E aÃ, cara, firmeza? Eita que aqui tá bom demais! Sabe, meu namoro não podia estar melhor. Às vezes ainda tem alguns quebra-paus, mas né, se não tivesse, não serÃamos eu e a baixinha, mas o bom é que tudo termina na cama, com gargalhadas e muitos, mas muitos beijos e é uma delÃcia. Te contei que ela tá mais vivendo lá em casa do que na casa dela? Pois é, semana passada, por exemplo, ela passou quatro dias em casa e, alô, destino, eu não estou reclamando!!!!!! Parecemos casados e esses dias, inclusive, ela brigou comigo porque esqueci de descongelar o frango. Vê se eu tô podendo! Imagino quando casarmos, como vai ser. Esses dias, como tanto outros, estávamos deitados na cama, ela na minha frente e eu bem encostadinho à ela, sentindo o cheiro de sua pele, alisando seu braço e pensando que ela estava dormindo, mas não. — Tá me alisando muito, cabeção... Você quer alguma coisa? — Meu Deus, eu não posso ser mais carinhosos com minha namorada que já quero algo? — Se eu não te conhecesse... — segurei a risada. — Larga mão de ser chata, baixinha — ela se virou de frente pra mim. — Tava aqui só pensando em quantos filhos iremos ter. — Não quero filhos. — O que? — Não grita no meu ouvido — ela reclamou. — E é isso mesmo que você ouviu. — Mas quem é então que eu vou mimar, ensinar a jogar futebol, jogar vÃdeo-game, bagunçar suas coisas e etc? — Tenha um cachorro. — Cachorros não jogam vÃdeo-game, ô loira — ops, disse a palavra proibida. Lá se vão cinco minutos de silêncio. — Baixinha, fala comigo. Baixinha. Alô-ô! Amorzinho. Bebê. Paixão. Vida. Ar que eu respiro — comecei a enchê-la de beijos e recebia tapas e beliscões em retorno, até que ela cedeu e gargalhou. — Filho da... — Olha! Não xinga mamãe, foi ela quem fez essa obra maravilhosa da natureza pra você. — Idiota. — Linda. — Pensando bem, você não terá um cachorro. — Tá me proibindo de ter cachorro também? — Tô. — Já não basta não querer ter filho comigo, um mini-eu correndo pela nossa casa, agora ainda quer me impedir de ter um cachorro? — Sim, porque eu vou ter um gato. — Você que decide o que teremos e o que não teremos? — Claro. — Gatos são a sua cara, se formos pensar bem. — Lindos e maravilhosos, né? — Não. Preguiçosos, esparramados, não gostam de banho, ocupam o maior espaço na cama, mal-humorados e vivem roubando seu cobertor — puxei o cobertor dela. — Ei, eu gosto de tomar banho. — Eu bem sei. E aquele dia que você dormiu sem tocar banho, eca. — Eu tinha tomado banho antes de você chegar em casa, cabeção. — Quem é que me comprova? — Idiota. E se for assim, cachorro é mesmo a sua cara. — Vou me atrever a perguntar o por quê. — Porque são babões, se contentam com qualquer pedaço de carne, só querem saber de brincar, ficam lambendo qualquer um, e... — Epa, eu não lambo qualquer um, só lambo você — passei minha lÃngua na bochecha dela. — Eca, seu nojento! — Quando eu passo a lÃngua lá, você não me chama de nojento, né? — cara, ela começou a ficar tão vermelha que eu não me aguentei e caà na gargalhada, levando uma travesseirada na cama e um peso na minha barriga. — Sai de cima de mim, sua gorda. — Você é mais bonito quando tá dormindo. — E eu não me contento com qualquer pedaço de carne. — Ah não? E aquela loira toda montada e oxigenada lá que você só usava pra me fazer ciúme? — Que fique bem claro que quem tocou no assunto foi você. A loira era carne de primeira, se você quer saber. — Carne de primeira sou eu, não me coloque no mesmo patamar que ela, grandão. — Não, baixinha — inverti nossas posições — você é um tipo especial. — E qual eu seria? — Aquela feita especialmente pra mim — eu ia beijá-la, cara, mas daÃ... — Não pense que eu esqueci que você me chamou de espaçosa e mal-humorada. — Qual é, você me chamou de babão! — e então ela finalmente me deixou beijá-la. Cara, juro, que se pudéssemos respirar enquanto beijamos, eu ficaria a beijando por horas, porque, porra, eu amo aquele beijo. — A gente pode ter um filho... — ela disse e eu dei meio sorriso. — Já sei, adotado... — Não, nosso mesmo. — Você tá falando sério? — fiquei a olhando. — Tô sim. Adoraria ver um mini-você correndo pela casa só de cuequinha. — Ou talvez uma mini-você com esses seus olhos de jabuticaba me olhando. — É, talvez... — Talvez... — Mas... nós poderÃamos ir treinando pra isso, né? — Treinar pra mim parece ótimo — disse, beijando seu pescoço. — Parece maravilhoso... E está assim agora, cara. Tudo à s mil e uma maravilhas. Você também tá namorando? Porra, cara, que daora, meus parabéns. Tomara que esteja tudo tão bom quanto o meu. Quer me contar alguma coisa? Ah, tudo bem, deixa pra outro dia então, eu também tenho que ir. Sabe como é, marquei com a baixinha... A gente se fala!
Relatos de um homem — até então — sem coração.









