quando eu tinha em torno de 6 anos de idade, nĂŁo queria me apaixonar. âvou casar, ter meus filhos e jogar meu marido foraâ eu dizia para toda pessoa que me perguntasse qualquer coisa sobre namoro. o que se parar pra pensar, ĂŠ bem estranho ficar fazendo esse tipo de pergunta a uma criança. e ela responder desse jeito tambĂŠm. posso dizer, que atĂŠ essa idade, meus modelos de homens nĂŁo eram nada legais. era confuso para uma menininha assistir filmes com prĂncipes encantados e ter o total oposto disso em sua vida. jĂĄ na adolescĂŞncia, descobri que eu amava pessoas e me vi apaixonada por vĂĄrias delas. foi quando percebi que havia me tornado uma romântica. a eu de 6 anos ficaria extremamente irritada ao saber disso e com certeza subiria para o seu quarto batendo pĂŠ e fazendo bico. com 17 anos eu decidi que nĂŁo iria mais me apaixonar. na virada do ano eu fiz apenas uma promessa, daquelas bobas que fazemos todo santo ano novo e quase nunca cumprimos. prometi que nesse ano, nĂŁo me envolveria com ninguĂŠm, ninguĂŠm mesmo. e que se caso ocorresse, eu negaria o sentimento no ato. a Ăşnica coisa que eu realmente nĂŁo esperava, era que fosse te conhecer.
lembro da primeira vez que te enxerguei. nĂŁo foi a primeira vez que te vi, mas a primeira vez que realmente te reparei, te notei. foi estranho porque logo de inĂcio senti meu estĂ´mago revirar (ou as famosas borboletas no estĂ´mago, o que preferir) por conta do breve abraço que tinha me dado quando adentrei a casa. foi um gesto de educação, ĂŠ claro, e que tu provavelmente nem lembra, mas que me deixou pensando sobre ti durante dias. e entĂŁo começamos a nos ver todos eles. lembro de vĂĄrias vezes ir dormir pensando em ti e acordar com raiva, porque atĂŠ entĂŁo, tu era algo que eu nĂŁo podia ter e nem deveria querer. entĂŁo aconteceu. nĂŁo lembro o dia, nem a hora. mas lembro de perceber que estava apaixonada. droga. nunca consigo cumprir minhas metas de ano novo. fiquei com raiva de mim mesma e triste porque sabia que o sofrimento seria enorme, jĂĄ que atĂŠ entĂŁo, a ideia de te ter comigo era quase nula. ânunca alguĂŠm como ele se interessaria por alguĂŠm como eu.â eu repeti tantas vezes que atĂŠ perdi as contas. nunca fiquei tĂŁo feliz por estar errada.
fomos nos aproximando devagar. atĂŠ o momento em que estĂĄvamos sempre juntos. e quando tu finalmente disse que gostava de mim, lembro de ouvir a mĂşsica tema da vitĂłria que tocava quando o Ayrton Senna ganhava a fĂłrmula 1 ressoar na minha cabeça, junto com o barulho de fogos de artifĂcio. lembro de sorrir e dizer que eu tambĂŠm gostava de ti. a partir daĂ as coisas foram avançando mas tambĂŠm desandando. nunca te contei, mas o mĂŞs em que ficamos sem nos falar foi um dos mais difĂceis de toda minha vida. eu chorava simplesmente todos os dias e quando achava que ia conseguir passar por algum deles sem molhar o rosto, algo que me lembrava de ti acontecia e em questĂŁo de segundos me via encharcada. era difĂcil te ver todos os dias e nĂŁo poder te abraçar, te beijar, te tocar, sequer falar contigo. todo dia era uma batalha e eu perdia todas elas. quando finalmente nos acertamos, eu me tornei uma pessoa radiante, como se 100kg tivessem saĂdo das minhas costas. o pequeno relacionamento que começamos a desenvolver meses atrĂĄs ia tomando forma. quando eu percebi que a tua risada havia se tornado o motivo da minha, que teu cheiro havia se tornado o meu aroma favorito no mundo todo e que no teu abraço eu encontrava paz, percebi que te amava. âe antes de amar teu beijo, teu cheiro, teu corpo, eu tive q amar tua risada, a pessoa querida q tu ĂŠ, tuas atitudesâ tu disse quando eu finalmente tive coragem para contar que te amava e tu (felizmente) retribuiu o sentimento.
nunca fui o tipo de menina que esperava encontrar um prĂncipe encantado montado num cavalo branco. porque sempre pensei que nĂŁo era digna de tal. entĂŁo quando tu proferiu essas e tantas outras palavras bonitas, demonstrando o quanto me amava e me queria, eu nĂŁo me senti merecedora. talvez seja por isso que as vezes eu surte do jeito que surto. desculpa. e ĂŠ estranho porque por mais que eu tenha sido ensinada que o casamento era uma das etapas principais para a vida eterna (que coisa de crente, nĂŠ?), nunca tive vontade de colocar um lindo vestido branco e ir ao altar com a pessoa que eu amava. nĂŁo tive esse desejo nem mesmo quando estava namorando. mas tive esse desejo quando descobri que na verdade, tu foi o primeiro que amei de verdade e que temo ser o Ăşnico.
quando te ouvi dizer que nĂŁo queria mais tentar fazer nosso relacionamento dar certo, foi como uma facada com anestesia. me senti mole mas apesar de ânĂŁo sentir nadaâ, sabia que era questĂŁo de segundos para eu desabar. e foi o que aconteceu quando desliguei o telefone e corri para o banheiro escovar os dentes para te esperar. imagina ouvir da Ăşnica pessoa que me fez pensar em uma relação a longo prazo, dentre todas as vĂĄrias que me relacionei, que ele nĂŁo quer sequer tentar fazer dar certo? era como se o mundo todo tivesse desabado em cima de mim e ao invĂŠs de morrer, eu fiquei esmagada pelos escombros sem conseguir respirar direito, apenas sentindo uma dor absurda. nĂŁo tive tempo de desabafar pois tu chegou mais rĂĄpido que o esperado. sequei o rosto rapidamente e desci as escadas. quando te vi do outro lado do portĂŁo, senti meu coração tropeçar dentro do peito. o que era engraçado porque sei que tu nem imagina o efeito que causa em mim. tempos depois, quando estava chorando no teu ombro, me senti um lixo por vĂĄrios motivos. por te fazer tĂŁo mal quando tu ja estava passando por tanta coisa, por nĂŁo saber te amar direito e por estar me mostrando tĂŁo vulnerĂĄvel ali. enquanto tu me abraçava apertado, sĂł conseguia pensar no que tu disse mais cedo ao telefone. que nĂŁo conseguia mais imaginar um futuro para nĂłs dois. âjĂĄ perdi vĂĄrias pessoas que amava, nĂŁo posso perder ele tambĂŠmâ se repetia na minha cabeça enquanto eu chorava atĂŠ perder o ar. eu queria gritar, porque sabia que era tudo culpa minha e que se nĂŁo fosse por isso, estarĂamos bem e juntos. minha mĂŁe sempre disse que quando eu amasse alguĂŠm de verdade, nada mais importaria alĂŠm do meu desejo enorme de ficar com a pessoa para sempre. eu quero ficar contigo para sempre e me dĂłi saber que nem que seja por um momento, o pensamento contrĂĄrio tenha passado por tua mente.
a eu de 6 anos ficaria extremamente irritada ao ver a eu de 18 chorando desesperadamente porque o possĂvel amor da vida dela esteja partindo e ela nĂŁo possa fazer nada alĂŠm de implorar para ele ficar. e ĂŠ o que eu faço. te imploro, suplico para me dar mais uma chance. a Ăşltima, eu juro. apenas mais uma tentativa para te mostrar o quanto te amo e o quanto quero te fazer feliz. se pudesse, tiraria todas as tuas dores e as transferiria para mim, porque a pior coisa do mundo ĂŠ te ver chorar. mas como infelizmente nĂŁo posso fazer isso, te peço com todo meu coração que me dĂŞ uma chance de te ajudar a lidar e superar todos os problemas contigo. uma relação ĂŠ feita de momento bons e ruins. nos resta aproveitar os bons e superar os ruins, o que sei que somos capazes de fazer.
quando eu tinha 6 anos de idade, nĂŁo queria me apaixonar. hoje, com 18, ĂŠ a Ăşnica coisa que eu quero. quero poder te ter, te ver e me apaixonar novamente por ti todos os dias. quero que seja a primeira pessoa que verei ao acordar e a Ăşltima ao ir dormir. porque te amo tanto que dĂłi. tanto que nĂŁo cabe no peito, tanto que nem nos meus poemas mais românticos nem ao menos imaginei amar alguĂŠm tanto assim. e pra mim isso basta, pois como dizem nos filmes de princesa: âo amor ĂŠ capaz de superar tudoâ e por mais brega que isso seja, eu acredito. e acredito que juntos conseguimos superar tudo e sermos extremamente felizes e apaixonados. (esse final ficou muito fala de filme ruim nĂŠ? mas nĂŁo consegui pensar em nada melhor. desculpa).