Susanne Hay (1962-2004)

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Susanne Hay (1962-2004)

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eu sempre fui a pessoa suficiente, só nunca pra mim.
agora que sou, nunca mais pra ninguém mais.
Natalie Díaz, from "American Arithmetic", Postcolonial Love Poem

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carrego a culpa da solidão dentro da carne, sinto meus ossos doerem. sinto o peso da vida curvando minha costas como se eu fosse um covarde, como se tudo o que suportei e suporto não me fizesse herói. é patético como ainda insisto em viver em função de sabe lá o quê para agradar sabe lá deus quem.
no fim, as dores são minhas e, por fim, a culpa também.
então ainda é cedo demais para desistir?
ou é tarde demais para recomeçar?
ao mesmo tempo que sinto que não consigo fazer nada além de usar sobras da minha energia existencial nos últimos anos, em algum momento sempre chega uma falsa sensação de que amanhã posso tentar ser produtiva e colocar meus planos em prática. mas esse amanhã nunca acontece. e que malditos planos miseráveis são esses?
the return to life
Lembro-me como se fosse ontem
quando me senti livre pela primeira vez depois de anos encarcerada dentro de mim mesma
eu pedalava sob o céu azul à tarde, o vento soprava em meus cabelos e eu sentia a vida retornar a meus pulmões
as rodas sobre a terra, os pés descalços sobre os pedais, o riso silencioso em meu peito, me julgava morta e de repente já não estava mais, percebi que enquanto o coração bate sobre essa terra, ainda que letárgico, há vida e assim a tal esperança e o retorno a ela é só questão de tempo.
Já faz um tempo, mas lembro disso de vez em quando, da sensação forte de vida após a morte, quero dizer que já morri algumas vezes em minha curta vida, passei a desejar a morte simbólica como diz Clarice, porque entendi quão poderoso é o renascer e o quão essencial é aprender a morrer, pois não nasci sabendo viver e nessa pele quantas vezes morri a mercê de minha própria mente.
Com depressão desde que me entendo por gente, um dia julguei que era isso, não havia muita vida em mim para viver, cansada, fragilizada, dormente, tanto que não ouvia meu próprio coração pulsar, no entanto, ainda me encontro viva, ainda longe do que desejo, mas mais eu do que jamais fui, hoje já ouço claramente minha voz, verdadeira e essencial e por isso mesmo ainda acredito na vida que se estende eternamente através de toda e qualquer morte.
Aqui, novamente, espero meu próximo renascimento apesar de qualquer coisa, ainda espero viver.
“As pessoas são mais bonitas quando lidas. Ultimamente tenho percebido isso. As palavras escritas carregam um poder a mais. É como sentir o verdadeiro valor do sentimento imposto nas frases formuladas. Ninguém fala em forma de metáfora sem parecer louco. As palavras ditas são cruas. Escritas, são um mar aberto a interpretações. Uma história contada só tem um caminho. Uma história lida é espaçosa, ramificada, infinita. Ontem, conversando com alguém eu percebi que nos limitamos quando desabafamos olho a olho, é como se a dor dita em voz alta soasse patética. Por isso existe tantos escritores deprimidos que não conseguem prolongar um diálogo: eles têm medo. É assim que me sinto, percebi. Eu me sinto totalmente eloquente quando preciso falar de mim, é como se as pessoas acreditassem em tudo que falo, mesmo estando estampado nos meus olhos meu desespero e ânsia de choro. Não tenho audácia de falar desesperadamente tanto quanto escrevo. Não diluo minhas falas em dramas e hipérboles. Eu só falo, falo, falo até parecer um idiota e decidir ficar calado. Por isso escrevo. Porque viajo, me eternizo, me reconheço, me conheço, me esqueço e, quando percebo, não sou mais eu. Sou um pouco de todo mundo que se atreve a me ler.”
— Jadson Lemos.
eu tenho escrito cada vez menos e cada vez textos menores porque todo aquele excesso de palavras entregando toda minha vulnerabilidade me deixava assustado. ler em voz alta sobre seus sentimentos os fazem parecer patéticos. o mesmo acontece quando leio o que escrevo: me sinto um idiota. não porque tenho vergonha do que sinto ou escrevo, mas desmontar toda a armadura que criei tentando amenizar o peso que carrego no peito é um tanto quanto burro. não posso entregar ao meu algoz minhas fraquezas.
e é assim que tenho pensado ultimamente.
é assim que tenho me enganado nos últimos meses.
até começar a perceber que o medo que sinto é o que me faz ver culpa onde só tem tentativa de cura. escrever sempre foi minha válvula de escape. me negar isso é o mesmo que negar que eu posso melhorar.
escrever sempre me mudou.
o medo sempre quer que eu seja o mesmo, porque assim ele tem controle sobre mim.

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penetração é superestimado.
há outras formas de conhecer o corpo do outro sem devorá-lo.
explore.
Michael Leonard
“Ah, não é de hoje que me sinto assim. Desde sempre (ênfase no sempre) eu me senti sozinho. Sempre fui o excluído, o estranho, o último a ser escolhido, o primeiro a ser zoado, o único que não tinha amigos, que andava a escola toda (de um lado à outro) no intervalo por não ter ninguém para conversar, e fazia isso para passar o tempo. Hoje, o vazio é só consequência. Por isso digo que eu já deveria estar acostumado, mas insisto em querer ser “igual”, “normal”, por isso me entristeço tanto. Solidão é questão de ser. Não estou sozinho. Eu sou sozinho.”
— Jadson Lemos.
eu tenho escrito cada vez menos e cada vez textos menores porque todo aquele excesso de palavras entregando toda minha vulnerabilidade me deixava assustado. ler em voz alta sobre seus sentimentos os fazem parecer patéticos. o mesmo acontece quando leio o que escrevo: me sinto um idiota. não porque tenho vergonha do que sinto ou escrevo, mas desmontar toda a armadura que criei tentando amenizar o peso que carrego no peito é um tanto quanto burro. não posso entregar ao meu algoz minhas fraquezas.
e é assim que tenho pensado ultimamente.
é assim que tenho me enganado nos últimos meses.
até começar a perceber que o medo que sinto é o que me faz ver culpa onde só tem tentativa de cura. escrever sempre foi minha válvula de escape. me negar isso é o mesmo que negar que eu posso melhorar.
escrever sempre me mudou.
o medo sempre quer que eu seja o mesmo, porque assim ele tem controle sobre mim.

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natal, brasil. 2021.
@jadsonlv in Instagram
Apaixonada por vc!
por que vocês me iludem?