Klaus se quer estava pensando, os ataques eram direcionados sem qualquer cautela contra o escudo da mais nova, entretanto se surpreendeu com a onda de força capaz de desviar todos os seus ataques. bastou fitar a rampa para que esse plasmasse um escudo energético verde e brilhante pronto para receber as rajadas disparadas pela leoa. “Alguém não sabe ficar na defensiva não é?”
Kanesha não saberia precisar o momento certo em que algo dentro de si quebrou. Não, não daquele jeito. Nada estava doendo ou sequelas de um passado esquecido. O barulho foi de uma barreira rachando, uma única fissura soando como um trovão. — A melhor defesa é o ataque, não é? — A felicidade selvagem salpicando o peito, distraindo-a da sensação de uma boca pequena demais para o que tinha dentro. O que crescia em demasiado, afiando e se complementando, o encaixo perfeito de presas de uma mandíbula animal. A princesa aproveitou a defensiva de Klaus para abandonar o escudo de vez, deixando a mão quebrada para fabricar as esferas e a boa, arremessá-las.
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“Eu tenho minha própria forma de lidar com minhas dores” foi o que se bastou a dizer, mesmo que Florence nem soubesse que forma era aquela certamente haveria de dizer uma “Fora isso estão dizendo o que? Que sou uma bruxa louca? É o que dizem desde que disparei um prato com minha telecines no meu irmão no refeitório, nada de novo sob o sol” concluiu, estava farta daquilo e sentia que a qualquer momento realmente abraçaria a insanidade, parecia o melhor jeito de viver, mas havia certa irritação em Florence, embora que o fato daquilo parecer um interrogatório a incomodasse sua irritação tinha mais a ver com a situação em que estava. “Simples, meu pai acha que eu sou uma vaca e está me vendendo para outra fazenda a fim de conseguir algumas moedas a mais de ouro, melhora se eu disser que meu noivo é gay e namora o meu irmão?”
A resposta colocou os olhos castanhos da princesa estreitados, analíticos e um tanto quanto carregados de julgamento. Ora, não era comum dos leões sentir a ameaça no ar e calcular pesadamente se devia ou não investir? Kanesha não estava tão longe disso, mesmo confinada em uma forma humana.— Ah, então é isso. Eu estava sentindo um cheiro diferente e não achei que pudesse vir de você.— Kanesha já participou, ouviu e presenciou problemas demais para se deixar abalar com qualquer coisa. Entretanto, quando era sobre sentimentos e auras, a magia mordendo o que tinha por baixo da pele, o jogo mudava. E, por incrível que pareça, a energia do caos formava uma onda, pronta para defender a princesa de Florence. Florence!— Se isso te considerar bruxa louca, meu amor, eu sou a Rainha Ensandecida. Já cheguei lançando coisa pior no meu irmão. Já me atraquei com tesouras. Não, Artemísia, eu ouvi da sua irritação e nunca tinha de visto assim. Mas depois dessa sua explicação, tô quase contratando um barco para fazer uma visitinha diplomática ao seu reino. Ainda dá guerra se você atacar claramente teu pai?— A Magia levantou, um único fragmento de energia em forma de raio percorrendo uma mecha do cabelo cor-de-rosa.— A Fera parou no tempo mesmo, mas que caralho. Enfiou a cabeça embaixo da cauda e tá se achando o dono do mundo, hm? O que você precisa para acabar com a palhaçada? Me diga e eu arranjo.
Era uma vez um filhote, uma pequena leoa nascida no berço esplêndido de Savana. Seu principal passatempo era vasculhar as pedras e puxar as orelhas do irmão com os dentes. Com o passar do tempo, a leoa adquiriu consciência, ganhou humanidade; que deu breves períodos de tempo numa forma estranha e pouco familiar. Tão rápido de acostumou a andar sobre duas pernas, a pequena leoa ganhou o mundo tecnológico. Místico. Ganhando reconhecimento e uma posição de altíssimo grau no grupo mais seleto da proteção de Savana. Uma escolha lhe foi apresentada e o sacrifício foi feito. A pequena leoa não mais o era, confinada no corpo humano repleto de magia. E assim, esse era uma vez pareceu terminar no mundo animal.
Só que não foi bem assim que os Espíritos Ancestrais planejaram o destino de Kanesha Adebayo Osuigwe.
A menina assustada, confusa, que entrou na floresta escura não saiu horas depois. Seus gritos não mais ouvidos por entre os troncos. O que saiu foi uma fera. Uma besta. Músculos, pêlos e presas. Uma felina tão grande, tão majestosa, tão esplêndida quanto era letal. As patas afundando no gramado para entrarem no terreno conhecido de Aether. Passear pelos corredores cheirando a comida de Dillamond.
O problema? Eu conto o problema.
Enquanto os animais andavam sobre suas patas, tinha sorrisos nos rostos e o brilho inteligente nos olhos; a leoa não carregava nada. Seus olhos amarelos, um dourado escuro e congelado, não eram nem perto humanos.
A pequena leoa era enorme e ela nada mais era do que isso, uma leoa.
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O olhar da imrense se iluminou ainda mais diante da revelação, conforme se aproximava como se conspirasse alguma coisa. Acabou se sentando de frente para Kanesha, afinal o chá poderia começar ali a qualquer momento e ela tinha de estar preparada. ❝ Provar agora então você deve, deve, deve. ❞ Concordou empolgada com a cabeça, o sorriso se alargando quando observou as notas e moedas. ❝ Para o País das Maravilhas sim, você consegue. Mas encomendar primeiro você deve. Ou… se disposta estiver, um sopro divertido pode ter. Então, o que me diz? Quer ver? ❞ Apoiou as mãos nas coxas para se inclinar para frente, os lábios fazendo um leve biquinho prontos para assoprar na direção da outra o seu poder.
A mente da leoa trabalhava nas possibilidades, avaliava os arredores e calculava a probabilidade das pessoas aparecerem ali. Se o irmão mais velho a pegasse fazendo isso seria seu fim em Aether. Com sorte, o assunto não chegaria aos seus pais, mas o olhar dele... Kanesha mordeu o lábio inferior, pensativa, dando uma olhada mais assertiva em Marlo. — Sua proposta é tentadora. — Mimicou a posição da outra, sentando sobre os calcanhares e matando os centímetros de distância reservados para si. — Hit me with your best shot.
“Ah, eu também! É tão feio, não é? As palavras não iriam gostar disso. Porque se elas são do jeito que são, porque mudar só para encaixar em um lugar? Crie uma nova, muito melhor! Ou peça permissão para as palavras. Eu procurei por aqui alguma nota falando sobre, mas eles não pediram nenhuma licença para as palavras. Hum, hum, nenhuma.” Humpty Dumpty concordaria consigo, mesmo que não fossem muito um com a cara do outro após o uso exacerbado do Por que (longa história). Primeiro testou a palavra: coube. Com um sinal de OK com a mão, ele seguiu para a próxima, mas não pode começar a busca antes de ter a atenção roubada. “Não…” as meias nunca estão desarrumadas. “Porque eu amassei e dobrei cinco vezes, ué.” que pergunta boba! “Eu sou do Clube de Música, de Interpretações dos Sonho, o que, aliás, ‘tá me dando mais pesadelos, ontem mesmo eu sonhei que caia no buraco e o buraco virava o olho de um furacão, e de repente, o furacão começou a se encher de amendoim, o que foi terrível, porque eu sou alérgico a amendoim, e aí eu te pergunto: qual o significado disso? Eu não vejo amendoim faz uma semana! Ah, eu também ‘tô no time de futebol, mas ando ficando no banco ultimamente. Veja, todos esses tem horários, sabe? Eles acabam e eu fico sem nada. Quais grupos você conhece?”
Ergueu uma perna para abraça-la contra o corpo com o braço bom, o queixo apoiando sobre o joelho erguido.— Eu sou conhecida por criar coisas e inventar novos jeitos, mas as palavras... Elas não foram feitas para serem usadas assim. Total desrespeito, não acha? Só mudando as estruturas das línguas para que algo assim seja aceitável.— Era uma delícia defender uma causa, ainda mais quando outra pessoa era tão adorável em fazê-lo. Kanesha tinha os olhos discretamente sobre o aprendiz, sorrindo consigo mesma ao observá-lo com carinho.— O significado é óbvio, não? O buraco significa a voz estranha chamando todo mundo para a floresta assombrada, alucinações e tudo. Muita gente descreveu a sensação como ‘cair na toca de coelho da Alice’. O furacão é claramente o que aconteceu na ilha, mero detalhe ter sido associado com um tsunami. Agora o amendoim... Esse é o nosso futuro. Bem, seguindo suas observações, seu futuro é a morte. Sinto muito.— E a leoa conseguia ser cruel, perversa até em provocar daquele jeito, mas era mais forte do que si. Completou a interpretação do sonho com um sorriso cheio de dentes, caninos longos demais para uma ‘humana’.— Eu acho que foi isso... Você chegou a jogar no intercasas? Porque eu amo jogos e assisti todos. Conheço todos os grupos, ora essa! Mas participo do vôlei, do clube de metalurgia e o de poções. Meu preferido é o segundo, a fornalha é um sonho. Agora o vôlei... Tô pensando em mudar. Que esporte eu tenho cara?
A resposta para enrolação foram os discos lançados contra a outra na esperança que ela fosse capaz de realizar um escudo rápido e resistente o suficiente, as íris do feérico assumiam sem qualquer resistência o verde brilhoso e intenso tal igual as esferas disparadas contra o escudo da outra. O riso vitorioso ao ver um de seus ataques passar o escuto, que se tornou um riso ainda mais divertido a ser chamado de principiante. “Você que pediu” tomou fôlego, voltando a disparar os ataques em seguida, mas com um detalhe, eles se focavam no lado do escudo cuja era sustentado pelo braço machucado da leoa.
O comprometimento da funcionalidade do braço principal tornava difícil a tarefa de atacar e se defender ao mesmo tempo. E mesmo com a mente rápida e o feitiço na ponta da língua, os olhos piscando com a magia rápida em obedecer, algo faltava. Algo pedia para ser preenchido, e mudado. Cada golpe fazia a estrutura metálica guinchar em resposta, a mandíbula da princesa cerrando com a dor irradiando pelo forçar acima do limite. Numa onda, Kanesha jogou os ataques de Klaus para o lado, o escudo como rampa e caminho para o caminho diferente. A mão boa girando em círculo para as próprias esferas ganharem vida e serem jogadas contra o féerico.
Observou atentamente a maquiagem sendo borrada no rosto alheio, ainda atenta a cada lágrima que escorria pelo rosto de Kanesha, ao menos ela parecia estar parando de chorar e isso era um pouco positivo na visão da Kingsleigh. —O que é então? —Indagou ainda um pouco perdida, mas realmente se esforçando para entender o que a outra se referia de verdade, mas era difícil quando já estava tão desgastada e acabada da festa. Porém, o questionamento feito pela leoa era algo do qual Madison poderia responder com maior facilidade. —Poder meu ajudar poderia, em sua cabeça eu entraria e sua tristeza prenderia ou mataria, o que achar melhor você. Tudo para se dá um jeito.
O que é então? O que era então? Decepção e confusão, a confiança ruindo toda vez que lembrava que nunca mais ia voltar a forma felina. E, quando lembrava ter ganhado poderes e habilidades que nunca conseguiria na forma animal, o punho cruel voltava a golpeá-la. Porque bastava um defeito na estrutura humana para fazê-la duvidar de si mesma.— Nada, Maddia, nada!—E se irritava e enfurecia. Queria gritar e se esconder na camada mais profunda desse planeta. Dessa realidade! — O que você precisa para matá-la? Prendê-la? Faz faz faz, só faz. Por favor. O que você precisa? Minha permissão? Ela é sua. Toda sua. Eu, Kanesha Adebayo Osuigwe, te permite fazer o que quiser com essa estúpida, idiota, inoperante e defeituosa tristeza. É sua. Faça.
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♱ Agradecia a boa vontade da pessoa que abordara, já que não seria qualquer um que entenderia ou sequer se importaria com a situação, afinal muitos não conseguiam aceitar o fato que Luriorn também dizia ‘não’ em situações como essa. Entretanto, nunca a atuação da morena se aprofundasse em níveis de realmente causar uma dúvida em sua mente: “Será que havia conhecido essa menina em outra situação e não se lembrara?”. Provavelmente não seria o caso, afinal seria complicado esquecer de alguém com tamanha beleza.
Ao perceber certa hostilidade contra a loira, Luriorn apenas aproximou mais seus corpos causando uma certa distração, principalmente quando o sorriso travesso surgiu em seus lábios. A proximidade dos dois de alguma forma chamava mais atenção do que o esperado, para ambos os lados, e nisso o moreno formou sua fala:
A bebida poderia influenciar na facilidade de se soltar ainda mais em situações como aquela, mas de nenhum modo afetaria tão diretamente seus poderes. Num sussurro do vento, uma brisa tão suave quanto uma carícia, a teia do poder de Kanesha se abriu ao redor. Um encantamento, um aviso para aproximações não permitidas. Mesmo assim, protegida, levantou o rosto e abriu seu sorriso mais sedutor apaixonado. A voz numa melodia suave e floreada com o sotaque estrangeiro. — Me conceda um beijo, Luriorn, e mataremos dois coelhos numa cajadada só.— E por ele, por aquela cena, se esforçaria em suspirar e ficar na ponta dos pés, de chegar mais perto para que o beijo fosse algo planejado - e não uma sorte lançada pela princesa para os espíritos ancestrais avaliarem. Piscou, a risadinha presa na garganta sendo transmitida pelo brilho nos olhos e a curva no canto dos lábios.— Eu aceito de muito bom grado, meu caro, mas aviso de que não como pouco.— Revirou os olhos, ainda com o divertimento em sua aura expansiva.— Eu sei quem você é, conheço todo mundo de Aether. Mas já que está se apresentando... Kanesha, muito prazer em oficialmente conhecê-lo. Uma perguntinha, carnívoro, herbívoro ou área cinzenta?
“Não diga uma bobagem dessas, eu jamais te cortaria, eu só… estou passando por um período complicado” mordeu o lábio insegura, antes de um risinho tímido e sem jeito, as mãos não sabiam exatamente onde ficar. Os olhos se arregalaram quando a pergunta veio… Coisas estranhas? Será que já estava sendo chamada de louca? Nem Florence sabia ao certo o que estava acontecendo… “O que estão dizendo por ai? É sobre o meu noivado?”
E não estamos todos?— Era um comentário idiota, mas precisava ser dito. Seu braço quase curado era uma prova disso, rejeitando tudo o que a princesa colocava para dentro a fim de apressá-lo. Kanesha sorriu de lado, o artifício colocando Florence a cuspir algumas verdades.— Uma das, porque ficar sabendo por outros e não por você é meio... desanimador, para não dizer outra coisa. Me explica essa coisa antes que eu tire conclusões precipitadas. Quer dizer, continue pensando errado.
❝ — Ah, por favor, K! Não era um namoro. Eu nunca servi para esse tipo de coisa e, se na sua terra isso é chamado de namoro então percebemos claramente que eu nunca me darei bem com isso porque olha… foi um porre. — ❞ Desta vez revirou os olhos ao mesmo tempo em que suspirou frustrada, incapaz de se conter. ❝ — Não digo o lance em si, mas… todas as implicações disso. E é claro que eu parei de sofrer! Olha bem para mim. Autossuficiente do jeito que sou, sofri por um dia ou dois no máximo! E só porque ele sabia o que fazer na cama, algo que com toda certeza posso suprir muito bem. Inclusive, tinha sentido falta dessa… liberdade em poder experimentar coisas diferentes sempre que eu puder, sem qualquer tipo de compromisso… — ❞ Um sorriso torto se fazia presente nas feições da arqueira o qual logo foi substituído por uma mordiscada no lábio inferior para conter o riso, erguendo as mãos em sinal de rendição. ❝ — Tudo bem então, não-aprendiz Kanesha. Não está mais aqui quem falou. — ❞ Brincou, mas por um momento, foi capaz de sentir a dor alheia. É claro que, egoísta como a descendente de Robin Hood era, aquele sentimento não duraria por muito tempo, sua atenção logo se voltando para um detalhe muito importante… ❝ — Eu entendo… Nem imagino como deve ser estar presa nesta forma estranha e tão… não você, que nasceu leoa! — ❞ Quando necessário, a arqueira sabia ser deveras bajuladora e, se fosse preciso comprar a outra para conseguir o que queria, assim o faria. ❝ — Mas, tenho certeza que você consegue achar uma forma de retornar ao que era. Aliás… se você precisar de ajuda, pode contar comigo! Agora, me conte… suas espadas com fio dourado… como elas funcionam? Você poderia me mostrar? — ❞
Você sabe que em família como a minha, de animais selvagens carnívoros, a maioria é um macho para várias fêmeas. Certo? Então, o conceito de namoro tem super a ver com exclusividade. — Sentiu a necessidade de se justificar, porque precisava preparar o terreno antes do próximo pedacinho de personalidade que colocaria para fora. — Queria que nossa conversa tivesse começado por esse ponto, porque estaria em um outro patamar de assunto. O que envolve uma autossuficiência tecnológica e mágica capaz de alcançar lugares e sensações que humano, animal, coisa nenhuma é capaz de alcançar. — Kanesha enganchou o braço no pescoço da outra, os lábios quase grudados no ouvido alheio. — Eu tenho uma experiência desse lado, se quiser testar coisas realmente diferentes, me avisa. — Podia estar falando de si mesma, podia estar comentando da sua rotatividade e conhecimento, podia estar dizendo e tudo ao mesmo tempo. Contudo, deixou o entendimento de Alexis ir para onde quer que fosse com uma olhada maliciosa, um sorrisinho de lado que deixava amostra um flash do canino alongado. Ah, e uma piscadinha. A leoa bateu as palmas juntas, já de frente para ela. — Assim, VIVA polegares opositores, mas minha forma... minha verdadeira forma... Não tem cabelo rosa, biquinho perfeito, que seja mais linda do que ela. — O clique no braço, o zumbido do transmissor no bolso, foi o aviso necessário para ela se dar contar de uma coisa. Um peso que a tirava da leveza da liberdade e a forçava a olhar a realidade em que se encontrava. — Eu posso te mostrar, mostrar mesmo. Esgrima, né? Me manda uma mensagem depois da tua prática, vou te mostrar como o meu florete dourado funciona. Agora eu preciso ir. Dar uma oleada nessa belezinha. — Ergueu o braço na estrutura metálica, depois dois dedos num V. — Beijo beijo.
A sensação de que estava sozinha sondava a ex-duquesa com mais frequência que o normal. Sempre teve pensamentos negativos, mas normalmente sufocava as vozes com álcool o suficiente para que ficassem sonolentas e ela achasse a vida divertida e leve novamente. Sem o álcool, ela esta hiper consciente de que suas amigas estava desaparecidas, e de toda a realidade dolorosa que a rodeava. Seguiu para uma das varandas no alto do castelo, onde ficava com a filha de Scar, apenas porque era um lugar que lhe trazia pensamentos felizes quando percebeu a proximação de outra leoa. O queixo da loira caiu, pronta para perguntar o que ela fazia ali, mas ela mesma se prontificou a responder, e assim que viu a foto de Shantal no transmissor o coração da Kjersti se agitou. “Você tem falado com ela? Achei que ela estava incomunicável!” Estreitou os olhos, se sentindo traída pela amiga estar falando com Kanesha e não consigo. “Ela está bem? Ela vai voltar?”
Kanesha girou sobre o banco, ficando de frente para Saxa e se preparando. A preparação para a delicadeza de cada aspecto daquela conversa. Desde o assunto a ser tratado ao instinto que a dizia sobre a condição da loira. Era algo estranho, mas uma leoa protegia aquela que tinha filhotes, e uma Rainha como era... o dever ainda era maior. — Não vá por esse caminho, Saxa. Ela está falando comigo porque eu sei tudo o que ela precisa. Shantal está navegando por Savana e precisa de alguém de dentro para não ser pega.— Não que estivesse sendo procurada, não era isso, mas a leoa tinha pedido descrição na aventura e Kanesha não via vantagem nenhuma em planejar uma festa de retorno para quem tinha sido esquecida pelos pais (ou tios, no caso).— Ela está bem sim, muito alimentada e segura, do jeito dela. Esse número que estou falando com ela é uma invenção minha, só eu posso entrar em contato e não é rastreado sem a impressão da minha magia. E não conversamos durante horas, como vocês duas. Só um ou outro ponto, um detalhe e o de praxe. — Mordeu o lábio inferior, pensativa, o dedo fazendo desenhos sobre a coxa sem a consciência da princesa.— Shantal não me falou isso, mas dá para ver que você é importante para ela, e... Você se importa de começarmos de novo? Nosso maior problema foi questão familiar e associado, nunca nem conversamos direito. Vai, podemos ser coleguinhas...— O que não estava dito era claro, o querer colocá-la na alcateia, mas não podia negar um interesse genuíno em conhecer melhor a outra. Kanesha sorriu amplamente, e diminui de imediato porque um sorriso com seus caninos alongados seria um tanto ameaçador.
Não fazia ideia de onde tinha surgido todo aquele amor incondicional por Kanesha, mas, naquele momento, todos os seus pensamentos estavam direcionados para a figura da leoa, de modo que era impossível ignorar seus sentimentos. Até queria dizer a Kannie que sabia que era uma língua que ela tinha dentro da boca – ora, ele não era burro – mas assim que abriu os lábios foi outra frase que saiu: “ Ah, sim, sua língua… Sua boca, seus lábios. Existe coisa mais bonita em todo o universo? Deusa africana, felina, carnívora, tudo o que vejo em você me faz querer— ” se interrompeu quando a tanzaniana começou a rir, preocupado sobre ter dito algo errado. Em alguns momentos tinha lampejos de lucidez, em que não sabia por que era tão importante impressioná-la, mas a verdade é que o vinco de preocupação se aprofundou quando ele ouviu as reclamações. “ Quer dizer que não gostou do pedido? Prefere que eu me ajoelhe? Amora avisou que teria que ser feito assim ” corrigiu a postura de imediato, levando um dos joelhos ao solo e passando a encarar a princesa de baixo e tomando uma de suas mãos. “ Sim! SIM. Case-se comigo amanhã e prometo te dar o mundo todo para chamar de Savana. Quer uma Pedra do Rei também? Eu te dou ” proferiu, com certo desespero, ansioso por aprovação, por consentimento, tanto que se agarrava à mão tomada com alguma força, esperando que Kanesha entendesse a urgência de seu amor.
Um punho forrado de ferro, a manopla daquelas bem desenhadas e pesadas, não teria o mesmo efeito no golpe que Kanesha levou. Não. Ela era leve, como uma pena, perto dos sentimentos que se misturavam e rodavam a cabeça já confusa da princesa. Os olhos marejavam, emocionados, mas o coração não sabia se batia com força ou devagar. O rápido e o lento brigando para quem tinha maior poder sobre seus movimentos. — Eu te quero inteiro, Njord. Com ou sem os ensinamentos de amora. Com ou sem a educação. Eu quero você, o que te faz você e quero muito muito muito mais. Eu não amaria alguém que pudesse ser falso, que não estivesse tão em contato com- — A verdade travava na garganta, a careta aparecendo no rosto porque a consciência lutava contra os efeitos das muitas drogas que tinha ingerido. Sua mão apertou com força a de Njord. A outra se livrando de tudo para segurar-lhe o rosto e o manter em posição para o beijo. Um forte e bem pressionado, seguido de outros que se impediam de falar até as sílabas de uma curta palavra. — Eu preciso de um vestido. Rápido. Uma noiva não pode ver o noivo no dia do casamento. E vamos no casar! Me encontre aqui em meia hora! — Não tinha tempo nem para pensar em nada além da dor causada pelo afastamento e da urgência para encontrar Freya e pedir um vestido emprestado. Uma pena que o foco só durou alguns segundos, seu real objetivo sumindo no primeiro encontrão com alguém da guerra de tinta. Bom, se juntar não faria mal, certo?
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They sailed over a sea of clouds, and Abraxos dipped his claws in them before tilting to race up a wind-carved column of cloud. Higher and higher, until they reached its peak and he flung out his wings in the freezing, thin sky, stopping the world entirely for a heartbeat. And Manon, because no one was watching, because she did not care, flung out her arms as well and savored the freefall, the wind now a song in her ears, in her shriveled heart.
Nome: Abraxos
Sexo: Masculino
Animal representante: Serpente alada, um parente menos racional e mais esguio que o dragão. Kanesha, como um animal, não se sentiria bem com qualquer outro animal que não um tão exótico quanto ela. E, mesmo assim, não o trata com nada menos que o sincero respeito.
Características: Sua força está nas patas traseiras, capazes de impulsionar o longínquo corpo em alturas adequadas para o voo. As patas dianteiras são extensas, tão compridas quanto a distância do focinho à ponta da cauda. Finas, esqueléticas, os dedos se espalhando e conectados por membranas finas vascularizadas. As asas de couro podem aparentar delicadeza, mas sua composição é tão forte quanto o couro que futuramente usará como sela. A cauda é grossa perto da base e cheia de espinhos na ponta, aumentando a letalidade dos golpes na parte traseira. A cabeça triangular é cheia de relevos e formações ósseas proeminentes, protegendo – ou seria disfarçando – uma boca com caninos compridos e a língua bifurcada. Por ainda ser um filhote, todo o potencial está reduzido a uma criatura não maior que um metro, lisa como somente a pele grossa poderia ser. O andar é bamboleante, cheio de um gingado comum de lagartos; misturando-se com os pulos e agitar das asas colocando-o no ar a planar por pequenas distâncias. Quando parado, permanece nas pernas traseiras, os olhos de tripla pálpebra não perdendo um segundo dos arredores da sua princesa. O modo de falar, bem, é um animal naturalmente silencioso; tanto externamente quanto pela ligação com a protegida. Sua comunicação permanecendo em olhares e troca de sentidos, de sentimentos. Uma respiração, um movimento rápido de olhos, a forma como os dedos se agitam. Crê-se, no entanto, que tal característica vai mudar quando passar de sua fase infantil. Kanesha teve a primeira amostra no Clube de Metalurgia, uma voz rascante e gutural, de monstro do fundo de uma caverna, a alertando sobre um acidente causado por outro aprendiz. O susto foi enorme, assim como o prazer de ouvi-lo pela primeira vez.
Personalidade: Se existe um animal que representa a desconfiança e altivez da princesa em seus tempos de leoa, Abraxos completa e incrementa bem esse papel. A curiosidade é a sua primeira característica, bem mais controlada da cheia de dedos e perguntas da Osuigwe. Se aproxima e fareja, cutuca com o focinho e sopra seu hálito, até estar manipulando-o como se o conhecesse desde o dia de seu nascimento. Os olhos em fendas captam tudo, completando o estado de vigília que Kanesha sempre está quando se põe a trabalhar. Abraxos é voluntarioso e esnobe, uma criaturinha minúscula com o ego do tamanho de toda Aether. É a voz que discorda da princesa, mesmo ela estando certa, só para ver ela se defender e mostrar que está, de fato, coberta de razão. Não se pode deixar de lado a falta de bom humor e o gênio terrível, de quem é rei soberano, o agitar da cauda e a mandíbula estalada no ar afastando quem chega perto demais. Afinal, a distância o faz maior e nada pode encostar sua princesa sem ter passado por sua avaliação primeiro.
Relação do seu personagem com o daemon: A amizade surgiu pouco tempo depois do primeiro contato, quando ambos animais se reconheceram como qualquer coisa longe da ameaça. Respeito mútuo, picuinhas sempre que possível. Kanesha precisou reaprender que não podia mudar o animal do mesmo jeito que tinha se domado para adequar aos costumes humanos. E isso foi incrível. Uma serpente alada ensinando a leoa a voltar a suas raízes, assim como a leoa o ensinava sobre os segredos da existência humana. A conversa é basicamente unilateral, com pouco participação verbal de Abraxos; mas não se enganem de que fica só por isso. Seu jeito de comunicar causa estranheza nos demais, porque se encaram por muito tempo. Rosnados e chiados, dentes expostos e empurrões. Dois gatos brigando, dois letais e ferozes gatos procurando o equilíbrio. Por mais que briguem e se desentendam, terminam como se nada tivesse acontecido e a princesa sorri. Abraxos sorri também, mas não é muito inofensivo de se ver. Os outros daemons são estranhos e, por vezes, enxergados como comida. A princesa o colocou na linha nesse ponto, o fazendo confiar nas pessoas que tinham sua indubitável lealdade. Ainda precisavam ser analisados? Sim, e era ainda mais carrasco em suas observações. Os amigos eram piores que os desconhecidos.
Primeira reação do seu personagem ao encontrar o daemon: Ambos sabiam que não podia ser abrupta a aproximação, como entenderam depois de um tempo. Kanesha sentia que estava sendo seguida, mas não conseguia identificar onde estava tal intruso. E, por alguma razão, seus robôs de vigilância ou não conseguiam captar a sombra ou eram encontrados destruídos no dia seguinte. Marcas de garras e dentes fincados na liga metálica inferior, saliva grossa corroendo o circuito interno. Noites depois, o corpo coberto de suor pelas forjas, a sombra se fez palpável e visível. Kanesha esperava o vibranium derreter enquanto ajustava fios e soldava a placa de circuito numa mesa próxima. Abraxos pulou para o círculo de luz e se eriçou todo, mostrando tudo o que compunha sua figura diminuta. A resposta da leoa foi dolorosa, porque seus dentes e unhas metálicas rasgaram o esconderijo da pele e brilharam à luz do fogo. Gotículas de sangue brilhando como rubis. “Criatura curiosa” e “o que estava esperando” eram seus pensamentos. E eram os pensamentos de Abraxos. E conforme os segundos se transformavam em minutos, a serpente alada imitando a leoa em sua observação, a princesa notou. Seus pensamentos eram espelhados, jogados de volta de outra forma. Como duas pessoas interpretando o mesmo quadro. Kanesha refinada, Abraxos selvagem. O daemon saiu da postura ofensiva e sentou sobre as patas traseiras, agitando a pele de couro como um passarinho tirando a chuva, o focinho cheirando o ar de maneira pacífica. A leoa não pode fazer nada além de se entregar, aproximar-se e lentamente encaixar a mão no rosto pontiagudo. Nesse primeiro toque, nessa primeira troca de olhar, Kanesha percebeu quem ele era e da sua boca saiu o que ele tinha lhe dito sem palavras: Abraxos.
Como foi o primeiro contato do seu personagem com o daemon e como está agora? Acostumada com os robôs e vigilância da mãe, Kanesha não estranhou a constante presença de Abraxos. Pelo contrário, era uma companhia tão bem-vinda quanto querida. Lembrava-lhe de casa, de Savana, dos leões e do que carregava dentro do peito humano. Contudo, o daemon era um lembrete de forças que tentava colocar sentido, da coincidência dos aparecimentos misteriosos: as criaturas e o carvalho. E por mais que seja estranha, a princesa percebe que ele é seu e ela é dele, que estavam mais ligados do que duas criaturas fora de habitat. A ligação atingindo o nível da essência dentro de si.