YOON JEONGHAN? até que parece, mas não é. aquele é KANG JAEHWI, classificado como ÔMEGA. ele tem VINTE E NOVE ANOS e é natural de JEJU, COREIA DO SUL, mas atualmente está residindo aqui perto em EUNBIT CHAE. atualmente, trabalha como INSTRUTOR DE PILATES. dizem que é muito DETERMINADO e AMIGÁVEL. e também pode ser TEIMOSO e IMPACIENTE, acredita? mas quando passa, deixa para trás aquela essência de FLOR DE LARANJEIRA COM NOTAS DE LIMÃO que é difícil ignorar.
I. HISTÓRIA
Cresceu com sua família em Baekhwa. Não eram numerosos, tanto que ele tinha apenas uma irmã mais nova, mas eram felizes. Mesmo levando uma vida tranquila, Jaehwi ainda precisou lidar com as expectativas e dificuldades de ser um ômega, já que seus pais eram conservadores. Para Jaehwi, todos os dias eram um desafio já que além de nascer um ômega masculino, ainda tinha traços extremamente delicados que confundiam os olhos de qualquer um e foi premiado com uma alteração genética rara que o fazia ter apenas o aparelho reprodutor feminino.
Com todas estas condições, sua família pensava que seria ótimo para o ômega apenas conhecer alguém, se casar e viver uma vida doméstica, mas Jaehwi queria ser mais do que isso. Sendo assim, entrou para a universidade para o curso de Fisioterapia, porém não chegou a exercer. Decidiu por abrir um espaço de Pilates no Estúdio Brisa de Baekhwa, com a ajuda de sua tia. Atualmente, é de onde tira seu sustento, mas enquanto o local não deu lucro, Jaehwi precisou morar com seus pais.
Sua mudança para um apartamento em Eunbit Chae é recente. Morar sozinho, aos olhos de sua família, era um absurdo. Afinal, a maioria apenas saiu depois de casar, mas Jaehwi queria desafiar aquele tipo de pensamento e provar que poderia se virar sozinho.
II. PERSONALIDADE
Apesar de tudo o que conquistou, Jaehwi ainda é visto como o ômega tradicional, perfeito e submisso. São poucos os que conhecem seu lado teimoso e impaciente, pois ele é, na maior parte do tempo, bem calmo, compreensivo e amigável. É fácil dizer que ele é o esteriótipo, pois foi criado para cozinhar, limpar, cuidar, bordar, cantar, tocar, dentre outras inúmeras coisas que os antigos consideram como essenciais para um ômega e isto está encrustado profundamente nele, mas Jaehwi vem tentando quebrar um pouco com o padrão. Hoje em dia, age de forma mais aventureira e ousada, mas ainda sente medo dos pais e do que os outros vão pensar. Talvez precise de alguém para segurar sua mão.
III. RELACIONAMENTOS
Jaehwi possui experiência em relacionamentos longos. Teve apenas dois namorados em sua vida. O primeiro relacionamento durou cerca de 6 anos e foi com o seu romance de colegial. Acabaram se separando por não serem mais tão compatíveis, mas continuaram bons amigos. Já o segundo relacionamento durou cerca de cinco anos e sua família até chegou a pensar que ele se casaria, mas acabou sofrendo uma traição e isso acabou com tudo. Seus pais não sabem que foi traído, prefere manter em segredo. Desde então, não se relacionou com mais ninguém. Jaehwi não é do tipo de se relaciona casualmente, é bem reservado e até tímido.
IV. CONEXÕES
Amizades.
Inimizades.
Clientes do Pilates.
Irmã mais nova.
Uma boa influência.
Alguém que faça o coração dele disparar.
Os ex-namorados.
Um amor não correspondido (por ele ou pela outra pessoa, bem angst).
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Boyoung não seria a pessoa que cederia primeiro. Não mesmo. Sim, a beta reconhecia que a sua atitude era extremamente infantil, mas, se deixasse para trás a raiva e a indiferença fingida, só sobrariam a tristeza e o ressentimento, e com essas emoções ela não conseguiria lidar tão bem, especialmente no atual momento em que se encontrava aos frangalhos – mente e alma. “Tudo bem.”, pensou, engolindo seco. Duas pessoas indiferentes. Ela podia jogar esse jogo também. Embora tenha tentado se convencer que conseguiria lidar com aquilo, a verdade é que não estava preparada para ouvir seu próprio nome soar tão formal e distante vindo da mesma voz que, tantas vezes no passado, a chamara com tanto carinho. Aquilo a desarmou completamente, acertando-a como um soco certeiro no estômago, sem defesa. Não seria exagero dizer que ficara até mesmo desorientada. Ela queria dizer algo, mesmo que talvez uma ironia qualquer para aliviar o desconforto, mas não conseguiu, não a tempo de impedi-lo de virar as costas. Aquilo foi pior do que qualquer briga. Ela sabia exatamente o que significava: o que eles tinham muito provavelmente estava além de qualquer conserto. Por um segundo, pensou em ir embora, mas já era tarde, e a beta também era orgulhosa demais para deixar-se tão vulnerável aos olhos alheios. Ela precisava ver até onde ela conseguiria aguentar; até onde ele iria com esse teatro. Após deixar suas coisas dentro do local designado, fechou o armário com mais força do que o necessário e seguiu para a sala indicada por Jaehwi, os passos firmes demais para quem, por dentro, travava uma guerra consigo mesma. Boyoung teve vontade de rir, mas de nervoso. Todo o motivo que a levara até ali, para início de conversa, era para ajudá-la com seus dilemas, mas tivera o efeito contrário: em vez de ajudá-la, estava lhe causando mais problemas. Não fraquejaria, tentou convencer a si mesma. Ela parou a poucos passos dele e forçou o que deveria ser um sorriso, mas que evidentemente não soava natural, tampouco amigável. “Acho que estou pronta.” Disse, com a voz firme, sustentando o olhar na figura alheia até quando pôde. Houve um breve silêncio, incômodo e carregado. Não parecia suficiente. Como se o orgulho precisasse dar uma última palavra, ela completou. “E não se preocupe. Não estou aqui por sua causa.”
O Jaehwi do passado estaria aos prantos em uma situação como aquela, assim como quando brigaram definitivamente antes de Boyoung ir embora para Seul. A diferença era que agora o ômega era mais velho, tinha passado por outras situações desagradáveis e aprendido a se preservar. Por mais que a visão da mulher lhe doesse , não podia deixar que isso lhe afetasse. Tinha um negócio para tocar, um nome para manter e não podia se dar ao luxo de correr o risco de ter Boyoung espalhando qualquer coisa sobre si. Conseguir manter uma postura profissional era o mínimo que precisava fazer.
No fundo, desejou que a mulher tivesse simplesmente saído do estúdio assim que deu as costas, mas vendo-a passar pela porta obrigou Jaehwi a respirar fundo. ━━ Certo, então vou pedir que você deite- ━ A nova colocação o fez travar no lugar. Ele passou um tempo em silêncio ponderando se deveria ou não responder, mas algo dentro de si fez apenas com que as palavras saltassem pelos lábios. ━━ Se não veio por minha causa, ao menos tenha respeito por mim como profissional. ━ Virou-se de frente para Boyoung, encarando-a diretamente. ━━ Você tem uma vasta experiência ignorando as pessoas, então pode ignorar o fato de que fomos amigos no passado e me tratar apenas como um instrutor de Pilates. Deite-se aqui, por favor. ━ Mostrou o local onde ela deveria se deitar, assim poderiam começar.
thomaz soltou uma gargalhada abafada, jogando a cabeça um pouco pra trás quando ouviu o “vou te entregar”. passou a língua pelos dentes antes de olhar de novo pro ômega. "vai me entregar nada. tu gosta demais da bagunça pra isso." respondeu, mostrando aquele meio sorriso canalha que só aparecia quando ele tava se divertindo mais do que devia. deixou o cardápio ali largado, só apoiando o cotovelo na mesa enquanto assistia o jaehwi brincar com as palavras nem tentando ser discreto. e claro que o comentário sobre terem amigos em comum não passou batido. "sei não… ou o mundo é pequeno, ou o universo tá de sacanagem mesmo. toda hora topando contigo por aí, não é normal."
mas aí veio o golpe, aquele fodido de volta na cara com gosto, seguido da lembrança nada sutil da última vez. thomaz riu de novo, dessa vez mais contido, enquanto julgava o outro com o olhar. encostou mais pra frente, deixando os olhos presos nos dele. "tu é um desgraçado mesmo, né?" pegou o cardápio como se isso fosse proteger ele de responder o que realmente queria, mas não conseguiu manter a atuação por muito tempo. jogou o menu de volta na mesa com um tapinha e falou "tô pensando em pedir alguma coisa apimentada. combina com o clima."
━━ Tsc, é esse tipo de impressão que você tem de mim? Eu sou um ômega comportado, não te falaram isso? ━ Sorriu todo travesso, pois Jaehwi sabia que ultimamente ele não estava se comportando coisa nenhuma. O encontro que levou os dois a dividirem a mesma cama era a maior prova disso, porém o ômega nunca admitiria isso. ━━ É um bairro pequeno, estranho seria se a gente não se encontrasse. Mas eu gosto do jeito que você tenta fugir de mim toda vez, Thomaz-ssi. É fofo. ━ Folheou o cardápio mais algumas vezes antes de suspirar e fechá-lo, deixando-o de lado.
Ser xingado daquela forma não lhe ofendeu. Por mais que Jaehwi não fosse um desgraçado de fato, estava sendo naquele momento com toda a provocação. E para dar razão ao outro, inclinou o corpo igualmente em sua direção. ━━ Eu sou. ━ Abriu um novo sorriso, sinalizando para o atendente que gostaria de fazer um pedido. ━━ Okay. Vou pedir um buldak para começar, então. Você quer cerveja ou soju?
Soyeon se virou ao ouvir a voz conhecida e, por um segundo, o estranhamento deu lugar a um sorriso aliviado. Os olhos se fixaram no rosto de Jaehwi, e uma risada curta escapou antes mesmo de qualquer palavra. "Jaehwi?" disse confirmando para si mesma, franzindo levemente a testa em uma expressão curiosa. "Claro que seria você me ouvindo falar sozinha no meio do parque." A presença dele era inesperada, porém familiar. Do tipo que acalmava um pouco o turbilhão que ela vinha tentando disfarçar desde que chegara em Hyangdo. Ela cruzou os braços de novo, agora com o corpo mais relaxado, e inclinou a cabeça levemente para o lado. "Ainda oferecendo ajuda do nada? Isso não mudou mesmo, né?" provocou, deixando o sorriso crescer mais. "Mas eu tô tentada a aceitar. Só com uma condição: você me encontra de novo depois com o tteokbokki. Não vou ficar caçando você pelo parque inteiro se sumir com a comida." fez uma pausa, os olhos brilhando. "E não precisa fingir que somos estranhos, tá? Você pode me chamar de Soyeon como sempre fez. A não ser que esse tempo todo tenha me chamado de "a garota da dança" nas suas mensagens salvas." ela ergueu uma sobrancelha, divertida, e estendeu a mão como se selasse um acordo informal.
━━ Em carne e osso. ━ Até mesmo endireitou a coluna, para tornar o corpo mais visível, assim a outra poderia reconhecê-lo melhor. ━━ Você não sabe, mas eu tenho o poder de escutar qualquer coisa que as pessoas dizem. No seu caso, aconteceu de eu estar sentado bem atrás de você. ━ Riu baixinho, virando mais pipoca na palma da mão. ━━ Qual o problema em ajudar? Se todo mundo fizesse isso, o mundo seria bem melhor.
Terminou de comer sua pipoca, amassando o saco de papel antes de se levantar e ir jogar o lixo fora na lixeira mais próxima. ━━ Parece uma ótima ideia. Você vai para a montanha-russa primeiro, então? Vou com você. Assim que te colocarem pra dentro do brinquedo, eu saio para comprar a comida, pra não chegar aqui tão fria.
Segurou a mão dela para selar o acordo. ━━ E eu não estou te chamando de qualquer jeito estranho, Soyeon. Mas posso te tratar como a menina da dança, se quiser! Hahaha, vem vamos andando ou não vai dar tempo!
Ao entrar no restaurante de @santigomez próximo ao horário de fechamento, esperava encontrar o ambiente mais vazio, de modo que pudesse conversar com o homem sozinho. Jaehwi nunca foi tão descarado assim quanto a seus interesses em outras pessoas, sempre esperou que chegassem nele, como se fosse um troféu a ser conquistado, mas agora ele estava decidido a ser diferente. Por mais que não esperasse nada de Santiago, sobretudo pela diferença de idade que tinham, ainda queria se aproximar dele. Era algo platônico, infelizmente.
Procurou pelo outro assim que entrou, caminhando devagar pelo local. ━━ Santiago-ssi! ━ Chamou apenas para ter certeza de que ele estava por ali. ━━ Minha tia mandou compota de mel que ela mesma fez... Você precisa de ajuda para organizar as coisas? ━ Perguntou ao ver que algumas mesas ainda estavam com louças dos clientes. ━━ Aish, quando é que você vai contratar alguém pra te ajudar?
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Era confortável ter Jaehwi por perto. O cheiro doce e cítrico do ômega tinha um efeito quase imediato sobre Jungjae, como se o mundo ao redor diminuísse o volume, e por algumas horas ele pudesse esquecer qualquer outra preocupação. Gostava da sensação de encontrar ali, naquele corpo quente e macio, uma presença que não costumava cobrava nada além do que ele podia dar. E, da mesma forma, não se negava a oferecer o mesmo em retorno carinho, presença, um espaço seguro. Era sempre leve, sempre gostoso. Naquela noite, como em tantas outras, Jaehwi estava aninhado contra seu peito, e Jungjae o puxou ainda mais para perto, encaixando-o melhor nos braços, os olhos fechados, respirando fundo, sem pensar em nada. Foi então que ouviu as palavras mais chocantes desde que descobriu sobre a doença do avô, há três anos. Seus dedos, que antes deslizavam distraídos pela lateral do corpo do ômega, pararam de se mover. Seu cérebro congelou, incapaz de processar por um segundo. ❝ Hmmmm... ❞ ele tentou responder, mas a hesitação preencheu o espaço antes que qualquer palavra fizesse sentido. ❝ De onde veio essa pergunta? ❞ soltou, por fim, com a voz baixa e cautelosa, abrindo os olhos devagar, como se precisasse confirmar se aquilo de fato tinha acontecido. Procurou alguma pista no rosto de Jaehwi, algum sinal que explicasse o que ele acabara de ouvir, mas o que encontrou foi uma expressão que não sabia se gostava ou não.
Jaehwi deu uma risadinha com a confusão do alfa, desviando o olhar dele para qualquer ponto do quarto, enquanto os dedos brincavam ainda com a pele de seu peito desnudo, dedilhando desenhos imaginários e sem sentido. Era confortável estar ao lado de Jungjae, se permitir pensar naquele tipo de coisa sem se preocupar em ser entendido errado e sem medo de que qualquer coisa entre os dois mudasse. Ele não queria que mudasse, mesmo que a resposta do alfa para sua pergunta fosse negativa.
━━ Você sabe... Não estou ficando mais novo. ━ Suspirou pesadamente. ━━ E também não estou exatamente procurando alguém para me casar ou namorar, mas sempre foi uma vontade minha ter um bebê. ━ Procurou o rosto de Jungjae com o olhar mais uma vez, mas dessa vez o rosto já não carregava aquela expectativa e ansiedade de antes. A pergunta já estava feita, seus motivos expostos. ━━ Só seria melhor se fosse com uma pessoa que eu já conheço. Não queria um desconhecido perto de mim no cio ou ter que passar esse momento em uma clínica de fertilização. O cio já é ruim por si só, não preciso piorar. Jungjae-ah...
Se mexendo na cama, Jaehwi foi se sentar em cima do alfa. Chutou um pouco dos cobertores pra longe, encaixou o quadril direitinho no dele quando se sentou e apoiou os antebraços no seu tronco, inclinando o corpo para a frente. ━━ Você não precisa me responder agora, ainda tem dois meses pro meu próximo cio. E nem vou ficar irritado ou chateado se não quiser. Só perguntei porque... Tenho medo de acabar sozinho e nunca ter a chance de ter filhos.
tinha chegado no bar uns minutos antes do combinado. já tinha virado metade de um soju e encarava o cardápio como se escolher entre frango frito e tteokbokki fosse resolver a vida dele. o encontro às cegas tinha sido armação de um colega de trampo que, sinceramente, parecia mais animado com a ideia do que ele próprio. ele topou no impulso, achando que, sei lá, talvez uma distração não fizesse mal. então, lá estava, barba por fazer, camisa meio amarrotada e as olheiras presentes entregando o quanto tava cansado.
quando levantou os olhos e viu jaehwi vindo na direção dele, foi como tomar um soco no estômago. ele conhecia aquele andar, aquele perfume, não precisava nem chegar perto pra saber. uma parte dele quis levantar e sair, a outra parte (a mais idiota) ficou ali, congelada. ele soltou uma risada seca, meio incrédulo, encostando as costas na cadeira com os braços cruzados. "merda..." murmurou baixinho, antes de encará-lo direito. "seolmi é uma filha da puta." disse, sem filtro nenhum, com um sorrisinho de canto.
viu o ômega se sentar na frente dele, todo calmo, todo bonito, como se não tivesse bagunçado a cabeça dele antes. aquilo deixava thomaz meio irritado... e ainda mais atraído. porque o cérebro dele adorava uma má ideia. "decepcionado?" deu uma risada curta, baixinha. "acho que a palavra é 'fudido' ". terminou o soju de uma vez, empurrando o copo pro lado. e mesmo fingindo estar no controle ele já sabia: era só o jaehwi dar corda que ele ia se enforcar de novo, e com gosto.
━━ Aigoo, que boca suja, Thomaz-ssi. O que vai fazer se eu acabar te entregando pra ela? — Ainda rindo, deixou suas coisas na cadeira ao lado e tomou um tempinho para observar o ambiente. Parecia um bom lugar, passava uma impressão confiável quanto a qualidade do serviço prestado, então precisava agradecer a amiga depois pela escolha. ━━ Ela deve ter visto nós dois juntos, por isso pensou que devia nos colocar em um encontro assim. Não é curioso que tenhamos tantos amigos em comum? — Questionou com um bico nos lábios.
Foi a vez do ômega de puxar o cardápio. Ele não estava com tanta fome, então seria interessante pedir alguma coisa apenas para beliscar enquanto conversava com o mais novo. ━━ Fodido, huh? Por quê? É mais do que esperava? — Brincou, erguendo os olhos para Thomaz. Jaehwi não tinha outra opção senão brincar com o outro, por pura diversão de ver todas as suas reações. ━━ Porque da última vez, quem acabou fodido fui eu. — Lançou um olhar sugestivo para Thomaz, aumentando o sorriso. ━━ Então, já escolheu o que vai comer hoje?
━━ Seyeonnie! ━ Chamou assim que avistou o ômega, em um momento completamente aleatório. O bairro era pequeno, de fato, mas cruzar com o seu querido amigo @ohsyon àquela hora? Parece um encontro fadado a acontecer. Deu uma corridinha para atravessar a rua e chegar mais perto domais novo, o sorriso indo de orelha a orelha. ━━ Como é bom te encontrar aqui hoje. Estava mesmo precisando de alguém para chamar para ir comigo até uma aula de doces tradicionais. ━ Deu uma risadinha, como quem já estava prestes a sequestrar o garoto. ━━ Você está muito ocupado? Me prometeram que a aula introdutória vai demorar, no máximo, uma hora.
Olhou-se no espelho pela milésima vez antes de criar coragem de se aproximar daquela mesa. Uma amiga de faculdade havia lhe arranjado um encontro às cegas e por mais que Jaehwi tivesse insistido em não aceitar, ela foi ainda mais insistente na tentativa de convencê-lo de que aquela era uma boa ideia. Segundo ela, o ômega deveria parar de olhar para homens coreanos e passar a dar atenção para homens estrangeiros, aproveitar todo o glow pós-cio para chamar alguma atenção.
No entanto, seria engraçado se não fosse trágico que a pessoa em questão fosse @versidithomaz. Ele já conhecia aquele homem de outras primaveras, era claramente o tipo de pessoa com quem não deveria se envolver, mas por alguma razão que desconhecia, se viu caminhando até ele.
━━ Quando Seolmi me disse que se tratava de um estrangeiro, nunca imaginei que poderia ser você, Thomaz-ssi. ━ Sentou-se à frente dele, sorrindo. ━━ Parece que o destino cruzou nossos caminhos novamente. Espero que não esteja decepcionado.
Ao se aninhar contra o corpo de @jjaekyo e pressionar o nariz contra a pele de seu pescoço, inspirando o cheiro dele com mais força do que deveria, percebeu o quanto gostava da combinação. Jaehwi ainda estava carregando a carência pós-cio, então para ele era natural que procurasse no outro o carinho momentâneo que precisava, mas o que era para ser um encontro sem perguntas e sem preocupações, acabou se revelando como algo diferente. Sobretudo quando Jaehwi olhou para o homem, sorrindo, e soltou uma pergunta que havia acabado de cruzar sua mente:
━━ Se eu te pedisse para me engravidar no meu próximo cio, você aceitaria?
E por mais que não quisesse demonstrar tanto, seu olhar carregava um brilho de expectativa.
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Era por esse motivo em específico que evitava comparecer aos reencontros de alunos. Alguns rostos que poderia vir a encontrar em reuniões daquele tipo não eram dos mais agradáveis, para dizer o mínimo. Boyoung nunca foi alguém de muitos amigos e isso, necessariamente, nunca fora algo ruim ou que a incomodasse. O problema era que os poucos amigos que tinha lhe eram tão queridos que, quando as coisas não terminavam bem, isso a fragilizava de uma forma que ela seria incapaz de pôr em palavras. Era exatamente o caso de Kang Jaehwi. Apesar das diferenças notórias de personalidade, ela se afeiçoou muito ao melhor amigo nos tempos de ensino médio. A briga que tiveram, pouco antes de ela sair de Jeju para morar em Seul e cursar a universidade, foi tão devastadora que reverberou nela por muito tempo. Foi um golpe muito duro ter que deixar a amizade para trás. Apesar do tempo que passou desde a briga, não seria exagero dizer que não estava preparada para este reencontro. Boyoung precisava que as coisas dessem certo dessa vez, e era fundamental que tentasse de tudo, inclusive as dicas idiotas que o psiquiatra lhe recomendara. Era exatamente esse o motivo de ter se inscrito na aula teste de pilates. Ela só não se atentara que o instrutor das aulas era o ex-melhor amigo. Boyoung não saberia bem avaliar o tipo de semblante que carregava no rosto, mas tratou logo de converte-lo em algo próximo ao neutro, e tentou com afinco convencer a si mesma que não era nada demais. Era uma adulta, poderia lidar com aquilo. “Boa tarde!” Foi o mais próximo de educação que conseguiu externar. A educação terminou ali, sem sequer se dar conta do estrago. “Você é mesmo o instrutor dessa aula?” O tom saiu mais duro do que pretendia. A incredulidade, misturada a pitadas de raiva, escorregou por entre as palavras antes que ela pudesse conter.
Jaehwi gostaria te ter escondido melhor sua reação ao ver Boyoung entrando no estúdio. Apenas a imagem dela era suficiente para levá-lo de volta a uma época em que ambos não se cansavam de criar e compartilhar memórias, com uma amizade que se fortaleceu com o tempo, apesar da diferença de personalidades. Mas também o levava àquela briga cheia de acusações e ressentimentos de ambas as partes, e que culminou no afastamento e suposto fim da boa amizade que nutriam.
O que ela estava fazendo ali? O que estava acontecendo? Ela havia aparecido para conferir se ele estava na pior? Iria brigar com ele de novo? Se seu cheiro fosse indicativo de algo, mostraria o quão confuso, chateado, frustrado e irritado estava. O golpe veio mesmo com a forma indiferente com que lhe tratou e, bom... Jaehwi passou mais tempo olhando para ela do que realmente respondendo. E precisava mesmo? Ela estava ali para uma aula experimental, ele podia ser um bom profissional, conseguir manter as aparências e ser indiferente também, então era isso o que faria. Sempre dando o melhor sorriso, sempre sendo educado e escondendo o que sentia pelo bem do próprio negócio e de si mesmo.
━━ Boa tarde. ━ Finalmente deu a volta pela bancada para se aproximar dela. ━━ Sim, sou eu. ━ Deu mais um sorriso, sem muita vontade. ━━ Pode deixar seus pertences neste armário. Quando estiver pronta, é só me encontrar lá dentro, Boyoung-ssi. ━ Com isso, deu as costas para ela e saiu da área da recepção, empurrando a porta de vidro que dava para a área de Pilates.
Jaehwi sentiu os primeiros sinais na sexta-feira. Ele já esperava que o cio estivesse chegando, pois seu corpo era como um relógio e nunca atrasava um dia sequer. O que o deixava mesmo apreensivo era o fato de ser seu primeiro cio sozinho em anos. Tão acostumado a ter alguém para lhe ajudar, agora precisava aprender a se virar com o que tinha disponível em casa. Isso não o intimidou, no entanto. Ele já tinha o que precisava para se sentir bem, como aquele cachecol de @songjiwn e o suéter de @sunnvrs. Poderia se virar com a comida depois, mas talvez pedisse ajuda para @santigomez.
Lembrou-se de avisar todos os alunos da clínica que estava de licença e que voltaria assim que se sentisse bem. Também mandou mensagem para @ohsyon para que ele não se preocupasse com sua ausência, para @hanystic para que ele rezasse por si, para @jinhwnssi para que ele não fizesse nada legal em sua ausência ou ficaria muito triste, e para seus pais.
E para estes últimos, foi meio contra a própria vontade, pois o medo de que usassem aquele momento para tentar fazê-lo se envolver novamente com o ex era real. Precisava confiar no bom julgamento dos dois, ainda que não tivesse muitas esperanças. Com tudo organizado, Jaehwi pôde se trancar em seu apartamento, deixando a senha da porta apenas com aqueles que confiava.
OOC. O cio do Jaehwi é bem regrado. O pré-cio começou no dia 06/06 e se seguiu até dia 08/06, e neste meio tempo, ele mandou mensagem para todo mundo que foi citado no post e fez o seu ninho. O cio de fato começou no dia 09/06 e vai se estender até o dia 13/06. Os dois dias após o fim do cio (14/06 - 15/06) são usados para que ele recupere o curso de sua vida e organize tudo para voltar a ativa.
Os dois primeiros dias são os piores, então ele não aceita receber visitas. Do terceiro dia em diante, ele já está melhor e pode ser visitado. ♥
❝ Feng Shui não é falcatrua, Jaeh-ssi ❞ retrucou Han, com uma careta que misturava impaciência e indignação, o cenho franzido como quem encara um desafio de frente. Já tinha ouvido de tudo: trambiqueiro, charlatão, picareta. Mas ele não se deixava abalar. ❝ Pode não ser ciência, mas muitas coisas não são explicadas cientificamente e as pessoas acreditam mesmo assim ❞ argumentou, o tom levemente defensivo. Ele mesmo, no fundo, acreditava um pouquinho naquilo que vendia. Suspirou fundo, e o mal-humor tingiu seu rosto quando o amigo o provocou.
❝ Quantas vezes eu tenho que te dizer que sou solteiro? ❞ bufou, que uma grande injustiça. ❝ Minha avó fica falando essas coisas e as pessoas acabam acreditando ❞ resmungou, os lábios se contorcendo em desgosto, que só se intensificou ao ouvir a gozação de Jaehwi. Antes que pudesse retrucar de forma malcriada, ouviu uma risadinha cristalina que desviou sua atenção. Olhou para o bebê, e uma doçura quase contraditória tomou conta de suas feições. ❝ Você gostou? ❞ fez caretas que arrancaram da menininha uma gargalhada de pura inocência. O som fez o coração de Han derreter. Distraiu-a com um dos amuletos pendurados em seu casaco, ajeitando-a com cuidado nos braços.
❝ Jaehwi ❞ chamou, a voz agora carregada de uma gravidade incomum, e lançou ao amigo um olhar mortal que parecia dizer: não brinque com isso. ❝ Não ouse fazer uma coisa dessas ❞ Han não tinha planos de casar ( principalmente com Seyeon ) só porque seus pais e sua avó queriam. Não faria aquilo. Ninguém lhe perguntara o que ele queria de verdade. Não era justo com ele, nem com Seyeon. Eles sequer se gostavam daquele jeito. ❝ Você perguntou porque eu ando sumido… é porque eu ouço mais o nome daquela pessoa que o meu ❞ confessou, o suspiro carregado de cansaço. A cada palavra, o peso da frustração parecia maior. ❝ Você já falou com o Seyeon hoje? Manda uma mensagem pro Seyeon. Por que você não chama o Seyeon pra sair? ❞ imitou com perfeição a voz da avó.
❝ Sabe o que eu ouvi no inverno? ❞ a pergunta soou indignada, porque ele ainda não tinha superado todas as vergonhas que sua halmoni a fazia passar.❝ A mãe do Seyeon falou que ele está num cio complicado sem supressores, vai lá levar esses gukhwa ppang pra ele, aposto que ele vai gostar ❞ mordeu o lábio, a expressão de pura frustração, os olhos poderiam marejar de tanta raiva contida. ❝ Ela não fez pra mim quando eu pedi… mas porque o cio dele tava ruim, seja lá o que isso signifique, ela fez pra ele. É rídiculo, Jaehwi! Eu tenho certeza que aquela velha me trocaria pelo Seyeon se tivesse oportunidade. Sem contar que… O que diabos eu tenho a ver com o cio dele? Por acaso querem que eu engravide o cara para a gente se casar logo? Eu estou ficando louco, é isso ❞
Suspirou, sentindo o próprio peito se apertar quando percebeu que sua inquietação começava a contagiar a bebê em seus braços. Respirou fundo, tentando acalmar não só a criança, mas a si mesmo também. ❝ Por que eu não ficaria? ❞ devolveu, a voz saindo mais baixa, como se fosse uma pergunta retórica. Balançou a cabeça, deixando uma mecha de cabelo cair sobre a testa. ❝ Eu gosto de ficar com você… ❞ disse, o olhar se fixando nos olhos do amigo por um instante. ❝ …e gosto de cuidar de criança ❞
━━ A questão é que eu já organizei meu apartamento exatamente como eu quero e me sinto confortável, então não existe Feng Shui que vai me fazer tirar um móvel sequer do lugar. ━ Argumentou, pois por mais que o outro tivesse conhecimento sobre diversos aspectos do misticismo, Jaehwi não acreditava muito. ━━ Você pode ir até meu apartamento como um amigo, não como um consultor de Feng Shui, Han. Eu preferiria assim.
A resposta de Jaehwi para o bufar do alfa foi um girar dos olhos. Lá vinha ele novamente com aquela conversa. ━━ Quer dizer que sua avó é mentirosa? É isso que está dizendo, Hannie? ━ Arqueou as sobrancelhas na direção dele e a risada de Soyeon não afastou a expressão mais séria do ômega. Não era para terem aquele tipo de conversa, só fez uma provocação, mas parece que tinha pego em um ponto sensível demais.
Escutou as reclamações dele em silêncio. Não interrompeu, deixou que ele despejasse toda a sua frustração em seu colo e Jaehwi segurou tudo com cuidado. Ele entendia, realmente entendia, mas como ômega entendia melhor o lado de Seyeon. ━━ Não fale essas coisas assim na frente da Soyeon. ━ Alertou baixo, sorrindo para a criança para que ela não fosse muito afetada pelo tom sério daquela conversa.
━━ Mas, sabe, Han... Enquanto você estava em Seul, aproveitando toda a sua vida na capital, Seyeon ficou aqui aguentando toda a pressão de ser um ômega em Wolnari. Não deve ser fácil pra ele também. Agora com todo esse treinamento de ômega central, como acha que ele deve estar se sentindo com tudo isso nas costas dele? ━ Suspirou. ━━ Não estou dizendo que sua frustração não tem sentido, é totalmente válido o que está sentindo, mas talvez sua família e a dele estejam se apoiando na memória que construíram de vocês dois no passado. Vocês costumavam ser muito próximos, eu lembro da minha irmã reclamando que você sempre deixava tudo por causa dele.
Pendeu a cabeça, sorrindo com carinho para o alfa mais novo. ━━ Não me leve a mal, eu só acho que vocês dois ainda não entenderam muito bem o que sentem um pelo outro. Ficar nesse redemoinho não vai ajudar em nada, só vai fazer vocês dois se machucarem. Quanto mais tempo adiarem, pior vai ficar. ━ Ajeitou-se no banco, abaixando o olhar para a própria mão apoiada em seu colo. ━━ Nem sempre um ômega consegue tomar decisões sozinho, Han. Se ele também não quiser se casar com você, então você tem que ajudá-lo e não ficar batendo o pé.
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Havia acabado de chegar no parque quando seus olhos caíram na figura de Seyeon. Era até engraçado ver o rapaz sendo o centro das atenções, então desviou o próprio caminho naturalmente para se aproximar e tentar ajudar o amigo naquela situação embaraçosa. Jaehwi só se deu conta do que se tratava quando viu o bilhete, dando uma risadinha baixa antes de apoiar o queixo em seu ombro. ━━ Woah, eu nem mesmo sabia que você podia ser tão sortudo assim, Seyeonnie. ━ Aumentou o sorriso, pendendo um pouco a cabeça para olhar melhor o rosto do amigo. ━━ Só pode ser o destino. Está dizendo que é para duas pessoas e olha só... Somos duas pessoas. Estou com fome, vamos gastar esse bilhete com algo gostoso.
Ao se afastar, já foi estendendo a mão para o outro ômega, chamando-o para saírem dali. ━━ Vem, vamos te tirar daqui. Ouvi dizer que tem uma barraca ótima de comida perto da roda gigante...
Seyeon não teve tempo de entender o que estava acontecendo. Num minuto estava olhando o bilhete como se fosse sugar sua alma; em outro, tinha Jaehwi apoiado em seu ombro, tentando dar sentido aquele papel brilhante.
Piscou uma vez. Duas. Tentava reagir enquanto ele sorria como se tivesse acabado de ganhar na loteria. “Eu…”, e não sabia o que vinha depois. Estava pensando em jogar o bilhete fora se não encontrasse ninguém para aceitá-lo. Agora, não tinha tanta certeza. “Não coloquei o meu nome, sério”, e não precisava se se justificar, mas parecia importante deixar claro que aquela era uma situação não-planejada.
“Sorte? Isso está mais para azar… Viu que ficaram rindo quando eu me assustei?”, foi um show de humilhação pública, E admitiria, se conseguisse criar coragem para tanto. Seyeon negou levemente, consciente da proximidade do rosto dele ao seu, e sorriu. Um movimento pequeno, envergonhado. Um reflexo à sua sugestão. “Hyung, está me sequestrando agora que sou rico?”. Os dedos se entrelaçaram aos dele, quase incertos, mas se deixou ser arrastado para a ótima barraquinha. “Ou… Isso é um encontro? Diz que sim!”, não estavam longe da roda gigante, então não demorou para avistar uma fileira de barraquinhas. A quantidade de pessoas por ali não lhe trouxe qualquer conforto, mas a tensão de antes e a antecipação já não lhe assustavam tanto quando não estava sozinho. “Uma pena que eu não trouxe minha câmera…”, murmurou baixinho, uma observação tardia a si, “Ei, qual delas a gente vai?”.
━━ Não precisa colocar seu nome em nada quando se tem esse rostinho bonito. ━ Cutucou a bochecha de Seyeon, rindo da expressão ainda confusa dele. Como o outro podia ser tão fofo só existindo? Nunca entenderia. ━━ Ah, é que você é uma gracinha, Seyeonnie. Já se olhou no espelho? Não estavam rindo da sua cara, mas do seu jeitinho. ━ O reafirmou, se afastando para dar a volta e ficar de frente para ele, ajeitando sua roupa brevemente, assim como seu cabelo. E assim que os dedos se entrelaçaram, o puxou delicadamente para mais perto.
━━ Um encontro? Pode ser um encontro, haha. Não sei se serei bom, faz tempo que não saio em um encontro. ━ Confidenciou para o outro, agora que estavam mais próximos. Ia caminhando devagar, observando aquela parte do parque, sorrindo para algumas pessoas conhecidas que encontrava pelo caminho. ━━ Hm? Ainda bem que não trouxe! Você tem que prestar atenção no nosso encontro! ━ Apontou brevemente, um tom falsamente chateado. ━━ Vamos naquela ali. Tem o melhor molho de churrasco da ilha e eu quero comer carne.
E lá estava Jaehwi com a sua priminha de segundo grau pendurada à frente do seu corpo, num canguru improvisado. Era incrível como sua prima e o marido sempre o encontravam para cuidar da bebê, assim poderiam se divertir um pouco. O ômega não reclamava, sempre estava disposto a ajudar, mas agora estava preso na área kids. Já estava cansado de responder para as pessoas que aquela criança não era sua, então decidiu apenas entrar no personagem e foi com um tom cansado que comentou ao perceber alguém se aproximando pela lateral. ━━ Sim, sou pai solteiro e não me envergonho disso. Não, meu alfa não morreu, ele está bem vivo. E também não fui abandonado, eu- ━ Virou o rosto na direção da pessoa, apenas para se dar conta que a conhecia e foi em meio a uma risada que ameaçou bater em quem havia acabado de chegar. ━━ Por que não falou logo que era você?! Eu estava aqui mentindo horrores... Que vergonha.
Estava perambulando pelo parque com as barracas de comida em mente como destino, quando avistou Jaehwi na área kids. Mudou de rota sem pensar muito, só queria dar um "oi" rápido, caso o mais novo não estivesse ocupado demais com a filha da prima.
Mas antes mesmo que conseguisse dizer qualquer coisa, Jaehwi já estava falando. Santiago precisou conter o riso ao ouvir as mentiras sendo ditas com tanta confiança. Pelo menos até serem interrompidas subitamente, no exato momento em que Jaehwi se virou e o reconheceu.
Quando o ômega o ameaçou de brincadeira, Santiago apenas encolheu os ombros, aceitando o destino com humor, esperando o tapa que, felizmente, nunca veio.
“Em minha defesa,” começou, entre risos “eu não tive nem chance de dizer "oi" antes de você começar a soltar aquele monte de mentiras.” acenou com os dedos para a pequena, que o observava com curiosidade, antes de voltar a encarar Jaehwi com um sorriso divertido. “Mas que história é essa de você ter um alfa bem vivo, hm?” perguntou, balançando as sobrancelhas de forma sugestiva, apenas para implicar com ele.
━━ Tem razão, eu comecei a falar antes mesmo de saber que era você. Mas é que quando eu entrei aqui, um monte de gente de mãe se juntou em cima de mim para perguntar se a Soyeon era minha, se meu alfa tinha ido buscar alguma coisa pra gente comer e mais um monte de coisas, então teve um momento que eu me cansei de explicar e só aceitei o que acharam de mim: que sou um pai solteiro, sem alfa e muito corajoso. ━ Explicou, erguendo o olhar para Santiago e então foi a vez de Soyeon acompanhar o movimento e sorrir para o mais velho. O ômega acabou levantando, já estava mesmo buscando uma desculpa para sair dali. ━━ Muitos alfas estão vivos ainda, Santi. Algum deles pode ser meu um dia, não é? Ou um beta... Não sei. Aqui, segura ela um pouco pra eu juntar as coisas.
Jaehwi não esperou muito, já empurrando a menina pros braços do mais velho e Soyeon, curiosa e dada como era, apenas ia com as pessoas que ela sentia que o primo confiava. Com as mãos livres, Jaehwi conseguiu colocar as bolsas nos ombros e então se preparou para pegar a criança novamente. ━━ Pronto, pode me dar a menina e aproveitar para me contar como você tem passado.