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@phxjian

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gyeonghoâ:
       - ÌÌ Â â  âââ Caso tivesse conhecimento da semelhança aparente entre as duas personalidades, teria simplesmente escolhido o silĂȘncio habitual e seguido o caminho como costumava fazer diariamente. Gyeongho nĂŁo costumava apreciar uma segunda presença que nĂŁo fosse os poucos que gostava pela regiĂŁo, porĂ©m no momento sentia-se profundamente agradecido por ter o herdeiro ao lado, ou entĂŁo provavelmente estaria morto contando o homem Ă poucos passos de distĂąncia. â NĂŁo. â Respondeu de imediato, porĂ©m o tom nĂŁo sĂł entregava o medo, como oferecia contraste aos olhos astutos do outro homem que seguira os seus, deixando claro o conhecimento do perigo aparente. â Ainda falta um pouco. â Observou a figura masculina atrĂĄs de si novamente, sentindo-se estĂșpido pelo despreparo ao sair de casa e a confiança de que estaria seguro dentro dos muros das mansĂ”es. Ainda era o cara que matara alguĂ©m, nĂŁo esqueceriam isso. â Ei! â O homem chamou e o primeiro instinto pediu para que corresse, porĂ©m caso houvesse uma arma envolvida, Jian tambĂ©m correria perigo, e nada tinha a ver com seus problemas. Por isso, o jardineiro travou seus passos e virou-se lentamente, encontrando a face deplorĂĄvel e elĂ©trica, quase necessitada. â Passa a grana. â Era a merda de um viciado? Franziu o cenho, ele sequer tinha as mĂŁos nos bolsos para falsificar uma arma e amedrontĂĄ-los, digno de pena. Poderia transferir um soco no nariz a partir, mas nĂŁo era como se estivesse fazendo mal Ă alguĂ©m, eram apenas seus fantasmas o atormentando. â Claro. â Concordou antes de olhar rapidamente o castanho, dando a menor nota que tinha no bolso somente para ver o outro partir risonho. Por mais imbecil que fosse a situação, a respiração era ofegante. â Que susto, hein? â Quase riu, negando com a cabeça para analisar o menor, nĂŁo devia estar acostumado com pessoas de tal nĂvel se aproximando. â VocĂȘ tĂĄ bem, cara? Parece.. Bem assustado.Â
                 A aproximação sĂșbita da figura desconhecida fez com que ele congelasse no lugar que estava, sentiu todos seus mĂșsculos tensionarem de repente e as mĂŁos se fecharem mais forte ainda ao redor da lĂąmina que carregava no bolso, um rĂĄpido movimento seria o suficiente para acertar o homem, que parecia ainda nĂŁo ter se dado conta que ele estava parado ao lado de Gyeongho, mas nĂŁo conseguia se mover, o coração bateu forte demais, tĂŁo forte que por um momento achou que os outros escutariam, um pequeno lembrete de que ele tinha medo. Assistiu imĂłvel enquanto o rapaz entregava uma nota para o desconhecido, aquilo nĂŁo poderia ser apenas uma coincidĂȘncia, ele nĂŁo poderia se dar ao luxo de baixar a guarda, nĂŁo seria exatamente isso que seu pai iria querer? Seu pai, Ă© claro que ele teria poder o suficiente para vigiĂĄ-lo mesmo em um paĂs diferente, estava certo que aquele encontro com o viciado era um plano de Chen. âEra sĂł um viciado.â Disse mais para si mesmo do que para o jardineiro, tentava soar calmo, sem tirar os olhos do desconhecido que se afastava contente com sua nota. âEu estou bem.â Garantiu com firmeza, mesmo que as mĂŁos trĂȘmulas dentro do casaco dissessem o contrĂĄrio, respirou fundo e tentou voltar a caminhar, nĂŁo podia deixar o outro desconfiado. âVocĂȘ nĂŁo deveria dar dinheiro para pessoas assim, sĂł estĂĄ alimentando mais ainda o vĂcio deles.â NĂŁo se importava tanto assim com o destino do homem que acabara de conhecer, porĂ©m, começava a ver a necessidade de preencher o silĂȘncio, ficar sozinho com seus pensamentos era uma opção perigosa demais. âEle nĂŁo estava armado nem nada, muito estranho nĂŁo acha? Estava fĂĄcil demais, qualquer um poderia derrubar ele e fugir, mesmo assim, vocĂȘ preferiu entregar o dinheiro.â Seria mais fĂĄcil se ele culpasse Gyeongho por nĂŁo ter feito nada, entĂŁo poderia esquecer que ele que havia sido o Ășnico covarde.Â
đ°đđđđđđđ
ahryungâ:
Â Â Â Â Â Â Â â± Ë đ áč . ââ nĂŁo dĂĄ para se tornar alguĂ©m melhor. ou vocĂȘ Ă©, ou nĂŁo Ă©. â deu de ombros, sem importar no rumo que aquelas palavras a levariam. a morena sabia de tudo o que ele estava falando. e sabia tambĂ©m que, no mundo real, fora da bolha de autoajuda que ele narrava, as coisas eram muito mais complicadas do que palavras poderiam descrever. pessoas nĂŁo perdoavam erros como os dela, pessoas nĂŁo esqueciam suas atitudes com um pedido de desculpas. nĂŁo tinha forma de consertar. era o famoso clichĂȘ de vidro quebrado que nĂŁo volta a ser como era antes nem com supercola. tinha rachaduras por toda parte. cometera erros em todas as pontas e por muito tempo nĂŁo se importou com eles. ou seja, falar sobre como se sentia agora, nĂŁo era importante. continuava sendo a mesma patricinha nojenta que sempre fora. agora, com um pouco de peso na consciĂȘncia, Ă© claro. ââ mas nĂŁo Ă© a questĂŁo aqui. aceito que sou uma pessoa desprezĂvel e nĂŁo estou em posição de questionar isso. o problema mesmo, Ă© quando outras pessoas esperam muito de vocĂȘ quando na verdade nĂŁo deveriam esperar nada. expectativa Ă© uma droga. â riu, um pouco amarga. nunca pensou que uma Ășnica sentença poderia carregar o peso de tantas pessoas em sua vida. nĂŁo tinha ninguĂ©m em especĂfico que se aplicava aquele pensamento, ao mesmo tempo, tanta gente poderia se encaixar naquilo. ahryung sabia que nĂŁo era nenhum tipo de virgem maria para que pudessem enxergar o seu ponto de vista, muito menos perdoar seus pecados. sĂł queria que as pessoas que amava pudessem vĂȘ-la por uma outra perspectiva. ââ se tem algo que eu tenho certeza de que nĂŁo existe vantagem Ă© ser alguĂ©m melhor. continuo me fodendo em todos os aspectos da minha vida, entĂŁo, do que essa merda adianta? â passou as mĂŁos por entre os fios castanhos, os bagunçando quando penteou os cabelos com os dedos. nĂŁo queria continuar falando sobre seus sentimentos, mas lĂĄ no fundo sentia a necessidade em fazĂȘ-lo. ao menos, o peso dos ombros havia sumido parcialmente. ââ nĂŁo me leve a mal, mas essa conversa estĂĄ me deixando com vontade de morrer. â sorriu, abertamente. sem fingimentos daquela vez. ââ mas obrigada por me ouvir. Â
                  NĂŁo tentou retrucar o argumento de Ahryung, no fundo sabia que ela estava certa e as suas palavras sobre tentar ser uma pessoa melhor nĂŁo passavam de uma bela mentira decorada muito tempo atrĂĄs que todos gostavam de repetir atĂ© parecer verdade, porĂ©m, as coisas nĂŁo funcionavam assim e ele sabia melhor do que ninguĂ©m, havia tentado se tornar melhor e deixar o passado para trĂĄs, mas mesmo ali, cinco anos depois, se sentia como o mesmo garoto assustado de sempre. âExiste uma diferença entre nĂŁo ser uma boa pessoa e ser desprezĂvel. Eu nĂŁo acho que vocĂȘ seja desprezĂvel, vocĂȘ apenas gosta de pensar assim porque Ă© mais fĂĄcil.â Poderia concordar com a parte de nĂŁo conseguir ser uma pessoa melhor, porĂ©m, jĂĄ havia conhecido um nĂșmero considerĂĄvel de gente desprezĂvel em seus vinte e trĂȘs anos e duvidava que ela se encaixasse nesse padrĂŁo mesmo que acreditasse nisso, apesar do que acreditava, eles nĂŁo eram amigos e suas palavras poderiam ter passado do limites, entĂŁo apressou-se para continuar a falar antes que ela pudesse respondĂȘ-lo. âMas tenho que concordar, expectativa Ă© uma droga, por isso faço questĂŁo de atingir nenhuma.â Um sorriso desdenhoso surgiu no seu rosto, a sua voz soava um pouco mais amarga, queria acreditar que era apenas um reflexo do modo que a sua companhia falava, porĂ©m, sabia que apenas estava mentindo para si mesmo. Talvez, no seu Ăąmago, ele quisesse ser alguĂ©m que atingia as expectativas alheias, aquele tipo de pessoa que recebe sorrisos orgulhosos atĂ© mesmo de quem nĂŁo o conhece, sĂł assim ele poderia ter certeza quando estivesse fazendo a coisa certa, esse era um talvez que ele nunca iria admitir. âVamos apenas esquecer esse conselho de merda, nĂŁo foi uma boa ideia.â Levantou-se de onde estava, o chĂŁo de pedra começava a incomodar, apesar de tudo, sentia que a conversa no meio da noite havia sido estranhamente confortador para ele, ele tambĂ©m deveria agradecer, mas decidiu retribuir o sorriso verdadeiro. âĂ para isso que pessoas aleatĂłrias servem no meio da noite.â Caminhou atĂ© o minibar que ficava na ĂĄrea externa, como esperado, estava cheio, pensou no que poderia pegar, nĂŁo era uma boa ideia dar mais ĂĄlcool para a garota, entĂŁo apenas pegou uma das garrafas de ĂĄgua. âToma.â Ofereceu a ela. âAs vezes ajuda com a ressaca.â
âEu nĂŁo tenho nada a ver com o que aconteceu, vocĂȘ acha mesmo que eu tenho tempo para cavar um buraco sĂł para colocar meu nome dentro de uma caixa velha? Me poupe, conheço meios melhores de me tornar o assunto do momento.â
     âTodo mundo sabe que Ă© bem improvĂĄvel que vocĂȘ tenha conseguido fazer esse trabalho quase perfeito, mas estava Ăłbvio que vocĂȘ seria o prĂłximo alvo, sua figura Ă© um tanto... controversa. Nenhuma surpresa quanto a isso, mas vocĂȘ estĂĄ mesmo preocupado com um papelzinho?â
â ââ Sem brincadeira, parece coisa de psicopata. Porra. Se deram o trabalho de cavar sĂł para colocar uma caixa com nomes dentro. Cavar. â
      âVocĂȘ âtĂĄ falando comigo, Coleman? Eu nĂŁo poderia me importar menos com o que aconteceu e nĂŁo tem nada de impressionante em cavar um buraco, mas vocĂȘ quem sabe.â

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âPor um lado eu estou aliviada, nĂŁo acho que Pohang ia gostar da minha carta de amor⊠seria um pouco constrangedor. Por outro lado estou bem preocupada com os nomes que saĂram, algo me diz que serĂŁo os prĂłximos alvosâ.
      âNinguĂ©m nunca te disse que cartas de amor sĂŁo pĂ©ssimas ideias? E como vocĂȘ pode ter certeza que aquele blog tambĂ©m foi responsĂĄvel por isso? Talvez tenha sido apenas alguĂ©m querendo causar tumulto e se aproveitar da fama deles.â
Seri andava por aĂ com um sorriso no rosto e a cĂąmera em mĂŁos, procurando seu prĂłximo alvo para fotografar e colocar no post que faria em seu blog, contando sobre o evento. Foi entĂŁo que avistou alguĂ©m prĂłximo de si que parecia deveras interessante, nĂŁo hesitando em se aproximar mais, mesmo sem saber ainda de quem se tratava. âEi.â Cutucou a pessoa nas costas. âPosso tirar uma foto sua? Ă pro meu blog.â
                 Agradeceu silenciosamente a senhora quando finalmente chegou a sua vez de ser servido com o hotteok, nĂŁo era muito fĂŁ de festivais, mas a comida fazia valer a pena. Estava pronto para dar a primeira mordida quando sentiu alguĂ©m o tocando, virou-se com uma cara de poucos amigos, mas seu semblante relaxou quando percebeu que era alguĂ©m conhecido. âAcho melhor nĂŁo, nenhum dos seus seguidores querem me ver comendo.â
áŽșᎱᎌáŽș áŽș᎔Ꮃᎎá”Ëą ᎏáŽșᎰ Ꮆᎏá¶áŽ·ËąáŽŒáŽș áŽčáŽŒáŽŒáŽ°áŽźáŽŒáŽŹáŽżáŽ° @brini144
đ»đđđ đđđđđ đđđđ đ đđđđđ
rachelâ:
㠀㠀㠀㠀㠀㠀㠀.Ouviu atentamente Ă declaração do estrangeiro, imaginando como deveria ser frustrante cursar algo sem perspectiva alguma de seguir carreira na ĂĄrea. Mas no fim das contas o salĂĄrio deveria compensar tudo, ela imaginava. â  ââ E nem da sua universidade. Bebericou um pouco mais da bebida, com feiçÔes um pouco mais alegre do que quando entrou Ă sala â o soju deveria estar fazendo efeito rĂĄpido. â  ââ Sou da Ehwa, faculdade de mulheres. Se perguntava como as colegas conseguiam lhe enfiar em festas como aquela, nĂŁo lhe vinha Ă mente nem mesmo um evento que fosse exclusivo das estudantes de sua universidade. â  ââ Sou uma quase designer de moda. Se apropriou da fala alheia, depositando a garrafa sobre o piano ao qual se apoiava.Â
㠀㠀㠀㠀㠀㠀㠀. â  ââ Uma festa? Claro que nĂŁo; vamos dizer que isso Ă© um evento nĂŁo-planejado. Animou-se com as reaçÔes do quase engenheiro â parecia que finalmente havia encontrado alguĂ©m que sabia como se divertir, afinal. Deu alguns passos atĂ© a janela, criando uma maior percepção do ambiente externo da casa enquanto acompanhava a linha de raciocĂnio do outro. â  ââ Por favor, para quĂȘ seguir a linha 007 se podemos ir ao estilo Lara Croft? Talvez suas referĂȘncias estivessem indo longe demais; novamente, efeito do ĂĄlcool. Era perceptĂvel o desagrado alheio quanto Ă uma das alternativas e a Choi compartilhava do mesmo pensamento, abaixando a cabeça para analisar o prĂłprio vestido. â  ââ Câmon, vocĂȘ acha que uma garota nĂŁo estĂĄ sempre preparada para qualquer situação? Uma pequena escalada com certeza nĂŁo era o tipo de situação que imaginava ter de encarar ao sair de casa, os shorts protetores eram mais uma garantia de que nĂŁo precisaria se preocupar com sua movimentação durante a festa â felizmente eles tambĂ©m calhavam muito bem Ă quela situação. â  ââ EntĂŁo, quĂȘ caminho seguimos atĂ© o muro? Esperava que o questionamento fosse o suficiente para demonstrar sua escolha, olhando-o de canto com o persistente sorriso de quem sabia que estava a ponto de infringir regras.
                 Era revigorante estĂĄ na presença de alguĂ©m que compartilhava as mesmas opiniĂ”es sobre diversĂŁo, estava cansado do roteiro artificial que as festas dos amigos ricos pareciam seguir, estava ficando cada vez mais entusiasmado com a ideia, principalmente quando a ela havia escolhido a sua opção favorita. âGood, eu sempre fui mais fĂŁ da Lara Croft mesmo.â Deu uma piscadela para ela, nĂŁo sabia se o uso das referĂȘncias ocidentais haviam sido feitas conscientes, mas achara engraçado mesmo assim. NĂŁo sabia como ela estaria preparada para uma escalada, talvez ela nĂŁo soubesse que o muro nĂŁo era tĂŁo baixo. âEu nunca duvidei disso.â Levantou as mĂŁos de forma defensiva, mesmo que duvidasse, gostava da confiança dela e ele nĂŁo era do tipo que pensava demais nos detalhes, poderiam improvisar quando chegassem lĂĄ. Se encostou na janela de forma que pudesse ver melhor por onde poderiam seguir, nĂŁo precisou de muito tempo para perceber que a melhor opção que tinham era ir pelo lado de fora da casa, teriam acesso ao muro rapidamente e, se algum dos poucos convidados sĂłbrios percebesse a presença dos dois, apenas iriam acreditar que estavam indo embora. âVamos pelo caminho mais Ăłbvio, a porta da frente.â
                  âO dono da festa jĂĄ deve estar em coma.â Comentou enquanto voltavam para o andar debaixo, conhecia Minwoo bem o suficiente para saber que ele nĂŁo conseguia lidar com as prĂłprias festas. âEle nem vai perceber que alguĂ©m invadiu a piscina.â Atravessou a pequena multidĂŁo de pessoas que dançavam na pista improvisada, olhando para trĂĄs apenas para se certificar que garota ainda o seguia. Ainda existia alguns convidados do lado de fora da casa, porĂ©m, ninguĂ©m para impedir os dois de dar a volta e alcançar o muro de pedras que havia falado. âAs damas primeiro.â Cruzou os braços, abrindo um pequeno sorriso presunçoso, esperando que ela tivesse entendido o desafio indireto que ele estava propondo.

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sarangâ:
          âȘ  ËË đ  ïč .  ââ engoliu em seco e tratou de forçar uma expressĂŁo mais prĂłxima de tranquilidade que conseguia. ser tĂŁo transparente era um problema gigantesco, Ă s vezes. e a bae se obrigava a melhorar nesse aspecto. nĂŁo havia problema algum com jian. sequer ela o conhecia bem. o problema, no fim das contas, era a prĂłpria sarang. que estava acostumada a temer pessoas ricas como ele por fazer seu prĂ©-julgamento diante de todas elas e fugir delas como o diabo foge da cruz. ââ brincadeira? qual parte? â fez-se de desentendida pois na maioria das vezes funcionava, soltando uma risadinha sem graça e forçada. a melhor opção era nunca discordar, apenas seguir o fluxo. ââ sĂł estou voltando pra casa, nĂŁo hĂĄ nada de suspeito nisso. e pedir desculpas Ă© um hĂĄbito ruim que estou tentando melhorar, n-nĂŁo se preocupe. â forçou uma tosse apĂłs gaguejar, buscando camuflar a vergonha. se deixar levar por seus sentimentos tambĂ©m era um hĂĄbito ruim que precisava melhorar. no fim, sarang tinha muito a melhorar, afinal. parou no meio do caminho apĂłs escutĂĄ-lo comunicĂĄ-la sobre todo o trajeto que fariam juntos. suspirou com pesar e agarrou o pingente de lua pendurado em seu pescoço, ansiosa. ââ sinceramente? â perguntou, antes de caminhar alguns passos na direção do rapaz em um lapso de coragem. ââ quer mesmo saber qual Ă© o meu problema?porque eu tenho muitos. â a frase seria risĂvel se nĂŁo fosse tĂŁo verdadeira. os olhos nĂŁo vacilaram por um momento sequer. estava sĂ©ria. ââ um deles Ă© vocĂȘ. o meu prolema Ă© vocĂȘ. vocĂȘ me deixa nervosa, ansiosa e nĂŁo Ă© de um jeito bom. na verdade, vocĂȘ me assusta. e me olhar desse jeito nĂŁo tĂĄ ajudando. â soltou as palavras de forma apressada, quase se perdendo entre elas. nĂŁo queria soar grosseira porque nĂŁo era de seu feitio, apenas falava a verdade. uma verdade que deixara suas bochechas quase roxas de vergonha.
                Parou de caminhar ao ouvir a confissĂŁo da mais nova, estava ciente que nĂŁo tinha a melhor reputação, ainda assim nĂŁo conseguia imaginar que alguĂ©m ali teria medo dele, podia ser um incĂŽmodo para os moradores que o lançava olhares tortos, mas pessoas que viviam em Pohang deveriam ter mais a temer do que um jovenzinho estrangeiro, certo? Pelo menos aquilo explicava o porquĂȘ de Sarang estar agindo tĂŁo estranho. âO quĂȘ? Eu assusto vocĂȘ?â Perguntou ainda incrĂ©dulo, havia escutado claramente o que ela havia dito, sĂł nĂŁo estava fazendo muito sentido em sua cabeça. âYah, o que tem de errado com o meu jeito de olhar? VocĂȘ tambĂ©m Ă© estranha, mas vocĂȘ nĂŁo me ver por aĂ reclamando.â Aumentou o tom de voz de forma inconsciente, cruzando os braços de forma defensiva, estava irritado com a situação, nĂŁo havia feito nada de errado, pelo menos nĂŁo naquele momento. Inspirou fundo e balançou a cabeça, tentando clarear seus pensamentos, se continuasse a agir daquele jeito sĂł estaria dando mais motivos para ser temido. âCerto, agradeço a sinceridade.â Disse quando sentiu que estava mais calmo, porĂ©m, sem disfarçar a ironia de suas palavras. âMas eu acho que nĂŁo consigo entender o porquĂȘ, eu fiz alguma coisa para vocĂȘ? Se for o caso, eu nĂŁo consigo lembrar, sinceramente.â Mesmo que aquilo estivesse o incomodando, nĂŁo pediria desculpas por algo que nem se lembrava de ter acontecido, esperava que aquilo nĂŁo passasse de um grande mal entendido, nĂŁo gostava de acusaçÔes falsas. âOlha, pode acreditar no que quiser. SĂł porque eu nĂŁo faço parte dos joguinhos de vocĂȘs, nĂŁo significa que eu seja um monstro, apenas que eu tenho coisas mais importantes para pensar.â Deu de ombros, nĂŁo se importava com o que os outros achavam, talvez deveria aproveitar e ser mais assustador mesmo, pelo menos poderia evitar conversas como aquela quando apenas estava tentando ser amigĂĄvel. âTanto faz, eu nĂŁo ligo.â
Por Deus, aquilo nĂŁo tinha como piorar, ou serĂĄ que tinha? Sora no entanto nĂŁo queria pensar nas possibilidades negativas, e sim nos pontos positivos daquela âcompanhia inesperadaâ; mas nĂŁo havia ponto positivo. A garota que jĂĄ tinha um tom de pele claro pela falta de tomar um sol de vez em quando, agora tinha a certeza de que estava mais pĂĄlida do que o normal. E era sĂł ladeira abaixo pensar que poderia, em algum universo paralelo, ser reconhecida por Jian. Um grunhido baixo escapou a garganta dela e mesmo sem ter para onde fugir os ombros se encolheram e Sora desviou o olhar, focando sua atenção em qualquer ponto aleatĂłrio que nĂŁo fosse a figura mais velha na primeira fucking fileira do auditĂłrio. â Ă um violoncelo. â Apesar do tom de voz baixo, a garota parecia quase ofendida por Jian ter confundido os instrumentos. Primeiro porque se estivesse com um violino nos braços dificilmente conseguiria se esconder do rapaz, segundo que, bom, o violoncelo nĂŁo ficava em casa justamente porque ele era quase tĂŁo grande quanto Ă prĂłpria Sora, e ela nĂŁo tinha exatamente um porte fĂsico atlĂ©tico para carregar o instrumento gigantesco atĂ© a sua casa. Adoraria, mas era uma tarefa inviĂĄvel; e de certa forma um jeito de tirĂĄ-la de dentro do quarto todos os dias.
â Por que seu rosto estĂĄ inchado? â A morena ignorou a pergunta, rebatendo com outra, alternando entre observar o machucado alheio e o instrumento que tinha nos braços, enfim, desistindo de tocar. JĂĄ tinha receio de tocar sozinha e ser escutada, agora que tinha de fato alguĂ©m a observando tĂŁo de perto Sora teria menos coragem ainda de fazer qualquer coisa. Uma das mĂŁos fora erguida Ă gola da camisa preta que estava começando a sufocar por ter mantido os botĂ”es muito bem presos atĂ© a altura de seu pescoço, e apesar de ter espaço suficiente para ela colocar dois dedos para dentro da gola, e assim descansar um dos botĂ”es, a respiração parecia alta demais nos prĂłprios ouvidos, o nervosismo refletindo mais do que o normal no suor das mĂŁos.
              âVocĂȘ tem certeza que estĂĄ bem?â Perguntou com certa preocupação, era um truque da luz do lugar ou ela parecia estĂĄ ficando mais pĂĄlida? A Ășltima coisa que precisava lidar era com alguĂ©m passando mal quando ele era o Ășnico na sala para ajudar. âCerto, violoncelo. Vou anotar aqui.â Apontou para a prĂłpria cabeça, nĂŁo achava que alguma coisa havia mudado em sua vida apĂłs descobrir o nome verdadeiro do instrumento, mas parecia ser algo importante para a garota, entĂŁo tentou fazer pelo menos algum esforço para lembrar. Esperou que ela respondesse a sua pergunta, estava realmente curioso com o porquĂȘ de ter sido ignorado, isso quase nunca acontecia, mas a pergunta tambĂ©m foi ignorada, o que fez com que ele começasse a acreditar que talvez nĂŁo fosse alguĂ©m tĂŁo memorĂĄvel assim para Sora, mesmo que morassem no mesmo condomĂnio, nĂŁo era um problema, ele tambĂ©m nĂŁo lembrava de todo mundo de lĂĄ. âIsso? NĂŁo foi nada.â Deu um pequeno sorriso para demonstrar que estava bem, porĂ©m, o sorrisinho virou uma careta de dor que ele tentou disfarçar rapidamente. âUm pequeno soco, vocĂȘ deveria ter visto como ficou o outro cara.â A mentira saiu naturalmente, o fato que nĂŁo havia nem chegado perto de bater no outro nĂŁo era algo que o mundo precisava saber, seria pĂ©ssimo para sua reputação, por outro lado, duvidava que a caçula dos Kwon fosse do tipo que sairia espalhando fofocas, principalmente sobre algo tĂŁo trivial quanto aquilo. âEle estĂĄ muito melhor que eu, talvez porque eu fugi depois do primeiro soco.â Falou rapidamente e deu de ombros como se nĂŁo fosse algo importante, resistindo a vontade de fazer uma careta para toda a situação, por que tinha que falar a verdade mesmo? Voltou o seu olhar para o palco e, consequentemente, para Sora, franziu o cenho ao notar que ela ainda parecia estar nada bem. âEu nĂŁo quero parecer repetitivo, mas eu nĂŁo acho que vocĂȘ esteja bem.â Abandonou o seu lugar na primeira fileira e subiu no palco com a intenção de ajudar, sem pedir licença, pegou o instrumento pesado das mĂŁos alheias, torcendo para que nĂŁo acabasse quebrando sem querer. âEu guardo isso para vocĂȘ, foque apenas em respirar direito, okay?â
got caught giving a fuck. embarrassing.
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ahryungâ:
Â Â Â Â Â Â Â Â â± Ë đ áč . ââ o silĂȘncio por parte de ahryung serviu para assimilar o que acabara de escutar. nĂŁo era de difĂcil compreensĂŁo. ela mais do que ninguĂ©m sabia que todos ali tinham os seus segredos, alguns mais que outros, atĂ©. logo, nĂŁo era nada de novo tudo o que ele estava a contando. porĂ©m, as ideias que rondavam sua cabeça eram mais interessantes. o que serĂĄ que ele escondia de tĂŁo sĂ©rio? ele estava mesmo falando a verdade ou era sĂł uma forma de fazĂȘ-la contar o que estava escondendo? analisou seu rosto, sĂ©ria e direta. nĂŁo estava com tempo para mais joguinhos Ă quela noite. ele parecia dizer a verdade, embora ainda estivesse fazendo um jogo de omissĂŁo a qual moon conhecia bem. nĂŁo iria julgĂĄ-lo, faria o mesmo em seu lugar. era espeto por nĂŁo confiar em ninguĂ©m, mas estava visivelmente tĂŁo ferrado quanto a morena. ter segredos Ă quela altura do campeonato, era uma fraqueza que nĂŁo se permitia deixar ser utilizada contra si em hipĂłtese alguma. ââ acho que posso concordar. o pior Ă© quando os seus segredos influenciam a vida de outras pessoas. â assentiu, balançando a cabeça conforme divagava em pensamentos. estava falando de si mesma. sobre o quanto a vida de seus pais e irmĂŁos estariam arruinadas junto com a sua no fim das contas. nĂŁo era de sentir culpa por suas prĂłprias escolhas, mas agora elas pesavam em seu ombro. nĂŁo era tĂŁo digna quanto pensava, afinal. ââ eu, particularmente, nĂŁo ligo para um infeliz qualquer com um blog de quinta. nĂŁo sei onde eles pretendem chegar revelando tanta baboseira sobre pessoas que sequer nos importamos de fato. â deu de ombros, indiferente. focando o olhar em um ponto a sua frente. o coração se enchia de uma sensação ruim que odiava sentir mas que nĂŁo podia evitar. aos poucos, se sentir assim, começava a se tornava recorrente. ahryung tinha vontade de chorar, mas jamais o faria diante dos olhos de outra pessoa. ââ eu pensava que era irredutĂvel. que ninguĂ©m poderia me fazer temer por nada porque o meu foco sempre fui eu mesma. mas agora vejo que nĂŁo. cometi erros que sĂŁo irreparĂĄveis. contra mim mesma, contra as pessoas que amo. perdi pessoas que amo por conta disso. isso me fez ver que nĂŁo sou tĂŁo forte quanto eu pensava. â disse as Ășltimas palavras em um tom mais baixo, nĂŁo era a sua intenção ser tĂŁo sincera ou dizer todas as suas verdades de uma forma maquiada. mas o teor de ĂĄlcool no seu sangue poderia ser parcialmente culpado por isso. se virou para jian e os olhos transbordando sinceridade o encararam sem jeito. ââ vocĂȘ consegue me entender?
                   A sinceridade tĂŁo repentina dela fez com que ele pensasse que talvez ela tivesse precisando conversar com alguĂ©m tanto quanto ele, por isso, tentou prestar o mĂĄximo de atenção no que ela dizia. Mesmo que todos acreditassem no contrĂĄrio, Jian nĂŁo conseguia se considerar uma pessoa egoĂsta, poderia estar vivendo uma vida muito melhor na China sob as asas do seu pai, mas havia preferido se sacrificar em nome da mĂŁe morta, duvidava que alguĂ©m egoĂsta faria o mesmo, porĂ©m, ainda assim conseguia entender o que Ahryung estava sentindo quando dizia que havia percebido que nĂŁo era tĂŁo forte, ele jĂĄ tinha se sentindo assim. âAcho que sim, mas eu acredito que nĂŁo hĂĄ problema em nĂŁo ser tĂŁo forte quanto pensa, ninguĂ©m realmente Ă©.â Falou depois de algum tempo em silĂȘncio, esperava que nĂŁo estivesse parecendo um livro de autoajuda. âTodo mundo jĂĄ se imaginou invencĂvel, quando cheguei na CorĂ©ia eu realmente acreditava nisso, mas todos tem fraquezas, principalmente quando se trata das pessoas que amamos.â Massageou a parte de trĂĄs do pescoço, nĂŁo estava acostumado a falar tanto sobre si. Havia tido uma Ă©poca que acreditou mesmo que estava livre, porĂ©m, a sua prĂłpria mente havia lhe traĂdo e o feito prisioneiro de suas ideias, nĂŁo era como se pudesse falar sobre isso sem contar diretamente seu segredo, preferiu entĂŁo voltar a focar na confissĂŁo da garota. âVocĂȘ pode ter feito coisas irreparĂĄveis para quem ama e nunca consiga recuperar o que perdeu, mas pelo menos vocĂȘ estĂĄ admitindo isso, deveria te ajudar a se tornar alguĂ©m melhor.â Olhou para ela, querendo ter certeza de que estava entendendo o que ele estava dizendo, mas entĂŁo pensou no quĂŁo falso aquele discurso sobre ser uma pessoa melhor parecia para ele mesmo, ele nĂŁo havia se tornado uma pessoa melhor ao reconhecer o seus erros, apesar que era aquilo que as pessoas esperavam que falasse naquela situação. âE se isso nĂŁo te tornar uma pessoa melhor, bem, talvez nĂŁo exista vantagem em ser alguĂ©m melhor jĂĄ que o passado nĂŁo pode ser mudado, Ă© tudo uma questĂŁo de ponto de vista, entende?â Inclinou o corpo de forma que pudesse olhar as estrelas, nĂŁo conseguia identificar nenhuma das constelaçÔes, mas era bom olhar para elas mesmo assim, principalmente quando se sentia tĂŁo pensativo quanto agora. âResumindo tudo o que eu falei: parabĂ©ns por ter percebido que Ă© humana.â Concluiu com uma ponta de humor, levantando a mĂŁo em um sinal positivo, na esperança que aquilo fosse o suficiente para melhorar a atmosfera do lugar.

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jinâ:
NĂŁo fazia ideia de quem se tratava, o fato de nĂŁo conseguir distinguir as pessoas nĂŁo facilitava muito na hora de ler as emoçÔes alheias tambĂ©m, entĂŁo sĂł lhe restava ouvir com atenção e ao que parecia o rapaz nĂŁo estava exatamente feliz com o qual fosse o ocorrido ali. âInfelizmente nĂŁo sou mecĂąnico, jĂĄ estudei um pouco sobre mecĂąnica para escrever um drama, mas nĂŁo sou apto a dar qualquer veredicto sobre seu carro. Se fosse a bateria, poderia tentar ajudar, mas nĂŁo acho que seja⊠TambĂ©m nĂŁo tenho uma oficina mĂĄgica, mas posso lhe oferecer uma carona atĂ© sua casa ou atĂ© a mecĂąnica mais prĂłxima, tambĂ©m posso lhe fazer companhia caso precise chamar um reboque e nĂŁo queira deixar seu carro sozinho na estradaâŠâ Moveu os ombros suavemente e colocou as mĂŁos dentro dos bolsos da calça, Woojin nĂŁo poderia fazer muito pelo outro, mas tentaria ajudar. Aparentemente nenhum dos dois tiveram um bom dia ou talvez fosse apenas sua imaginação fĂ©rtil que tentava justificar a irritabilidade do outro.
               NĂŁo Ă© como se esperasse uma resposta positiva vinda do desconhecido, seus problemas, infelizmente, nĂŁo iriam se resolver magicamente sĂł porque ele estava tendo um pĂ©ssimo dia e um estranho havia parado para ajudar. Mesmo assim, nĂŁo conseguiu evitar um suspiro de pura derrota. âNĂŁo Ă© como se eu esperasse que vocĂȘ conseguisse.â Voltou para seu prĂłprio carro e fechou o capĂŽ, nĂŁo iria perder mais tempo tentando olhar aquilo. âNah, o carro vai ficar bem se ficar sozinho e eu âtĂŽ sem paciĂȘncia nenhuma para esperar o reboque, vou ficar com a carona. Sabe onde fica o Pohang Residential?â Pegou sua mochila no banco de trĂĄs e, sem cerimĂŽnia nenhuma, se dirigiu atĂ© o carro do estranho, esperando que ele entrasse no carro para poder fazer o mesmo. âDramas, vocĂȘ escreve eles? Parece um trabalho chato, quer dizer, nĂŁo Ă© algo tĂŁo difĂcil assim, dĂĄ pra se escrever qualquer porcaria e colocar um rostinho bonito para interpretar e eles vĂŁo amar, certo?â Comentou quando o outro começou a dirigir, queria apenas preencher o silĂȘncio e nĂŁo prestava muita atenção no que estava dizendo, ocupado demais com a mensagem que enviava para o falso pai. âNĂŁo entendo a obsessĂŁo com isso.â
hyejinâ:
As respostas do desconhecidos sĂł trouxeram a Hyejin um sentimento maior do que o usual de desconforto. Quem era ele para julgar o quanto ela havia visto algo ou nĂŁo? Quem era ele para sequer ter a ousadia de afirmar que aquilo realmente a surpreendia? Tudo bem que sim, a incomodava, a chocava, mas nĂŁo por nĂŁo ter visto muito daquilo acontecer, apenas pelo fato de nĂŁo querer voltar a se lembrar do que acontecia em seu passado. A jovem nĂŁo queria reviver em sua mente os momentos em que ela fora uma das culpadas para alguns outros alunos saĂrem tĂŁo machucados quanto o outro que ali tambĂ©m estava presente, mas nĂŁo podia simplesmente entregar seus motivos. Existia a curiosidade tambĂ©m de toda forma, e usaria aquilo como sua forma de desculpa atĂ© o fim, mesmo que se sentisse irritada com a situação.
No entanto no fim das contas, nada saia da boca da menina. Continuou apenas encarando o pacote que tinha em mĂŁos, atĂ© ele ser tirado sem muita cerimonia - ou educação. âEi!â Levantou o olhar, surpresa por estar sendo literalmente roubada na cara dura, pelo menos atĂ© ouvir o que mais ele tinha para falar. NĂŁo era orgulhosa a ponto de responde-lo como ele parecia achar que responderia, porĂ©m nĂŁo estava acostumada com pessoas agindo daquela forma ao seu redor, muito pelo contrĂĄrio. Estava apenas confusa, provavelmente mais confusa que um cego em tiroteio. Continuou o encarando com a sua melhor expressĂŁo de interrogação, mesmo quando ele lhe devolveu o pacote pago. âVocĂȘ Ă© louco assim mesmo normalmente ou andou usando drogas?â O tom era bastante calmo, por mais que estivesse claro na voz a sua confusĂŁo. NĂŁo entendia nada, no entanto, abriu o pacotinho e antes de dar alguma mordida, olhou para as bebidas na mĂŁo dele. âSe vocĂȘ andou usando drogas, eu nĂŁo acho que um refrigerante vĂĄ te ajudar muito, devia ter comprado alguma comida mesmo.â Ofereceu o que ele tinha comprado, nĂŁo sabendo se naquele momento estava tĂŁo louca quanto, se era apenas um reflexo da sua personalidade sociĂĄvel ou se era alguma reação estranha do seu aborrecimento. âEu nĂŁo gosto de comer sozinha.â
               Gargalhou com a ideia de que seu problema poderia ser por causa de drogas, entĂŁo era isso que pensavam quando viam ele assim? NĂŁo podia estar mais enganados, ele era melhor do que isso, o Senhor Zhao sempre falava isso durante seu tempo ensinando Jian, mas talvez devesse dar um pouco de crĂ©dito para a teoria dela, realmente nĂŁo estava no seu melhor momento. âEu nĂŁo uso drogas.â Respondeu dando de ombros, a garota parecia mais nova que ele, sentia-se na obrigação de acrescentar algo sobre o assunto, nĂŁo podia ser uma pĂ©ssima influĂȘncia. âDiga nĂŁo as drogas ou algo assim.â Tentou se recordar de algum slogan das campanhas anti drogas, porĂ©m nĂŁo era como se prestasse muita atenção nelas. Olhou para o refrigerante como se sĂł agora lembrasse o porquĂȘ de ter comprado aquilo, pressionou a lata prĂłximo ao olho machucado, alguns poderiam dizer que gelo seria mais eficiente para isso, ele pelo menos poderia aproveitar o refrigerante quando terminasse. âEu tenho tanta cara de drogado assim? âTĂŽ começando a ficar ofendido.â Aceitou o salgadinho que ela havia oferecido, nĂŁo estava realmente ofendido, curioso talvez com o fato de jĂĄ lhe associarem a alguĂ©m que usa drogas, os usuĂĄrios que ele conhecia nĂŁo pareciam nada consigo. Sentou-se em uma dos bancos prĂłximo a janela, esperando que a estranha fizesse o mesmo, afinal, ele ainda estava com o pacote de salgadinhos na mĂŁo. âEntĂŁo, o que te traz aqui? NĂŁo estĂĄ muito cedo para comer besteiras como essa?â Se considerava pĂ©ssimo quando se tratava de iniciar conversas, preferia ignorar as pessoas ao seu redor, mesmo que isso fizesse ele ser considerado mal educado, mas seria muito estranho se apenas comesse em silĂȘncio. Enquanto esperava a resposta, tratou de começar a se livrar do sangue em seu rosto, Jiali provavelmente o mataria se ele chegasse na mansĂŁo dos Liu daquele jeito. âAcho que metade da cidade ainda estĂĄ dormindo e eu estaria fazendo a mesma coisa se nĂŁo tivesse que resolver esse pequeno problema antes.â