& : ❝ focus ❞
ava:
Estava preocupado. Roia o lábio, passava a mão na bagunça que era o cabelo naturalmente ondulado a cada segundo, respirava fundo sem perceber, era assim que poderiam saber que estava preocupado. Era coincidência que o nome de Sehee tivesse sido encontrado na capsula e agora estava sendo alvo daquilo que Ava ainda não havia entendido. Hackers? De certo, trabalhavam com pelo menos um com habilidade do tipo. Como trabalhavam, no entanto, era uma curiosidade que, em Ava, só não parecia tão importante quanto o por quê de estarem fazendo aquilo.
Sehee estava sendo alvo do que exatamente?
O americano despertou do transe quando ouviu o som que anunciava a chegada de alguém à mansão. Ava foi mais rápido que a mulher fardada, dizendo que ele atenderia a porta, e assim fez. Ele tirou um tempo, segundos, de cenho franzido e o olhar sobre a feição do outro garoto. Percebendo o que estava fazendo, a expressão enrugada se quebrou em um sorriso educado. “ ── Hey…” ele chamou, segurando o impulso de puxa-lo pelas vestes e abraçar ali mesmo. Mas poderiam estar sendo vigiados, não podiam? E não ajudaria em nada a situação de Sehee. “ ── Entra. Vamos para meu quarto.”
Quando toda a bomba explodiu, Sehee estava no táxi a caminho de casa, naquele mesmo instante uma avalanche de mensagem de diversas pessoas que sequer conhecia invadiram suas notificações, uma sensação gélida tomou seu peito quando viu do que se tratavam todas aquelas mensagens, a notícia então se fizera presente em sua tela. Não pode ser verdade, sussurrou a si mesmo no banco de trás do táxi. Em meio a tantas mensagens de ódio e chacoteação, havia uma mensagem de sua irmã mais velha pedindo para que não retornasse para casa essa noite, seguida por uma de Ava, o rapaz com quem havia tido uma noite incrível dias atrás, perguntando como ele estava. Não conseguia sequer responder uma mensagem, suas mãos tremiam com os dedos gélidos passando pela tela de seu celular. Abriu a conversa com o Coleman, sem qualquer esperança de ser respondido instantaneamente. “Estou indo para sua casa, posso dormir aí essa noite?” Enviou.
O táxi estacionou em frente a residência dos Coleman, desceu do carro olhando os arredores com medo de que alguém lhe visse naquela situação, estava chorando e não conseguia parar. Tocou a campainha enquanto secava suas lágrimas e dava leves batidinhas em suas bochechas para lhe fazer voltar a seu estado normal, quão vergonhoso seria encarar Ava daquela forma? A porta se abriu, revelando Ava e atrás dele uma mulher, secou os olhos mais uma vez e abriu um sorriso nada sincero, mas ainda assim esforçado. Ao ouvir a voz de Ava, sentiu suas lágrimas querendo voltar, abaixou a cabeça e segurou na camisa do outro que lhe guiava até o quarto. Chegando lá, Sehee desabou oficialmente. “Me desculpa.” Foi tudo o que conseguiu proferir em meio as lágrimas incessantes.

















