“𝐂𝐞𝐫𝐭𝐨, 𝐪𝐮𝐚𝐥 𝐚 𝐦𝐚𝐥𝐝𝐢𝐭𝐚 𝐩𝐫𝐨𝐛𝐚𝐛𝐢𝐥𝐢𝐝𝐚𝐝𝐞 𝐝𝐞 𝐬𝐞𝐫 𝐌𝐚𝐭𝐭𝐞𝐨? 𝐈𝐬𝐬𝐨 𝐦𝐞𝐬𝐦𝐨! 𝐈𝐧𝐟𝐞𝐫𝐢𝐫 𝐚̀ 𝐩𝐨𝐫𝐫𝐚 𝐝𝐞 𝐮𝐦 𝐳𝐞𝐫𝐨! 𝐅𝐮𝐜𝐤. 𝐅𝐮𝐜𝐤. 𝐅𝐮𝐜𝐤. 𝐎 𝐪𝐮𝐞 𝐝𝐢𝐚𝐛𝐨𝐬 𝐯𝐨𝐜𝐞̂ 𝐞𝐬𝐭𝐚́ 𝐭𝐞𝐧𝐭𝐚𝐧𝐝𝐨 𝐞𝐧𝐬𝐢𝐧𝐚𝐫-𝐦𝐞 𝐃𝐞𝐮𝐬?”, os pensares tomavam-lhe a mente com tamanha ferocidade que, em uma fração de segundos, sentira-se atordoada, como se pudesse simplesmente perecer frente à olhares alheios que, no dito momento, encontrava-se pouco a foder-se para com as feições divergentes em demasia a salpicar as feições ao derredor. Não reconhecia, no entanto, de onde provinha tamanha força e obstinação, ao passo que as ações e falas soavam-lhe automáticas, como se não fosse a acastanhada à proferi-las. Quando, por fim, vira-se frente ao patrão, sentira-se tola por ter privado-se de uma dose extra de seus medicamentos, certamente que viria por afetar-se menos do que encontrava-se por demonstrar.
“𝑽𝒆𝒋𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒆𝒔𝒕𝒂́ 𝒅𝒆𝒎𝒂𝒔𝒊𝒂𝒅𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒆 𝒃𝒆𝒎 𝒑𝒂𝒓𝒂 𝒒𝒖𝒆𝒎 (𝒒𝒖𝒂𝒔𝒆) 𝒇𝒐𝒓𝒂 𝒏𝒐𝒄𝒂𝒖𝒕𝒆𝒂𝒅𝒐 𝒑𝒐𝒓 𝒖𝒎𝒂 𝒎𝒐𝒄̧𝒐𝒊𝒍𝒂”, as palavras saltaram-lhe os lábios ao guiar os distais do polegar e indicador da canhota ao queixo masculino, forçando-o a fitar-lhe as orbes, de um singular apofilita, “𝑶𝒃𝒓𝒊𝒈𝒂𝒅𝒂… 𝒆𝒖 𝒂𝒄𝒉𝒐”, as orações foram proferidas em um sussurro hesitante à medida que mantinha-se a segurar o gelo contra o corte que, felizmente, parecia tratar-se de ser algo superficial. Observara-o na tentativa de erguer-se, nada dissera, apenas arqueara a sobrancelha destra ao ouvi-lo afirmar que detinha ciência sobre quem era a russa, levando-à aproximação iminente e repentina, seu olhar esquadrinhava-lhe a face com tamanha cautela, antecedendo o deslizar a ponta de sua língua por seu lábio inferior. “𝑷𝒐𝒊𝒔 𝒃𝒆𝒎, 𝒔𝒆 𝒄𝒐𝒏𝒉𝒆𝒄𝒆𝒔𝒔𝒆 𝒂̀ 𝒎𝒊𝒎 𝒄𝒐𝒎𝒐 𝒉𝒂́ 𝒅𝒆 𝒂𝒇𝒊𝒓𝒎𝒂𝒓, 𝒏𝒂̃𝒐 𝒕𝒆𝒓𝒊𝒂 𝒄𝒐𝒏𝒕𝒓𝒂𝒕𝒂𝒅𝒐-𝒎𝒆. 𝑨𝒄𝒓𝒆𝒅𝒊𝒕𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒔𝒆𝒋𝒂𝒎 𝒑𝒐𝒖𝒄𝒐𝒔 𝒐𝒔 𝒎𝒐𝒓𝒂𝒅𝒐𝒓𝒆𝒔 𝒂𝒒𝒖𝒊, 𝒕𝒂̃𝒐 𝒅𝒆𝒎𝒂𝒔𝒊𝒂𝒅𝒂𝒎𝒆𝒏𝒕𝒆 𝒄𝒐𝒏𝒔𝒆𝒓𝒗𝒂𝒅𝒐𝒓𝒆𝒔 𝒆 𝒕𝒓𝒂𝒅𝒊𝒄𝒊𝒐𝒏𝒂𝒍𝒊𝒔𝒕𝒂𝒔, 𝒒𝒖𝒆 𝒄𝒐𝒏𝒕𝒓𝒂𝒕𝒂𝒓𝒊𝒂𝒎 𝒖𝒎𝒂 𝒆𝒙-𝒅𝒆𝒕𝒆𝒏𝒕𝒂… 𝑺𝒆, 𝒅𝒆𝒕𝒊𝒗𝒆𝒔𝒔𝒆 𝒖𝒎𝒂 𝒎𝒊𝒏𝒖́𝒔𝒄𝒖𝒍𝒂 𝒏𝒐𝒄̧𝒂̃𝒐 𝒅𝒆 𝒒𝒖𝒆𝒎 𝒆𝒖 𝒔𝒐𝒖, 𝒕𝒆𝒓𝒊𝒂 𝒎𝒂𝒏𝒕𝒊𝒅𝒐-𝒔𝒆 𝒂𝒇𝒂𝒔𝒕𝒂𝒅𝒐 𝒆 𝒅𝒆𝒊𝒙𝒂𝒅𝒐 𝒄𝒐𝒎 𝒒𝒖𝒆, 𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒒𝒖𝒆𝒓 𝒒𝒖𝒆 𝒇𝒐𝒔𝒔𝒆 𝒉𝒐𝒖𝒗𝒆𝒔𝒔𝒆 𝒐𝒄𝒐𝒓𝒓𝒊𝒅𝒐, 𝒏𝒂̃𝒐? 𝑨𝒄𝒓𝒆𝒅𝒊𝒕𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒔𝒐𝒖 𝒖𝒎 𝒑𝒓𝒐𝒃𝒍𝒆𝒎𝒂 𝒎𝒂𝒊𝒐𝒓 𝒅𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒑𝒐𝒔𝒔𝒂 𝒗𝒂𝒍𝒆𝒓 𝒂 𝒅𝒐𝒓 𝒅𝒆 𝒄𝒂𝒃𝒆𝒄̧𝒂, 𝑩𝒐𝒔𝒔”.
“𝑵𝒂̃𝒐 𝒔𝒆𝒓𝒊𝒂𝒔 𝒕𝒖 𝒎𝒂𝒊𝒔 𝒄𝒖𝒍𝒑𝒂𝒅𝒐 𝒅𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒎𝒊𝒏𝒉𝒂 𝒑𝒆𝒔𝒔𝒐𝒂, 𝒕𝒂𝒎𝒑𝒐𝒖𝒄𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒐𝒔 𝒔𝒆𝒈𝒖𝒓𝒂𝒏𝒄̧𝒂𝒔 𝒐𝒖 𝒒𝒖𝒂𝒍𝒒𝒖𝒆𝒓 𝒂𝒍𝒉𝒆𝒊𝒐 𝒄𝒂𝒔𝒐 𝒐 𝒑𝒊𝒐𝒓 𝒕𝒊𝒗𝒆𝒔𝒔𝒆 𝒑𝒐𝒓 𝒐𝒄𝒐𝒓𝒓𝒊𝒅𝒐. 𝑨 𝒄𝒖𝒍𝒑𝒂 𝒏𝒂̃𝒐 𝒕𝒆𝒏𝒅𝒆 𝒂 𝒔𝒆𝒓 𝒖𝒏𝒊𝒍𝒂𝒕𝒆𝒓𝒂𝒍, 𝒗𝒆𝒎 𝒂 𝒔𝒆𝒓 𝒂𝒍𝒈𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒂𝒃𝒓𝒂𝒏𝒈𝒆 𝒕𝒐𝒅𝒂𝒔 𝒂𝒔 𝒑𝒂𝒓𝒕𝒆𝒔, 𝒎𝒆𝒔𝒎𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒆𝒎 𝒑𝒂𝒓𝒄𝒆𝒍𝒂𝒔 𝒅𝒊𝒗𝒆𝒓𝒈𝒆𝒏𝒕𝒆 𝒒𝒖𝒆, 𝒔𝒐𝒃 𝒖𝒎𝒂 𝒏𝒐𝒗𝒂 𝒑𝒆𝒓𝒔𝒑𝒆𝒄𝒕𝒊𝒗𝒂, 𝒕𝒆𝒏𝒅𝒆𝒎 𝒑𝒐𝒓 𝒔𝒆𝒓 𝒊𝒈𝒖𝒂𝒊𝒔”, a menor comentara de forma vagarosa, não destoando à atenção ao mancebo, “𝑫𝒆𝒗𝒆𝒓𝒊𝒂 𝒆𝒏𝒕𝒓𝒆𝒈𝒂́-𝒍𝒐𝒔 𝒂̀𝒔 𝒂𝒖𝒕𝒐𝒓𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆𝒔. 𝑶𝒖, 𝒒𝒖𝒆𝒎 𝒔𝒂𝒃𝒆, 𝒂 𝒓𝒐𝒅𝒂 𝒅𝒂 𝒇𝒐𝒓𝒕𝒖𝒏𝒂 𝒉𝒂𝒗𝒆𝒓𝒊𝒂 𝒅𝒆 𝒈𝒊𝒓𝒂𝒓 𝒆 𝒆𝒔𝒄𝒐́𝒓𝒊𝒂𝒔 𝒄𝒐𝒎𝒐 𝒆𝒍𝒆𝒔, 𝒂𝒎𝒂𝒏𝒉𝒆𝒄𝒆𝒓𝒊𝒂𝒎 𝒎𝒐𝒓𝒕𝒐𝒔… 𝑺𝒐𝒏𝒉𝒐𝒔… 𝑺𝒐𝒏𝒉𝒐𝒔… 𝒆 𝒎𝒂𝒊𝒔 𝒔𝒘𝒆𝒆𝒕 𝒅𝒓𝒆𝒂𝒎𝒔, 𝒃𝒂𝒃𝒆”, proferira de maneira melodiosa, pondo-se a cantarolar antes de findar a fala, notório havia de tornar-se como tal situação afetava-a, mas qualquer mulher em sua situação havia de sentir-se assim não? Seu olhar acompanhara o movimento do amorenado, atendo-se às linhas de definição sutis que tomavam-lhe o abdômen, mas à menção ao seu nome fizera-a elevar as íris à face dele, fazendo-a encolher-se contra a parede, “𝑯𝒂́ 𝒎𝒂𝒊𝒔 𝒂𝒏𝒐𝒔 𝒅𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒑𝒐𝒔𝒔𝒐 𝒄𝒐𝒏𝒕𝒂𝒓, 𝒂𝒍𝒈𝒖𝒆́𝒎 𝒉𝒂́ 𝒅𝒆 𝒄𝒉𝒂𝒎𝒂𝒓-𝒎𝒆 𝒑𝒆𝒍𝒐 𝒎𝒆𝒖 𝒑𝒓𝒊𝒎𝒆𝒊𝒓𝒐 𝒏𝒐𝒎𝒆, 𝒏𝒂̃𝒐 𝒔𝒆𝒊 𝒑𝒂𝒓𝒂 𝒒𝒖𝒆𝒎 𝒉𝒂́ 𝒅𝒆 𝒕𝒓𝒂𝒃𝒂𝒍𝒉𝒂𝒓 𝒐𝒖 𝒒𝒖𝒆𝒎 𝒆́𝒔 𝒗𝒐𝒔𝒔𝒂 𝒑𝒆𝒔𝒔𝒐𝒂, 𝒎𝒂𝒔 𝒆𝒏𝒕𝒆𝒏𝒅𝒂 𝒒𝒖𝒆, 𝒂𝒒𝒖𝒊, 𝒆𝒎 𝑭𝒂𝒓𝒏𝒉𝒂𝒎, 𝒔𝒆𝒓𝒆𝒊 𝒂𝒑𝒆𝒏𝒂𝒔 𝑰𝒏𝒅𝒊𝒈𝒐 𝑱𝒐𝒏𝒆𝒔. 𝑨𝒏𝒊𝒌𝒌𝒂 𝒆𝒏𝒄𝒐𝒏𝒕𝒓𝒂-𝒔𝒆 𝒎𝒐𝒓𝒕𝒂… 𝒂 𝒎𝒆𝒏𝒐𝒔 𝒕𝒆𝒎𝒑𝒐 𝒅𝒐 𝒒𝒖𝒆 𝒈𝒐𝒔𝒕𝒂𝒓𝒊𝒂, 𝒅𝒆𝒗𝒐 𝒂𝒇𝒊𝒓𝒎𝒂𝒓”.
— “ah, é o que dizer, nada como uma bancada de uma garota se tornar ainda mais forte.” ele disse divertido, sua cabeça ainda doía, era verdade, mas não era como se já não tivesse se metido em brigas piores. “ah, de nada! to aqui pra isso!” completou. ainda estava um pouco tonto e tentava se equilibrar enquanto a jovem falava, respirou fundo, voltando a encara-lá, pouco lhe importava o que a jovem havia feito ou deixado de fazer, claro que havia recebido algumas informações sobre a jovem, mas nada que lhe assustasse a ponto de não conceder a jovem uma oportunidade de seguir em frente. “ao me conhecer melhor verá que eu não sou uma pessoa nenhum pouco conservador ou tradicional, eu realmente não importo com quem você seja, desde que não coloque a confiança que lhe dei em risco e queira trabalhar, eu não vejo problemas algum!” ele disse com sinceridade. “você poderia ser o próprio batman, eu ainda teria me metido, não quero que nenhuma funcionaria minha passe por maus bocados, pelo menos não enquanto estiver em minha responsabilidade, em horário de trabalho.” concluiu por fim. percebeu de imediato que a reação da jovem mudou drasticamente, está não era a sua intenção, não queria assusta-lá ou qualquer coisa do tipo, ela provavelmente não sabia do pequeno erro que havia cometido na sua busca em esconder a sua identidade. “infelizmente as coisas não são tão simples assim, senhorita! vivemos em uma cidadezinha adorável mas com costumes antiquados, digamos que os digníssimos são pessoas de nomes por aqui, se acham acima da lei, a policia nada o faria e se chegassem a serem detidos, uma alta fiança resolveria em poucas horas.” ele disse, infelizmente tais coisas aconteciam em todos os lugares, em farnham não era diferente. “sinto muito, indigo! não foi minha intenção lhe assustar, seu nome estava em um dos documentos que entregou, seu segredo estará a salvo comigo!