Cada vez que a Atena começa a latir eu paraliso, quando isso vai passar? Hoje é o terceiro dia e já sinto a diferença mas continuo paralisada com pensamentos de medo. O mundo realmente é um moinho. Como pode alguém infernizar a vida do outro por causa de um animalzinho? A Atena é um amor, só um pouco bagunceira. Penso no que podem fazer a ela e fico paralisada. Tenho medo,quando o medo acaba? Eu não sei... Escuto o ventilador, a Porpeta se coçando, o Aladdin sonhando, espero o Bruno voltar pra casa, a dor de cabeça não me deixa. Tudo que eu quero é paz. Eu estava enlouquecendo, a mente humana é tão frágil. Parei de acreditar em deuses e na natureza por uns dias, em vida após a morte, em um sentido pra tudo isso aqui. Se voltei a acreditar? Não sei... Ando interessada sobre a cultura Celta. Os Celtas eram incríveis e evoluídos pra sua época. Procuro um motivo pra voltar a acreditar. Hoje fazemos 3 anos de namoro, eu e o Bruno. Meu dia não foi produtivo. Estou esperando o Bruno voltar do trabalho. O Aladdin dorme tranquilamente. Atena silenciou. Porpeta está no encosto do sofá. A Atena latiu de novo e eu aqui escrevendo. Minha cabeça dói. O que será do futuro? Tento pensar em várias coisas mas acho que o remédio não deixa, ele me limita a pensar em apenas uma por vez. Fim de tarde na floresta. Sinto o cheiro das folhas. Me sinto em um conto de fadas, a bruxa má mora na frente da minha casa. Não posso ser prisioneira. Estou tentando viver, não posso desistir agora. Vejo grandes folhas verdes, paradas e plenas. Não passa nenhum vento mas ainda sinto o cheiro da floresta. Estou dentro dela, eu sou a floresta. O barulho das motos e carros estragam. O que estamos fazendo com o mundo? Acho que o Bruno tem razão, as pessoas não deveriam ter carros próprios. A Atena late, escuto macacos lá longe. Esse texto não foi pensado, é só uma grande bagunça. Queria deixar aqui gravado. Devem ter vários erros, assim como a minha mente mas quem se importa? Escuto o silencio ele tem o som do vento que não venta hoje. Isso faz sentido? Não, nem um pouco, estou viajando. Onde será que está a Atena? Não importa, ela vai voltar. Ela sim sabe viver. A gente sobrevive. Quero ter o poder de viver, sinto que estou rumo a isso. Talvez ela esteja aprontando, quem sabe? E daí? As luzes da rua já se acenderam, a Atena late, a Porpeta murmurou, o Aladdin dorme, eu escrevo sem rumo, os pássaros cantam e voltam pros seus lares, as árvores. São tantas árvores, inúmeras, impossíveis de contar assim como os pássaros. O quadro está torto, quando vou arrumar? Atena ainda late, como pode ter tanta energia? Hoje quase não ouvi a voz da bruxa... Bruxa? Poderia chama-la de outra coisa. Gosto das bruxas. Vou chamá-la de coisa; Hoje quase não ouvi a voz da coisa e isso é bom. Prometi que fingirei que ela não exite. Eu consigo, sei que consigo. Quero que o Bruno chegue. A Atena late e eu me canso de escrever.