Por sorte, havia acabado de engolir o suco quando Harry lhe contou suas desavenças culinárias com o macarrão, ou acabaria cuspindo gotículas do líquido sobre a mesa. Não que tenha rido de fato, mas a sombra do que poderia ser uma risada comprimira levemente o peito da maltesa que engoliu a saliva ainda produzida pela acidez do suco de uva. “Ok… Muitas questões culinárias aqui. Mas, vou defender o macarrão doce porque nem é tão ruim assim…” Sim, ela já havia comido macarrão doce. “Quer dizer, se tiver bem balanceado, fica bom… Eu acho.” Para quem come bolo com patê, ou biscoito água e sal com chocolate, qualquer coisa é gostosa realmente. Tudo bem, não qualquer coisa, mas Hyana gostava de combinações estranhas e nem podia culpar uma gestação por isso.
Aproveitava os momentos que Harry engatava em um assunto para comer, afinal, poderia esfriar e comida fria não era tão aprazível. Pegara os dizeres finais com certa curiosidade, desejando saber um pouco mais sobre os desentendimentos que mencionara, mas não sabia até que ponto o outro desejava falar sobre isso. “Hmm” ouviu-se ao terminar de engolir o que havia em sua boca. “Algo que queira falar sobre?” Dera-lhe a possibilidade, visto que Harry sempre fizera aquilo por si. Notara, porém, que não o fazia por achar-se em dívida com ele, mas porque desejava transparecer alguém cuja confiança Harry poderia depositar— mesmo que não fosse o momento agora. “Bom… Eu já entrei em um cruzeiro sem passagem e parei na Itália. Dias de Jack de Titanic. Ninguém morreu, mas, tive de ligar para o meu pai pedindo para me buscar na Itália.” E teoricamente acabou ficando reclusa em casa. Teoricamente, porque sempre fugia. Havia bom humor em sua face enquanto se lembrava do seu passado. “Eu não sei… Acho que aproveitei cada momento da vida, sabe? Fiz basicamente tudo que eu queria. Saí com quem queria… Ser eu mesma? Fui aos shows que eu queria. Alguns até sem meu pai me ajudar, eu mesma me virando, cantando em pub, sabe? Eu com dezesseis anos, peguei minhas amigas, e apresentamos várias vezes para irmos para a Itália em um show do Aerosmith. Foi o ápice da minha o show do Aerosmith de verdade.” Euforia e nostalgia se misturavam na empolgação com a qual Yun contava como foi aquele momento da sua vida. Até mesmo gesticulava, embora um tanto contida. “Enfim, eu vivi. Gosto de pensar assim. Como dizem… Acho que é enfiar o pé na lama? Isso bom? Não parece certo…” A expressão confusa dera lugar ao sorriso, ainda que a animação estivesse ali, ao fundo.
O questionamento de Harry recebera um aceno positivo. “Trilhas para encontrar bons restaurantes. Parece ser uma boa tradição.” Ok, poderia se animar por uma noite, ainda que o questionamento posterior do outro tenha lhe deixado um tanto pensativa. Será que estava perguntando mais do que ela achava que estava? Ou menos? Se estivesse em um desenho animado, certamente estaria saindo fumaça de sua cabeça agora. “Sim, acho que estamos?” Incerta, ela resposta, ainda sem saber. “Espero que sim.” Será?
deu para notar que sua fala teve um efeito e harold não a culparia caso desejasse rir; afinal, era uma história engraçada. o comentário final, no entanto, o pegou de surpresa, fazendo com que risse da tentativa dela em suavizar o desastre. “tudo bem, se quiser, um dia eu faço esse macarrão para você.” brincou com ela. definitivamente, não ia a submeter em uma experiência tão ruim.
“ah, não é nada demais... eu nem lembro o motivo de ter me afastado deles, para ser sincero.” comentou enquanto tentava mesmo lembrar-se do motivo principal, até conseguindo parte da sensação, lembrando também do que se arrependeu de fazer, mas somente isso. não queria usar o jantar de comemoração para mostrar um dos seus lados mais inseguros. focou na comida, deixando claro que não estava interessado nisso. quase afogou com sua comida ao ouvir uma aventura dela, levando a mão na frente da boca para esconder sua risada de boca cheia. que mal-educado de sua parte, mas como não rir do cenário? após conseguir engolir, precisou comentar. “você realmente sabia aproveitar as oportunidades... ainda deve saber. você gosta de aerosmith ainda?” no fundo, bem no fundo, esperava que não; o inglês nunca foi muito fã da banda de rock. “eu diria que não enfiava o pé na lama... porque essa conotação parece ruim, e não acho que suas aventuras tenham sido ruins.” explicou o motivo de sua discordância, continuando. “mas... talvez, sejam só isso, aventuras.”
ao notar a confusão dela com suas palavras, riu fraco, assentindo rapidamente. “sim! sim... quer dizer, por mim sim. se por você também sim... então...” mas gostaria de saber se isso é amizade ou não. engoliu em seco, ignorando o que pensou para prosseguir com o jantar.