Sobre amores que nunca foram amores
(Esse é um dos textos mais sinceros que já escrevi. Por isso perdoe os erros de português e a falta de prática. Escrever, as vezes nada mais é do que um desabafo coletivo.)
Ainda não tinha anoitecido quando eu me dei conta do que estava fazendo. Foi depois de uma desabafo de uma amiga, que tinha tomado umas cervejas a mais... Ela me contava o quanto amava um rapaz, o quanto ele a fazia bem e o tanto de saudades que ela sentia dele. Aceitava tudo. Todos os erros e até o fato dele se relacionar com outra pessoa, digo, outras pessoas. Segundo ela, só tinha algo que estava lhe incomodando... O sexo já não era mais a mesma coisa, ela estava preocupada, achando que ele já não sentia mais tanto prazer. Só que... Enquanto ela me contava eu me dava conta que a mesma era quem já não tinha prazer a tempos. O sujeito era daqueles que começava o ato e finalizava até sozinho, ou com ajuda dela... e depois, vinha o clásssico, o pobre coitado tinha que ir embora. Ah e claro, ele também sumia, ignorava suas ligações e depois de um tempo reaparecia. Aqueles “momentos” que a Maria me disse, com toda sua alma, que lhe faziam bem me pareciam tão vazios, tão desesperados... Foi então que no auge da conversa enquanto eu disperdiçava todo o discurso do amor próprio, Maria pegou o celular, sem dar muita importância para nosso diálogo (ou monólogo) e disparou“Olha a última vez que ele visualizou... até agora nada da minha resposta”. Segurei a mão dela, olhei no fundo daqueles olhos negros como quem pedia e implorava por um milagre “Maria, se valoriza! Esquece esse rapaz, não fica vigiando o que ele posta ou deixa de postar... se ele entrou ou deixou de entrar, não é da tua conta. Vai viver tua vida. Deixa de ser dependente deste merda” Estava tão decida no que estava falando, Maria parecia uma patética pra mim...De repente um barulho de vidro quebrando invadiu o quarto e a gente foi obrigada a interromper a nossa conversa pra ver o que estava acontecendo. Depois disso não tocamos mais no assunto. Maria não estava com cara de quem queria escutar mais uma lição de moral de suas amigas chatas. Então, a gente fez o que todo mundo faria, fingimos que nada estava acontecendo, dançamos e bebemos bem mais que um pouco. No meio daquela tarde embriagada, depois de toda aquela lição de moral, eu estava olhando o meu celular. “Ele não me respondeu. Filho da puta... A gente ia se encontrar”. Eu jurava que o Rafael não era como o “namorado” da Maria. “Ah, não... mas a gente não tem compromisso sério. Eu? Só quer sexo. Não existe sentimento entre a gente. E o sexo... Bom, é maravilhoso isso que importa. A gente só não gosta de dormir de conchinha e nem somos, assim, muito carinhosos mas tudo por opção nossa”... Era tudo o que eu jurava sentir. Estava no controle da situação. Coitada. Aquela ia ser a quinta vez na semana que teria um surto de raiva diante da total indiferença e diria ao Rafael que a gente não ia ficar mais juntos. Ué juntos?! Quando foi que a gente esteve juntos?! Quando foi que houve envolvimento emocional?! Esse foi o momento em que eu percebi que eu também era Maria. Eu também estava desesperada. Eu criei um escudo para não parecer tão patética e poder aceitar as desculpas do Rafael numa boa, sem que aquilo me magoasse... Mas magoava. Qual a dificuldade de ter vindo pro churrasco? Qual a dificuldade de me ligar? Eu sentia tanta saudades daquela voz... Aquela voz que só podia estar passeando em outro ouvido. Aproveitando a minha embriagues momentânea e aquela duvida que não me deixava descansar, perguntei sem menor pudor “Me diz aí qual foi a última vez que você transou?” E ele respondeu “Quinta-feira” Justamente no dia que eu não pude ir a festa que ele me convidou (sem dúvidas, foi um convite de última hora... até porque não tinha como esperar algo melhor do que isso). A gente sempre jogou limpo e a sinceridade era primordial um com o outro. Ou a gente achava que era. Depois do que li só consegui dizer que iriamos acabar por ali, mesmo que aquilo estivesse me denunciando, que talvez eu me importasse, talvez eu sentisse ciumes, eu não queria ser uma Maria,não estava mais suportando todo aquele teatro. Em contra-resposta ele veio me dizendo que me entendia, que talvez agisse da mesma forma, que ele não estava dando a atenção que eu merecia, estava passando por problemas pessoais (será que essa doença de pobre coitado pega?) que eu era encantadora e as músicas do Nando Reis... Bem, essas nunca mais seriam a mesma se eu não estivesse na sua cama com sua camiseta preta... E em suas palavras “não tem como viver sem o nosso sexo”. Eu queria tanto que fosse verdade, eu queria tanto que fosse você Rafael, que a gente ficasse juntos e encarasse esse mundo. Ah, eu queria tanto.... eu sabia disso desde o início... todo mundo sabia. Você sabia disso, Rafael. Na verdade, você sabia de muita coisa, sabia que o beijo no pescoço era o meu ponto fraco, que quando você sussurrava o quanto eu era idiota por sentir ciumes eu pensava em não te largar mais... que quanto mais eu mentia mais você me tinha nas mão, mais você desaparecia, mais as desculpas aumentavam... E... Eu cansei Rafael... Cansei desse amor que nunca foi um amor. Eu to ficando por aqui. Com uma bela lição de moral que você me deu... Logo eu que costumava a andar por aí vomitando lições de amor próprio. Eu também sou uma Maria. Todas nós seremos Maria algum dia. Acho que por isso demorou tanto pra você virar um dos meus textos... Demorou pra cair a ficha do que eu realmente queria. Eu e essa mania de mentir... E esconder essa minha eterna vontade de que alguém me segure pelos braços e grite “Deixa eu te amar sem medo! Pode me ligar de madrugada se der saudades... Nem precisa ter medo de saber onde estou, você sabe que o único compromisso nas tardes de domingo são meus beijos ao pé do teu ouvido. Não tenha medo de ser Maria porque o nosso amor, ele é recíproco.”
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