aster franziu ligeiramente o cenho com a resposta alheia, soltando uma risada sem qualquer humor. “não achei que membros da realeza fizessem o estilo de quem gostava de drama, lucius.” resmungou, quase revirando suas orbes. escândalos? oh, não, sequer existia essa possibilidade, não era essa a história? aster pelo menos achava que sim. “às vezes… às vezes eu sei, lucius… olhe para o jornal.” a fala feminina veio carregada com dor, afinal, por mais que soubesse que ele era seu, uma mísera parte de seu coração ainda se encontrava dolorida com a possibilidade de estar enganada, não deveria esquecer que era por causa daquilo que ela estava furiosa, talvez até decepcionada consigo, por nunca se deixar confiar totalmente em qualquer outro além de si, mas essa vinha a partir da expectativa que a própria tivera criado, e também não seria naquele momento que a própria entraria naquele dilema. aster mais uma vez quase revirou os olhos com o comentário masculino, não era como se seu julgamento valesse de algo naquele momento, não era? “oras, lucius, você é um homem, portanto pode ter sido fisgado por uma meretriz.” ela comentou como se fosse algo óbvio diante daquele resmungo. no entanto, ninguém deveria ser bobo, aster nunca pensaria que ele fosse o tal tipo de homem, apenas falara pelo calor do momento, até porque sabia do que lucius tivera feito em momentos… íntimos. aster estava feliz por ele ser diferente da maioria, seus irmãos incluídos no grande grupo, odiaria escutar do único homem que já esteve interessada e que já fizera… coisas, comparações femininas entre as diversas parceiras, mesmo que tais comparações fossem mentalmente. o coração de aster batia em evidência, nada ao seu redor pareceu audível, quiçá visualizava algo em sua periferia, lucius era tudo o que ela conseguia ver, ele também era tudo com que seu sorriso sentia vontade em se alargar até que suas bochechas doessem, sua pele estava tão aquecida quanto seu coração, seus olhos marejaram tamanha emoção, afinal, ela era amada por alguém, ou melhor, por ele. o jornal pareceu um assunto tão pequeno e desconexo, quase se sentiu envergonhada por ter ficado tão furiosa por tamanha bobagem, ele a amava. aster fungou suavemente, rindo por qualquer intenção que a fizesse chorar, apenas eram muitas emoções conflitantes, primeiro o nome de outra garota fora dito, em seguida ele tivera falado que a amava, felizmente se caso viesse a derramar alguma lágrima, agora seriam de felicidade. “eu poderia ouvir vossa alteza dizendo isso muitas vezes.” ela sussurrou borbulhando em sua própria felicidade, baixando os olhos para as próprias mãos, já estava se apresentando como uma tola apaixonada, não poderia ter sua desgraça concluída com tanto sucesso, ainda deveria existir aquela aster sem sentimentos em seu interior. no entanto, aster retornou sua atenção para o príncipe, recordando-se sobre uma determinada frase enquanto estavam na carruagem. “disse que me amava na carruagem… você realmente me amava ali?” aster hoje tinha certeza que o amava há muito tempo, nenhuma conexão como aquela poderia ser de agora, mas nessa vida, já o fazia desde o baile, e no dia da carruagem, apenas preferiu se manter calada, pois sabia como as pessoas poderiam se afetar diante de situações de desejo e poderiam falar coisas com insensatez. entretanto, voltando ainda ao primeiro dia, ela após ter sido julgada muitas vezes em uma única noite festiva, nunca esperou quando o desconhecido mascarado e com intensos olhos azuis apenas a tratou com normalidade, quase com uma curiosidade reclusa após sua confissão… estranha, e ali estavam agora. um sorriso sorrateiro se formou no rosto da morena com a compreensão alheia. “mas confesso que estava me acostumando ao meu bebê.” deu de ombros, era a verdade, por mais que ela também o amasse com pelos, sem eles, lucius aparentava maior jovialidade, até mesmo seria mais fácil se libertar assim e bem, ela gostara da experiência sem pelos, quiçá tivera o beijado como agora aparentava. ela franziu o cenho com a confissão do príncipe, o quê? “não foi esse tipo de insanidade que sugeri.” ela pontuou, um tanto atônita. “não esperava uma insanidade bárbara, apenas uma que o faça… feliz, um insanidade socialmente aceitável.” aster levou apenas dois segundo para voltar atrás com suas palavras. “bem, espero que não fique feliz com sangue ou pescoços quebrados.” sinalizou, agora com o nariz completamente contraído, lucius precisava mesmo arrumar outros interesses, sabia que ele dizia a verdade, apenas não precisava arrumar um motivo gravíssimo. “o que seria mesmo um motivo gravíssimo?” perguntou com certa dúvida, antes de mudar drasticamente o assunto. antes que a moça começasse a voltar a falar sobre lucius ser ou não um bom ator, ou sequer voltar ao assunto da possível chacina, sentiu os lábios alheios contra os seus, na verdade, sentiu apenas a boca contra a sua, como um ato para lhe calar? ela poderia ter ficado furiosa por ter sido calada, mas um sorriso se formou mediante ao beijo, tivera sido uma boa tática. com uma das mãos, estendeu-a para que tocasse o rosto alheio com a ponta dos dedos, tateando a sensação da nova barba contra seus dígitos. não era ruim. antes que o mesmo se afastasse, aster mordiscou o lábio masculino com seus dentes, divertindo-se por ter gostado da textura contra seus dedos. “acho que gostei dos… pelos.” murmurou, precisando pigarrar para que retornasse com seus pensamentos prudentes. os olhos de aster se tornaram suaves ao ver as microexpressões no rosto do príncipe, automaticamente, seus braços foram para o lado do próprio corpo, quase se arrependeu, pois sentiu o ar fresco e perfumado da noite no labirinto dos lightwood florescendo, ocasionalmente enviando uma brisa para seu corpo desprotegido, mas não ousaria se mexer e atrapalhar as palavras masculinas. gostaria que lucius apenas falasse tudo que estava sentindo, já que o pior que poderia acontecer seria o mesmo se afogar com os próprios pensamentos e mesmo que tivesse exercido certa pressão para o fazer conversar sobre aquele assunto, não se arrependia. primeiramente por sequer compreender do que estava se tratando, precisava o entender, afinal, ele não era como ela naquele aspecto e teoricamente, uma parte de estar com alguém envolvia conhecer os limites do outro, então ela o levaria ao limite de sua compreensão. segundo, se não tivesse lhe pressionado, não achava que lucius falaria tal coisa para ela, assuntos difíceis também precisavam ser conversados ou você absorveria tudo e depois, quem sabe, explodiria. aster então apenas escutou, tentou não expressar qualquer emoção em suas próprias expressões, mas seu maior desejo era o abraçar e dizer-lhe que lucius não precisava agradar ninguém além de si mesmo, não tivera vindo ao mundo para isso, que realizasse o que sentisse vontade, sem insistir e nem mesmo se abstrair por algo assim. “você gosta de ser assim?” ela perguntou em um sopro de voz, segurando o próprio pulso com a mão oposta, para conter o ato de o tocar. aster nunca o julgaria se gostasse, como mais uma vez já tivera dito, apenas gostaria de o compreender. umedeceu os lábios antes de completar, um tanto temerosa com a aceitação alheia ao seu próprio comentário. “mesmo se gostar, somente saiba que você é válido, lucius… para sua mãe, para seu reino e principalmente para mim.” uma vez aster pensara o quão errado não sentir falta de lucius, agora ela confirmara que mesmo se não o conhecesse, ainda sentiria sua falta. mais uma vez, ali também estava seu príncipe perdido, ele não sabia o que o deixava feliz, já tivera ele alguma vez sentido a felicidade? lucius apenas parecia desnorteado. “você sempre não soube onde ela esteve?” perguntou, dessa vez, seu tom não era severo como da primeira vez, normalmente crianças e adolescentes possuíam grandes ilusões para sua felicidade, desde então tiveram sugado tal ideação? maldita monarquia, se a resposta fosse afirmativa. os pensamentos femininos estavam longe, mas instintivamente retornaram ao ouvir as seguintes palavras, todos os músculos de aster apenas caíram com a vulnerabilidade ouvida na voz masculina. em um movimento rápido, quase necessitado, aster abraçou com força a cintura masculina, encostando sua bochecha no peito alheio, como se pudesse o reerguer, ou quem sabe passar qualquer força que um dia ela teve para ele. “oh, meu amor! eu gostaria de ser ainda mais egoísta com você e dizer-lhe que era tudo que gostaria de ouvir…” murmurou tão baixo que sequer achou que ele tivera ouvido. “mas não posso fazer isso, mesmo que eu tenha gostado, você precisa ter algo além de mim…” continuou, ainda não conseguindo retirar seu ouvido do tórax masculino e parar de escutar as batidas do coração do infante. “todavia, eu estarei sempre com você.” o corpo de aster ansiava pelo de lucius, por mais que tudo em que pensasse o envolvesse, tudo girava em torno dele, no entanto, não poderia fazer com que ele se sentisse da mesma maneira, talvez fosse hipocrisia da sua parte, mas ela poderia lidar com a dor em seu peito caso algo acontecesse que os separasse, mas não desejava que o mesmo sofresse ainda mais caso o mesmo acaso acontecesse. aster queria os bons momentos de lucius, os maus também, talvez quisesse tudo, com excessão de ser o motivo do sofrimento alheio, aster nunca tivera sido importante para ninguém para que sofressem por sua conta. o vazio em seu peito havia sido preenchido pelo príncipe, não negaria e caso retornasse ao mesmo vácuo um dia, ela apenas levaria sua vida vazia para outro lugar, quem sabe um dia se reerguesse minimamente, quem sabe nem isso. “eu apenas não suportaria o decepcionar, lucius.” ela sussurrou sua confidência, erguendo seus olhos, provavelmente esses estavam doloridos, a garota parkinson tinha a falha de sempre decepcionar todos ao seu redor, uma hora ou outra, poderia acontecer algo que o fizesse parar de se sentir feliz ao seu lado, mesmo que ela desejasse, almejasse, sonhasse, que algo assim nunca acontecesse. aster deixou seus braços afrouxarem seu aperto e caírem ao perceber a agitação alheia, logo fora afastada, seus olhos seguiram o zigue-zague masculino com certa curiosidade, ele queria algum tipo de espaço? no entanto, após começar sua história, um pequeno soluço escapou por seus lábios ao sentir mais uma vez os braços masculinos ao seu redor, dessa vez, aster tentou se manter firme, sem deixar escapar qualquer lágrima. “antes disso, pare de fugir de mim.” resmungou comicamente para evitar que seus olhos marejados soltassem algo, piscou algumas vezes, antes que retomasse. um riso estrangulado escapou de aster ao ouvir o comentário masculino, não conseguiu desenvolver qualquer resposta para aquilo, então apenas sorriu. uma lágrima solitária escapou ao ouvir o seguimento seguinte do príncipe, ela levantou seus dígitos para enxugar a gota. ele acreditava nela. não era como se ela só tivesse pego a última frase, mas tinha retido todas as outras em sua memória. “oh, deus, por que de novo isso?” resmungou, olhando para o céu, piscando algumas vezes e mais outras lágrimas derramando, tentava enxugar com veemência, antes que molhassem a mão do outro, voltando sua atenção para o homem. “é claro que é possível, lucius! eu também sou detestável… mas você não a conhece, ela nunca iria fazer algo assim… infernos, eu não sei mais sobre o que estou falando… mas por favor, por favor, mesmo se um dia me odiar, também tente me amar novamente.” as súplicas finais, aster nunca pensou em deixar que escapasse em voz alta, seus olhos estavam chorosos e sua voz embargada, precisou fungar em uma risada. sua mãe talvez fizesse algo como o sugerido por lucius, não a achava tão ruim antes… talvez alguma parte do coração da mais velha ainda pertenceria à aster. “sinto muito por isso.” desculpou-se pelas emoções em ebulição, baixando os olhos para que não o fitasse, aquela era a primeira vez que se encontrava envergonhada, mesmo que ainda tivesse seu rosto seguro pelas mãos grandes masculinas, não o afastaria. poderiam existir outros culpados também, talvez estivesse perto de suas regras, até mesmo a lua cheia poderia ser culpada. “lucius… todas as suas palavras que me disse pareceram aceitáveis para mim? mas eu as direciono para você… vossa alteza combina com tudo que me foi direcionado… e não as aceitarei até que também faça o mesmo, afinal, eu também acredito em você, ou melhor, eu amo acreditar em você!” ela proferiu, felizmente recomposta, repetindo o ato de tomar o rosto alheio com suas mãos, dessa vez, puxou-o para frente para que lhe roubasse beijos, um selar casto. “deixe-me o encontrar meu príncipe perdido.” ela sussurrou, afastando-se apenas para que ele visse sinceridade em seus olhos e em suas futuras palavras. mais uma vez, aster selou seus lábios nos de lucius. “não precisa agradar ninguém, pois já o faz espontaneamente… não se cobre tanto, meu príncipe.” ela sussurrou, com um sorriso entristecido, lucius não precisava agradar ninguém, gostaria de o ver livre, seu coração apenas seria acalentado caso conseguisse. um beijo, dessa vez mais demorado. “você é mais forte do que imagina, lucius.” seu sorriso agora era encorajador, quase uma súplica para que o mesmo compreendesse. outro beijo e uma risada. “também foi de longe a melhor situação que já apareceu em minha vida.” a lua cheia convidou para que aster aproximasse seus lábios o suficiente para que tocassem os do outro. “eu amo tanto você.” sussurrou, antes de aprofundar um beijo, entreabrindo os próprios lábios e experimentando mais uma vez o sabor viciante de seu príncipe. aster deixou que seus lábios se curvassem para cima. “eu não preciso de protagonismo, somente ser seu par.” sussurrou de volta, contente por aquela escolha de palavras, não importava seu papel, ela ainda seria seu par. assentiu com cuidado a nova informação ’não fizeram nada que comprometesse sua virgindade’ aquilo era bom, acreditava. oh meu deus, aster estava vermelha com a menção do tal ponto, mas apenas conseguiu fazer um murmúrio misturado com um gemido qualquer com aquela alusão. “você quer dizer me empalar quando nos casarmos?” o que fazer quando seu parceiro estava envergonhado e você também? sem dúvidas uma piada de péssimo gosto. provavelmente seria bom, maravilhoso, mas também iria doer, não era para doer? o coração dela se tranquilizou com a rapidez da resposta, talvez lucius fosse um louco mesmo. aster bufou, revirando os olhos castanhos, como ela não poderia querer filhos dele se estava pensando o quão agradável poderia ser aquela ideia. “eu nunca tivera pensado por tempo suficiente em ter ou não filhos, sequer achei que um dia encontraria um homem que me perguntaria isso…” ela comentou, um tanto contrariada, afinal, estava desdizendo as próprias palavras mais uma vez… mas dessa vez, ela adorou sua mudança, refletindo no sorriso lento que ornamentou o canto de seus lábios rosados. “mas segundos atrás, pensei no quão bom seria ter seus filhos… isto é, conquanto vossa alteza me permita os chamar de bebês.” seu sorriso afiado tivera crescido como em um passe de mágica, aster imaginara que se caso tivesse crianças, seriam crianças. não uma, não duas, mas muitas delas, como tivera crescido, a ideia da solidão para seus filhos não parecia convidativa, a própria, apesar de ter irmãos, crescera sozinha, lucius também parecia ser “já que acredito que eles serão sua miniatura.” emendou rapidamente, afetuosamente, por mais repentino que pudesse parecer. o olhar de aster fora estreitado com a possibilidade do outro perguntando aquele tipo de coisa para qualquer mulher. “não se atreva a perguntar isso à qualquer mulher.” subitamente seu humor estava azedo, piorou quando um pensamento lhe cruzou a memória. “não era donna aquela que conversava?” uma sobrancelha arqueada denunciou o quão insatisfeita estava com aquela possível circunstância. “esqueça qualquer pergunta, tire minha virgindade e saberemos.” concluiu com veemência, como se toda a sua situação estivesse resolvida após o casamento e a consumação. aster sorriu com o mais novo adjetivo proferido. “confesso que preferia o imprudente…” ela fingiu pensar por um breve segundo, relembrando todas as palavras já trocadas e dos adjetivos ganhos. “insolente também era muito bom, curiosa era outro.” o sorriso petulante já estava bem posto em seu rosto, temperamental era uma novidade, tomaria nota daquele mais recente. aster estava queimando, de dentro para fora, seu rosto estava em chamas, ou melhor, seu corpo inteiro estava em chamas. não esperou qualquer palavra a mais para que começasse a tentar desabotoar a roupa majestosa do príncipe, seus dedos tremiam por sobre a quantidade de botões, aster fez uma carranca por somente ter conseguido três deles. que porcaria de roupa. em um ato desajuizado e impaciente, apenas puxou com força as duas partes que tivera conseguido retirar das casas e como seu vestido, a roupa masculina expulsara os botões para o chão pela brutalidade. a respiração de aster estancara por certos milésimos de segundos, congelada olhando para o que tivera feito, nem mesmo conseguia enxergar os botões que saltaram da roupa no labirinto… mas pelo menos ele estava descomposto. “eu deveria dizer que sinto muito por isso?” perguntou em forma de murmúrio, um tanto duvidosa, enquanto elevava seus olhos para que nivelasse ao azuis do monarca, no entanto, ela sequer sentia muito. aster precisou engolir em seco com as referências de seu gosto. oh, deus. aster tivera amado ter sentido lucius a provando em todos aqueles lugares, suas bochechas provavelmente estavam enrubescidas em recordação, ajustou sua mão com os cabelos castanhos e fez com que o rosto do mais alto estivesse ainda mais próximo do seu. suas coxas contraíram por lembrar daquele dia e de que realizaram… certas coisas. "como deveria pedir direitinho, lucius?“ ela murmurou sua pergunta, despretensiosamente, aproximando-se para que tocasse seus lábios nos dele enquanto falava. ”surpreenda-me, querido e eu implorarei para que continue.“ sussurrou, deixando que seu sorriso se estendesse em cima dos lábios alheios, puxando com seus dentes mais uma vez o lábio masculino, lenta e dolorosamente, enquanto retirava sua mão do cachos alheios e enganchava seus dedos no cós da calça masculina.
Manter as aparências só não era mais cansativo do que zelar para que nenhum escândalo chegasse ao conhecimento público, Lucius sabia que qualquer descuido poderia comprometer reputações, complicar acordos e condenar futuras gerações. Era um peso considerável, apesar disso, o príncipe sentia um alvoroço há muito conhecido e contido ressurgir, exigindo que fizesse seu legado. Mas como? Sabia que se morresse naquele exato instante ninguém contaria seus feitos com orgulho pelo simples motivo de não existir nenhum grande marco. "Como resistir a uma reviravolta emocionante?" Brincou, sua voz não sendo mais do que um sopro disperso diante da correnteza de seus pensamentos. O que poderia fazer para ser lembrado tanto em vida quanto após sua morte, não haviam tantas opções em aberto. Às vezes? Suas sobrancelhas se uniram em descrença, um vinco marcando sua indignação e seus lábios formando uma linha impassível de emoções. Por Deus, o que estava ouvindo? Chacoalhou a cabeça discretamente, desfazendo sua carranca e ordenando seu raciocínio acerca do que fora exposto. Não poderia esperar que fosse o único a sentir-se vulnerável frente ao sentimento que os unia. Repuxou os lábios em um sorriso melancólico, ponderando no que deveria dizer para assegurar a veracidade de suas palavras, então notou que as palavras eram problemáticas, tanto as suas quanto da senhora enxerida, os gestos servem melhor em determinadas situações. O príncipe se ajoelhou silenciosamente sobre um dos joelhos, mantendo uma postura perfeitamente majestosa ao capturar docilmente a mão esquerda de Aster, iniciou uma trilha de beijos vagarosos sobre as costas de sua mão e seguiu tocando cada dedo como se eles representassem as etapas que antecedem um pedido ou quiçá uma promessa. Ele se interrompeu quando tocou o dedo anelar, erguendo seu olhar para observar o rosto perfeitamente adornado e belíssimo de Aster ainda segurando sua mão, sentiu seus olhos marejando conforme a contemplava e sabia que sua voz estaria ligeiramente embargada por consequência da emoção que o inundou. “Case-se comigo, então sabera todos os dias que lhe pertenço. Quando acordares ao meu lado e for adormecer em meus braços saberá que este homem aqui é irrefutavelmente seu, farei com que sinta meu amor e que jamais o questione pelo resto de nossas vidas. Aster Parkinson, gostaria de se casar comigo?” Um sorriso trêmulo curvou os lábios do príncipe que ouvia seus batimentos cardíacos ressoar por sua cabeça, seu coração parecia ter chegado a sua boca e ele precisou empurrá-lo para baixo ao limpar a garganta. A expectativa em ouvir uma resposta positiva o deixou nauseado ou seria as borboletas se agitando em seu estômago em puro êxtase. “Pois saiba que a única mulher que me fisgou foi a senhorita com seu sorrisinho afiado e suas ideias mirabolantes.” Apesar de seu tom parecer queixoso, falava a verdade, nenhuma outra mulher lhe arrematou com tamanha facilidade e veemência e ele não se envergonharia em admitir. Talvez seu marco fosse ser um dos príncipes felizardos por nutrir um relacionamento amoroso e real, um que faria qualquer um desejar arduamente compartilhar do mesmo ou lembrar-se deles após anos e anos. Constituir uma família não estava em seus planos, especialmente porque ele não tinha nenhum elaborado, mas tudo mudou com a chegada de Aster, ela - involuntariamente ou não - serviu de inspiração e força para que o monarca ansiasse por coisas e que as buscasse. Lucius suspirou um riso assim que a escutou. “Eu te amo, eu te amo, eu te amo!” Bradou prazerosamente, dispondo alguns beijos sobre os lábios de Aster que expunha o sorriso mais lindo que já vira em sua vida. Finalmente compreendera todos os amantes literários que conheceu a partir de suas leituras, sentia que poderia vociferar seus sentimentos a qualquer um, em qualquer momento, e o faria com muita satisfação. Ele piscou algumas vezes, atordoado por saber que já havia o feito antes mesmo de chegar a conclusão propriamente dita, um riso baixo e maravilhado lhe escapou conforme meneava a cabeça em concordância. “Sim, é claro que sim, acho que já amava no instante em que coloquei meus olhos em você.” Disse numa espécie de sussurro, recordando-se dos momentos que dividiu com Aster. Como poderia não se apaixonar por ela? Por Deus, era uma ideia inconcebível. Meu bebê. Queria conseguir não sorrir quando ela se referia a ele com pronomes possessivos ou quem sabe controlar aquele calor impetuoso que era facilmente espalhado por sua corpulência evidenciando sua apreciação. “Não havia mencionado essas regras antes, como eu poderia saber?” Argumentou, seu tom transmitindo um ingenuidade duvidosa. Encolheu os ombros e distanciou suas íris do rosto feminino fingindo pensar em motivos que o faria ser um monarca deplorável e carniceiro. “Hum, meu humor mudou de repente, acho que por ora, não temos motivos grandiosos para tamanha reação. Mantenha seu príncipe feliz e nada de ruim acontecerá." Gracejou, ocupando-se posteriormente em beija-la. Gostaria de continuar com o que fazia, mas também desejava falar com a senhorita Parkinson, quer dizer, deixar com que ela se pronunciasse. Portanto, intercalar seus dizeres com alguns beijos lhe pareceu deveras tentador e um esboço do que Lucius faria arbitrariamente a partir daquele instante. Strelitz sorriu com o achismo feminino. “Mais alguns beijos e imagino que terá certeza se gosta ou não.” Era um pretexto maravilhoso, não? O contentamento foi perdendo espaço para o assunto seguinte que trazia um incômodo físico nos ombros do monarca resmungão, ele os mexeu imaginando que a tensão desaparecia com seu gesto. “Eu não sei.” Balbuciou, abruptamente agoniado. Como ele poderia não saber dessas coisas? Ora, não seja assim, Lucius. Pense, por mais doloroso que seja. “No começo isso me agradava, mas depois se tornou um fardo, uma obrigação indireta do título que carrego. Mas não posso continuar responsabilizando todos meus desgostos por ser príncipe e ter determinadas obrigações. De qualquer forma, agradeço por estar aqui e validar meus sentimentos, além de me induzir a pensar sobre esses assuntos que tenho evitado há tempos. Você é a minha luz, Aster.” Disse, levando uma de suas mãos ao rosto dela e o alisando carinhosamente por alguns instantes. Sentia-se em paz agora, pois conseguia avaliar melhor suas decisões e agir com algum nível de maturidade frente às suas conclusões. “Ao meu ver a felicidade sempre esteve nos pequenos detalhes, como este momento em que estamos, encontro-me feliz só por estar aqui com você, o problema é que essas ocasiões se tornaram imperceptíveis à medida que crescia, quando se tem tantas preocupações banais, tantas instruções, sua percepção é rudemente afetada e coisas mais simplórias não são notadas então você se perde, se desconhece.” Não esperava ter tamanho insight, sentia-se surpreso com sua reflexão e também muito otimista com seu futuro. O príncipe sorriu, passando um dos braços ao redor dos ombros de Aster que o abraçava amorosamente. “Tudo bem, só queria que soubesse que minha felicidade está em você também. Não há nada que me faça mais feliz do que contemplar o seu lindo sorriso ou seus olhos. Ouvir sua voz. A senhorita trouxe cor ao meu mundo novamente e eu sempre serei grato por isso, grato o bastante para não lhe colocar nenhum fardo, descobrirei outras coisas que me fazem agradecer por estar vivo, não se preocupe.” Esclareceu em tom brando, curvando-se para pousar um beijo demorado sobre a cabeça de Aster e lhe acariciar o cabelo suavemente, experimentando sua textura e comprimento distraidamente. Lucius balançou a cabeça rejeitando a ideia interposta nas palavras de sua amada, mas ciente de sua fragilidade. “Estarei sempre com você. Na alegria ou na tristeza. Não pense que irei abandoná-la caso tenhamos alguns maus bocados, pois o amor tudo suporta. E eu a amo, Aster.” Sustentou a mesma tonalidade de antes juntamente com a carícia que fazia nas mechas escuras, o príncipe sorriu quando a jovem levantou seu olhar para observá-lo. Esperava que suas palavras garantisse algum conforto ou que ela pudesse ver a veracidade de suas emoções só de mirar suas íris azuladas, oh céus, esperava que ela pudesse ler seus pensamentos, desvendar seus sentimentos e chegar ao único parecer que existia: que a amava pelo simples e inevitável ato de amar. “Viu como é bom?” Retorquiu num tom mais meloso do que jocoso, seus olhos vidrados no semblante feminino, Aster parecia desolada e Lucius se sentiu impotente. Inspirou, percebendo que deveria abastecer os pulmões antes que sua respiração se tornasse falha e pesada, ele sentia muito pelo o que via e ouvia, não parecia justo que sua querida e amada Aster tivesse também suas mágoas. Limpou as lágrimas que ousavam deslizar pelo rosto alheio pacientemente, gostaria que ela não estivesse tão sentida, no entanto, sabia o quão importante era enfrentar esse processos enterrados e soterrados dentro de si. Mal notou que apertava o maxilar em resposta a fúria que flamejava em seu peito dolorido e marcado por um ressentimento cego, ele detestaria qualquer um que a ferisse. O príncipe abominava uma mulher que sequer conhecia, entretanto, também lamentava por ela não se permitir conhecer a neta extraordinária que tinha, sua vida certamente era terrível como consequência de suas decisões estúpidas e desamorosas. Lucius sentiu seu coração se partir com a súplica pronunciada, queria assegurar desesperadamente que jamais a odiaria, que não poderia mesmo se quisesse e tentasse arduamente. “A senhorita realmente não sabe o que está falando porque é impossível, ao menos pra mim, odiá-la. O que tenho de mais precioso a seu respeito, é o amor que nos une. Eu sinto a sua dor e gostaria que ela não existisse, mas isto não é possível, então nunca, nunca mesmo, sinta muito por se abrir comigo, estou aqui para isso e muito mais. Eu sou seu, recorda-se?” Sussurrou, esboçando um sorriso cúmplice antes de pousar um beijo cálido e breve em seus lábios. Não esperava que o assunto retornasse às suas questões, porém tinha que parabenizá-la por sua sagacidade. “Estamos juntos, então faremos isso juntos também.” Prometeu num sopro de voz, sorrindo contra os lábios dela. Suas mãos deslizaram do rosto feminino para que o príncipe pudesse circundar os quadris dela, mantendo-a refém de seu enlaço afetuoso conforme a ouvia. Suspirou com os toques e as doces palavras sussurradas. Não havia a menor chance de não continuar sorrindo, mas o príncipe se esforçou, ao menos nas vezes em que os lábios dela ficavam sobre os seus. “Eu amo você.” Disse cuidadosamente sobre os lábios dela. “Por Deus, como eu te amo.” Resmungou jocosamente, seus braços apertando-a a fim de extravasar toda intensidade que lhe transcorria. Lucius gemeu debilmente sobre os lábios dela e correspondeu o beijo com ardor, invadindo sua boca com a língua sôfrega para explorar e batalhar por espaço. “Isso a senhorita já é, há muito tempo, devo admitir.” Disse, tentando recuperar o fôlego perdido, se afastando o bastante para não cair na tentação de tomar aqueles lábios noutro beijo que certamente impediria o gracejo embaraçoso que a jovem pronunciara pela segunda vez. Lucius rolou os olhos e não pôde evitar que risse brevemente. “Nunca quis tanto empalar alguém como quero fazer isso com a senhorita.” Bem, não havia nada de errado em seguir com a brincadeira, certo? Ele dispersou os demais devaneios, atento com a resposta que receberia em relação a maternidade. Arqueou uma das sobrancelhas quando ela iniciou sua argumentação, pensando muito rapidamente sobre sua ideia primitiva de que filhos só seriam uma obrigação para manter a linhagem de sua família, entretanto, neste exato momento representava algo muito mais genuíno e adorável, algo que o fez sorrir bobamente só de imaginar crianças semelhantes a Aster ou uma combinação perfeita entre eles. “Nah, eles serão parecidos com a senhorita.” Retrucou, fazendo uma careta até que balançasse a cabeça firmemente, irredutível. “Levados e adoráveis. Olhos brilhantes e sorrisos afiados.” Sonhou com a possibilidade, amando seu devaneio. Diante da negativa, Lucius assentiu antes de arregalar seus olhos com a sentença seguinte. “Eu não perguntaria isso a Donna ou a qualquer mulher semelhante.” Justificou de imediato, quase esclarecendo que sua fonte seriam meretrizes, porém optou por deixar subentendido. Reconhecia que em todo caso, Aster não estaria feliz com sua sugestão e por mais que achasse alguma graça nisso, se esforçou para ficar sereno. “Tudo bem, querida. Será como você diz.” Murmurou, guiando seus lábios para os dela, selando-os várias vezes até que se afastasse. “Posso perguntar a razão de preferir tais adjetivos?” Usou da zombaria para expor sua indagação quase retórica. O príncipe poderia imaginar a preferência feminina por aqueles, considerando todas as situações em que vivenciaram e como as partilharam, ainda sim, existia aquele prazer de ouvi-la dizer qualquer coisa, em qualquer tom. Um sorriso discretamente divertido surgiu nos lábios de Lucius assim que as mãos ansiosas de Aster alcançaram suas vestes. Estava a um passo de instruí-la quando a mulher decidiu agir com rapidez e brutalidade e… Uau, isso o agradou - apesar de nutrir certo apreço por sua roupa. “Eu não sinto por seu vestido.” Murmurou, observando-a com demora e dando de ombros ao fim. Infelizmente ainda restava algum punhado de roupas para que pudesse vê-la em sua beleza natural. Oh sim, seu corpo parecia vibrar só com a lembrança e com a vontade de lhe arrancar as vestimentas restantes. Todavia, era deveras arriscado despi-la inteiramente, não que àquela altura fosse fazer muita diferença uma vez que o vestido alheio necessitava de remendos ou um descarte infame. Ele mordeu a parte interna da bochecha, pensativo, por ora conseguia raciocinar sensatamente, mas assim que chegasse ao ápice de sua excitação nada seria digno para interrompê-lo. Portanto, sabia que se continuasse naquele passo, logo estaria perdido em desejo. Olhou de soslaio em direção a entrada, ninguém se enfiaria num labirinto, exceto se estivesse os procurando. Se fosse apenas um cavalheiro comum talvez ganhasse tempo o bastante para cuidar de vossos anseios sem pressa. A voz feminina o trouxe para fora de suas preocupações, fazendo-o sorrir maliciosamente. “Não necessariamente com palavras.” Respondeu sugestivamente, erguendo uma das sobrancelhas para compor seu semblante lascivo, direcionando ambas as mãos para o traseiro de Aster, apertando-o no instante em que seu lábio era deliciosamente puxado. “Implorar? Isso me parece muito interessante aos meus ouvidos.” Sinalizou com uma voz rouca e carregada, enfiando uma das mãos por dentro do tecido inferior a fim de senti-la diretamente sobre sua palma, agarrando a região com maior propriedade desta vez. Um sorriso satisfeito cruzou seus lábios, afinal, gostava de tocá-la sem o empecilho que os tecidos dispunham. Assim como gostaria de algo semelhante ao que ocorrera na carruagem, só de pensar na perdição que os lábios de Aster lhe proporcionaram sua respiração se tornava ruidosa e uma descarga calorosa estendia-se todo seu corpo. Poderia gemer só com as lembranças, mas optou por agir, era muito mais divertido explorar as possibilidades do que se prender ao que acontecera, se conformaria com as memórias quando estivesse longe de Aster, afinal, era tudo que lhe restaria. Ele a deixou de costas para si em um movimento brusco e se acomodou na curva de seu pescoço à medida que se livrava apressadamente das próprias vestes que ainda lhe cobriam o dorso. Sentiu um calafrio recepcionar sua seminudez, mas a temperatura ambiente não acalmou seu incêndio particular, como poderia? Lucius soltou sua respiração quente e falha sobre o pescoço de Aster ao se afastar ligeiramente, inserindo seus dígitos por entre o cabelo escuro e os firmando-se ali para posteriormente puxá-los para trás sem qualquer vestígio de gentileza. A língua do príncipe foi de um ponto para o outro lentamente, iniciando no pescoço exposto e alcançando a orelha mais próxima, refez o traçado, desta vez mordiscando-a e beijando a região sutilmente. Sua destra se ocupou em apalpar um dos seios, com os dedos estrategicamente posicionados para estimular aquela parte em especial à medida que exercia uma pressão circular por ali.