2014 · Compromise moves us along {Thaye}
Tudo o que Miles falava no carro lhe parecia pouco verdadeiro, como se a real vontade dele fosse dirigir diretamente para a boate. Aspen prosseguira quieta até descer do carro, quando ele foi o primeiro a falar mais uma vez. Não queria controlar sua ansiedade, nem medir suas características, nem ter um cavalheiro perfeito. Ao mesmo tempo em que pensava nisso, sabia que não diria nada, então limitou-se a rir fracamente antes de dar a mão alva para Miles. — Eu nunca relaxo no meio de tanta gente — A garota sussurrou no ouvido dele enquanto um funcionário checava o nome dos dois na entrada e, em breve, foram liberados.
Como de costume, a decoração na casa do prefeito estava espetacular. Todo o luxo se destacava em meio às demais casas de Victoria, o que fazia daquela mansão mais que excepcional. Obviamente, a possibilidade de cometer uma gafe em um momento como tal matinha Aspen nervosa enquanto estivesse caminhando sobre os saltos, apenas respirando perfeitamente bem quando parou para tirar uma foto que iria para a revista. Ela e Miles, lado a lado, como eram publicados na parte de convidados especiais há dois ano. Continuando sua caminhada em busca de suas obrigações, ela insistia em manter Thatcher como guia pelos convidados, encontrando, antes de qualquer pessoa, Victoria Lowe. Fora a conversa mais íntima que teve, contando com um abraço e elogios aos ambientes impecáveis. Depois dela, vieram os parentes da garota, os amigos de infância, alguns políticos importantes e, finalmente, o prefeito. As frases que dizia e que escutava eram sempre as mesmas: variavam entre elogios a perguntas sobre Miles e o namoro, uma memória antiga e um “até próximo ano!” que já soava mais clichê do que a piada do pavê.
Depois de quase uma hora, eles finalmente tiveram a chance de sentar-se em um dos espaçosos e confortáveis pufes que tinham sido distribuídos pela sala de estar. — Não foi tão ruim… Foi? — Ela perguntou, franzindo o cenho enquanto bebericava um coquetel de morango que tinha em mãos, — Quer um pouco? — ela indicou a bebida — É mais gostoso que uísque — comentou, estendendo com discrição a taça alongada na direção do rapaz. Esperava que ninguém lhe chamasse por mais algum tempo, assim sentiria que Miles estaria melhor do que parecia naquela casa. Gostaria de dizer que não demoraria muito, mas sabia que não mudaria nada, então para quê gastar saliva? Ela contentou-se em sorrir.
A hora que se passara foi provavelmente uma das mais longas de sua vida. Repleta de sorrisos falsos e uma simpatia forçada que Miles não fingia bem, aquilo definitivamente não poderia ficar pior. Mesmo sabendo que não iria receber nenhum olhar, se sentia julgado pelo simples fato de estar naquela casa, com todas aquelas pessoas, tanto a família Lowe, com a menina Victoria que nunca fora a mais simpática com o rapaz, quanto todos aqueles nomes que se viam em revistas que pareciam dar boas vindas tão alegres para Aspen. As vezes ele se perguntava porque ainda fazia aquilo, mas a resposta para aquela pergunta era tão longa, tão complexa e cheia de desculpas que preferiu não entrar em detalhes com ela.
A única coisa que o consolava era que a cada minuto que passava, estava mais perto de sair dali, finalmente indo para a Marquée e vendo Zane e o resto de seus amigos. Sabia que Faye não iria ter um milésimo de felicidade naquele local, mas também, ela teria que compreender que era tão ruim para ela lá como para ele ali. Quando os dois finalmente puderam se sentar em um dos pufes do local, ele se perdeu em meio aos pensamentos. Todas aquelas pessoas afundadas no luxo que ele em si só teria se lutasse muito, essa sim era sua resolução de ano novo, mas ao contrário de todos aqueles que faziam promessas vazias, a dele se tornaria realidade ao longo do tempo, afinal, era para ele mesmo, e nada lhe fazia tão feliz quanto atingir novas metas pessoais.
Quando deu por si novamente, Aspen lhe oferecia um coquetel. –Na verdade sim, foi provavelmente a hora mais longa da minha vida, mas não importa.- Não pôde deixar de abrir um sorriso, e era raro que fizesse isso, mas a maneira que ela sempre tentava amenizar as situações ruins que ela mesma lhe colocava era adorável, um pouco idiotas também, mas era o máximo que ela podia fazer e mesmo que nem ele mesmo soubesse, tinha que apreciar aquilo. A perna da menina se encontrava por cima da sua, como quase sempre ficava quando sentavam juntos, sempre parecendo o casal mais perfeito do mundo, ou essa era a imagem que eles passavam. Deu um gole no coquetel pelo canudo e um beijo na bochecha da namorada. –Acho que prefiro minhas bebidas amargas, pode ficar com esse pra você ok?- Falou ao estender a mão para um garçom que passava com uma bandeja de drinks feitos com vodka. Pensava que pelo menos a menina tinha sorte de o ver bêbado muito raramente, ele tinha que se esforçar para não fazer isso perto dela, por uma questão de respeito, na verdade, ela merecia pelo menos aquilo.

















