Faz tempo desde que derramei umas palavras aqui. Tipo, derramar de verdade. Constantemente. É algo que eu gostaria de continuar a fazer, mas não posso. Eu mudei. Você não acreditaria no quanto eu mudei, o quanto eu me afastei da menina que, anos atrás, começou a escrever aqui para tentar escapar dela mesma, dos seus pensamentos depressivos e de sua vida excruciante.
A vida é ainda mais dolorosa agora. Crescer é a tarefa mais difícil de todas. Me sinto ainda mais deprimida, ansiosa e suicida. Sim, suicida. Mas não quero falar muito sobre isso (vai que alguém que me conhece na vida real descobre isso aqui e me enche de perguntas, deus me livre. Da vida real só entra quem eu convidar, quem eu achar que está pronto). Ao mesmo em que eu penso em maneiras de me matar, eu me vejo com medo de mim mesma pensando em maneiras de me matar. É um ciclo maluco. Não quero falar sobre isso. Tomara que eu me impeça de fazer isso no futuro. E de falar sobre isso.
Enfim, de volta à ansiedade. Fico ansiosa só de pensar que uma pessoa de verdade venha a ler isso. O que é estupidez da minha parte, porque isso aqui é a internet. É um lugar destinado a compartilhar coisas, onde as pessoas devem ser vistas e palavras devem ser lidas, então porque me assusta tanto a ideia das pessoas serem capazes de me ler? Tenho medo das reações, é o tipo de coisa que definitivamente consegue me quebrar. Por causa disso, tenho medo de encontrar pessoas. Tenho medo de sair. Acordar, levantar, trabalhar, interagir com pessoas é tão cansativo. Queria saber falar com as pessoas de verdade, sem parecer um peixe morto o tempo todo, ser brilhante e iluminar os outros. Gostaria que as pessoas pudessem me amar porque não me amo, mas não acho que elas possam. Ninguém pode. Ninguém vai. Tudo bem, porque, no final das contas, todos acabam sozinhos.
Sabe por que estou escrevendo aqui? Porque, apesar dos meus medos incessantes, meu post "me assumindo" é o mais famoso desse blog. Faz 3 anos que eu postei, mas até hoje as pessoas ainda estão reagindo. Elas encontram o post, reblogam, curtem, comentam. Isso me assusta, mas me sinto orgulhosa. De todas as coisas que me aconteceram desde que criei este blog, a mais certa delas foi escrever aquela carta, me assumir e então postá-la. Fico feliz por isso. Espero que minha carta encoraje as pessoas a fazerem o mesmo, a seu próprio ritmo, quando seus corações lhe disserem que é hora.
Também estou postando isso apenas “no caso”. No caso de alguém encontrar minha postagem mais famosa ou a menos famosa e se perguntar “como ela está agora?”, cuja parte realista de mim acha que não é algo que vá acontecer, mas a parte sonhadora de mim acha que algum estranho em algum lugar se importa em saber como eu estou, então essa parte sonhadora, que também cuida da escrita – e provavelmente era a mais ativa anos atrás antes triste e chata parte realista tomar conta –, está me forçando a escrever isso. Forçando de verdade. Meus olhos estão ardendo, minha mão está meio dormente e formigando. Meu corpo dói. Então, a quem se interessar, é assim que eu estou agora: viva, mas com dor, ardência e dormência também. Física e mentalmente, não importa. Estou com dor.
Um dia vou procurar ajuda. Sério. Médicos e tal. A parte realista de mim está dizendo que nunca haverá cura para mim, mas a parte sonhadora espera escrever sobre como eu aprendi a lidar comigo mesma e como as coisas melhoraram um pouquinho. Espero escrever sobre um novo ponto positivo, assim como fiz com a publicação me assumindo. Espero que a parte sonhadora vença. Espero que nunca morra, mesmo que eu morra. Espero que as pessoas, mesmo que não me amem, mesmo que tenham pena de mim, mesmo que me julguem, me machuquem, sejam machucadas por mim e se afastem… espero que as pessoas se lembrem de mim como alguém que sonhou muito.
Então, se você é uma pessoa real e está lendo isso agora, lembre-se de mim como uma pessoa sonhadora. Lembre-se da minha parte sonhadora até mesmo se você for um robô ou um alienígena ou qualquer coisa diferente. Não se pergunte sobre mim, sobre como eu estou, não se pergunte se eu estou viva, não me pergunte por que eu postei isso tudo, não se pergunte nada, não me pergunte nada, apenas se pergunte sobre os sonhos. Meus ou seus. Não se pergunte. Por enquanto, apenas sonhe.