parece que eu sou a última coisa em pé num lugar que já desabou inteiro. eu tô cansada de ser fortaleza, de ser suporte, de ser a que aguenta sem reclamar alto demais. tem uma exaustão que não se resolve dormindo, um vazio que não se preenche com palavra bonita, um grito que não sai porque ninguém escutaria mesmo. é como se todo mundo tivesse ido embora de alguma forma, mesmo estando perto. e eu fiquei com o que sobrou — os cacos, os pesos, as tarefas, os silêncios constrangedores e as conversas que sempre começam com “você precisa entender”. eu entendo tanto que esqueci como é ser entendida. tem dias que eu penso que não foi pra isso que eu nasci. não pode ter sido. eu era criança e sonhava alto. agora, eu acordo me perguntando como é que se respira sem sentir culpa, como é que se vive sem esse aperto constante no peito. eu queria poder sumir sem fazer barulho, só virar vento, só virar nada. não por drama, mas por paz. por fim. porque tá difícil pra caralho continuar existindo nessa bagunça que ninguém vê. e eu nem sei mais o que eu sinto. é tudo ao mesmo tempo. e nada também.















