O arrependimento no rosto trouxe aquela chama acesa que simbolizava uma ideia. Uma associação fantástica. Estavam brigando, tirando de si a acusação de loucos, quando poderia… Quando percebia que podia ser algo proveitoso. Talvez alguém que pudesse entender seu lado da história, de um jeito que os melhores amigos não sentiam na pele todos os dias. ☾ — Não, realmente não passou, mas não é algo que desapareça com um pedido de desculpas e cinco segundos de sorriso. E, também, não quer dizer que é completamente sua culpa. ⋆ Tantas palavras ditas de uma vez que a pele escura do indígena arrepiou-se de leve, em animação, de querer mais daquela sensação quase libertadora.☾ — Quando se é- Quando se não é percebido como todo os outros. Quando não o notam do mesmo jeito- Mesmo num lugar com tantas diferenças, ainda é possível ser o diferente. Entende? ⋆ Hania pescou um dedo de Maddie, somente um para esfregar o polegar contra a primeira articulação. Algo rápido, mas cheio do significado.☾ — Tenho problemas com toque, só isso. Você não está impura nem nada. ⋆
Pendeu a cabeça para o lado ainda um pouco confusa com tudo que ele havia dito, indecisa sobre a culpar ter de ser sentida ou não. ❝Completamente não? Pela metade culpa é então?❞ Indagou ainda um tanto confusa, o olhando de forma engraçada, como se estivesse tentando o decifrar de alguma forma. ❝Sim? Creio um pouco que sim.❞ Acenou de forma positiva com a cabeça, ainda que não tivesse a mesma realização que ele. Observou a ação alheia ainda mais confusa do que antes, por que para ela era natural tocar as pessoas e ser tocada, especialmente em uma conversa, mas acenou de forma positiva de novo. ❝Problemas por que? Machucou alguém você?❞
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Artemisia Absinthium. A losna era macerada no pilão junto de funcho, do anis triturado e com um pouco do licor da mesma planta afim de facilitar o processo de maceração das ervas, o pó de fada milimetricamente medido e adicionado a maceração. O conteúdo misturado e macerado foi lançado no caldeirão que já contava com uma pré-prepararão borbulhante. A fumaça verde subiu ao ter as ervas infundindo ao liquido quente. Raiz de aroeira, e figueira junto de duas gotas de aliquente e pétalas de cocleária previamente cozidas foram colocadas no caldeirão enquanto o feérico entoava um cântico que lia em seu grimório, em resultado: um verde brilhante como se houvesse uma lâmpada no interior do caldeirão. Ao final adicionou outra espécie de artemísia, uma encontrada unicamente no reino dos Moors, colocou também raspas de cardamomo encantado. O liquido azul proveniente de poção congelante medido em conta-gotas em um proporção que não fosse o suficiente para congelar a mistura foi adicionado o suficiente para deixa-la levemente gelada. O liquido esverdeado brilhante e coado foi disposto em quatro garrafas de vidro transparente, a porção restante despejou em um copo quando conveniente alguém abriu a porta das salas de poções. “Quer experimentar? A primeira dose hoje é por conta da casa” falou alegre e satisfeito com o resultado do que tinha produzido estendendo o copo em direção a mais recente companhia. “Eu chamo de Fada Verde, a versão liquida e menos puritana da Fada Azul”
Madison tinha um bom comércio de suas poções e drogas, o melhor de dividir o negócio com sua irmã era justamente o fato de não ter uma concorrência. Então, quando foi parada no meio de um corredor pelo Vogelmann lhe ofertando uma poção nova, isso não lhe agradou em nada, estreitou os olhos na direção dele e cruzou os braços. ❝Desde quando você esse tipo de coisa faz? Why?❞ Ainda o observava coma expressão mais séria sem pegar o copo, afinal, não saberia a reação advinda do líquido estranho a sua frente. ❝Amigos fossemos achei eu, ajudar a mim melhor seria a você.❞
Um pouco do sangue era ricocheteado contra o seu corpo, mas não pensava nisso, apenas continuava nas sequenciais facadas até que a raiva estivesse morta. Um longo e aliviado suspiro se deu ao ver que a emoção morta e colocada para dentro da amiga. “Não tem nada que a gente não consiga, Maddie” afirmou contende, içou-a girando no ar contente, alegria que só aumentou com a sugestão seguinte. “Mas é claro que quero” imediatamente se dirigiu a geladeira para pegar o pote de sorvete, cortesia do clube de culinária.
❝Nada, nadinha!❞ Constatou de forma animada, rindo conforme era girada no ar, parando apenas quando foi posta no chão, tendo de se equilibrar na bancada para não cair, por que havia ficado um pouco tonta. Assim que voltou ao normal, logo seguiu ele até a geladeira, pegando um pote para ela e pegando uma outra colher na mesma gaveta que havia achado uma dúzia delas. ❝Sorvete quer de que? Meu ser flocos... Como neve!❞
O que é então? O que era então? Decepção e confusão, a confiança ruindo toda vez que lembrava que nunca mais ia voltar a forma felina. E, quando lembrava ter ganhado poderes e habilidades que nunca conseguiria na forma animal, o punho cruel voltava a golpeá-la. Porque bastava um defeito na estrutura humana para fazê-la duvidar de si mesma.— Nada, Maddia, nada!—E se irritava e enfurecia. Queria gritar e se esconder na camada mais profunda desse planeta. Dessa realidade! — O que você precisa para matá-la? Prendê-la? Faz faz faz, só faz. Por favor. O que você precisa? Minha permissão? Ela é sua. Toda sua. Eu, Kanesha Adebayo Osuigwe, te permite fazer o que quiser com essa estúpida, idiota, inoperante e defeituosa tristeza. É sua. Faça.
Não entendia bem a raiva alheia, mas sabia que não poderia julgar também tendo em vista que por vezes a raiva também tirava o melhor da Kingsleigh. O desespero alheio não lhe surpreendia também, por que um dia ela já fora desesperada da mesma forma. ❝Certo, mas culpa minha não será se errado algo der.❞ Alertou por que ela mesma sabia que tinha chances de acabar mal considerado o quão cansada ela estava, mas ainda assim atendeu ao desejo da aderente, tocando na mão da mesma e fazendo uso de seus poderes, sentindo o corpo cair contra o chão pouco antes de adentrar a mente alheia. Quando já estavam dentro da mente da leoa, ela sorriu se virando para a mesma e rindo. ❝A sua mente bem vinda seja, incrível lugar pode ser, tudo que quer vem a ocorrer.❞
Assentiu com a cabeça para a loira, segurando firma a faca em sua mão, estava pronto, o frio se instaurou no interior do estomago quando a mulher entrou na cozinha, não haveria outra oportunidade precisava fazer aquilo. Enquanto Madison a distraía, Aziz subiu em uma das bancadas, indo para trás da criatura colérica, em um impulso saltou contra ela cravando a faca em sua nuca, mas esse foi o primeiro golpe, afinal precisavam ter certeza que estavam em segurança, então enfiou e retirou a faca por conseguintes vezes. “Morre, morre, morre”
Sorriu ao ver Aziz esfaqueando a raiva, não demorando a fazer o mesmo, a esfaqueando de forma repetitiva e começando a rir conforma a raiva seguia gritando até que por fim caiu morta no chão. O que foi o suficiente para que Madison a colocasse de volta para dentro. ❝Conseguimos! Amigo melhor é você!❞ Exclamou em alegria largando a faca ensanguentada na bancada e se jogando nos braços do amigo, sem se importar com todo o sangue que os cobria, havia se acostumado com o sangue desde o ocorrido na floresta. ❝Você sorvete quer?❞
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Era curioso a forma com a qual os daemons adotavam. O da colega de casa por exemplo, Balderik ainda não havia se acostumado com o gorila pouco maior que ele, mesmo quando estava com as mãos no chão. Kace parecia querer examiná-lo melhor também, pois sobrevoava a cabeça dele como se analisasse se poderia ou não pousar em seu ombro. O lobo limpou a garganta, pegando o lenço para se limpar. ❝ Obrigado, Kingsleigh. Ainda não estou em bons termos com essa ave. ❞
Fergus era bem mais calmo que a Kingsleigh, isso era óbvio, tanto que o gorila parecia mais preocupado com sua leitura do que com a conversa ou com a deamon alheia. Ainda que a dupla se sobressaísse entre os outros, tanto pela personalidade de Maddie e sua reputação, quanto por Fergus andar de terno e óculos até mesmo no acampamento. ❝Nada de, compreender isso compreendo eu, visto que Fergus ali, chato é e legal sou eu. ❞
•••• “conversar com o tempo deve ser uma experiência bem surreal, jamais imaginaria que ele seria mal humorado… ou que se identificasse como ele.” franziu o cenho, pensando um pouco no assunto, mas deu de ombros assim que abriu mão da linha de pensamento. era curiosa pela mundo de wonderland, mas sabia que não adiantaria tentar achar sentido nele, principalmente sem conhecê-lo pessoalmente. “não quis dizer literalmente… não importa, te explico outra hora. é a melhor droga, definitivamente. não necessito de impulso para minhas teorias, mas é mais divertido com merlin lavigne.” –você está realmente pensando em se drogar? agora, nevaeh?–
❝Surpresa fiquei também, quando da primeira vez o encontrei, mas se duvidas sobre o Tempo tem, a Chronos deve indagar.❞ Afinal quem melhor do que o próprio filho do Tempo para responder qualquer questão sobre ele. Tudo que sabia é que era melhor não fazer piadas ou brincar com o Tempo, ele não parecia gostar muito desse tipo de coisa. ❝O próprio nome vem da conspiração de teoria melhor inventada já, em Aether ao menos. Sempre o velho achei suspeito, na verdade, velhinhos suspeitos sempre para mim são.❞
•••• “não é nada confirmado, claro, mas tem várias provas e suposições! eu adoraria conversar sobre isso quando tiver tempo para me ouvir, até para eu poder treinar meu texto para o podcast.” sorriu para a loira, só se distraindo por um momento quando toth escalou seu corpo para sentar em seu ombro, cansado de ficar no chão e querendo participar da conversa. “oh… faz sentido. e é por isso que eu não faço trilhas.” –e porque você é uma garota da cidade– toth contestou em sua mente. “você fala abertamente para quem está vendendo drogas, maddie. admiro isso. o que chegou?”
❝Sim quero, quando o Tempo der as caras eu para o marcar falarei, problema não o tem. Mesmo que mal humorado venha ele a ser.❞ Confessou como se fosse um segredo, por que sabia que não eram todos que conheciam o Tempo visto o quão ocupado era ele. Teve de expressar confusão no rosto com as palavras, o gorila não parecia interessado em lhe explicar também. ❝E falar fechadamente existe? Importa não, Merlin Lavigne chegou! Melhor droga essa é! Conspirações de teorias terá de montão.❞
❝ Kace. Não. Você. Não. Fez. Isso. ❞ Balderik sentiu o conteúdo quente e denso escorrer dos cabelos para os ombros e fechou os olhos, como se isso fosse capaz de fazê-lo acordar daquele pesadelo. Para alguém que tinha sempre tudo sob controle, estar naquela posição era inaceitável. Alguns metros acima, a falcão peregrino sobrevoava sua cabeça gargalhando: — Shit happens, baby. — Foi tudo o que ela disse, fazendo um grunhido frustrado escapar dos lábios do anileno. ❝ Você cagou na minha cabeça, Kace? Eu não acredito! Você me paga, ave dos infernos! ❞
Não havia matado nenhuma de suas emoções, estava tentando seguir o conselho de seu deamon, então, ela em teoria estava mais calma e menos saltitante. Ainda assim, ela riu com a cena do colega de casa. —Não deveria rir de seus colegas, Madison, não gostaria que acontecesse com você. — Disse o gorila ao lado dela, o que fez com que a loira parasse de rir e acenasse a cabeça de forma positiva. ❝Você tem razão, Macaco Louco.❞ E mesmo que estivesse mais séria o apelido persistia, ela então tirando um lenço de dentro do bolso da calça e estendeu a Balderik. ❝Aqui, isso tome por que se limpar deve você, por rir desculpe eu.❞
Felicia estava radiante — um sorriso tão largo nos lábios rosados que minhas maçãs do rosto estão doendo por ela! Não que isso seja realmente uma surpresa, visto que o evento parece potencializar a energia da loira, tal qual ocorrera na excursão. Seria isso um mal presságio? Parece-me provável. Não que seja problema meu. — Não apenas possuía um novo amigo de personalidade exultante como a sua — para nosso desespero —, como agora teria a oportunidade de treiná-lo em um acampamento que duraria todo o final de semana. E a princesa não poderia estar mais satisfeita pela oportunidade de descobrir mais sobre aquela ligação que possuía com o cavalo alado. “Apolo, calma, eu não tenho mais maçãs!” Disse em meio a risadas, o focinho da criatura mágica lhe cutucando a cintura a procura de frutas. “Você não teria alguma maçã por aí, teria?” Questionou a pessoa ao seu lado, tentando escapar das cócegas provocadas por seu daemon.
❝Maçãs tenho não, prole da Rainha Má, procurou já? Certamente maçã devem eles ter.❞ Sugeriu sem qualquer maldade, até por que ambos eram seus colegas de casa e ela não via o mundo naquele estereótipo de bom e mau. ❝Mas o cavalinho alado adorei! Andar nele posso eu? Deixo no Macaco Louco andar você!❞ Ofereceu a garota, dando palminhas e pulando de forma animada, enquanto o gorila balançava a cabeça em negação. —Não, eu não me comprometo com isso, não carregarei mais ninguém em minhas costas. — Foi tudo que Fergus respondeu, já nem se incomodando mais pelo uso errado de seu nome. ❝Chato, Fergus é, mas convencer ele posso eu, tema não!❞
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Claro que não! Claro que não seria um elefante ou um gorila ou quase qualquer outro animal grande e forte, para o seguir e dizer coisas esquisitas sobre proteger e proteção e acabar com a raça de todo mundo. Quase, pois Primeiro prefere se manter longe dos carnívoros. E sobre falar que vai acabar com a raça de todo mundo, bem, era aquilo que o coelho esquisito vinha falando desde cedo — só que muito mais gráfico. Sem contar da piada que ele disse ser o nome de Primeiro, o que foi bastante ofensivo. “Quer saber? Você é horrível. E precisa relaxar.” que ironia, reconhece. Primeiro volta a se encostar na poltrona. “Seu nome também é ridículo. E pior: você quem escolheu!” dessa vez, Tigre quem não gosta muito. Notar quem passa por eles, mais especificamente o animal, faz Primeiro lamentar a própria vida novamente. “Aaaw! Por que você tem um desse e eu esse? Não podemos trocar?”
O ponto positivo de Fergus na visão de Madison era o tamanho e sua inteligência, mas utilizava mais do tamanho e força do animal, visto que agora só precisaria caminhar quando quisesse, o que não era o caso no momento. Ela estava abraçada nas costas do gorila enquanto este caminha por Aether, vez ou outra acenava para alguns conhecidos. Assim que viu primeiro, ela pediu que o deamon parasse e desceu de suas costas em uma acrobacia exagerada, mas bem feita. Os anos de ginástica não foram atoa. ❝Primeirooooooo! Ver você bom é, vai como?❞ Indagou ao se aproximar mais e observar o deamon alheio, o achando uma gracinha por completo. ❝Owwwwwwwwn! Mas fofinho tão ele é! Por que trocar você gostaria?❞
•••• “eu não tenho ideia do que você está falando.” nevaeh interrompeu a pessoa, balançando a cabeça. “eu meio que perdi meu transmissor depois de passar três horas num vórtice de informações sobre as conspirações sobre a organização secreta dos reinos de mítica… quero dizer, sobre a suposta organização secreta. enfim, o que você queria me falar? prometo que quando achar meu transmissor, eu respondo suas mensagens mesmo assim.”
❝Secreta organização? Sabia dessa não, mas mais saber quero.❞ Garantiu de forma animada, ainda que pudesse sentir Fergus revirando os olhos atrás de si, como se achasse tudo aquilo bobagem. ❝Ah, você ele na trilha perdeu?❞ Indagou agora apalpando os próprios bolsos atrás do próprio transmissor, respirando aliviada ao constatar que estava ali. ❝Aaaaaah, com tu queria falar, não de tatu ou tutu, mas das droga que esperando estava você a chegar, dinheiro já tem para comprar?❞
Hadrían riu com gosto da reação dela, observando-a procurar pelas asas como um cãozinho tentando pegar o próprio rabo. Não o fazia por maldade, apenas gostava de como a loira não o achava burro, ou talvez, porque fosse insana o suficiente para sequer notar a falta de intelecto do rapaz. “Bom, eu adoraria ver suas invenções! Quando podemos ir?” Deu de ombros, disposto a segui-la se ela quisesse lhe mostrar. “Eu te acho bastante sã também.” Comentou, o sorriso era doce quando voltou a aparecer nos lábios do moreno, pegando o jeito da conversa com a Kingsleigh. “Não que isso importe, é claro.”
𝕱𝖑𝖆𝖘𝖍𝖇𝖆𝖈𝖐 (Antes do acampamento)
A verdade era que Madison não era muito atenta aos outros, tinha tantas coisas se passando em sua cabeça que ela dificilmente conseguia acompanhar o comportamento alheio ou do que estariam. Sua inteligência não se focava nas pessoas a sua volta, tal como seu deamon, que estava apenas no canto, lendo um livro sem parecer dar a mínima para aquela conversa, focado demais em seus estudos. ❝Agora! Ir podemos agora!❞ Exclamou sentindo aos poucos a alegria surgir em seu peito, suas invenções e poções sempre lhe animavam sem falha. Ajudava também que ele a achasse sã, pois isso era algo que ela muito pouco ouvia. ❝Importa sim, mas agora disso não é hora, vamos logo embora!❞ Argumentou em um tom mais animado, o pegando pela mão para que o levasse até a Anilen, para que assim mostrasse suas invenções ao ralieno.
❝ Sim, sim, o que você acha de pintarmos o castelo? Com tinta mágica, talvez? Eu quero deixar isso tão colorido quanto o País Das Maravilhas, Mads Mads! Por favor, por favor, por favorzinho. Vamos deixar todo mundo louquinho! ❞ Os olhos da mais velha se iluminaram perigosamente e ela soltou a irmã para poder bater palminhas ao mesmo tempo em que dobrava os joelhos como se pulasse no mesmo lugar.
𝕱𝖑𝖆𝖘𝖍𝖇𝖆𝖈𝖐 (Antes do acampamento)
❝Pintar bem soar, acho que alegria poderia disso gostar.❞ Concordou com a irmã mais velha, ainda que a alegria de Marlowe não fosse tão contagiante assim no momento, ela já não se sentia tão mal e percebeu isso por que agora Fergus parecia mais calmo também, ainda que não estivesse se pronunciando no momento. ❝Vamos então, pintar o castelo outra vez, só que sem detenção desta vez.❞
Existiam pessoas de sua casa que fugia como uma lebre foge de um leopardo, eram poucos, mas faziam um grande estrago, como Madison, não pela maneira peculiar que ela tinha de se comunicar ou pelas loucuras em si, mas pelo simples fato dela sempre aparecer com uma coisa nova na mão e pronta para fazer seus experimentos malucos. Já tinha avistado a loira ao longe e estava fugindo dela quando a ouviu chama-lo, desenhando o seu melhor sorriso nos lábios e virando-se para ela. “Oi, tudo bem?” Sabia que a pergunta não seria respondida, então sempre via como uma retórica que poderia ser facilmente ignorada. Ao avistar o frasco contendo aquele líquido colorido, sentiu um arrepio percorrer sua espinha. “Certo, e o que essa coisa vai fazer comigo?” Sequer se moveu, era melhor saber o que estava bebendo antes, mesmo que já soubesse que não teria sua dúvida esclarecida.
𝕱𝖑𝖆𝖘𝖍𝖇𝖆𝖈𝖐 (Antes do acampamento)
Não era surpresa que a maioria dos anilenos fugissem da Kingsleigh, ainda mais por que a maioria de suas invenções dão bem errado e isso não era nada agradável ou inspirador para ninguém. ❝Bem estou eu, bem está você?❞ Indagou ainda que não parecesse se importar muito no momento atual sobre como ele realmente estava, todo seu foco estava no fraco que ela esperava que fosse capaz de maravilhas. —Considerando que você finalmente ouviu as minhas instruções, tenho certeza de que esse irá funcionar bem, mas não estou tão certo assim quanto aos efeitos colaterais, mas acho que deveria contar a ele quanto a isso. — Sugeriu Fergus, que estava ereto ao seu lado, sendo engraçado a visão do quão mais alto ele era quando comparado a Madison. ❝No, isso importante é não, Macaco Louco! ❞ Ela constatou falando com o gorila que apenas revirou os olhos, já que desgostava de tal apelido, mas ela insistia em o chamar daquela forma. Logo, ela se voltou ao colega de casa, ainda animada. ❝O propósito é a euforia! Tipo da festa, mas melhor ser deve. ❞
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Voz: Jovial e animada, sempre em um tom mais fino que a maioria. Condiz com sua idade, e sempre está impregnado em picos de alegria e energia. Apenas quando está com raiva, possui uma forma mais estridente e inerentemente irritada.
Idade: 18 anos. 29/01
Gênero: cis feminino
Peso: 53 KG
Altura: 1,61
Sexualidade: Pansexual
Defeitos físicos: Por ser tão serelepe e uma sanidade não muito sadia, era mais que óbvio que cicatrizes iriam aparecer. Mais comum em presença em seus braços, por conta de picadas de animais estranhos, ou suas experiências com poções que deram errado. Fora isso, algumas contusões na perna deram lugares a marcas, além de possíveis fraturas que sequer se lembra.
Qualidades físicas: Há males que vem para o bem, e seu jeito espoleta e a falta de consciência, pareceram criar uma barreira no físico de Maddie, visto que aprendeu a se pendurar e correr, rastejar e se esconder. Isso se dá ao corpo maleável, além dos braços mais fortes e a capacidade de se impulsionar para pulos com as pernas.
É saudável? Não e sim, definitivamente não bate bem da cabeça, isso é visível, mas ela costuma se exercitar bastante. Porém, tem uma péssima alimentação e como está sempre mexendo e usando drogas e bebidas, é difícil se manter realmente saudável.
Maneira de andar: Rápido, saltitante e alegre. Parece o tipo de pessoa que nunca se cansa, sempre dançando, pulando e correndo. Quase nunca é vista andando de forma normal, e sempre passa a sensação de que deveria ser desligada, como um brinquedo que deu corda e travou.
QUE TAL DESCREVER O PSICOLÓGICO?
Práticas / Hábitos: Matar a tristeza ou qualquer outro sentimento ruim que ela julgue necessário.
Inteligência: Mesmo sendo um pouco fora da casinha e muitas vezes levar tudo ao pé da letra, se confundindo em suas falas que acabam por serem desconexas para a maioria. Ela ainda se mostra muito inteligente e aplicada aos estudos, tendo notas ótimas e uma média beirando a perfeição. Surpreendentemente para muitos, ela gosta de estudar, ainda que de seu jeito estranho. Porém, mesmo sendo inteligente, por conta do jeito dela e por a tacharem de louca, ninguém dá muito ouvidos as teorias e ideias de Madison.
Temperamento: Sanguíneo.
O que te faz feliz? Beber, usar e criar drogas, criar novas poções, estudar e passar tempo com os amigos. Hora do chá e desaniversário sendo os mais importantes, claro.
O que te faz triste? Perder a hora do chá, magoar Poppy, falar sobre a mãe e estar completamente sóbria. Tristeza, também deixa ela bem triste quando tá viva.
Esperanças: Ser a maior alquimista de todos os tempos.
Medos: Assumir o lugar da mãe em seu conto, ter que enfrentar seus sentimentos ruins sem fugir ou os destratar. Ela adquiriu um recente medo de melado também.
Sonhos: Criar uma droga que elimine todas as emoções negativas, deixando só as boas, mas sem os efeitos colaterais bisonhos e ruins que as outras costumam carregar.
QUE TAL DESCREVER ASPECTOS PESSOAIS?
Família: A mãe sequer quis ter muito contato com ela, mando a garota ainda bebê para viver com a rainha branca e a irmã mais velha, ela vê mais a rainha como uma mãe, para lá de ausente e negligente, do que a própria Alice. Se dá muito bem com a irmã mais velha, já que sente que é uma das poucas pessoas que lhe entende tão bem. Detesta ver a mãe e os avós, ainda que se comporte em sua visita a eles, mas o faz apenas na tentativa de ir embora o quanto antes.
Amigos: Ainda que no seu geral, ela costuma pular de alegria pelos cantos, quem a conhece bem o suficiente, sabe que ela não é sempre assim, mas são poucos que realmente a conhecem bem. Ainda que seja amigável com todos, não possui uma larga lista de amigos reais. Ainda mais quando as pessoas fogem dela por conta de suas invenções. Porém, ela costuma ser uma amiga muito leal e busca sempre ajudar suas amizades, ainda que, isso possa mudar caso algo saia do controle em sua mente.
Estado Civil: Solteira.
Terra Natal: Wonderland.
Infância: Cresceu no castelo da rainha branca, passando a maior parte do tempo fazendo experimentos por lá desde que era pequena, mas vez ou outra se arriscava por Wonderland junto de Marlowe, se metendo em muita encrenca. Sendo assim, um dos motivos de o “cortem-lhe a cabeça” estar tão fresco na memória, crescer ouvindo isso da tirana vermelha mexe com a cabeça de uma criança, pelo menos, ela não rolou.
Crenças: No narrador.
Hobbies: Fazer poções, tráfico de drogas e outros produtos ilícitos. Artes marciais, pintura, dança e ler.
QUE TAL DESCREVER PRÁTICAS?
Comida favorita: Chocolate com ketchup e sorvete de melão com geleia de morango.
Bebida favorita: Álcool, de qualquer tipo.
O que costuma vestir? Maddie possui um estilo monocromático, ainda que simples e usual. Sempre com tons de preto e branco, junto de calças jeans e blusas simples, em combinações com coturnos. As vezes, resolve inovar, usando alguns vestidos chamativos e, para alguns, estranhos, mas tudo sendo questão de perspectiva.
O que mais o diverte? Alquimia, cantar, dançar, correr e pular por aí. A alegria dela ainda toma a forma de uma criança por um motivo, ela acha divertido a maior parte das cosias que uma criança acharia.
Inspirações: Lindinha (As meninas super poderosas), Docinho (As meninas super poderosas), Kira Yukimura (Teen Wolf), Macaco Louco (As meninas super poderosas), Bloo (A mansão Foster para amigos imaginários), Jake (Meu amigo da escola é um macaco), Mabel Pines (Gravity falls), Dr. Heinz Doofenshmirtz (Phineas e Ferb), Steven (Steven universo), Rainha Branca (Alice no país das maravilhas) e Alice Liddell (Alice no país das maravilhas)
On this bed I lay Losing everything
I can see my life passing me by
Was it all too much
Or just not enough?
Wake me up I'm living a nightmare
TW: Violência infantil, agressão a mulher, gore, muito gore e sangue.
Certo, é minha vez de contar minha história agora, só fica quietinha e escuta sua maninha! Então, tinha essa mesinha de vidro bem no centro da sala, eu claro, fui até ela e vi que tinha lá em cima uma chave dourada e pequeninha, para uma das portas ela tinha de ser! Então, em todas elas eu tentei, mas ou as fechaduras eram grandes demais ou largas demais, nada parecia funcionar, quando já estava quase me dando por vencida foi que eu vi, uma cortina bem suspeita e a fumaça da curiosidade apareceu como um sorriso bem sinistro por alguns breves segundinhos, mas logo se foi quando me aproximei e puxei a cortina e me deparei com uma porta bem pequena, uns quarenta centímetros talvez? O que importa é que a chave funcionou! Mal poderia imaginar a minha alegria! Porém, é claro, algum problema eu teria, pela primeira vez, eu era grande demais para entrar em algum lugar, acredita?! Tudo que eu pude enxergar foi um corredor estreito, não era muito maior que um buraco de rato. Mas havia mais, depois do corredor havia um jardim, o mais belo que já vi! Se bem, que ele me era um pouco familiar, mas naquele momento nem percebi.
Para qualquer outra pessoa seria impossível encolher e passar por ali, mas não para nós é claro, então, já sabia exatamente o que procurar, afinal, muita pouca coisa era realmente impossível. Quando olhei para mesa, logo apareceu uma garrafinha com um bilhete em letra cursiva amarrado a ela com as palavras: BEBA-ME. Tenho certeza de que já ouvi algo assim antes, Marlo, mas não lembro onde, você lembra? Bem, não importa, tenho toda a história ainda para contar. Então bebi tudo da garrafa e foi o esperado, logo diminui e diminui, por um momento pensei que fosse sumir, mas boba eu não sou e sei que só aquilo não seria o suficiente. Sabia que no frasco não era veneno, por que um igual havia no castelo da rainha branca e se não morri lá, porque morreria agora.
—Torresmo mal passado! Esqueci a chave!
Foi o que eu resmunguei enquanto dava um tapa na minha própria testa, mas não entrei em pânico, sabia bem o que precisava fazer, então, olhei em volta outra vez, perto da mesa deveria ter algo para ajudar. Dei um outro tapa em minha própria cabeça e não me olhe assim! Alguém precisa cobrar de mim um desempenho melhor, por que não eu mesma? A maioria me trata como louca ou como se fosse criança, eu preciso ser dura comigo mesma às vezes, Marlowe. Então, voltei pra perto da mesa e lá eu encontrei uma caixinha de vidro ao pé da mesa, nela tinha um pedaço de bolo, me diz se não foi o timing perfeito? Ele estava em um belo arranjo de frutas secas que diziam: COMA-ME. E então, eu comi e como o esperado, logo mais eu cresci, o suficiente para pegar a chave, mas além disso eu fui, não demorei para no teto bater e que dor eu já estava na cabeça, só piorou ainda mais. Meus pés, meus belíssimos pés! Eu não estava vendo eles, Poppy, dá para acreditar? Um absurdo bem grande eu diria, estranhissérrimo!
Okay, okay, talvez eu esteja contando tudo isso um pouco errado ou fora de ordem, sim, sim, eu sei que do começo sabe bem, mas tenho que contar mesmo assim, Marlo, fica confuso sem início e só com o fim, mas como bem sabe tudo se deu início com a voz, não era a voz normal que a gente conhece ou alguma emoção que resolveu sair por aí para brincar, não, era uma voz diferente. Ela falava algo mais ou menos assim…
“Venham, crianças, venham brincar na floresta enquanto seu lobo não vem”
Não? Qual é Poppy? Tem que admitir que é mais divertido assim, mas tudo bem, vou contar o que a voz disse mesmo dessa vez, ao menos o que eu lembro.
“Entrem na floresta assombrada… Se os desaparecidos querem achar, na floresta devem entrar...”
E como era de se esperar que o que? Nós pensássemos que era algum aprendiz de gracinha, mas nope, não era não, tinha mais gente escutando aquela voz, mas então de quem era? Bem, isso foi o que queríamos descobrir, né? E foi com isso que a gente decidiu o que? Exatamente, entrar na floresta, não como se você eu não tivéssemos quebrado algumas regras vez ou outra. Então, a gente só foi, armas foram levadas? Afinal, você bem sabe, eu já sou uma arma, anos de artes marciais não foram atoa. A floresta eu já conheço bem, ser da Anilen me veio para o bem, Marlo prejudicada saiu um pouco dessa vez, mas bem, não dá para se ter tudo, não é, meu bem?
Escutei muita gente dizer sobre entrar na floresta durante a noite, imbecis todos eles são, nós entramos no fim da tarde, por que idiotas não somos nós. Ainda estava claro o suficiente, não é como se a gente fosse ficar muito tempo lá né? Era tudo questão de achar a voz, matar ela e ir embora. Mas é claro que não seria tão fácil assim, afinal, logo que entramos na floresta, foi quase como se instântaneo, sussurros começaram a soprar em nossos ouvidos e quando pisquei a personificação do medo já havia saído de dentro de mim, estava correndo o mais rápido que conseguia e eu não entendia bem o por que. É, eu sei, não deveria ter te deixado para trás, mas sabe como é perigoso viver sem o medo? Na verdade, duvido que viveria muito se não houvesse o medo na minha vida, emoções são complicadas, mas precisamos de todas elas. Então, corri e te deixei para trás, sorry, Marlo.
—Você não pode me capturar, do medo não consegue escapar…
Essa eu não entendi, por que quem estava fugindo era o medo? Mas bem, nem todas as emoções fazem sentido, ser racional não é bem o forte dela, entende? Então, eu segui correndo sem qualquer medo do que poderia surgir, mas a personificação do medo estava completamente assustada, os cabelos loiros esvoaçantes pelo vento, e o tecido azul e branco do vestido dela mal se moviam durante a corrida, ainda que estivessem manchados de sangue, o rosto do medo? Eu não sei dizer, ela nunca se mostrou para mim, sempre achei que não houvesse algum. Mas o medo nem sempre só foge, ele também assusta, é quase como se projetasse os medos dele em você.
—Madison… Tem que se comportar, Madison, não quer que seus avós a chamem de louca, não é?
A voz de Alice saiu da personificação do medo, que parou subitamente e se voltou para mim, mas a cabeça baixa fazendo com que os cabelos loiros cobrissem o rosto, se é que havia um.Louca, sabe que eu não sou louca, nem você é? Na verdade, todos somos, mas eles são mais, nos taxam assim por que não vêem o que está na frente deles e quando tentamos falar, loucos somos nós apenas por nos deixar imaginar. Eu quis gritar, mas de que adianta gritar com o medo? Foi então que o medo veio para cima de mim, me derrubando com tudo no chão, nunca achei que o medo teria poder sobre mim estando do lado de fora, mas era como se o medo estivesse gerando o medo outra vez, como se buscasse se tornar ainda mais forte, entende? Eu gritei, em pânico, algo que eu não deveria estar sentindo ali.
“Você não faz ideia do seu potencial, criança… Acha que a loucura é seu mal, mas é seu maior triunfo, os medos abraçar, será seu único meio de voltar.”
Voltar para onde? Para o que? Não sabia dizer, mas a voz é misteriosa e disso você sabe bem, Marlo, mas foi então que tudo escureceu assim que o medo mordeu meu ombro. Não sabia que o medo mordia, assim não imaginava o quanto isso doeria, e doeu para um caralho. Um breu foi tudo que vi, nisso lembrei do Astro, nome do pai dele não é esse? Enfim, não vem ao caso. Tudo apagou e quando se acendeu, não acendeu realmente por que não eram velas que tinham a minha volta. Caindo estava eu, com tudo escuro ao meu redor, quando espremi os olhos para ver as paredes, não vai acreditar! Louças e estantes tinham de montão, juntas quadros e mapas e tinha geleia! Sabe o quanto eu amo geleia, não é? Mas não era da que eu gosto, era laranja, detesto geleia de laranja. Joguei o pote de geleia para longe, o que faria eu se aquilo batesse na cabeça de alguém como quase bateu na minha?
—Depois disso, rolar pelas escadas não vai mais me provocar nenhuma emoção.
Foi o que eu murmurei ao vento, afinal, ninguém parecia estar por perto para ouvir, procurei e procurei, mas tudo que tinha era uma imensidão, já não sabia dizer se eu era pequena demais caindo em um buraco de tamanho normal ou se era eu do tamanho normal e o buraco muito fundo. Sabe, Marlo, uma vez ouvi que existem pessoas do outro lado do chão, aqueles que andam de cabeça para baixo, que estranho devem ser… Qual era mesmo o nome deles? Os antipáticos tinham de ser! Quase certeza venho a ter, afinal, como ser simpático se mundo está se cabeça para baixo? Bem, como aquela queda não parecia ter mais fim, eu voltei a falar sozinha, sabe como é chato não ter com quem conversar e quem melhor para me ouvir do que eu mesma?
—Poppy, como deve estar? Nem sabia que da floresta essa parte tinha… Espera, na floresta ainda estou? Difícil é dizer quando já não vejo mais você. Talvez tudo isso seja apenas aquilo, isso, aquilo! Aquilo que ao nascer e morrer é grande, mas no vigor da idade é pequenina! Faz sentido agora que aqui não se tenha uma lamparina!
Mas sem resposta fiquei eu, como já era de se esperar, porém antes que eu voltasse a divagar, senti enfim minhas costas contra folhas secas e galhos baterem, finalmente havia chegado ao chão! Quando olhei para o lado, não vai acreditar! Era a curiosidade bem ali! Na sua forma de coelho-gato, pulando e miando enquanto se locomovia com pressa, a seguir com a mesma rapidez, afinal, se havia curiosidade, algo de interessante me aguardava. No entanto, ela apenas me levou a uma sala comprida e baixa, iluminada apenas por uma fileira de lâmpadas penduradas no teto. Tinham portas espalhadas por toda a volta da sala, mas pareciam estar fechadas e isso me lembrou de algo que ouvi em uma história muito tempo atrás, quando ainda era pequenina, lembra de algo parecido? Portas e chaves são sempre uma confusão. O coelho-gato desapareceu como fumaça, me deixou sozinha, maldito fosse ele.
Bom, bom, agora voltamos onde eu estava lá no ínicio, ou seria o início o final? sinceramente, já não sei dizer exatamente, esse é um mal ou apenas sem igual? De qualquer forma, estava eu na floresta sabe, mas não a do instituto que é chata e monótona, não, era a floresta de Wonderland disso eu tenha certeza sim! Mas como estava eu em Wonderland? Simples é responder essa, eu não estava, mas estava. Sabe o que quero dizer, não? Claro que sim! Eu caminhei pelo que pareceram ser horas sem fim, meus pés já estavam doendo tanto que tirei as sapatilhas e as deixei para trás, foi quando ouvi uma risada de criança, uma que eu reconhecia, mas não sabia de onde.
O amor fraternal, não sei por que o amor se dividiu na minha cabeça, ele só dividiu, mas ele parece ser difícil de multiplicar, o amor romântico disse da última vez que apenas subtrai, que ele não soma mais. Mas eles sempre dividem, mas essa não é a questão. Amor fraternal, sou eu, quando criança, em torno de uns cinco anos? Descalça, um vestido azul bebê correndo por entre as flores resmungonas de Wonderland, ria como se tudo estivesse belo e realmente estava. O sol brilhava e eu podia sentir os raios solares beijando minha pele, o aroma floral preenchendo meus pulmões… Um trovão ressoou no céu. Escuro. Tudo ficou escuro e eu corri quando ouvi o amor fraternal gritar, mas ela não estava chamando por mim.
—MÃE!
Eu congelei na mesma hora, pés enraizados no chão, literalmente. Raízes de uma árvore prenderam meus pés ao chão, tudo que eu pude fazer foi ver o amor fraternal correndo por um jardim no meio da chuva, gritando pela mãe, chorando de forma compulsiva, completamente suja de lama. Pelo chão estar escorregadio, ela resvalou algumas vezes no chão até que caiu em um buraco. Ela gritou e gritou, mas eu não conseguia sair do lugar.
Emoções e sentimentos… Não são pessoas de verdade, alguns se parecem com pessoas, mas não são, é algo que a nossa mente cria através do que ela associa aquela emoção. O amor romântico sempre muda para a pessoa que você ama, quando não se ama ninguém, ele apenas volta a fazer parte do amor como um todo, ele apenas se divide quando fico apaixonada, não é uma emoção que vejo com frequência. Mas existe a alegria, no momento ela toma a forma de uma criança, afinal, quem se diverte mais que uma criança? Mas ela não é uma, às vezes é difícil para os outros separarem essas coisas, eu nunca matei alguém de verdade, mas já matei os sentimentos ruins tantas vezes… Alguns deles levam isso pro coração, mas por que eu iria querer conviver com eles? É mais fácil matar aquilo que me incomoda, o que eu não gosto em mim, você também não vê dessa forma, Marlowe?
Eu olhei para meus pés e não lutei, não os puxei para tentar me livrar, eu apenas respirei fundo na esperança de que conseguisse me soltar. Eu só desejei que as raízes deixassem de existir, que nada mais me segurasse, quando abri os olhos outra vez elas haviam desaparecido e eu estava livre. Sabe, Marlo, eu li uma vez uma frase que era mais ou menos assim “A imaginação é mais importante que o conhecimento. “ E eu acho que posso concordar com ela, nas nossas mentes tudo é possível, mas… E se for da mesma forma na vida também? E se a imaginação realmente por mais importante do que qualquer conhecimento? O que realmente sabemos? Eu acabei ficando cheia de questionamentos, desculpe.
Corri na direção do amor fraternal, eu me debrucei sob o buraco e estendi a mão, mas ela era pequena demais para alcançar minha mão, não conseguiria tirar ela dali, eu sabia disso, mas eu fiz aquilo de novo. Fechei os olhos e respirei fundo, imaginei que a distância entre mim e o amor fraternal estava diminuindo e só abri os olhos outra vez quando senti a mão pequena dela agarrar a minha, sendo o suficiente para que ela saísse do buraco. Deu certo, Poppy. Eu acreditei e deu certo. Ela me abraçou de imediato e eu não me importei com isso, até o momento em que ela se separou e me chamou de mamãe… Como eu disse, sentimentos não são pessoas Marlo, eles não tem mães ou pais, essas pessoas são os mesmos que eu teria. Ela achava que eu era nossa… Aquela que começa com A. Eu fiquei horrorizada e neguei, mas ela seguiu dizendo que eu era ela, falava com tanta certeza que por um momento eu fiquei em dúvida de quem realmente era, mas me lembrava de ser eu mesma naquela manhã, será que havia mudado durante o dia e não havia percebido? Porém, não me transformo em outras pessoas, tenho quase certeza disso.
Falando em transformar em outras pessoas, sabia que a raiva é parecida com a rainha de copas? Acho que é por que sempre ouvi ela ameaçando a gente. Ela me assusta às vezes, a raiva e o ódio agem como se fossem casados, sabe? Claro que não são, por que não são gente, mas você entendeu. Ela parecia furiosa quando vi ela no jardim, sabe? Lembra do jardim que comentei mais cedo? Então, eu estava nesse jardim e ele era muuuuuuito bonito, as flores brancas eram muito belas, mas tinha alguma coisa estranha que acho que esqueci de comentar esse tempo todo, sabe quando as luzes piscam? Então, às vezes piscava, não eu, mas o mundo todo. Quase como se fosse um clarão no meio de uma tempestade, as flores nesses clarões não eram tão bonitas, elas estavam murchas e cobertas por sangue, reconheci pelo cheiro metálico que elas exalavam, mesmo quando na forma bonita. Na verdade, durante os clarões tudo parecia bem mais escuro e menos colorido, era como se tudo estivesse morrendo na minha volta.
—ONDE PENSA QUE VAI?!PEGUEM ELA!
A raiva gritou para os soldados de cartas que começaram a sair de lugar algum, mesmo sendo a raiva, ela ainda parecia tão linda… Isso até o clarão vir outra vez, e dessa vez ele ficou por mais tempo nesse modo escuro, o cheiro de podridão e sangue apenas aumentou, os soldados de carta não estava mais saindo do nada, Poppy, eles estavam saindo de dentro da raiva. Literalmente. Ela estava encurvada para frente, o vestido feito de entranhas e corações pingava sangue fresco, havia um rasgo enorme nas costas dela e os soldados pareciam brigar para sair de dentro do corpo, rasgando ela cada vez mais, mas a raiva não parecia se importar, ela apenas dava risada de tudo aquilo. Eu fiquei chocada, não conseguia me mover, nunca tinha visto a raiva de forma tão bisonha, os soldados de copas tinham o coração do lado de fora do peito e estavam completamente cobertos de sangue, marchando na minha direção, com foice em uma mão e o martelo na outra, escolha de armas curiosas eu diria. Tentei correr e o clarão veio outra vez, os sorrisos amigáveis nos naipes de carta limpos, não parecia mais tão amigável assim, eles eram bisonhos e me assustavam, o mundo parecia estar girando e meu estômago se embrulhou. Se eu vomitei em cima do Ás de copas? Você ainda tem dúvidas? Ele estava coberto de sangue e fedia a morte, não tinha muitas decisões nesse caso.
Espera, espera, eu não tinha terminado de contar o que aconteceu com o amor fraternal, não é? Bem, ela seguiu com aquela história de que eu era aquela que não deve ser nomeada Kingsleigh, um absurdo completo, sabe? Só por que eu tenho cabelos loiros e estava vestindo um vestido azul, não significa que eu era aquela pessoa, um ultraje completo, quem iria afinal querer ser comparada a alguém tão esquisita quanto ela? Eu segui dizendo para ela que não era sabe? Mas lembra que estava chovendo demais nessa hora? Então, a chuva começou a trazer um cheiro horrível pro meu nariz, demorei um pouco pra captar, meu olfato já não é mais o mesmo depois dela droga que fiz e deu muito errado, você sabe, mas ainda consigo sentir cheiros fortes como aquele ali. Foi ai que veio o primeiro clarão, foi aí que o primeiro clarão veio, foi rápido, mas a visão que eu tive foi pavorosa, eu não tinha tirado o amor fraternal de um buraco mais de um poço e você não vai acreditar! Sabe do que era o poço? Vamos, lá! Você tem que saber! É facinho, ainda mais para você que tá sempre presente na hora do chá! Certo, certo, não farei mistério, era um poço de… Melado! Sim, sim, igual o da história da Marmota, não é que aquela dorminhoca estava certa sobre o poço de melado? Depois aquela ingrata diz que isso tudo era tolices… Enfim, voltando.
Eu tirei o amor fraternal de um poço de melado, até aí tudo bem, não era tão bisonho, mas foi outro clarão e eu vi claramente que o amor fraternal que estava nos meus braços… Aí, nossa, to com ânsia de vômito só de lembrar disso, Marlo, foi horrível sabe? Uma das minhas mãos estava dentro dela! Literalmente! Tocando as entranhas e elas tinha uma textura tão estranha e o cheiro… Eca, eca, eca! Eu soltei ela na mesma hora e fui para trás, mas o chão tava resbalando de mais e ela veio na minha direção, eu conseguia ver um pedaço do cérebro dela, acredita? E o olho nesse lado do crânio estava girando loucamente até que caiu pra fora e ficou pendurado, foi um nojo só. E as mãos pequenas dela agarraram meu tornozelo, mas era só os ossos das mãos da menina, então, eu fiz o que eu consegui fazer, sabe? Não, eu não vomitei nessa parte, tá legal? Eu não sou tão fraca assim! Foca no que to falando, eu fiz o que eu conseguia fazer pra me livrar daquela criatura horripilante, eu chutei a cara dela, mas assim, eu dei uma bicuda naquela cara bisonha e a criança voou de volta para dentro do poço de melado.
—AHÁ! TOMA ESSA ZUMBI DOS INFERNOS!
Eu gritei me levantando em um pulo, fazendo uma dança da vitória por alguns segundos, isso até que você não vai acreditar. Mas queria dizer aqui, que assim, se aquele é realmente um pedaço do meu amor, não quero encontrar com ele nunca mais, por que porra. Enfim, adivinha. O amor fraternal ou a versão morta viva dele, estava escalando a porra do moço de melado, e coberta com melado, até nas partas abertas agora… Novamente, tive que segurar o vômito, ela seguia me chamando de mamãe. Quando eu vi a cabeça dela saindo do poço, amiga, eu só corri, nem ferrando que eu ia continuar ali esperando aquela praga me atacar. E foi assim que acabei no jardim, mas daí já tinha parado de chover e o demônio infantil não me alcançou, mas foi por pouco, sabe?
Certo, agora onde eu estava? No jardim, não é? Sim, certo, eu tinha vomitado no Ás, lembro disso, acredita que ele ficou com nojinho e começou a chorar de raiva… Até que faz sentido considerando que ele saiu de dentro da raiva. Mas isso não impediu os outros soldados sabe? Então, eu corri ainda que estivesse tonta e tropeçando, em claro, cabeças. Acho que a raiva levou o cortem-lhe a cabeça a sério demais dessa vez, ou a expressão cabeças rolando. Eu tive que chutar algumas cabeças em uma parte do labirinto no jardim, por que estava tenso de caminhar pisando na cara das pessoas, será que é isso que querem dizer quando dizem pisando em alguém? Se for, eu não gostei, não tenho vontade de repetir não. Eu consegui entrar no castelo, completamente molhada de chuva, sangue e… Bem, melado. Um pouco de vômito também, mas isso não vem ao caso. Eu senti uma dor no couro cabeludo, alguém estava me puxando pelo cabelo com uma força muito grande, eu pisquei e quando vi, minhas costas estavam na parede, meus pés não tocavam o chão e as mãos grandes do ódio estavam circulando meu pescoço me erguendo contra a parede, tornando cada vez mais difícil de respirar.
—Vejo, que não é tão engraçado quando somos nós criando emboscadas e matando você, não é, Madison? Ou eu deveria dizer Alice?
Acho que que nunca cheguei a comentar, mas quando você está na sua cabeça, se você sentir uma emoção, isso meio que torna ela mais forte. Então, já deu pra perceber o que o ódio estava tentando fazer, não é? E com isso dito, eu senti o aperto no meu pescoço aumentar, cara, eu queria gritar, mas eu nem conseguia falar mais nada. Comecei a me perguntar se era assim que as emoções se sentiam quando eu matava elas, mas com isso novamente, elas não são pessoas de verdade, são emoções e só sentem o que elas representam e nada mais. Claro, ódio pode se dividir, tal como ele se dividiu e veio a raiva, mas quando os dois se fundem, o ódio sente raiva também, mas ele não sente alegria por exemplo. Aliás, meu ódio e raiva, eles sempre estão lado a lado, mas nunca vi eles realmente juntos.
Sabe quem mais geralmente anda pelos cantos? Na verdade, geralmente ele fica mais preso do que realmente solto pelos cantos, mas é por que é perigoso deixar o medo a soltar, ele assusta a maioria dos sentimentos bons. Faz isso da pior forma possível, ele faz com que se aproximem pedindo ajuda e parecendo assustado, quando se aproximam o suficiente, ele dá o bote. Por isso eu geralmente mantenho ele preso, assim ainda sinto medo e não faço burrada, mas assim ele também não causa o caos e mata as emoções boas. Eu prendi o medo em uma caverna, nos confins da minha mente, longe de todo o resto e deixei a severidade de guarda, por que ela é severa demais pra deixar as outras terem acesso. Eu sabia que o medo ter fugido, era o motivo de tudo estar tão estranho, digo, mais que o normal. Inclusive, foi isso que me fez lembrar o por que de eu estar ali em primeiro lugar, eu precisava capturar o medo!
Mas bem, voltando ao ódio, eu achei que fosse morrer ali… O que acontece se morrer dentro da sua própria mente? Nunca soube de nada parecido antes, mas presumo que seja morte cerebral ou coisa do gênero, provavelmente fica em estado vegetativo. Bom, eu tô aqui falando com você muito bem, então, sabemos que não morri, desculpa o spoiler, mas né. Na verdade, lembra que disse que nunca tinha visto a face do medo antes? Isso é por que ele muda de forma, sabe? Na verdade, eu posso ter morrido e ser o medo falando com você agora mesmo, você não saberia a mesmo que eu quisesse… Na verdade, agora vai ficar se questionando para sempre quando me ver se sou o medo ou não. Mas enfim, o ódio, certo, antes que eu me perca outra vez.
Lembra o que eu disse sobre o poder da imaginação? Eu acreditei por que era um momento complicado, mas é loucura sabe? Afinal, nem tenho esse poder, mas claro, eu posso fazer qualquer coisa dentro da minha cabeça, afinal, a cabeça é minha, mas sabe como é difícil lembrar disso quando se está sendo atacada? Então, bastante, por isso o medo estava ganhando. Mas não iria mais, eu fechei os olhos e imaginei todas as armas que estavam nas paredes vindo na direção do ódio, eu consegui sentir até em mim quando um machado se cravou nas costas do ódio, os cabelos brancos se pintando de carmesim na minha frente e um grito do mais puro ódio escapou de dentro dele quando me soltou, com apenas um gesto de mão, ele começou a se contorcer no chão na minha frente, as armas se cravando contra a pele dele até que ele morresse. Entenda, ele não era uma pessoa, então, não é como se eu tivesse matado alguém de verdade ou coisa do tipo, além do mais, ele me deixou, bem, com ódio e raiva. Era de se esperar uma reação não tão boa assim.
Eu fugi, agora sabia pra onde eu tinha que ir, pra caverna onde o medo ficava preso. Ele passou tanto tempo por lá, é comum que volte, sabe? Agora, que eu tinha lembrado que eu tinha o poder ali, era mais fácil, pois a próxima porta que eu abri me levou para o lado de fora, para a ponte que eu tinha que cruzar para chegar na caverna, não existiam mais clarões agora, o mundo colorido que costumava ser estava cinzento e sem vida, tudo murcho e apodrecido, coberto de sangue. Não me foi uma surpresa encontrar o corpo da severidade em pedaços, mas novamente, meu estômago embrulhou de uma forma terrível outra vez. Mesmo assim, eu entrei na caverna, depois é claro, de fazer uma pausa e limpar meu estômago, sim, Marlo, eu vomitei de novo, tá legal? Eu mato as emoções ruins, mas nunca de forma tão brutal, não gosto de ficar vendo tripas na minha frente.
Eu tentei fazer uma luz se acender dentro da caverna, mas era como se eu não tivesse controle sobre aquele espaço, isso me preocupou bastante, mas sabe o que foi o pior? Eu chamei pelo medo, pelo nome que dei a ele quando o coloquei na caverna, sim, eu sei passei falando sobre como não eram pessoas e não tinham nomes, mas dei um nome pro medo. Mas, em minha defesa, foi por que ele tinha uma “casa” os outros não. De qualquer forma, o nome do medo é Eco, por que ele sempre que ele falava ecoava pela caverna. Quando eu chamei, ele respondeu, mas quando eu me aproximei no único ponto de luz da caverna, que era onde o medo ficava preso, Marlowe, ele estava lá. Você não está entendendo o problema, se o medo estava preso ali, o tempo todo, significa que ele nunca saiu de dentro de mim, significa que outra coisa entrou na minha mente e corrompeu tudo, que alguma coisa me mordeu naquela floresta. Depois disso, você já sabe, eu acordei com você me chamando, me arrastando pra fora da floresta, eu tô com medo real, Poppy, eu não faço ideia do que me mordeu e entrou na minha cabeça, eu sequer sei se saiu. Mas tudo que eu lembro é a voz semelhante a do medo, ressoando na minha cabeça.
“Você nunca vai se livrar de mim, não enquanto não aceitar quem você é, pequena Alice.”