A escrita é uma forma de aliviar o mundo que pesa lentamente dia após dia. Não é porque estamos fadados a viver entre corpo e alma que também estão os sonhos. Que os deixemos voar, nem que sejam pegando carona em palavras soltas e frases ordenadas.
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A escrita é uma forma de aliviar o mundo que pesa lentamente dia após dia. Não é porque estamos fadados a viver entre corpo e alma que também estão os sonhos. Que os deixemos voar, nem que sejam pegando carona em palavras soltas e frases ordenadas.

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Sinto que algo está para nascer. A minha nova fase. A estou gestando com muito afeto, com muita dedicação, muito estudo e muita entrega. Embora desafiadora, me sinto realizada. Tendo a achar que algo vai começar, mas na verdade já começou e tem tempo. É uma continuidade do que foi feito, do que foi construído, do que vem sendo construído. Tenho dificuldade de morar no meu coração e preciso estar atenta a mim mesma, senão me perco de mim. O que não parece lógico, pq onde estou, eu me acompanho. Mas mesmo assim, me perco de mim e quando percebo preciso me procurar novamente. Nunca fui uma tela em branco, sempre me senti rodeada de muito e mesmo assim a solidão me acompanha. Na verdade, ela não pode me acompanhar. A solidão é um estado, e como estado não está ao meu lado. Dentro de mim mora uma dualidade que quase me dá a sensação de estar acompanhada, de mim mesma. Mas no fim, mesmo que sempre tenha estado presente, a solidão assusta. Na solidão mora o sol inteiro.
Assumir o tamanho que se tem parece uma tarefa óbvia mas de fato, o óbvio nem sempre é simples. Me deparo com o desejo de liberdade, de emancipação. E o tanto que é libertador pensar em ser dona da própria vida, é assustados pensar que se é a única respopnsável por se fazer feliz. Assumir responsabilidades, entregar tarefas, ser reconhecida pelo que faço, ter meus talentos no mundo, expostos e atuantes parece que desmorona esse mundo que criei onde tudo pode ser em potencial algo incrível. A possibilidade de me deparar com as fragilidades e a falta de talento para algo me bagunça. Mas de fato, os contornos precisam ser dados. Se na finute de ser, não de pode ser tudo, na infinitude de possibilidades podemos escolher lapidar espectos específicos. E isso também é liberdade. Reconhecer as falhas também é liberdade. Direcionar a energia para crescer não tem como ser sempre no caminho do talento. Estou pronta para me colocar no mundo, pura e simplesmente, eu.
O tempo que não escrevo não significa que não pensei em escrever. Sempre penso, imagino os assuntos, as sentenças, mas a coragem se esvai quando percebo que o texto dá essa materialidade aos pensamentos. Afinal, o que de tão importante há para se escrever? Tenha certeza que quando venho aqui, é o resultado da coragem de encarar de frente meus pensamentos e de fato, nem sempre tenho essa disposição.
Corro o risco de ser repetitiva, mas você ainda embala meus pensamentos. Hoje tenho mais certeza que não é sobre você, ou não é tanto sobre você. É sobre tudo isso que ainda sonho pra mim. A pessoa que queria ser, as coisas que eu queria fazer, as aventuras que tenho vontade de sentir na pele, todas emoções que imagino que existam mas que nunca senti. Coloco tudo isso na sua conta pq sabe, se colocar na minha fica difícil pra mim. Fico imagino tudo que poderíamos fazer mas na realidade é o que eu quero fazer mesmo, independente de você. Mas se você com você seria bom também. Tudo meio embolado sabe? Sinto que o sangue que corria nas minhas veias está enfriando, poucas coisas me fazer vibrar como um dia vibrei embora ame o cotidiano que se tornou a minha vida. Tenho tantas coisas para resolver, tanta coisa para sarar, algumas ainda estou esperar brotar e outras tantas que preciso só aceitar. Tudo ao mesmo tempo, nesse ciclo da vida que roda saindo do lugar. Voltando para o mesmo ponto que não está mais no final da frase, virou vírgula. E você me ajuda tanto. Todo esse mundo de fantasia que vivo só na minha cabeça e na esperança de um dia tudo estar em seu lugar.

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Eu to exausta. Fico ponderando que gosto de estar onde estou mas por outro lado, também penso que talvez se eu me mover daqui as coisas possam até ficar mais leves. Será? Me sinto constantemente exausta. Como se minhas tentativas de trazer leveza dessem um 360 e acabassem aumentando o peso de quaisquer pequenezas. Quando me deparo com o seu silêncio é um pouco insurportável, fico preocupada se no fim, você está sentindo isso também. Essa falta de encaixe, esse destempero que fica na boca, como se os passos da dança tivessem se misturado e cada uma acabou com uma música diferente. Me sinto exausta.
Gosto de escrever sobre várias coisas mas a coisa que mais faz eco é escrever sobre a própria escrita. Não pq seja mais fácil, mas pq me atenta para o que busco quando recorro a escrita. E recorro com significativa frequência. De todos os afazeres que poderia escolher, escolhi me ocupar com a escrita por 6 anos consecutivos. Ainda escolho todos os dias me ocupar com ela. Ainda tenho 6 meses de compromisso firmado, papel passado, assinado e reiterado. Aproveitando o recorrência do 6, lembrei também das primeiras aulas de biblioteca. Onde éramos convidados a escrever poemas para ler para nossos colegas de turma. Estava ali na primeira série talvez, provavelmente com uns 6 anos. A convite para a escrita me soou como uma autorização e a partir desse momento escrevo. Escrevo quando sofro, quando fico feliz, quando algo me escapa e quando algo me encontra. Escrevo quando não sei o que fazer e assim que tomo uma decisão nova. Escrevo quando amo, quando desamo, quando invento amores e quando nem em amor penso. Escrevo quando o peito dói, quando o coração chora, quando o corpo ri e quando a cabeça alivia. Escrevo quando o mundo desaba e quando ele é reconstruído. Escrevo quando nem sei em que mundo estou. Os primeiros poemas que escrevi de certo eram sobre escrever ou sobre o amor, ou sobre o amor de escrever, ou sobre escrever por amor. Aos poucos consegui trocar o lápis pela caneta. A caneta pelo teclado. E o teclado por minhas próprias palavras, que hoje, podem sair em qualquer superfície possível que as caibam. O lápis, durante um tempo, foi uma tentativa de não levar a sério o que escrevia. Posso apagar a qualquer momento mesmo, nunca terá existido. A caneta, por algum outro momento, foi a raiva de marcar o papel de forma irremediável. Rasga-lo sem destruído, modifica-lo sem altera-lo. O teclado agora é o mais perto que tenho para escrever a qualquer momento. No celular, no computador. O teclado é um companheiro firme que com o passar longo do tempo vai ficando levemente marcado pelo bater recorrente dos meus dedos nas mesmas posições. Nem ele sai ileso da escrita. Nem o lápis, que se destrói. Nem a caneta, que se acaba. Talvez essa mudança também diga mais sobre mim do que queria dizer. Superei minha forma física, que se mantem depois da escrita. Minha tinta, que não se acaba. E agora, com o passar lento do tempo, vou ficando levemente marcada por cada palavra digitada, mas firme. O momento mais difícil é normalmente o final. Tendo a postergar despedidas na esperança de faze-las menores. Mas esse adiamento as prolonga.
A escrita antes tão solidária vai buscando caminho pra encontrar seu eco em algum lugar do vazio que nasce. Escrever como segredo tem seus mistérios mas compartilhar o mistério do que se escreve abre novas portas. O compartilhamento traz um que de leveza, mesmo que no momento da escrita o peso das palavras que encaminhe as mãos ao teclado. Quando alguém lê aquilo que foi escrito em completo sigilo, profana um pouco o sacrilégio que é saber assim de alguém. Digo isso pq no fim, a escrita mais tem de mim do que eu gostaria de admitir, embora admita em constante negação. O que quero escrever, a maior parte das vezes não escrevo e vou encontrando o caminho do texto durante seu próprio nascimento. Quando vejo saiu o que não pensei e o que pensei foi pra outro lugar. A escrita, assim, livre, como pratico nas horas vagas, é meu compromisso com o descompromisso. No particípio mesmo, pq participo de mim de uma forma que por outros caminhos não encontro esse bendito encontro. A escrita é assim meu lugar de esquecer quem sou e ao mesmo tempo ser totalmente o que digo que não sou. Pq quando quero escrever sobre algo, acabo lapidando o que não disse que diria, mas digo. Nesse espelho invertido, como você pode imaginar, acabo vendo que ser eu é muito mais simples e complexo do que pinto no dia a dia. E ir pintando com as palavras desmonta as sombras que se escondem ali, em plena luz do sol. Não sou o que digo, muito menos o que escrevo, mas se tem algo que posso dizer que sou é exatamente esse sentimento de não saber qual vai ser a próxima frase do texto que eu tinha certeza que escreveria mas não escrevo. Essa surpresa de me deparar com o texto que escrevi mas que nem sabia que poderia ser escrito. Agora dito isso, aqui do meu divã, recebo meu próprio corte lacaniano. Até semana que vem (ou não).
Queria hoje trazer frases bonitas, inspirações corriqueiras que fazem a vida mais leve. Mas me vejo caminhando na selva usando vendas muito bem amarradas. Tateando o caminho tentando enxergar pra onde ir. Os pequenos sinais de desejo que nascem e ecoam dentro de mim são esmagados pelo som ensurdecedor do mundo, dos outros. Eu não estou cabendo em mim. Estou pequena demais para me acolher, meus braços e pernas se emaranham tentando achar uma fresta para se esticar e sempre que respiro fundo, o espaço que se cria é roubado. Hoje o que tenho é desilusão. E o positividade crônica que mora em mim, respira com ajuda de aparelhos.
Podemos quase todo tempo esquecermos de quem somos. Por todo tempo, lembrarmos de quem somos. Mas será que podemos, por todo tempo, sermos exatamente quem somos?

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O que pode ser asas aos nossos sonhos também desperta o medo de cair.
Se em todas as possibilidades a solução não está dada, o que falta para construir uma solução que caiba nos desejos sem sufoca-los?
Tenho visto que podemos adiar o quanto conseguirmos uma resolução para nossos incomodos, mas por mais que possamos fazer isso durante anos, a parte mais dura é conviver com eles sabendo que estão sendo negados. Ora estarão mais adormecidos mas basta uma fresta de luz em uma pequena palavra para que despertem e lá vamos nós de novo, a cantar e a nina-los para que voltem a dormir para que sigamos por mais algumas milhas sem o incomodo de não adequação. Fragmentar-se custa, mas a exigência da intereza também é totalmente arbitrária aos nossos sentidos.
Onde mora a profundidade quando o cotidiano passa de hora e hora? Onde o pensar sobre o pensar nasce e em que momento escolhemos ele?
Não sei quem me lê, não faço ideia de quem é você. Confesso ainda, que quando estou aqui também não sei quem sou. Só posso oferecer a busca. Essa eterna busca de tentar se encontrar em um mapa que muda a cada respiro. Mas queria que você soubesse, que seja lá o que você busca, não está sozinho. Talvez a gente nunca ache, mas desistir de buscar não é uma opção. Deixa a vida mais pobre, sem cor, sem o brilho da dúvida que faz cada momento ser a esperança da resposta. Que pode nunca vir. Que pode responder agora e amanhã ser dúvida. Queria que você soubesse que enquanto estivermos buscando estamos mais vivos do que nunca. Que esse estado de presença seja nosso maior aliado entre as duras realidades. Queria que você soubesse que no meio de tanta confusão que trago aqui, sempre saio mais feliz quando sei que você existe. Você que eu não conheço mas que assim como eu, tenta entender o que é incompreensível. Obrigada.
Na esperança de ter me alimento na verdade da esperança de continuar não tendo. A vontade de possuir encontra caminho fecundo na continua negação do alívio. Se olhando de longe o desejo nasce, tocando de perto ele cresce? Tocando de longe e olhando de perto, ele morre? Qual é a corda bamba que precisamos superar pra que entre o sim e o não ele se sustente? Se eu cair, ele vai me segurar? Ou eu, segurando ele, nunca aprendo o que é respirar com os pés no chão? Ou eu equilibrando ele, não aprendo o que desejar com as mãos livres? O desejo nasce na gente e morre no outro. Ao mesmo tempo que nascemos desejando e renascemos a cada desejo que nasce, morremos um pouco toda vez que ele morre. No fim, sem desejo não sabemos o que é vida mas com ele a vida não sabe quem somos nós.

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O que proporciona o encontro? Há sempre um cuidado de, distraído, não encontrar o que se buscava fugir. Ao mesmo tempo que há sempre a esperança que na distração, se encontre o que fugindo, queríamos em segredo encontrar. Como sabemos que derrepente, naquela distração, aquele encontro toca a alma e nos oferece uma resposta pra pergunta que não tivemos ousadia de fazer? Na verdade, sempre sabemos, né? Como então, mesmo sabendo, ousamos duvidar que o que sentimos é de fato a reverberação daquele encontro? O que trouxe você aqui? Nem importa mais, pq oq te trouxe já deixou de ser importante, uma vez que você continua aqui. Oq te faz ficar aqui? Mesmo que oq te ofereça seja essa mistura de confusão e esperança, um risco de frustração combinada com riso frouxo. Oq no encontro você viu de você que reverberou em mim? Essa dor trincada? Essa flor que nasce da fresta do chão ríspido? Essa flor que mesmo sem água insiste em crescer. Que mesmo sem ser olhada teima em ser tão bela. Oq neste encontro faz sentido se tudo que temos pra trocar são dúvidas? Oq dessa profundidade alivia o peixe que tenta respirar no raso do mar?
Queria dizer que preciso tanto falar que nem palavras tenho. E quando digo isso, a reverberação dessas letras ecoam num vazio eterno de um alfabeto, trazendo o som inifito do que nunca foi dito. E não será. Essas frases vão existir eternamente nos lapsos de consciência, no destrair da mente, nos atos falhos que nunca são falhos, na negação em dose justa que justifica sua existência. O que preciso dizer mora onde tentamos desviar o olhar, onde os sonhos embaralham a realidade, onde trocamos as palavras sem querer dizendo uma coisa totalmente diferente. Onde o sol nunca para de brilhar embora viva em constante escuridão. Mora na esperança e vive na contradição. O que preciso dizer você já sabe. Sempre soube. Não pode ser falado. Não precisa ser dito e sim, sentido.