Vocês já ouviram falar sobre o “teste do pescoço”? É um “teste” pra perceber a segregação racial em torno de você. Basta esticar o pescoço dentro de um hospital de ponta e contar quantos pacientes são brancos, quantos médicos são brancos e quantos negros limpam o chão. Quantos negros estudam em uma escola particular ou em uma universidade publica. Quantos negros no ônibus de linhas periféricas. Quantos moradores de rua são negros e quantos dos nossos ministros são negros (apenas uma: a chefe da Secretaria de Politicas Sociais Raciais). O brasil tem a segunda maior população negra do mundo depois da Nigéria, 53% da população, e podemos facilmente observar que os brancos e negros não frequentam os mesmos lugares ou ocupam a mesma posição.
Mas porque isso acontece? Porque eles tem preguiça de trabalhar? Por que eles tem preguiça de estudar pra passar em uma faculdade ou são mais burros? NÃO! O que nós vemos hoje é uma herança deixada pela escravidão, ai você pensa, mas não existe escravidão faz tempo. O Brasil foi o ultimo país da américa a abolir a escravidão, em 1888, faz 127 anos, e 127 anos não parece mas é pouca coisa. Eu li um texto que explicava como 127 é recente e as marcas da escravidão permanecem até hoje, e vou tentar reproduzir esse texto aqui.
Você acha que a classe econômica e social de seus avós influenciou na condição econômica e social que seus pais tem hoje?
E a dos seus pais, você acha que influenciou ou influenciará na sua condição?
Você acha que ser filho de família predominantemente branca, de classe média alta ou elite, moradora das áreas mais nobres e de maior custo de vida do país, teria algum impacto no seu futuro, na sua educação, na sua profissionalização?
Você acredita na meritocracia? Que tanto faz ser homem ou mulher, branco ou negro, rico ou pobre, ser do nordeste ou do sul, o que conta é o esforço pessoal de cada um?
Concordando então que a condição dos pais influencia na vida dos filhos, porque é tão difícil aceitar que os negros que vivem hoje no Brasil não tem suas vidas econômicas, sociais, políticas e culturais afetada pelas condições desumanas que foram impostas aos escravos africanos que aqui viviam?
É natural uma geração viva melhor do que a anterior, mas não acontece um afastamento significativo de nossas raízes. Eu, por exemplo, tenho uma condição de vida boa, mas tenho plena consciência que muito provavelmente não vou ser o próximo Eike Batista.
Voltando a falar da abolição da escravidão, no dia 13 de maio de 1888 os negros “foram libertos” mas a partir daí eles não passaram a usufruir das mesmas oportunidades de vida dos brancos, eles foram dominados por mais de 300 anos, todo o sentimento de repulsa, superioridade e desprezo que os senhores tinham sobre os negros não desapareceram de um dia pro outro.
Visto que, após a abolição, os negros foram jogados a própria sorte, sem moradia, saúde, trabalho. Voltemos ás gerações, por exemplo, um homem negro de 30 anos.
Seu pai com 60, seu avô com 85, seu bisavô com 110, seu tataravô com 130. Seu tataravô era um escravo, não é tão longe assim. Seu bisavô filho de ex-escravos
Isso tudo explica o que eu falei lá no começo, o porque de os negros ocuparem a grande parte das favelas e bairros pobres, o numero de negros analfabetos é o dobro de numero de brancos na mesma condição, a renda dos negros é 40% menor, etc. Por isso existem essas medidas de reparação, pra colocar o negro na universidade ou em escola federal, pro negro ocupar cargos públicos definidos por concursos. 127 anos não foram suficientes para reparar o estrago feito por mais de 300.
Teste do pescoço: http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,o-teste-do-pescoco-imp-,1664263
http://www.pragmatismopolitico.com.br/2015/03/a-necessidade-das-cotas-raciais-num-pais-como-o-brasil.html
[Este foi um trabalho de inglês sobre cotas raciais]