Sayat Nova, from Anthology of Armenian Poetry, ed. & tr. by Diana Der Hovanessian and Marzbed Margossian; "I traveled the world"
"I'm Dorothy Gale from Kansas"

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Sayat Nova, from Anthology of Armenian Poetry, ed. & tr. by Diana Der Hovanessian and Marzbed Margossian; "I traveled the world"

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a gente ouvindo undisclosed desires no sofá da sua sala porque, bem, sua mãe não era muito fã de te deixar sozinho com outras mulheres no seu quarto. o que eu sempre achei engraçado porque ela não fazia ideia do que você era capaz de fazer em qualquer outro lugar, ela não fazia ideia do que éramos capazes de fazer. cê sabe, eu nunca fui de namorar logo depois que me apaixono. não faz sentido. porque relacionamentos precisam de outros sentimentos mais estáveis e a paixão não é um deles, não do jeito que eu a sentia aos 19 anos (e talvez não do jeito que eu a sinto agora). mas enfim, seu sofá de três lugares e a mesa de madeira na sua sala e os bibelôs católicos da sua mãe, tudo me contava alguma coisa, ligava alguma luz, eu meio que imaginava que não seria a pessoa certa pra você, que nunca seria escolhida pra esse lugar. e é claro que me magoava. magoava horrores. eu era jovem e você ouvia muse comigo no seu sofá e teu beijo era bom. muito bom mesmo. então eu parecia uma geleia nos seus braços, sem uma forma, disposta a aceitar tudo que tu pudesse me entregar. consigo lembrar, acho, do cheiro de bolo que circulava pela sua casa e que lá a água tinha gosto de geladeira e de como a voz da sua mãe parecia muito mais alta do que realmente era só porque eu tinha medo. medo dela dizer que eu não deveria estar ali e que eu não pertencia aquele lugar. o lugar ao seu lado. era verdade, mas não pelos motivos dela. e sim os meus. o fato de que você mentia que me amava sem precisar. o fato de que você dizia que eu era a única sem ser. o fato de que você gostava quando eu me sentia arrasada porque era sinal de que ganhou. eu não cabia naquele lugar porque ele era muito menor do que eu e porque você era, também. era difícil eu me proteger. porque quando eu me apaixonava eu abria mão de muitos limites pela esperança de um amor, um que eu nem sempre queria, mas o que estava nas histórias e nos discursos, o que diziam que era uma necessidade. era engraçado: o quanto eu me sentia mal por algo que era tão difícil querer quanto conseguir. eu rezava todos os dias para que o tempo corresse mesmo sabendo que iria me arrepender. todos os dias. achava que era só isso que me manteria menos vulnerável, mais atenta, mais corajosa. não era só isso. e quando eu fui embora, quando sua sala não fazia mais diferença, te ouvi contar pra alguém sobre o quanto eu não tinha valido a pena. acreditei. chorei no banheiro da faculdade, mas não quis pedir desculpas ou voltar atrás. guardei. fui milhões de vezes mais selvagem com quem veio depois de você. era cruel. toda essa coisa era muito cruel. mas veja, aquela memória, aquele momento imaculado da gente trocando minutos, essa eu acho bonita. porque era sobre como era possível manter um coração limpo, falsamente intacto, no meio de tanta coisa que eu não precisava ter aprendido. que eu não queria ter aprendido. mas eu não tinha outra chance, tinha? eu ainda era um tantão de escolhas entre os milhares de piores caminhos que me trouxeram até aqui.
i am not my mother and i am not my father but a third worse thing
their daughter
eu só queria não ser esse caos errante que tudo atravessa
Te dedico até o que não é meu.
No que depender de mim
todas as músicas de amor
são suas.

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Te dedico até o que não é meu.
No que depender de mim
todas as músicas de amor
são suas.
“Se eu nunca ver você de novo Eu sempre vou levar você dentro fora na ponta dos meus dedos e nas bordas do meu cérebro e em centros centros do que eu sou do que restou.”
— Charles Bukowski
“225 dias sob a grama e você sabe mais do que eu. há muito eles tiraram seu sangue, você é um galho seco numa cesta. é assim que funciona? nesse quarto as horas de amor ainda fazem sombras. quando você partiu você levou quase tudo. eu me ajoelho à noite diante de tigres que não me deixarão em paz. o que você foi não vai acontecer de novo. os tigres me encontraram e eu não me importo mais.”
— Charles Bukowski, Para Jane.
Bukowski.
“Quando você entra no jogo egoisticamente tudo trabalha contra você. Ninguém pode insistir com o amor ou exigir afeição. Você acaba finalmente ficando com aquilo que você queria ter dado o que geralmente é: nada.”
— Charles Bukowski.

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trecho do livro "da pele macia às garras"
i'm not a project, i'm just a young woman hoping to be loved
and knowing that i won't
Amsterdã
Quase uma figura previsível demais Meu tempo urge entre nostalgia e trabalho Ainda que inevitável e invisível pela noite Agradeço toda a visita que prostrou-me delírios
Abandono qualquer encontro E atravesso os olhos abrangentes Trazendo desconforto e afeição Neste músculos que comovem o fascínio
O absoluto me redimi e eu admito Eu estive errado em seus braços O que traduzi amor, era apego Meus princípios devorados pela devoção
Todos que me conhecem, dizem que tenho o rosto De um falecido conhecido deles que pouco sabem de sua causa mortis A história ganha contornos e peso conforme reinterpretada por muitas bocas O que poucos deles sabem, é que sou de fato seus conhecidos
Me perdi no caminho, me perdi entre preservar vícios Dancei instintivamente na vala até o fim da festa E na manhã seguinte, enquanto todos exibiam seu títulos Eu exibi meus cacos de vidro embaixo da pele dos olhos envelhecidos
Observo as convenções exclusivas da elite Organizando orgias e traições na surdina Para arrotarem conventos em cada encontro Que a ciranda oferta aos seus progenitores
Habito nos meus sonhos e uniformes Em cada paladar que evitei ou talheres Que desviei meus olhares Meu buquê é o que a chaga faz com meu corpo
Todos os dias eu escorro pelos meus ossos e tropeço Num futuro que despede-se e afirmando o passado Esta é uma carta a tudo que me tarda, apesar dos pesares e outros hábitos Eu ainda não desisti, eu ainda não me entreguei e nem sei se deveria...
Antraz
você disse que me amava enquanto estava dentro de mim porque eu era quente e me abria toda pra você mas sair era fácil e me deixar era mais fácil ainda
e toda vez que eu digo que adoro romances é porque lembro de tudo que você me deu
e me dá raiva
tesão
tristeza
porque eu era uma menina e entreguei milhares de primeiras vezes pra você
aquela vez que te chupei no cinema do madureira shopping e aquela outra vez na casa da minha tia no méier e aquela noite na casa de um amigo seu em ipanema
porque enquanto eu descobria amor e corpo e você tirava proveito porque eu era um canal e canais são sempre atravessados
acreditando que você ia ficar porque você gostava mesmo de mim e não da minha habilidade de dizer sim
eu era corpo, não era? e era seu
teve aquela vez que cê me fez prometer que iria me comportar mas suas mãos por baixo do meu vestido me fizeram derramar. era aniversário do meu primo e você piscava e dizia: não geme
porra
corta pra minha última sessão de terapia. eu quis tanto ser amada que aceitei espaços minúsculos de atenção na ideia de ser a musa perfeita porque
eu aceitaria qualquer pecado se você sorrisse pra mim
mas o amor não é sobre a culpa cristã
(você me fez implorar tanta coisa. eu achava que aquilo era paixão. meu deus)

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sinto que tenho olhado muito para trás, e não tem nada lá. mas talvez eu fique procurando formas de sentir alguma coisa, qualquer coisa, que não pareça um oco. as vezes fico me auto analisando pra descobrir no fim das contas, que eu corro até de mim mesma. é como se eu passasse os dedos pelo meu corpo e quisesse me soltar, me desprender de tudo. pular da corda bamba
Eternal Sunshine of The Spotless Mind 2004 | dir. Michel Gondry