quem: @mulasemcabeca
onde: gray’s room
quando: 22h45
Dorian era uma pessoa que detestava com todas as forças ficar entediado, principalmente se isso acontecesse dentro de seu próprio estabelecimento. Contudo, a parte que julgava mais divertida do Gray’s Room precisava ficar fechada por alguns dias até que resolvesse o problema com os corpos encontrados por lá então não havia alternativa restante senão a parte mundana e amaldiçoada do local, cheio de pessoas que nem mesmo sabiam o quão confusas e enganadas estavam sendo. Haviam os dias em que via beleza naquilo, mas também os dias em que só achava patético. No momento pendia bastante para a segunda opção conforme andava até um canto menos lotado, prestes a subir as escadas aos andares superiores quando um amontoado inesperado de pessoas na escada o deixou confuso. “O que está acontecendo?” Perguntou e seus funcionários ali no meio logo mudaram a postura e o encararam com óbvio incômodo na face, alegando que uma moça estava tentando subir sem ter permissão para tal. Dorian, já de humor nada agradável, apenas rolou os olhos exageradamente para aquela palhaçada desnecessária. “Deixem-na subir logo. Não é como se fosse ir matando todo mundo por aí!” Gesticulando sem muita paciência, o caminho se abriu a sua frente e enfim alcançou a escada. “Vamos, pode subir.” Indicou para ela, tombando a cabeça e esperando que ela o fizesse em sua frente.
Ela tinha bebido razoavelmente, àquele ponto. Não de modo que estivesse fora de si, não mesmo; mas estava um tantinho mais corajosa que o normal (o que nem era tão pouco). Depois de uma extensa conversa com seus amigos sobre o que havia no andar de cima, ela decidiu averiguar — costumavam ser apenas espaços VIP, nada demais! O problema era que o idiota do segurança não a deixava passar, mesmo que ela tentasse com ótimos argumentos como o fato de que ela queria muito. Finalmente a voz de alguém pareceu chamar atenção dos armários ambulantes que teimavam em impedir sua passagem, e MC ficou na imagem alheia, atenta. “Moço! Eu só queria ver… ei, não encosta em mim não!” Deu um tapa na mão do segurança que havia agarrado seu braço como que pronto para arrasta-lá dali, e sorriu muitíssimo satisfeita quando ele não apenas a soltou, mas abriu caminho. Claro que fora pelos dizeres do rapaz de terno, e não pelo tapinha sem força — mas ela estava orgulhosa demais de si mesma para notar. Assim que o homem confirmou que ela poderia subir, Martha encarou o grandalhão careca a sua direita com os olhos semicerrados em provocação. “Viu? Eu disse que não ia ter problema. Cara chato!” Resmungou o final em português, arqueando ainda as sobrancelhas para ele antes de finalmente subir as escadas, apertando o corrimão para garantir que subisse tranquilamente visto que as pernas estavam um tanto leves demais. “Nossa, esses caras são muito… ai, sei lá. Malas. Sabe? Não é suitc—, boring!! São muito boring. Precisam se divertir mais, só ficam ‘não! não!’ o tempo todo. ‘Não pode subir as escadas.’ ‘Não pode dançar na mesa’. ‘Não pode colocar a sua playlist do Spotify’. Tô falando, se me deixassem tocar minha playlist aqui, isso ia tá badaladíssimo.” Apontou na direção dele como se desse um conselho valioso, terminando o conteúdo de seu copo e deixando apoiado em um canto para finalmente analisar os arredores. “Nossa, aqui é bonito.”

















