𓍢 ・ 🥀 ﹛ 𝐎 𝐋𝐀𝐌𝐄𝐍𝐓𝐎 𝐃𝐎𝐒 𝐈𝐍𝐎𝐂𝐄𝐍𝐓𝐄𝐒 ﹜ Você não sabe quem eu acabei de encontrar na Praça das sete famílias. Isso mesmo, ZAAHEN HAMOUD! Ele é um VAMPIRO que atua como SERVIÇOS GERAIS DO HOTEL aqui em Ninivae, sabia? Ouvi dizer que possui 211 ANOS, embora aparente ter 29 ANOS. Os ventos sopraram que esse rostinho angelical é SOLÍCITO, mas são os rumores sobre ser MELANCÓLICO que ameaçam a nossa paz. Será que teremos problema em lhe estender a mão?
𝗨𝗠 𝗕𝗥𝗘𝗩𝗘 𝗥𝗘𝗦𝗨𝗠𝗢 : Zaahen nasceu na Bélgica quando ainda não era um país independente, de liberdade cerceada por franceses. Posteriormente, fora censurado com violência por fins de politicagem e cegado, além de ter sido bolsa de sangue para sanguessugas invasores. Após ser deixado para morrer, vagou sem destino, acolhido por humanos caçadores que lhe ensinaram e se utilizaram de sua bondade para que também fizesse o bem ao invés de ceder com desejos sombrios que o vampirismo consumia. Anos na sequência ele perde todos os aliados para a velhice ou doença, tendo sido protetor destes por mais de décadas, até vincular-se à Ninivae, por fim. Em um hotel na cidade atua como serviços gerais e se beneficia com a possibilidade de saber tudo sobre todos que se instalam ali, seja indo sorrateiramente no quarto destes ou por ouvir pelas paredes segredos. De suas intenções, ninguém realmente sabe, mas o ódio canalizado somente aos de sua espécie, os vampiros, é tão palpável quanto a escuridão que lhe rodeia -- esta, por sua vez, que virou uma grande aliada.
Ele é cego, mas sua habilidade sobrenatural lhe permite uma visão através do sangue que corre nas veias de cada ser vivo, seja pessoa ou animal. Vampiros, infelizmente, são a incógnita em sua vida; entretanto, é possível vislumbrar a silhueta de quem bebeu sangue fresco. Ele consegue delinear cada detalhe do rosto, mãos ou qualquer outra parte do corpo que seja, tal qual Matt Murdock consegue enxergar na chuva.
𓍢 ・ 🥀 ﹛ 𝐇𝐄𝐀𝐃𝐂𝐀𝐍𝐎𝐍𝐒 ﹜
Era inverno e estava em meio uma guerra política entre protestantes e católicos, quando Zaahen abriu os olhos, novamente, após morrer. Para alguns, um milagre; aos outros: uma maldição. Para ele, no entanto, era o suficiente; só de estar vivo já era uma dádiva. Contudo, nada foi pior do que relembrar toda a dor ante morte. Era como se um flashback contínuo passasse por sua mente e o assolasse por inteiro, sem contar na visão defeituosa e os sentidos todos aguçados. Para chegar até esse ponto, passou por uma infância até que boa, ainda que estivesse com dias contados para uma guerra iminente, que acabaria com parte de sua descendência e dignidade.
Há quinze anos nascia o jovem filho de um militar belga. Mesmo que fosse de berço de ouro, ele ocupou-se com a guarda e em aprender o que precisava com seu pai. Aos dez anos, com o apoio de seu avô, tornou-se um soldado, mas não atuou em nenhuma luta por ter de conservar-se e ser muito pequeno. Invés disso saía para caçar com alguns homens da família e foi assim que aprendeu a manejar arcos e lanças, sendo um bom atirador mesmo com a pouca idade. Aquilo seria de total utilidade para ele, futuramente; porém, mais à frente morava o perigo. Após a Batalha de Leipzig, o exército francês recuou para as terras holandesas a fim de se recuperarem no anexo já previamente controlado por Guilherme I. Mesmo com a reprimenda de um monarca cuja religião não condizia com os demais, uma parte dos habitantes dos Países Baixos não o compreendia como seu rei, muito menos o apoiavam. Isso foi resultando em mais e mais insatisfação, até que em 1831, quando Zaahen já tinha por volta de seus quinze anos, uma revolta foi iniciada e em momento nenhum ele pensou envolver-se nela, muito menos previu o que se geraria dali.
TW: TORTURA & VIOLÊNCIA.
Não foi algo que o pai de Zaahen permitiu, afinal, até o momento em que a revolta se deu, ele não estava mais vivo. Por infortúnio, fora morto por sua desobediência e língua muito afiada. Uma palavra torta direcionada à Guilherme queria dizer insolência, e por isso foi condenado junto de mais alguns que compactuavam. Então, quando a guerra pela independência da Bélgica estourou, algumas crianças foram isoladas, inclusive Zaahen. Mal sabiam sobre o que esperar do dia de amanhã, e no entanto: lá estavam eles, sendo torturados. Por quê? O filho do militar não sabia responder; estava mais confuso do que tudo, ainda mais naquele momento. Eram questionados um por um e se demorassem ou se recusassem a dizer quem eram os envolvidos e onde estavam, eram espancados. Ninguém sabia o que estava se passando, muito menos o que acontecia com as outras crianças, apenas estavam cada um seletivamente divididos em salas à prova de som. Mal conseguia entender mais pelo quê se tratava tudo aquilo e também não soube contar quanto tempo ficou dentro daquela masmorra, mas toda vez que desmaiava, agradecia por não sentir nada.
Estava pálido, cansado, dolorido, com fome e sede; diversas vezes foi posto à prova de afogamento, diversas vezes lhe marcaram na pele com ferro quente ou lhe presenteavam com marcas que, futuramente, deixariam cicatrizes. E ele ainda estava aguentando, talvez por isso tivesse se tornado o brinquedo dos torturadores. Perguntava-se onde estava a família para protegê-lo e por que eles não haviam chegado ainda. Mas o mais bizarro de tudo era que se enfraquecia pelo sangue que lhe era tirado. Só viu uma vez, quando estava acordando novamente, já muito exausto, três deles lambuzados com sangue, só não sabia dizer se era dos corpos dos amigos – se pelo menos ainda restava algo deles – ou se era o seu próprio. Aquilo o deixou mais apavorado do que tudo, mas foi justamente a sua palpitação frenética que atiçou os outros. Zaahen não se lembra do que aconteceu antes, durante e depois, só lembra de ter sido cegado enquanto se aproveitavam de seu sangue; e então o frio. Tinha sido jogado do outro lado para servir de comida aos corvos, mas o erro deles foi o de marcá-lo vinte quatro horas antes de ele retornar, sufocado pela sede. Agora ele era uma aberração. Para longe do local ele foi, sem saber exatamente o que estava fazendo ou para onde estava indo, mas o desespero e a ansiedade o atacaram mais do que os torturadores, causando confusão mental. Era uma ânsia crescente dentro de si que o enlouquecia, e pouco depois de fugir daquele espaço que um dia fora sua casa, sem saber como findou a guerra política, o jovem encontrava-se extasiado pelo que tinha se tornado, principalmente pelo descontrole ao ter investido para cima do que parecia uma outra pessoa. Isso momentaneamente findou uma parte de seu desespero, mas não tanto quanto imaginava que seria.
FIM DO TW.
Não obstante, tinha a visão enegrecida. As únicas coisas que ele conseguia enxergar eram batimentos cardíacos em cada animal que encontrava pela floresta, e todo barulho o ensurdecia por ser tão alto e límpido. Alimentou-se de sangue de cervo por dias... Semanas, se duvidar. Também tinha a questão de não saber distinguir o dia da noite, tampouco quando podia sair dos buracos para evitar de queimar-se. Pouco a pouco foi tomando consciência e tinha para si que precisava encontrar o caminho de volta de novo; mas estava perdido. Para alguém que não teve oportunidade de atravessar as fronteiras da capital, estar naquele espaço desconhecido era assustador, ainda mais por ser um adolescente que nunca saiu de seu ambiente natural. Ainda era ingênuo o bastante para pensar que teria alguém com quem jogar-se aos prantos caso voltasse para a cidade, mas havia aquela coisa dentro de si que o impedia de reagir sobre isso. Essa mesma coisa fez Zaahen desistir e seguir seus instintos atuais; havia muita coisa a qual ele era alheio, mas decerto sabia que voltar dos mortos não era algo tão simples assim para que ele o fizesse novamente.
Durante um período de quase dez anos, contados a partir do momento em que recebeu a devida ajuda em uma cidade distante de onde nascera, aprendeu a andar sob o auxílio de estacas longas de madeira que ele precisava colocar à frente do corpo para saber onde estava pisando e o que tinha no caminho. Era interessante escutar daqueles humanos, aparentemente inocentes, tudo o que sabiam. Enquanto passava o tempo com eles, perceberam o total controle de Zaahen sobre sua sede e talvez por isso que o mantiveram vivo por tanto tempo, ensinando-o. Não importava o quanto doía a barriga ou o quanto a garganta arranhava toda vez que sentia o cheiro de sangue humano, o jovem era tão fixo na ideia de que se cedesse aos próprios desejos faria algum mal, que tal fator ajudou ainda mais em seu auto controle. Era questão de tempo até que virasse, de fato, uma máquina. Essa mesma família de humanos que o ajudou, foi quem clareou suas ideias. Eles caçavam aquele tipo de gente – “gente” como ele –, por isso sabiam tanto. Era bom porque Zaahen só precisava de uma boa dose de ensinamentos para que pudesse realizar sua vingança; era tudo que tinha em mente desde que saiu de Bruxelas.
Com o passar dos anos, a visão também foi se adaptando e ele agora enxergava com os outros sentidos apurados, além de sua própria imagem ocular vampírica auxiliar o processo de compreensão. Ele era capaz de vislumbrar tudo aquilo que tinha sangue correndo pelas veias, pulsando a cada batimento e lhe permitindo entender a silhueta de cada um. Os rostos só faziam-se visíveis através dos vasos sanguíneos que irrigavam, mas nem sempre tinha uma compreensão cem por cento verídica da realidade. Não distinguia cores, tampouco entendia o ambiente ao redor. Apenas seres vivos eram visíveis. Passou por muitos bocados até chegar naquele nível e já não se sentia tão insatisfeito quanto antes; na verdade, serviria para uma causa maior do que apenas matar gente inocente por não conseguir se controlar. Justamente a partir daí, quando teve experiência o suficiente para atuar na caça daquelas aberrações da natureza, que esqueceu-se de por quem lutava. Zaahen havia esquecido até mesmo de onde viera, mas em um curto espaço de tempo teve a oportunidade de lembrar-se, quando, pela primeira vez em anos, voltou para Bruxelas. O lugar agora era pacífico, não haviam mais tantos problemas quanto da primeira vez em que estivera ali e tampouco da última vez, por isso sentiu o coração de gelo, já há muito endurecido, aquecido mais uma vez – ainda que por breves momentos –. No entanto, não via sinal de seus familiares, além de que a guarda militar havia sido toda alterada. Viu, no entanto, a independência de seu lugar de nascimento, o que lhe permitiu ficar um pouco mais contentado com a situação que ocorrera. O luto permanecia, mas soube que alguns acontecimentos foram omitidos da sociedade e do mundo. E foi na passagem que viu um cemitério; neste, sua própria lápide. Ali, como em alguns outros túmulos, jaziam flores que ainda estavam novas, o que significava que alguém ainda estimava-o, mesmo depois de sua “morte”. Mas não podia ficar mais tempo por ali para descobrir quem; Bruxelas era um banquete para Zaahen e ele precisava viajar com sua nova família para cumprir as tarefas.
Já não lembrava mais como era outra vida de mordomias, pois tinha se acostumado tanto com a rotina de ir e vir como nômade, estacar a vida de outras criaturas por conta própria como se ele mesmo não fosse uma aberração, que chegava a ser difícil imaginar algo além; algo tranquilo e pacífico. Os anos iam passando rápido demais para que ele se desse conta, mas guardava tudo na cabeça. Durante esse tempo, enterrou amigos e cuidou dos filhos deles; iam e viam, por isso aprendeu que conviver com a dor da perda era melhor do que expô-la. Não tinha motivos mesmo, já como ele era imortal; fadado a ver todos que um dia prezou, morrerem. Nem parecia que Zaahen tinha essa tendência sanguinária dentro de si, já que havia controlado há décadas, mas isso não queria dizer que ele também não dava um jeito de suprir seus desejos quando sentisse necessário. Era uma arma letal no grupo de caçadores, mas ainda sabia se colocar em seu próprio lugar. Embora fosse cego da vista, tinha todos seus outros sentidos muito bem apurados, por isso muito era subestimado. Ao decorrer das centenas de anos, encontrou-se em um novo mundo, muito mais à frente do que o que estava acostumado. Contudo, o esforço dele para algo que queria era notável, tanto é que quando a era tecnológica tomou seu auge, Zaahen passou a aderir também.
Chegou na então Escócia, depois de tantos anos vagando, e estava acostumado a conviver com diferenças sendo seu único propósito ali eliminar qualquer um que afligisse a raça humana. Por mais que não concorde cem por cento com as opiniões dos covens de bruxas e ainda esteja entendendo sua própria maldição de sangue, Zaahen sabe se colocar em seu canto e assim o fez por mais uma centena de anos. Durante esse tempo também decidiu que precisava de algum ponto fixo para si, já como não pretendia sair dali por um tempo – pela primeira vez em anos estava contente com o que tinha –, portanto, encontrou abrigo com dois irmãos, cujos quais posteriormente passou a prestar serviço de limpeza no estabelecimento, também mantendo a organização do local de acordo com o espaço. Levava as malas das pessoas para seus respectivos quartos e lá, curiosamente, achava entretenimento para si. Um tipo de diversão que, é claro, era oculta de seus senhorios e dos demais. Em seu tempo hábil e livre, Zaahen nutre cada vez mais o ódio por sanguessugas, mesmo ele sendo um deles. Seu trauma de vida lhe persegue e crê que pode proteger os humanos sem necessariamente machucá-los.
𓍢 ・ 🥀 ﹛ 𝐕𝐈𝐒𝐀̃𝐎 𝐒𝐀𝐍𝐆𝐔Ɩ́𝐍𝐄𝐀 ﹜
Através de longos anos de aprendizado, sua cegueira aperfeiçoou-se e acabou adaptando-se às habilidades vampíricas. Seu desejo por sangue crescia à medida que sua capacidade de enxergar através dos sentidos alheios. É possível que faça um delineado não tão preciso, mas ainda assim intuitivo, de seres vivos que tenham sangue correndo nas veias. É incapaz, no entanto, de enxergar os próprios vampiros, uma vez que o sangue em suas veias não existe. Porém, quando estes bebem, é possível ter uma pequena noção, embora seja temporário, obviamente.
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DIA SEIS — Preparação e Celebração, starter fechado do prompt 04 com @dexdequandovcsefoi
Os preparativos para o dia seis do evento foram intensos tendo em vista que o hotel receberia bem mais gente que o normal e teria um fluxo muito maior que qualquer outro dia. Era claro que em dias comemorativos as coisas ficavam bem mais cheias mesmo, era normal, mas para Zaahen isso se intensificava devido suas condições e necessidade de dividir tarefas junto com os demais empregados. O barulho das conversas e passos, os cheiros e os desconhecidos e conhecidos andando por Noxford o deixavam confuso, mas não morto - mais do que já estava. Por isso, ainda era capaz de cativar a atenção de terceiros para captar informações, bem como também desvendar a malcriação de quem achava divertido atrapalhar um cego. Foi assim que o moreno encontrou o carrinho de bagagem da recepção em um dos corredores, derrubado. Aquilo não tirou a paz de Zaahen, mas, certamente, não o deixou mais feliz. Fez um esforço para sentir as hastes a fim de levantar o item, só que o cheiro forte de um certo sangue preencheu o ar de modo que o fez virar o rosto para denotar de quem se tratava. Era só o que faltava mesmo... um cara da lei pra encher seu saco. "Olha, senhor, nem precisa me ajudar a levantar isso aqui se quiser que eu dê em troca respostas sobre, sei lá... o último morador do Noxford do quarto 303 que foi um serial killer." Respirou profundamente antes de voltar a fazer força para erguer o carrinho. Apesar do corredor ser pequeno, ainda cabiam todos ali. "Não é verdade, by the way. Apenas dei um exemplo mentiroso pra você entender o quão disposto estou a não colaborar com o que quer que seja."
(FLASHBACK) Não conseguiu suprimir o riso incrédulo que deixou sua garganta, incapaz de acreditar que havia pronunciado aquelas palavras realmente — não por estarem longe da realidade, mas porque as achara audaciosas. Sentia uma irritação crescente no âmago de seu ser, embora não fosse fácil discernir de onde nascia: da humilhação que o reencontro trazia, da imprevisibilidade de seu comportamento ou simplesmente da culpa que se alastrava por seu peito à contragosto, quanto mais notava o quão auto piedoso era seu tom em alguns momentos. Talvez não viesse de nenhuma dessas possibilidades e sim do fato de que o homem era imune aos seus poderes, o que já a tornava mais exasperada apenas por pensar sobre. "Me faria um favor." Pontuou com uma sobrancelha arqueada, soando como uma criança que havia sido enganada pelos pais no caminho de volta para casa, por mais que suas feições treinadas na impassividade dificultassem a associação. Poderia ter controlado sua língua afiada minutos antes e poupado ambos daquela interação, sabia disso. Se não fosse sua irritabilidade, até mesmo admitiria para sua consciência que sua companhia fora agradável nos instantes que antecederam aquele maldito diálogo; agora, entretanto, se viu afundando ainda mais os dedos na pele pálida, descontando o que não conseguia organizar em palavras. Estreitou os olhos diante de sua provocação, testando até onde poderia pressionar sua unha afiada antes que provocasse um corte, apenas para preencher sua mente de alguma forma e ganhar alguns minutos para decidir o que fazer — ou melhor, como responder. "Eu não preciso da sua permissão." Murmurou em um tom mais baixo, intensificando o aperto uma última vez antes de soltar abruptamente, quase sibilando tamanha ira que consolidava em seu tórax. Com o indicador, limpou uma pequena gota de sangue que acumulou na ponta do corte fino, levando até os lábios ao mesmo tempo em que girava em seus calcanhares na direção da porta. "Você tem um rosto bonito... Vou te deixar ficar com ele dessa vez." Ergueu o olhar por cima do ombro uma última vez antes de se retirar do cômodo, um leve curvar assombrando o canto de seus lábios.
Apesar de fazer sentido o que o outro falava, para Zaahen era muito mais profundo do que algo tão trivial quanto deitar-se com alguém sem sentir ou querer nada. Isso não havia acontecido nem com quem ele mais pareceu odiar por décadas, que dirá com algum desconhecido do qual não tinha lá tanta intimidade. Apegaria-se da mesma forma, igualmente. "Emocional frágil." Lhe completou a ideia do que estava explicando. "É isso que significa o teor do termo que está procurando." Não sabia exatamente se era isso, mas, de acordo com o que estava propondo e o assunto pautado, era isso que queria dizer. Zaahen deveria não ter emoções, mas, inconvenientemente, ele havia adquirido o pior dos prazeres: ter um emocional de um ser humano. Com o comentário dele, o moreno denotou o erro no que falava - ou o duplo sentido que Mavrick conseguia tirar de quase tudo o que dizia. Bom, o assunto por si só já não era inocente... "Pra você ver, né." Entrou na brincadeira ao concordar com ele. A reação que esperava que ele tomasse não passava nem perto daquela que o mesmo teve. Apesar de, ingenuamente, ter assentindo com a cabeça levemente, Zaahen só esperava um sim ou um não. O que veio de outrem o deixou paralisado por um momento. Foi um mínimo susto que o deslocou da cadeira, mas o toque, apesar de gostoso, não fez com que o semblante do vampiro se alterasse. É claro, estava agora envergonhado pela atitude, mas, de certa forma, ele havia pedido por aquilo sem sequer ponderar nas consequências. O moreno pressionou os lábios um contra o outro e soltou o ar através de uma risada baixa que rasgou a própria garganta. Depois de um momento sentindo o toque, ele não pode deixar de achar aquilo cômico - a timidez sumindo de seu corpo no instante em que lhe custou a entender que Mavrick o estava excitando. E, bom... conseguiu. Zaahen se inclinou para a frente com o braço apoiado no balcão e balançou a cabeça em negativo na direção do chefe. "Você acha mesmo prudente tratar seus funcionários dessa forma?" Zaahen também colocou a mão na coxa de outrem, apertando-a subitamente, mas não a ponto de machucá-lo, óbvio. Era um carinho recíproco do qual estava rebatendo por puro caso. "Your head is a mess, Mavrick." Sabia que para este as coisas não eram nada sérias, mas Zaahen ainda mantinha sua índole, mesmo agindo daquela forma. Não era importante assim para que ele sentisse que daria algum problema. Mavrick não permitiria que virasse um problema, e para todos os efeitos: no dia depois sequer agiriam como se aquilo tivesse sido algo.
𝒇𝐥𝐚𝐬𝐡𝐛𝐚𝐜𝐤 depois de tanto tempo existindo, zaahen ainda se permitia aquele tipo de coisa. ainda precisava de certa conexão ou uma relação que tivesse significado. era fofo se mavrick parasse para pensar, mesmo que não compartilhasse de tal opinião. a ideia de precisar de qualquer tipo de envolvimento emocional para desejar alguém não fazia sentido na lógica dele. inclinou levemente a cabeça quando a palavra finalmente veio à mente, o indicador erguendo como se tivesse acabado de resolver algo minimamente relevante. ‘ demissexual! é esse o termo. mas emocional frágil também é válido, se você preferir. ’ deu de ombros logo em seguida, descartando o assunto como se não tivesse importância, porque para ele realmente não tinha. não estava interessado em rotular zaahen, nem em entender profundamente aquilo. como disse anteriormente, não estava o fodendo. só que a atenção dele desviou rápido para qualquer conceito quando percebeu a reação de zaahen ao seu toque. sentiu na mudança sutil da respiração e na tensão que atravessou o corpo do outro. e aquilo, mais do que qualquer resposta verbal, prendeu completamente o interesse dele. havia algo profundamente satisfatório em perceber que não precisou fazer nada além do mínimo para provocar uma reação. o canto da boca dele se ergueu de leve, não exatamente em um sorriso completo, mas naquela expressão enviesada que denunciava o quanto ele estava gostando de provocar aquilo. deixou o toque se mover com mais intenção, lentamente, mas o suficiente para testar a continuidade da reação, como quem empurra um pouco mais só para ver até onde vai. ‘ depende… você acha prudente ficar de pau duro pro seu chefe? ’ não era em tom de julgamento porque mavrick estava se divertindo com aquela interação. para o lynch, aquilo não significava nada além do momento. era só uma reação do corpo, algo passageiro. mas o toque de zaahen de volta… aquilo não era automático. aquilo era certamente uma escolha. o aperto na coxa não foi forte, mas foi firme o suficiente para ser sentido, para ser reconhecido como resposta. e isso fez o sorriso dele se aprofundar um pouco, mais satisfeito agora, menos contido. ‘ e você parece gostar. ’ a mão que ainda estava na virilha de zaahen começou a recuar sem pressa, subindo pelo caminho inverso até encontrar a mão dele na própria coxa. deu dois tapinhas no dorso alheio antes de se levantar. ‘ te vejo amanhã no hotel, zaahen. tenha uma ótima noite... e pense no que eu falei. ’ piscou por reflexo, mesmo sabendo que não seria visto, e virou sem olhar para trás. ⸻ 𝗲𝗻𝗰𝗲𝗿𝗿𝗮𝗱𝗼.
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Algo que tinha aprendido sobre Ninivae era que a notícia mais estranha era sempre a próxima. Ainda não tinha conseguido assimilar totalmente o fim do baile, já que não estava totalmente sóbria durante o acontecimento. Sabia muito pouco sobre Dougal Murray e as outras famílias fundadoras, então trabalhar na noite seguinte não seria tão ruim, pois planejava colher muitas fofocas. Ao notar a presença de Zaahen logo abriu um sorriso simpático. Conhecia o mais velho da época que morou no Hotel Noxford, mas nunca teve a oportunidade de se aproximar como gostaria. — Agorinha. Na verdade, estou atrasada uns cinco minutos. — Deixou uma breve risada escapar. — Não posso reclamar. Uma garota precisa garantir as suas gorjetas. — Deu de ombros, mantendo o tom bem humorado mesmo com o assunto delicado. — Não quer entrar para a gente conversar? Te dou desconto na primeira bebida.
Puxou o ar entredentes como que em uma reprimenda sobre si mesmo, por tê-la atrapalhado. Entretanto, o comentário na sequência lhe fez sorrir deliberadamente. "Claro que sim, não quero te dar problemas por atraso." Rapidamente movimentou a mão para que ela tomasse à frente, com ele mesmo seguindo-a logo depois. "Qualquer coisa, se seu chefe questionar, você diz que foi por minha causa. Assim, pelo menos, a culpa não recai pra si." Quis tentar amenizar, embora o motivo pelo qual estivesse ali era outro. Abigail era parte dos Valsombra, ao contrário de Zaahen que não possuía nenhuma ligação com qualquer vampiro - exceto os irmãos Lynch. E ainda assim: um nômade. Assim seria até que as coisas mudassem para melhor, de fato, o que seria ingenuidade da sua parte esperar que tal momento acontecesse. Entretanto, precisava ter um conforto fixo ainda que fosse a contragosto. Se as coisas piorassem pro seu lado, ele tinha de ter um clã; tinha de ter certeza de que poderia se sair para pelo menos se reerguer novamente. Ao adentrar o estabelecimento, Zaahen esperou que a outra lhe guiasse, tendo em vista que ainda que fosse cego e seus sentidos aguçados, não era tão perfeito assim, principalmente com barulho da música no recinto. Era incômodo, para dizer o mínimo. "Acho que vou querer algo um pouco leve, só pra conseguir ficar mais tranquilo."
"Isso é você quem está dizendo, não eu. Se por acaso alguns corpos aparecerem por aí com uma mordida bem aqui…" Halide ergueu a mão e tocou a jugular de Zaahen com a ponta dos dedos, antes de completar a frase. "Não pode me culpar." Afastou a mão logo depois, rindo baixo quando ele respondeu daquele jeito. Ele a conhecia bem demais. E Halide adorava usar isso contra ele sempre que podia. Sabia que o vampiro reconheceria a impaciência dela de qualquer forma, então não via motivo para fingir o contrário. Percebeu o deboche no tom dele, mas apenas deu de ombros, confortável demais para se ofender. "Não posso fazer nada. Being clever and cute is one of my many qualities. Lide com isso. É impossível parar." A expressão só mudou um pouco quando voltou ao assunto. Ainda estava relaxada por estar na companhia de Zaahen, mas lembrar-se do infeliz a fazia sentir a raiva subindo novamente. "Tentaram fugir com meu pagamento." Rolou os olhos com a lembrança. Por mais que Halide não se importasse em precisar se vingar de alguém, ela preferia quando não tinha essa necessidade. Era um tempo que ela poderia estar perdendo fazendo algo mais prazeroso. "Eu entrego minha parte sem nenhum erro. Espero a semana certa, invado a casa do alvo, abro o cofre sem deixar digitais, recupero exatamente o artefato que ele queria de volta e ainda deixo tudo parecendo que ninguém esteve lá..." Levantou o olhar para Zaahen por um segundo. "E o idiota achou que podia simplesmente desaparecer antes de me pagar." Halide esticou um sorriso sem humor, descruzando as pernas para se inclinar um pouco mais para perto do amigo e continuar sua história. A parte mais emocionante estava chegando. "Então eu fui lembrar ele de como contratos funcionam. Foi uma conversa curta. Você sabe que eu odeio enrolação. Ele entendeu rápido quando percebeu que fugir não era uma opção. Como eu disse, não matei, mas deixei bem claro que tentar me enganar não é um erro que costumam repetir." Agora o bom humor voltava aos poucos, lembrando da expressão desesperada do homem quando percebeu em que tipo de situação tinha se metido. "Vai levar uns dias para se recuperar da lição." O sorriso voltou ao canto da boca, dessa vez genuinamente divertido. "Não acha que fiz certo, aşkım?"
Fez uma careta quando a mesma expôs sua ameaça, não contra ele, de forma natural. Até rolou os olhos na órbita, já que as provocações de outrem o divertiam ainda assim. Ninguém, de fato, saberia, e apenas ele tinha conhecimento disso. Da índole de Halide. Ou pelo menos sabia um terço do que ela permitia-se mostrar. "The cute part... Well..." Torceu o lábio novamente em uma careta, dessa vez balançando a cabeça para os lados a fim de mostrá-la a intenção dúbia com que dizia aquilo. Certamente, como sempre, para provocá-la em retribuição. A amizade entre eles era recheada de várias mínimas ou grandes provocações, não era nada demais àquela altura, mas era divertido compartilhar daquela premissa com alguém tão bem humorado quanto ele. Ao que a outra lhe explicou sobre o que a incomodou tanto, Zaahen ouviu atentamente como o bom fofoqueiro que era. Halide tinha tantas histórias interessantes para contar quanto ele do que ouvia no hotel, e não havia outra pessoa com quem compartilhar daquilo - mais uma vez provando que a ausência dela era sentida em vários momentos de seus dias. Mas, é claro, ele nunca iria admitir aquilo em voz alta. "Um idiota, certamente, tinha que ser." Não precisava inflar o ego dela, mas aquilo era algo que o fazia rir por pensar no quão bobos humanos podiam ser. Ele bem sabia disso, tinha convivido com alguns, porém, outros nem tão burros assim. Não o suficiente para acharem que podem ter mais poder que uma criatura da noite. "Bom, você o deixou vivo. Isso, no meu conceito, é certo, você sabe." Zaahen jamais faria mal a um humano, jamais. Pelo menos não se sua vida estivesse em risco ou se ele fosse deveras imundo. Então, sim, valia a pena matar nesses casos. Ele não tinha muito amor a própria vida, embora pensasse em seus semelhantes e em protegê-los, o que lhe dava um propósito. "Mas será que não vai dar problema pra você depois? Ele falar algo, tentar algo... Vai saber. Humanos são imprevisíveis. Não que eu esteja incitando a matá-lo, muito pelo contrário. Apenas confio de que ele, realmente, nunca mais vai se fazer presente no mesmo recinto que você de novo tão cedo. E se fizer... vai cagar nas calças." Puxou o ar entredentes, imaginando a situação e divertindo-se com a suposta face do indivíduo, embora não soubesse quem era. "Sabe, isso que admiro em você. Essa falta de escrúpulos. Eu não teria essa mesma reação, pra ser sincero. Não com as consequências que isso me traria."
Ela tenta esconder sua curiosidade como pode, o pensamento de que foi o hábito de querer saber demais que levou sua mãe à ruína pairando de maneira recorrente em sua mente. Com ele, torna-se mais difícil para ela conter o impulso de sempre buscar mais informações. Há algo nele que a instiga a querer decifrá-lo. Talvez fosse a falta de informações que possuía em mãos, conhecia pouco sobre ele, pouco demais para ser o suficiente. Os lábios se partem enquanto ela tenta formular uma pergunta, as palavras não saem quando uma vozinha em sua mente põe em questão sua abelhudice. Por fim, cede ao instinto de se permitir alimentar o interesse no misterioso funcionário do Hotel Noxford. “Há alguém que você gostaria de ver? Ou melhor, rever?” Se para ele aquilo era um bom presságio, em sua mente essa parecia ser a única justificativa possível, a existência de uma resposta apropriada para sua pergunta, no entanto, não a impediu de verbalizá-la. “E por que isso? Você é um péssimo dançarino ou apenas prefere ser conduzido? Imagino que a ausência de ritmo não seja um possível efeito colateral da falta de visão.” As palavras são ditas em um tom ameno, o suficiente para que, ainda que não possa ver o sorriso jocoso em seus lábios, Zaahen perceba que ela está brincando. “É de fato uma forma bastante curiosa de se divertir em uma boate, levando em consideração que a grande maioria das pessoas aqui vieram pra beber e dançar.” Observa. “Você me julgaria se eu dissesse que estou desde o início dessa festa tentando fumar um cigarro? Juro pra você que fui interrompida tantas vezes que, em algum momento, comecei a guardar o cigarro apagado no bolso pra não desperdiçar.” Sua reclamação era incutida em diversão, como se aquilo não a incomodasse realmente. “Podemos ir para o rooftop… Se você quiser, é claro.”
A questão dela pairou pela mente de Zaahen pelo tempo que conseguiu ficar calado, apenas ponderando e relembrando. Era fatídico. Sempre que sua mente lhe levava para os confins das memórias antigas, o rosto dela vinha. E podiam se passar mais duzentos anos, o vampiro sempre lembraria. Queria dizer-lhe que não havia outro rosto a ser contemplado senão o dela, mas, talvez, e apenas talvez, fosse invasivo demais. E já bastava seus olhares para cima de Billie, ela não precisava que essa loucura se estendesse para além. "Muitas pessoas, na realidade. Mas nenhuma em particular. Não agora." Que suas palavras não tivessem tido um significado menor do que deveriam, pois, Zaahen deixou claro, com um sorriso delineado nos lábios, a verdade por detrás de sua última fala. A presença dela o bastava naquele momento, mas jamais esperaria que a mesma entendesse. "Certamente não é, só prefiro... algo mais tranquilo. Algo que não me faça cansar os pés." Mentiu, de certa forma. Ele adorava gastar tempo com o que quer que fosse, porém, com Billie apenas sentia necessidade de entendê-la. Queria saber se ela era tão parecida com sua paixão do passado quanto de rosto já o era. O vampiro permitiu-se rir da situação de outrem. Vibrou na mesma intensidade que ela. "Podemos ir para o rooftop." Concordou quase instantaneamente, dando-a um tempo hábil para pelo menos oferecê-lo aquela sugestão, e de modo também que não parecesse tão obcecado ou desesperado. "Lá você pode fumar com tranquilidade. Prometo que não vou te interromper e nem reclamar, até porque não me importo. O cheiro nunca me incomodou. É por isso que foi interrompida várias vezes, por achar que está incomodando? E eu, sinceramente, nem fazia ideia de que você fumava."
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a ecobag pendia relaxada no ombro de lillya enquanto ela caminhava devagar entre as barracas do mercado de bruma. desfilava entre as bancas com calma, os passos lentos o suficiente para parecer que estava apenas passeando, embora seus olhos captassem muito mais do que o necessário. parou diante de uma mesa cheia de anéis antigos e brincou com um deles entre os dedos, girando o metal gasto enquanto fingia avaliar a peça. ela jamais compraria aquilo. peças antigas não eram exatamente o tipo de coisa que alguém como ela precisava. lillya podia ter coisas muito melhores, novas, exclusivas, feitas sob medida. mas aquele mercado nunca foi sobre compras de verdade. era sobre ouvir. depois da noite anterior, aquele era provavelmente o melhor lugar da cidade para captar os fragmentos de conversa que ainda estavam circulando. os óculos escuros repousavam no rosto, permitindo que ela olhasse diretamente para as pessoas enquanto fingia estar distraída com vitrines ou objetos. um casal dois corredores à frente comentava algo sobre símbolos. lillya ajustou a alça da ecobag no ombro e se aproximou, passando os dedos por uma pequena caixa de madeira enquanto inclinava levemente a cabeça para captar melhor o final da conversa. foi nesse momento que uma voz surgiu atrás dela. o pequeno sobressalto foi inevitável. lillya virou o rosto rapidamente na direção da voz, os ombros tensionando por um segundo antes que ela relaxasse de novo. ela não esperava encontrá-lo tão cedo. o cenho se franziu de leve enquanto ela o observava por trás dos óculos escuros, e os lábios se comprimiram numa linha fina por um instante. aquela não era exatamente uma conversa que ela teria iniciado em público. ‘ é… os ânimos ficaram à flor da pele. mas quem não gosta de uma boa história? ’ o canto da boca subiu ligeiramente. no fim das contas, a noite anterior tinha sido bastante proveitosa para ela. ‘ eu estou ótima. uma boa noite de sono faz milagres. e bons produtos de skincare, claro. ’ lillya sabia muito bem que aquilo era algo que ele provavelmente não experimentava há séculos. uma boa noite de sono. havia um elefante enorme na conversa desde a noite anterior, e lillya não tinha o menor interesse em fingir que ele não existia. quanto mais cedo aquilo fosse resolvido, melhor para todo mundo. ‘ já você… parece um pouco conturbado. desde ontem, na verdade. o que aconteceu? ’
Concordou assentindo com a cabeça veemente. Zaahen poderia ser péssimo de puxar assunto quando se tratava de uma situação como a que estava passando com Lillya, mas em outros momentos, menos vergonhosos como aquele, ele certamente era mais composturado. Perto dela, no entanto, tendia a perder levemente a pose - se é que poderia considerar que tinha uma pose. "Certamente, você sempre parece impecável." O elogio saiu fora do procedimento; não estava calculando corretamente as coisas. "Conturbado?" Pareceu confuso com o que ela dissera. Não queria abordar o assunto assim de forma tão repentina, mas talvez não tivesse um momento melhor. "Não é bem essa a palavra que eu julgaria ser correta, mas..." Estalou a língua no céu da boca, incomodado com o que falaria a seguir. Não pelo teor da conversa, embora nunca fosse tranquilo para ele falar sobre sentimentos, e sim por não saber como comentar. Olhou em volta apenas para certificar alguns olhares de terceiros. Não era nem o melhor ambiente para isso. "Ontem. Sim, ontem." Tentou se afastar brevemente de alguns corpos que passeavam perto deles, instintivamente puxando a loira também para sua companhia. "Eu não estava conturbado, estava perturbado. Sobre a situação com a gente." Entregou de bandeja. "Não sei onde isso vai dar, só fiquei um pouco ansioso de que eu tirei uma noite nada oportuna pra dizer isso. Não quer dizer que eu não goste de você da mesma forma que disse gostar ontem, talvez, até mais hoje... É isso que você causa em mim, Lillya. Esse é o segundo pior canto pra dizer isso também, mas é que não consigo esperar por mais tempo."
(FLASHBACK) Por mais que se considerasse uma boa leitora de expressões, isso se resumia a tipos específicos de reações — ou seja, qualquer uma que fosse derivada da atração que sentiam por si, normalmente. Quando era o extremo oposto do espectro, tinha grande dificuldade de entender os sinais que lhe eram dados. Naquele momento, por exemplo, por mais que conseguisse sentir as ondas de desconforto que o vampiro exalava, não conseguia dizer com precisão sua razão, já que imaginava que havia lhe abordado intencionalmente. Sua resposta, porém, a pegou desprevenida, levando algumas batidas a mais de seu coração para se pronunciar. “Assim?” Arqueou uma sobrancelha mesmo que o homem não fosse ver, deixando uma risada fraca escapar de sua garganta. “Isso implica que me memorizou de alguma forma.” Manteve o tom impassível ao apontar o fato, inclinando a cabeça à medida que refletia sobre. Sabia, em alguma medida, que estava apenas piorando a tensão que se consolidava cada vez mais ao redor deles; entretanto, não conseguia controlar a própria língua. Quando deu por si, já havia encontrado novas formas de proporcionar desconforto, no lugar do contrário, mesmo que não fosse necessariamente consciente. Antes que pudesse contestar suas próximas falas, porém, sentiu como se a sua última pergunta tivesse marcado a pele pálida de seu rosto como um tapa, quase recuando diante de sua força. "Você não pode estar falando sério, Zaahen." Devolveu em um tom incrédulo, balançando a cabeça como se o gesto fosse impedir que as palavras ouvidas fossem verdadeiras. Não havia cometido um crime, mas quase e a não consumação de seu desejo era exatamente o que a assombrava. Ou melhor, o que realmente engatilhava a vergonha em seu corpo era saber que o vampiro tinha entendido sua intenção e assistido sua falha de camarote. Agora, entretanto, parecia não fazer ideia do quão perto chegara de se tornar seu jantar naquela fatídica noite... O que era ainda pior do que a alternativa anterior. "Eu acho horrível descobrir que não tenho efeito sobre alguém." Foi a resposta menos recriminatória que conseguiu formular sem pensar muito, encolhendo os ombros sobre o peso da verdade, mesmo que mascarada. "O que realmente lembra daquela noite?" Arqueou uma sobrancelha, genuinamente interessada, mesmo que por motivos próprios. Quando ergueu o olhar para o vampiro e se deparou com suas feições entristecidas, revirou os olhos antes cruzar todos os limites e segurar seu maxilar entre o indicador e o polegar, estreitando os olhos. "Não faz essa cara."
Não queria concordar com ela, pois, isso seria inoportuno. Já não estavam em uma situação muito agradável e ter que assumir algo na cara dela não era lá a ideia que ele tinha em mente. Firmar a abstração de que não existia nenhuma problemática entre eles era ficção da qual a sereia não parecia estar adorando, muito menos ele, já que à medida que palavras saíam da boca dela, Zaahen ficava ainda mais constrangido e olhe que não havia sido ele a rebolar na cara dela. Ele engoliu em seco quando ela questionou retoricamente sobre ele estar falando sério. Não era tão sério quanto gostaria, não. Isso não é um problema só seu?, quis dizer, mas apenas pensou. Não era tão mal educado para falar daquela forma. O que saiu de si foi: "Que bom que não teve nenhum, senão eu nem falando com você aqui estaria." Foi realista, embora também igualmente radical. Afinal de contas, não era o que nenhum ali gostaria de admitir: que ela era perigosa e que a sorte dele era de ser deficiente. No entanto, o ato de outrem ao colocar-se diante dele daquela forma, ofensiva, fê-lo rir de nervoso e também com o susto que a palpitação do coração dela teve com aquela reação. Foi completamente inoportuno, porém, não imaginava que ela teria tanta coragem para isso. "É a única que tenho, mas talvez você queira arrancá-la de uma vez?" Se deixou inclinar o tronco para frente, permitindo-a do que quisesse. Os braços foram para trás do corpo, cruzando dedos, enquanto Zaahen sentia o cheiro forte de peixe dela. Não de uma forma ruim, mas característica da espécie. Elas nunca cheiravam mal, mesmo se quisesse que fossem horrorosamente fedorentas - sua ex que o diga. "Vamos. Eu deixo dessa vez. É esse tipo de efeito que você queria ter sobre mim, correto?"
𝒇𝐥𝐚𝐬𝐡𝐛𝐚𝐜𝐤 para mavrick, aquela conversa realmente não tinha a mesma complexidade que tinha para zaahen. enquanto o outro falava, ponderando sobre relações, o vampiro apenas o observava com um ar quase divertido, como se estivesse ouvindo alguém explicar um problema que, para ele, simplesmente não existia. quando zaahen terminou de falar, mavrick deu um leve encolher de ombros, despreocupado, como se estivesse afastando a gravidade daquilo tudo. ‘ você sabe que sexo casual não significa que a outra pessoa é descartável, né? ou que você tem que fingir que ela não existe depois. é só uma relação sem compromisso romântico, focado no prazer mútuo. se você não consegue lidar com isso, tenho quase certeza que tem uma palavra moderna para definir suas preferências. só não me peça o nome. essa geração inventa um termo novo por semana. ’ balançou a cabeça com um pequeno estalar de língua, descartando a tentativa de memória imediatamente. não valia o esforço. então voltou a olhar para o funcionário, o canto da boca se erguendo em um sorriso enviesado. ‘ e não, você não é descartável. mas eu também não estou te fodendo, então a pergunta nem se aplica. a não ser que você queira. ’ o sorriso se ampliou de forma descaradamente provocativa. mavrick não fazia questão alguma de esconder quando estava tentando deixar alguém desconfortável — e, naquele momento, aquilo estava começando a ficar genuinamente divertido. ‘ então você não geme? não sabia que além de cego também era mudo. ’ a expressão que fez em seguida era quase inocente demais para alguém que claramente estava dizendo aquilo de propósito. quando zaahen começou a explicar, o lynch inicialmente nem estava olhando para onde o outro apontava. mas a pergunta veio tão direta que o olhar dele acabou descendo por reflexo. as sobrancelhas do vampiro se juntaram em uma pequena linha de curiosidade. ‘ você quer saber se está de pau duro? ’ ele ficou em silêncio por um segundo, apenas observando, avaliando com os sentidos aguçados que possuía. não havia alteração perceptível. isso, no entanto, só tornou tudo mais interessante. a mão dele encontrou a coxa de zaahen, os dedos pressionando o tecido da roupa antes de começarem a subir lentamente. enquanto a mão subia até a região da virilha, o vampiro ergueu novamente o olhar para o rosto de zaahen, mesmo sabendo que o outro não poderia vê-lo. mas ele sabia que poderia senti-lo. ‘ isso te deixa excitado? ’ o polegar fez um pequeno movimento sobre o tecido da roupa do outro enquanto esperava a resposta.
Apesar de fazer sentido o que o outro falava, para Zaahen era muito mais profundo do que algo tão trivial quanto deitar-se com alguém sem sentir ou querer nada. Isso não havia acontecido nem com quem ele mais pareceu odiar por décadas, que dirá com algum desconhecido do qual não tinha lá tanta intimidade. Apegaria-se da mesma forma, igualmente. "Emocional frágil." Lhe completou a ideia do que estava explicando. "É isso que significa o teor do termo que está procurando." Não sabia exatamente se era isso, mas, de acordo com o que estava propondo e o assunto pautado, era isso que queria dizer. Zaahen deveria não ter emoções, mas, inconvenientemente, ele havia adquirido o pior dos prazeres: ter um emocional de um ser humano. Com o comentário dele, o moreno denotou o erro no que falava - ou o duplo sentido que Mavrick conseguia tirar de quase tudo o que dizia. Bom, o assunto por si só já não era inocente... "Pra você ver, né." Entrou na brincadeira ao concordar com ele. A reação que esperava que ele tomasse não passava nem perto daquela que o mesmo teve. Apesar de, ingenuamente, ter assentindo com a cabeça levemente, Zaahen só esperava um sim ou um não. O que veio de outrem o deixou paralisado por um momento. Foi um mínimo susto que o deslocou da cadeira, mas o toque, apesar de gostoso, não fez com que o semblante do vampiro se alterasse. É claro, estava agora envergonhado pela atitude, mas, de certa forma, ele havia pedido por aquilo sem sequer ponderar nas consequências. O moreno pressionou os lábios um contra o outro e soltou o ar através de uma risada baixa que rasgou a própria garganta. Depois de um momento sentindo o toque, ele não pode deixar de achar aquilo cômico - a timidez sumindo de seu corpo no instante em que lhe custou a entender que Mavrick o estava excitando. E, bom... conseguiu. Zaahen se inclinou para a frente com o braço apoiado no balcão e balançou a cabeça em negativo na direção do chefe. "Você acha mesmo prudente tratar seus funcionários dessa forma?" Zaahen também colocou a mão na coxa de outrem, apertando-a subitamente, mas não a ponto de machucá-lo, óbvio. Era um carinho recíproco do qual estava rebatendo por puro caso. "Your head is a mess, Mavrick." Sabia que para este as coisas não eram nada sérias, mas Zaahen ainda mantinha sua índole, mesmo agindo daquela forma. Não era importante assim para que ele sentisse que daria algum problema. Mavrick não permitiria que virasse um problema, e para todos os efeitos: no dia depois sequer agiriam como se aquilo tivesse sido algo.
Havia algo quase ofensivo em comer sorvete no inverno escocês, mas Eris sempre gostou de pequenas contradições sociais. A colher girava devagar no copo de pistache enquanto ela observava as pessoas passando pela vitrine da Frost & Fable — casais com cachecóis combinando, estudantes tentando parecer intelectuais perto da famosa mesa da Rowling, turistas tirando fotos da placa de bronze como se aquilo realmente tivesse importância. A própria Eris havia escolhido uma mesa externa, apesar do frio, porque o vento do mar chegava até ali em pequenas correntes salgadas que ela sempre reconhecia como casa. Não estava realmente interessada no sorvete, mas em ocupar as mãos enquanto fingia ser apenas mais uma cliente qualquer. Foi apenas quando ouviu os passos que reconheceu que Eris ergueu os olhos lentamente, apoiando o queixo sobre a mão como se estivesse avaliando uma pintura antiga que havia voltado a ser exibida sem aviso. Zaahen sempre tivera aquela presença impossível de ignorar — mesmo agora, tantos anos depois. Havia sido um relacionamento barulhento, tempestuoso, feito de brigas que terminavam em silêncio e silêncios que terminavam em coisas ainda piores. ❝ ━ Eu estava começando a acreditar que você tinha aprendido a evitar lugares onde eu pudesse estar. ❞ A voz saiu tranquila demais para alguém que havia passado décadas colecionando razões para odiá-lo, e Eris inclinou a cabeça levemente na direção dele, observando o modo como ele ocupava o espaço sem realmente vê-lo. ❝ ━ Ou talvez tenha sido coincidência… ❞ Continuou, erguendo a colher novamente como se ponderasse a possibilidade com sinceridade duvidosa. ❝ ━ o que seria decepcionante, porque eu prefiro acreditar que você ainda toma decisões ruins deliberadamente. ❞ Ela apoiou o cotovelo na mesa e sorriu — aquele tipo de sorriso que já havia iniciado discussões piores do que qualquer provocação direta. / @nada-a-verr
Algo que Zaahen muito gostava, embora fosse algo errado em seu ponto de vista, era tomar sorvete. Não de uma forma comum, é claro, afinal: suas necessidades latejavam vez ou outra, ainda que tentasse muito não fazer nisso um descontrole. O gosto do sangue de gente tinha muito mais sabor e valor do que o de animais, não se equiparava. Portanto, aqui e ali se ocupava em tomá-lo como se fosse uma recompensa por ter aguentado muito e ter aguentado calado. Misturar com sorvete era apenas mais uma das trivialidades que ele se deliciava. Lá estava, entretanto, batendo ponto na Frost & Fable, como o visitante habitual que era. Ao contrário do que imaginou, paz não foi aquilo que encontrou no ambiente, não com a presença inoportuna de Eris Mortimer. A fatídica Eris de sua vida, no passado. Quando os olhares se encontraram, ele pareceu mais cansado do que normalmente sempre parecera, mas, infelizmente, a presença dela não era ignorável. Apesar da falta de proximidade há um bom tempo, ele quebrou essa questão em momentos. Sua ida até onde ela estava foi oportuna, é claro, e ali repousou a mão sobre a cadeira livre. Não tinha intenção de permanecer. Seus planos eram outros e não a envolviam. As bicadas, no entanto, não machucavam quanto antes. Era apenas uma Eris destilando seu ódio, como sempre. Ele, todavia, não ficaria calado. Nunca ficou, para ser sincero. "Geralmente eu só ignoro que você está no recinto. Um completo fantasma do qual não conheço e que nunca me cativou a atenção." Inexpressivo; poderia até ser parcialmente verdade o que dizia, mas era notório que não exibia nenhum traço de emoção diante dela. Aprendera da pior forma como não se importar mais. “Nem todas foram ruins, se bem me lembro.” Referiu-se ao término, e aquilo lhe tirou um sorriso tão falso quanto o qual ela esboçava. Zaahen podia nunca ter visto a cor dos olhos de Eris, dos cabelos, que roupas vestia e todas as coisas triviais que compunham uma pessoa em si, exceto pelos olhos expressivos - e, mesmo assim, não sabia como ela exibia suas sobrancelhas, a forma como se 'portava' com elas. Aquilo irritava o vampiro. Irritava não saber quando ela era apática, quando não queria dizer o que estava dizendo, e tantas outras coisas que nunca soubera a verdade por trás. "Mas, de toda forma, é bom saber que você também não sai perdendo quando a questão é ser desagradável. Parece que nada mudou, afinal."
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Estava certa, mesmo que não fosse difícil de ver em seu rosto. Ou até o era, já que Zaahen era pouco expressivo e muito mais preso a uma única reação. Chegava a ser complicado entender as nuances de seu humor. Todavia, a primeira dama havia entendido, mesmo que fosse um chute. “Sempre vou estar apegado com as boas maneiras se estiver na sua presença. Não gostaria de ser inadequado.” Não queria comentar nada mais que aquilo para não parecer inapropriado, ou pior: que estivesse flertando, mesmo que minimamente, com uma mulher casada. “Mas, claro, se puder me explicar como ser estimulado o bastante para o seu gosto, posso tentar.” Encolheu os ombros de forma breve e reclinou o tronco sobre o balcão, cruzando os dedos para atentar-se ao pedido dela e sua fala. “Fico extasiado de provar algo que você sugira, porque não faço ideia do que é bom ou ruim quando se trata de bebida alcoólica. Nada nunca fez tanto efeito em mim, é só um meio de entrosar com o efeito manada.”
❝Mesmo?❞ Indagou com um pingo de curiosidade na voz, ainda que fosse possível sentir o sorriso na frase seguinte a ser proferida. ❝Uma pena, os comportamentos inadequados costumam ser o mais divertidos.❞ Era uma brincadeira, ainda que não necessariamente uma mentira aos olhos da demônia. Acabou rindo levemente, em outro momento certamente poderia lhe explicar ativamente o que queria dizer, mas sabia que ali não ser possível. ❝Creio que terei de deixar para outro dia, meu bem, mas certamente não irei esquecer.❞ Ou talvez fosse, era difícil dizer quando tantas coisas se passavam na mente de Carmilla. ❝Uma pena... Mas certamente essa vai ser gostosa, posso garantir. Mas deixarei que prove e venha me contar o que achou em outra noite, quando se sentir mais estimulado.❞ Brincou outra vez deixando que a mão repousasse sob o ombro dele por alguns segundos antes de começar a se afastar, se deixando se perder entre o mar de desconhecidos mascarados mais uma vez.
o comentário alcança seus ouvidos em meio a música, compelindo a morena a tombar a cabeça para o lado, de modo a fitar zaahen. ❛ ah. já arrependido de vir num baile da própria espécie, z? ❜ o sorriso debochado se faz presente na provocação. vampiros não se encontram em sua lista de espécies para suportar e levar para casa; e por mais que não possa ignorar completamente o fato de que o outro é um, também não nega gostar de sua companhia. as íris claras se voltam para o cortejo, com um sonoro hmm rolando pela língua enquanto finge pensar. a opção de exagerar o cenário passa por sua mente, transformar aquilo em algo mais fantasioso só para saber notar se zaahen ainda a conhece o suficiente para saber quando mente ou não. um gesto sutil e a música se torna mais distante; os dois continuam no mesmo lugar, cercados por todos, mas num espaço que se torna quase só deles. ❛ imagine um tipo de flashmob ━━━ você já era vivo quando inventaram isso, não? provavelmente. vinte ou trinta dos seus mortos vivos prediletos vestidos como bonecos de porcelana da coleção de alguma idosa perturbada, performando pelo salão com roupas nas cores: preto igual minha alma, vermelho lanche fresco, rouge sobras de ontem, dourado a grande depressão não acaba enquanto eu ainda estiver aqui. e, hmmmm, off white. ❜ descreve a cena, tentando manter uma seriedade na voz que é traída somente pelo riso que se esconde, descarado, entre as palavras. ❛ estão batendo palmas para as máscaras. cada um deles usa máscaras encantadas; elas se movem e falam alguma besteira qualquer pros convidados. talvez propondo a chance de trabalhar de graça num hotel em troca da sua alma ━━━ não, espera. esse é o maverick, né? ❜ os olhos brilham felinos enquanto se escora na lateral do corpo de zaahen. ❛ uh, parece que uma delas nos viu. ❜ e com isso, o efeito se desfaz, permitindo que o som do ambiente os engula novamente em toda sua glória.
Um estalo da língua no céu da boca foi o bastante para responder a pergunta retórica dela. Não estava muito inclinado a compactuar com nada que vampiros fizessem, mas era tão intrínseco de sua espécie que chegava a ser difícil resistir a tentação. Estar no antro era difícil por si só, que dirá sem a orientação guiada de seus amigos caçadores... Era uma tentação. Sentia-se em um espetáculo de moda cujo qual não conseguiria julgar nada por justa causa, mas a fala de Sivan lhe deixou imerso tentando imaginar o cenário ao passo que ria de cada comentário proferido. Enquanto ela fala, ele não atrapalha, então as risadinhas saem o mais baixas possíveis, além de serem tampadas pela mão levada à boca com esse intuito. "Ele faz seu melhor, não o julgue." Respondeu em relação ao seu superior. Zaahen não fazia muito dentro do hotel devido suas limitações; era carente de fórmulas mágicas ou de sua própria capacidade com seus sentidos para se orientar, e ainda assim não é a mesma coisa que enxergar propriamente. De toda forma, sabia dos afazeres de outrem, das responsabilidades e de como guiavam o hotel. O citado, é claro, não tinha lá tanta influência como o outro, mas ainda era parte disso tudo. Ainda assim, o moreno não cuspiria no próprio prato. "Vindo até nós?" A curiosidade bateu forte ao ponderar, firmando os pés bem no chão para que o peso de Sivan sobre a lateral de seu corpo não o desequilibrasse tanto. Ainda estava de braços cruzados rente ao corpo, virando o rosto para falar somente a ela: "Que tipo de besteira uma máscara mágica falaria para dois isolados, abusadamente bonitos e extremamente entediados?"