio era marcado com o barulho de um vinil chiando, uma música lenta que seu tio havia colocado antes de entrar na cabine terminando e sua voz pacífica soando com uma propaganda nova que fazia antes de começar:
Em Monteluna, no coração da antiga capela, o passado encontra o presente no Atelier Della Torre. Arquitetura, restauração e design que respeitam a alma das histórias e celebram novos começos.
Com o final das propagandas que tinha que fazer, finalmente começa com sua sessão daquele dia na rádio.
"Buona sera Monteluna, aqui é Elio e esta é a hora em que as ruas cochicham segredos que só a madrugada escuta e se você ainda está acordado, talvez quer dizer que assim como eu, está carregando algo: uma lembrança, um arrependimento ou até uma esperança.
Hoje vamos falar um pouco sobre recomeços, sobre uma das esperanças que carreguei comigo para esta cidade; sobre portas que achamos que tinham fechado mas que de repente aparecem abertas novamente. Sobre caminhos que achamos que não íamos percorrer mas chegamos, as vezes tropeçando, as vezes até sem querer.
Sempre achei que recomeços eram como virar uma página; com o tempo descobrir que pode ser apenas continuar na mesma folha rasgada, com uma letra diferente ou um peso a mais na mão. Recomeços podem as vezes não percebidos até certo momento até por nós mesmos, silenciosos quando fazemos decisões aos pequenas ou até mesmo um grito no silêncio com uma necessidade gigante e repentina de mudança.
São cheios de pedidos de desculpas, amores novos, aceitações sobre coisas que negamos por muito tempo, falta de compreensão, finais...é apenas um passo para trás para finalmente ir para frente.
Recomeçar não é esquecer, é sobre lembrar sem deixar que a única memória seja a dor.
o melhor horário para fazer seu trabalho principal com certeza era aquele. quando o céu já estava escuro e as ruas se encontraram vazias. e tudo bem, as ruas ficavam livres de pessoas antes do sol se pôr, mas isso era um detalhe. a roupa que usava lhe protegia do vento frio, mas nisan parecia uma espiã tendo escolhido vestes pretas para passar despercebida na escuridão; o cabelo preso em um rabo de cavalo e uma mochila nas costas contendo todo o equipamento necessário para mais uma caça. marcou com lorenzo na praça central para que fosse fácil de se encontrar, agora tinha uma lambreta ao invés da bicicleta inútil que o maluco do marco lhe vendeu. "ah! finalmente! achei que você ia cancelar." foi a forma como saudou o morador mais antigo, estava animada ao ponto de ter chegado cedo mas mesmo assim ainda pensou que o outro iria cancelar o compromisso. o celular em mãos, a turca balançou o aparelho. "você se importa de dar um oi pra câmera ou fazer comentários quando eu estiver gravando?"
Após ficar preso fazendo algumas coisas no trabalho, não precisou nem correr para o local de encontro considerando o quão perto o prédio da rádio era da praça; ajeitando a mochila com o próprio material no ombro ao chegar com a expressão tranquila de usual no rosto. Assim que viu a mulher escondida até bem demais no escuro, acenou com uma das mãos antes de abrir um sorriso animado com os planos que tinham "Perdão, acabei tendo que substituir pra alguém no trabalho..." pega o celular para checar seu total de 10 minutos de atraso, acabando por soltar uma risada leve com o quão animada a turca parecia com aquilo. Leva alguns segundos pensando antes de responder sua pergunta "não me importo, só não sei se meus comentários vão adicionar muita coisa." era acostumado a comentar sobre as lendas da cidade no rádio e apesar de sentir que iria ser completamente diferente, era sobre isso que era a noite, queria sair um pouco da bolha em que se enfiou então poderia tentar ajudar a mulher com seu conteúdo enquanto isso. "Onde vamos hoje?"
a facilidade com a qual carlito escapava do pai deveria ser vergonhosa. a criança tinha uma energia que rivalizava com a do próprio jannes que já era meio disperso no quesito atenção; quando na idade dele, o loiro era da mesma forma e parecia que o ruivinho vinha para lhe mostrar o trabalho que deu para os pais. ao contrário dos seus pais, no entanto, jannes não brigava com o filho por isso. o incentivava. e isso acabava com os dois correndo pelas ruas de monteluna, os gritos animados se dissolvendo em risadas. antes que pudesse fazê-lo parar para não bater em alguém, isso aconteceu. e justamente em lorenzo. para seu desespero, a criança não tinha um pingo de hesitação em se atirar no outro, aproveitando até que ele estava agachado para o abraçar. "eu sou o mais rápido da minha turma!" carlo alegou com orgulho. "é, tem razão, talvez um esporte de correr o faça gastar a energia na escola ao invés de me fazer sair por aí correndo feito um louco." era uma boa ideia, não dava para negar. "mas atropelar as pessoas não é legal, é?" tentou fazer a criança perceber o erro, mas o máximo que conseguiu foi vê-lo apertar um beijo na bochecha do antigo amigo do pai, completamente alheio a estranheza que os adultos enfrentavam. "desculpe, enzo. não dava pra parar! mas você me pegou!"
Uma risada escapou dos lábios com a combinação do pai e filho, se lembrando de como Jannes tinha a personalidade parecida quando eram mais novos e, apesar dos pais mais rigorosos do loiro, Lorenzo era um dos primeiros a o apoiar em qualquer coisa que quisesse fazer "Realmente, tenho certeza que é o mais rápido depois do que vi." comenta em um tom divertido, jogando um olhar para o homem que compartilhou momentos na infância "seu pai também era, acredita?". Tentou apenas afirmar com a cabeça em concordância da possível lição de moral que a criança deveria aprender daquilo mas acabou deixando escapar uma gargalhada com a combinação do beijo que ganhou, a expressão que Jan colocou no rosto e o comentário de criança "tudo bem, mas toma cuidado da próxima vez, talvez a próxima coisa que te pegue não seja tão macia ok?" fala com ele após finalmente consegui parar de rir, as bochechas doendo com o quanto havia sorrido após tanto tempo sem isso. Por fim, ajeitou a postura, bagunçando os fios do pequeno "obrigado vocês dois, fazia um tempo que eu não ria assim."
O cheiro de cítricos e especiarias pairava no ar, misturado às notas de música italiana que Serena escolhia pessoalmente para tocar baixinho ao fundo. Atrás do balcão, iluminado com luzes de led em tons quentes, Serena passava as últimas orientações para o colaborador recém contratado. Tinha os cabelos presos em um lenço estampado de limões sicilianos e um sorriso habitual no rosto, que foi direcionado a voz que dificilmente passaria despercebida, assim que a ouviu. — Enzo! Que bom te ver! Ela exclamou, ainda do outro lado do balcão, mantendo o sorriso largo no rosto. — Bom, considerando que o trabalho ainda te aguarda... Recomendo um chá de lavanda com mel de flor de laranjeira, cravo e raspinhas de limão siciliano. Ajuda a acalmar os pensamentos barulhentos. Ela explica, tendo sempre a receita de um chá como uma carta na manga, ainda que ali fosse um bar e a maioria das bebidas fossem alcóolicas. — Uma boa conversa também costuma ajudar a desacelerar. Sugere, visto que, há tempos atrás conversarem sobre qualquer assunto não fosse um problema.
O sorriso que alcança seus lábios vem como algo automático com a visão do de Serena, já se esquecendo um pouco da dor de cabeça que tinha "É bom te ver também." a resposta era genuína, a recepção fazendo com que um peso enorme fosse retirado de suas costas quase imediatamente. Soltou uma risada leve com sua resposta mas afirmou com a cabeça em confirmação que queria aquilo "Isso soa bom, nunca pensei que iria para um bar tomar um chá..." da de ombros e se ajeita na banqueta, deixando os pertences em cima do balcão ao que estica um pouco as costas "Hm..." hesita um pouco antes de suspirar e desviar o olhar para a madeira antiga do balcão como se fosse a coisa mais interessante que tinham ali "Eu e meu pai ainda temos dias ruins, bem distantes na verdade, hoje foi um dia desses..." respira fundo e segura vontade de revirar os olhos ao pensar na briga besta que tiveram "é complicado, mas estamos trabalhando nisso." finalmente volta a olhar para a mulher, um sorriso mínimo aparecendo "e você, como está?"
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Andar pelas ruas da cidade sempre traziam um sentimento de nostalgia e inspiração para Lorenzo, era onde você poderia o encontrar após algum dia ruim como era o caso de hoje. Os fones de ouvido que usava não foram o suficiente para abafar a risada sapeca da criança que quase foi de cara com suas pernas, e após uma quase queda da parte do mais velho e várias risadas de Carlo, finalmente conseguiu se agachar para falar com ele "Oi Carlito, tá aprontando de novo?" a voz pacífica e divertida que usa faz com que o outro responda apenas com um sorriso, ambos virando o olhar para o pai da criança que chega correndo também após apenas alguns segundos "ele tá ficando cada vez mais rápido, acho que deviam tentar algum esporte depois..." comenta risonho com a situação de Jannes, tinha que admitir que agradecia muito pelo pequeno por deixar a situação entre os dois menos entranhas de vez em quando.
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la sirena, início da noite
Com certo tempo ainda livre para o trabalho, Lorenzo acabou se encontrando na porta de La sirena com nada além de sua carteira, um caderno de anotação e muitos pensamentos ainda confusos com a quantidade de pesadelos que andava tendo nos últimos dias; e que melhor forma de os combater de frente a não ser um pouco de álcool e um rosto conhecido?
Assim que entrou abriu um sorriso leve para Serena, se aproximando do balcão e sentando em uma das banquetas ali para finalmente cumprimentar "Boa noite." solta em quase um murmúrio, o silêncio que nunca ocorria entre eles em seus anos mais jovens se estendendo um pouco antes que pensasse em algo "o que recomenda pra uma pessoa com pensamentos demais mas que ainda tem que trabalhar daqui algumas horas?" era uma abertura nada discreta mas que em sua defesa não era habituado a dar, uma tentativa de se reaproximar da outra que um dia considerou uma boa amiga.
Após a missa, após o lanche com os pais e após deixá-los em casa, Cael estava sentado em um degrau de pedra, um pouco afastado da caça aos ovos, com um coelho de pelúcia no colo — ele não sabia exatamente por quê, alguém só tinha enfiado aquilo na mão dele e ido embora. A camisa branca já tinha manchas de chocolate (não dele), e o gravador no bolso capturava uma nova trilha: um grito infantil — "ACHEI MAIS UM!" — seguido de um baque e o som abafado de choro. Cael pausou a gravação com um clique suave. Não sorriu, mas os olhos deixaram escapar um brilho breve, como quem reconhece um som que já esperava ouvir. "Alguém caiu", comentou baixinho, mais para si mesmo ou para o coelho em seu colo. Onde estava o dono daquela pelúcia? Olhou ao redor, buscando respostas.
gente, seguinte, o cael é assim mesmo, viajado. o coelho pode ser seu, pode ser de alguém próximo a você, você pode ir pedir uma informação pra ele, pode não aguentar o silêncio, pode ser curioso e perguntar o que ele está ouvindo, pode lembrar dele por causa do antiquário ou dos irmãos. literalmente qualquer coisa eu espero daqui! é isso, eu posso dar ideias na dm também de como responder KAHDJHASKJDH
Havia pegado alguns biscoitos antes de sair andando pela cidade se muito rumo, parando para ajudar algumas pessoas com a caça dos ovos no meio do caminho mas chegando para se sentar ao lado de Cael com o tipo de cumprimento que sempre usavam: um simples aceno com a cabeça. Sem enrolar muito, apenas soltou a primeira coisa que veio a cabeça "Já comeu os doces? Estão gostosos, acho que se esforçaram mais esse ano..." estende a mão com alguns biscoitos que havia enrolado num guardanapo para o garoto em uma forma de oferecer, fazendo com que finalmente percebesse a pelúcia em seu colo e apenas levantasse a sobrancelha em uma pergunta silenciosa.
escolha entre: starter pós missa ou starter durante a caça aos ovos.
Javier não tem qualquer obrigação com a igreja, mas mesmo assim se faz presente ao fim da missa. Apesar do sino já ter tocado, o homem continua em movimento ajudando a desmontar decorações, abaixando as tendas, limpando os bancos. Grande parte das pessoas presentes eram idosas e Javier não deixaria o trabalho pesado para elas. "Se quiser me ajudar com as caixas, prometo pagar com um pedaço de colomba." Direcionou as palavras para a pessoa mais jovem que seus olhos conseguiram localizar, apontando para as caixas em questão que pareciam muito similar com a que estava carregando sobre um dos ombros. "A boa, de hoje, não aquela seca que sobrou do ano passado. Ainda estão tentando vender essas nas barracas, pra só depois trazerem as frescas."
O capitão bombeiro apoiava as mãos no quadril, observando desacreditado um grupo de crianças correndo pelo gramado com chocolates. Imaginava que demorariam mais tempo para encontrá-los. "Te juro que escondi bem os ovos de páscoa. Ou as crianças viraram detetives profissionais ou me observaram durante toda a manhã." Era óbvio que suas conclusões não eram sérias, a expressão descontraída deixava isso claro. Segundos depois, Javier voltou a pegar o cesto dos ovos ainda não escondidos. Havia prometido a mãe que os esconderia até o fim da competição, mas precisava de novas ideias. "Se fosse você, onde esconderia? Só não em lugares altos, por favor, já tirei criança demais de árvores por hoje."
Lorenzo estava com o gravador em mãos ainda após ter entrado na igreja para gravar o som dos sinos batendo, um de seus favoritos da cidade, quando ouviu o homem e parou por alguns segundos com uma expressão muito falsa pensativa como se estivesse pensando se o ajudaria ou não "Se for uma das boas, posso pensar no seu caso..." solta uma risada leve antes de guardar o gravador no bolso e pegar a caixa, esperando o outro indicar para onde a levar ao que olha em volta "Apesar das mudanças, ainda continua a mesma Monteluna então..." solta uma risada leve e afirma com a cabeça "vou esperar os moradores novos pegarem as partes mais secas então."
espelho do passado - jannes conhecia lorenzo antes de partir para os eua, estranhou muito o garoto quando voltou e só recentemente tem conseguido se aproximar novamente dele já que finalmente parece ter dado um espaço para isso.
cartas da meia noite - em um de seus quadros na rádio, lorenzo lê cartas anônimas falando um pouco de tudo mas serena é uma espectadora que manda cartas frequentemente; algo na escrita ou a for que ela vê o mundo fez com que lorenzo a reconhecesse sempre e ganhasse um certo carinho nessa pessoa que nem mesmo sabe quem é.
a voz misteriosa (f/m)- josephine sente atração pela voz do homem que ouve na rádio todos os dias durante a madrugada, pode ser apenas seu timbre ou a forma poética de falar sobre seus pensamentos mais íntimos; mal sabe jo que o dono daquela voz é na verdade lorenzo, o homem despreocupado que é seu amigo e que conversa frequentemente.
mistérios de monteluna - nisan, francesca, lorenzo e mais alguns coitados que carregam juntos são grandes amantes das lendas bizarras que as pessoas inventam na cidade, tendo se conhecido na biblioteca ao pesquisar mais sobre, acabaram se tornando amigos que vez ou outra vão procurar mais coisas e invadir casas abandonadas a procura de informações.
âncora - lorenzo fica preso em sua própria cabeça com frequência, precisando de muse para o ajudar a manter os pés firmes no chão com cuidados ou apenas verdades que precisam ser ouvidas.
sua voz não me é estranha... (0/2) - muse(s) reconhecem a voz de lorenzo da rádio mas nunca recebem a real confirmação do homem que é ele mesmo.
amor de infância (f/m) - muse namorou com lorenzo antes de partir para os eua, podem ter continuado se falando e se tornado amigos ou nunca mais se falaram.
amigos de infância
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big fan of characters who have it all under control when theyre put in situations but no idea how to be like a regular guy doing regular stuff when all is said and done.