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he wasn't even looking at me and he found me

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Olhei para cima, perguntando-me silenciosamente quando tudo tinha começado a dar errado para mim. Em geral, minha vida não era ruim. Mas não parecia certa. Era como se as lacunas fossem preenchidas com escritos que não se encaixavam por completo; ora não cabiam no espaço concedido, ora pareciam apenas um ponto material, em vez de um corpo extenso.
Isabela Jagwsi
E hoje menti, para ele, e para mim mesma. Disse não haver mais sentimento, a quem estou querendo enganar? A verdade é que o sentimento só não é recíproco da sua parte. Você nunca gostou de mim, apenas da minha presença quando ela lhe deixava. Precisava ter alguém que estivesse ali, preocupada em manter um sorriso em seus lábios. Alguém que soubesse que algumas horas sem, já faria falta. E eu era esse alguém, a pessoa pela qual você pedia para estar sempre por perto, e eu permanecia, sem me preocupar se para garantir sua felicidade, era por em jogo a minha. Você dizia sentir o mesmo, quando na verdade, sentia-se apenas bem em minha companhia, por ninguém nunca ter lhe tratado como eu lhe tratei. Por ninguém nunca ter encontrado em seu sorriso antes, a felicidade. Por nunca ter conhecido alguém com pensamentos, caráter, gostos e atitudes tão parecidas com as suas. Alguém que se preocupasse tanto e estivesse sempre disposto a lhe ouvir e aconselhar. E eu? Sempre gostei dele, mesmo doendo e sabendo que não dá para gostar por dois. Mesmo sabendo que depois de tudo, não receberia nada em troca. Mas também sei o que quero, e certamente me iludir mais uma vez não está dentre os meus planos. Quero poder me doar, ter alguém por inteiro. Afinal, não da para desenhar um coração, com apenas uma das metades.
Luciana Galhardo
Um dia você abre suas janelas e encontra a primavera. No dia seguinte se depara com o inverno. Um jardim florido encoberto por névoa, justo em seu desabrochar. Você começa a aceitar que a vida é assim, estações do ano, um dia fria e no outro florida. É como um ciclo em que algo morre no inverno e renasce na primavera. Capítulos de emoções que os ventos levam, elas se erguem e caem, mas logo germinam. Tudo é divido entre etapas, montanha russa, tiro cego. Quando uma parte da sua vida está um mar de flores, a outra está caindo aos pedaços.
Versografa & Atritou

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A vida começa com uma chegada. Termina com uma despedida. A chegada faz parte da vida. A despedida faz parte da vida. Como o dia, que começa com a madrugada e termina com o sol que se põe. A madrugada é alegre, luzes e cores que chegam. O sol que se põe é triste, orgasmo final de luzes e cores que se vão. Madrugada e crepúsculo, alegria e tristeza, chegada e despedida: tudo é parte da vida, tudo precisa ser cuidado. A gente prepara, com carinho e alegria, a chegada de quem a gente ama. É preciso preparar também, com carinho e tristeza, a despedida de quem a gente ama. Noite e dia, silêncio e música, repouso e movimento, riso e choro, calor e frio, sol e chuva, abraço e separação, chegada e partida: são os opostos pulsantes que dão vida à vida. Chegada e despedida, vida e morte – não são inimigas; são irmãs…. Uma canção não existiria sem a palavra que a encerra. Sem a Morte, a Vida não existiria. A vida é, precisamente, uma permanente despedida…
Rubem Alves.
Sabe de uma coisa? Não, você não sabe. Vou te contar. Eu ando tão sensível. Precisando assim de uma palavra suave, de um gesto inesperado - e belo. Você consegue me surpreender de um jeito bom? Diz que sim, preciso tanto de você. Que coisa louca essa: a gente precisa de alguém… Ando meio fora dos trilhos, se é que você me entende… Palavra é a coisa mais séria que existe na minha vida. Por favor, não me engane. Por favor, não me enrole. Por favor, não me minta… Não faça com que eu perca essa pureza. Entende? Dar a palavra é assinar um contrato imaginário: minha alma não vai ferir a sua. Por favor, dê valor para as suas palavras.
Clarissa Corrêa
Eu conheci um garoto com sonhos grandes há muitos anos atrás. Nós éramos crianças e ele adorava aviões. Ele tinha uma coleção de miniaturas de aviões que ocupava quase o quarto inteiro. Lembro de ficar impressionada com o quão apaixonado ele era por aqueles aviões, enquanto eu era só uma garotinha ordinária com poucos anos de idade que não era apegada em nada em especial. Hoje ele pilota aviões e é feliz com o que faz. Talvez feliz não seja a palavra certa. Ele provavelmente é maravilhado com o que conquistou. Digo, realizar um sonho é uma sensação a qual eu sempre irei prezar. E nesse momento posso dizer que estou feliz por ele, e mais do que isso, também estou feliz por mim. Ainda não alcancei todos os meus sonhos, mas não sou mais aquela criança descobrindo os sonhos de outras pessoas; agora sou uma garota que descobriu os próprios sonhos e está pronta para fazê-los acontecer.
Isabela Jagwsi
I think it may be our destiny to collide and become strangers. (can you see me standing here? can you recognize my voice? do you even know what i look like? it’s been so long. i’m so tired.) I think I may miss you more than I love you. (is this what love feels like? death and darkness and secrets. you, running away from everything. me, running away from you. is this what love is?) Sometimes I wish I never met you. Sometimes I hope we never meet again. (sometimes all I want is your silhouette disappearing from here.)
we can’t break ourselves and call it love, by Ana Furlanetto.

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Não escrevo para cravar minha pobreza gramatical na capa de um livro, também não escrevo para ser entendido, pois o entendimento é tão alcançável quanto as utopias de que me alimento ao amanhecer. Quando abro as portas para palavra, não penso, não há nada a ser dito pela razão, minhas conclusões mais coerentes não simulam nada; minhas dúvidas não criam nada, eu sou feito dos flocos de sentimentalismo que predominam no inverno da solidão. Eu sou desespero verbalizado. Eu sou uma tristeza imensurável tentando caber num soneto. Eu sou o vazio que tenta se encher de coisas inatingíveis. Se escrevo é para matar o que me mata, suicidar meus próprios sentimentos, no desenrolar de um lirismo incompatível.
Rômulo Jardim
Algumas vezes, muito ocasionalmente, digamos às quatro horas da tarde de um domingo chuvoso, ela se sente em pânico e quase não consegue respirar com a solidão. Uma ou duas vezes se surpreende tirando o telefone do gancho pra verificar se está funcionando. Às vezes pensa como seria bom ser despertada por um telefonema no meio da noite: “pega um táxi agora mesmo”, ou “preciso encontrar você, nós precisamos conversar”. Mas na maior parte do tempo se sente como uma personagem de um romance de Muriel Spark - independente, aficionada por livros, inteligente e secretamente romântica.
Um dia, David Nicholls. (via luisakehl)
Mas aí você me olha de canto e sorri e eu não sei o que fazer. Porque meu pranto é seco e minhas mãos são frias e meu coração às vezes esquece de bater. E eu estico os braços e a mente pra te tocar, mas nunca te alcanço. Eu te olho. Eu te olho por trás da minha curiosidade e do meu medo de te exaltar e sei que isso é tudo o que eu conseguirei de você. A expressão do que você me permite conhecer. Nada mais. Eu desvio os olhos, por trás do meu ciúme e impaciência e escuto sua voz, falando deliberadamente sobre algo que você há muito sabe, e sei que isso é tudo o que eu ouvirei de você: o que você deseja falar. Eu nunca vou chegar nas partes de você que vacilam e crepitam em noites escuras, eu nunca conhecerei o gosto da sua felicidade e da sua paz. Só o que eu tenho é esse retrato caricato de quem você acredita ser, mas muitas vezes não é. Geralmente só de terças, quintas quem sabe, raramente domingos. Mas eu te olho e não consigo esquecer esse sorriso que chora. Essa resposta que questiona. Essa conformação que bate o punho na mesa e grita “não nos há salvação”. Nós estamos todos fadados ao esquecimento e à solidão. E você me olha como se quisesse que eu ficasse, mas soubesse que também eu parto. E eu digo que quem parte é você e você me dá um sorriso triste e não sei se você entendeu que parte também meu coração (mesmo que ele não bata). Somos descompassados. Irregulares. Inconstantes. Incógnitas inigualáveis. Não nos entendemos. Você diz que eu preciso crescer e olhar pra cima e amar o reflexo no espelho, mas só o que eu faço é olhar pra você e ver as olheiras embaixo dos seus olhos, que confessam que você não tem feito nada disso. Que esses mesmos olhos olham pra dentro e se franzem nas palavras “isso não basta”. E você se exaure. E transforma “eu te amos” em f(x) e resolve as equações, mas os resultados pouco dizem. Pouco significam. Conjuntos soluções vazios. Olhos vazios. Eu te encaro e você encara além de mim. Me pergunto se você sabe que eu gostaria de te alcançar e dizer “há mais”. Deixe-me entrar. Deixe-me atenuar sua angústia. Eu hesito, você se dispersa e começa a falar mecanicamente sobre algum assunto. Eu respiro fundo e tento te tirar do meu sistema. Fumo um cigarro. Dois. Tento escrever uma música, um poema, um soneto. Uma frase que seja. Nada. As palavras não me pertencem. Elas estão presas debaixo da sua língua, por entre os anéis que ligam sua boca ao seu pulmão e por trás dos seus olhos que oscilam com vida. Eu tento chorar. Espernear. Correr. Nada. Eu fecho os olhos e conto os segundos, fingindo que eles passam antes de chegar. Mas não passam. Você me chama. Dá uma risada curta, como se não houvesse tanta felicidade assim dentro de você, e diz que logo nos vemos. Eu fixo meus olhos em uma página poluída e vazia. Respiro fundo e confirmo se meu coração agora bate. Não bate. Faltam pedaços que você levou, sem saber, e vai largar esquecidos em uma estante de livros envelhecidos e caóticos. Assim como você.
Marina C. (via hifens)
Por mais que as vontades transcendam o racional, o tolerável e o senso comum, e cada átomo de célula de fio de cabelo respirem pela vinda do ser amado, as ainda ditas vontades permanecem insuficientes. Diria até que querer não é poder, mas estas palavras me machucam, por possuir uma vida toda moldada nas tais, por ter estacado nos quase’s, em elogios e carinhos breves, mas dispôr de gentis afrontas ao peito. E não falo aqui de sopapos físicos, falo de violência intrínseca, praticada não com os punhos, mas com a beirada de olhares tímidos. Ao conversar comigo mesmo, às gritarias das discussões existenciais; dificilmente, o teu nome escapa dos tópicos, e os envolvidos tanto falam que se engasgam, eventualmente esfolando às respectivas gargantas, para enfim se recolherem nos aconchegos de algum outro canto da alma, deixando entre os vãos porém, os ecos do fuzuê sugerido há pouco, privando-me do descanso de algo que os próprios optaram por ser. Vai ver que há muito já sei sobre o que deve ser feito, é só que me assusta, esse mundo onde não acudo às tuas urgências, onde tuas pernas desviam das minhas, onde tua voz não me alcança.
Você eu já superei. Falta superar a solidão.

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Descobri que sou mais forte do que pensava. E que sou capaz de encarar quase tudo. Caminho por aí já com menos medo. Se eu tropeçar, me levanto e sigo em frente. Depois de tantos tombos, perdi o medo de cair. Eu me arrisco. E, se me jogarem na fogueira, renasço das cinzas mais uma vez. Estou ficando craque em tirar forças de lugar nenhum e recomeçar do zero. Vou colecionando cicatrizes e calejando meu corpo. Juntei um milhão de histórias vividas e apesar das dores eu posso dizer que valeram a pena. Mesmo o mais penoso dos casos ao menos me ajudou a ver a força que eu tenho. Vou tropeçando pela vida. Se der errado, é aprendizado. Ao menos, sei que vivo. Triste mesmo é não viver por medo.
Liza Bolarg.
Rota Curva
Eu dirijo meu carro na contramão, procurando você nas ruas da cidade, vejo os olhos que passam lentos, tantos rastros ficando pra trás. Eu não tenho culpa da minha obstinação, é o vazio que me inquieta e me consome, até as multidões solitárias e sem direção. Um dia vou abrir a porta do meu carro, te ver entrando corpo a dentro cansado, teus olhos sorridentes disfarçados, vou me me aposentar da solidão.
Elisa Bartlett