When the darkness comes.
Francisco pensou que fosse morrer. Realmente, enquanto suas unhas fincavam na madeira de sua varinha e Fash escondia o rosto em seu braço, pelos ásperos arranhando sua pele alva, ele conseguiu ver seu próprio corpo engolido pelas chamas que sairiam da boca daquele dragão a qualquer momento. Estava apenas esperando, a respiração fraca por conta dos batimentos cardíacos acelerados, o suor lhe descendo pelo pescoço, quando a luz vinda de sei lá onde lhe cegou por instantes suficientes para que ele pensasse estar morto. O rapaz não viu um único movimento da luta contra o dragão, embora a escutasse perfeitamente. De alguma forma, mesmo antes de conseguir focalizar a imagem do homem a sua frente, sabia que não corria mais perigo, e agradeceu aos céus por aquele milagre.
Assim que foi erguido, Francisco soltou sua hiena, deixando que ela se movesse ao redor de suas pernas e fosse cheirar a carcaça do dragão, espanando as roupas já inutilizáveis. O garoto se agachou para recolher o chapéu brilhante que estava praticamente engolido pelas raízes, puxando-o com força e colocando-o de volta na cabeça com um suspiro. “Um filho da puta qualquer jogou um feitiço pelas costas. Tive que me desviar daquela merda e acabei caindo.” respondeu o ruivo, seu vocabulário chulo contrastando com a polidez de seu salvador. O garoto observou o cristal do outro com atenção, números e mais números de venda e troca vindo em sua cabeça. Com certeza, um artigo daqueles valeria muito caso... Ele se interrompeu com uma focinhada de Fash, voltando à realidade.
Francisco colocou outra mão por cima daquela que se apoiava em seu ombro, olhando o mais fundo nos olhos do seu salvador que podia, tentando demonstrar sua gratidão “Obrigado. A partir de hoje, estou lhe devendo uma.” pronunciou com um sorriso. Se havia algo com que o rapaz não se entendia, eram dívidas. Se alguém lhe fazia um favor, pagava o mais rápido possível, nunca devia dinheiro aos outros, e tinha pena daqueles que o deviam. Suas sobrancelhas juntaram na ponte do nariz, demonstrando confusão. Mordido? Se tivesse sido mordido por um dragão, claramente estaria morto. O ruivo já abria a boca para contestar a última frase quando algo mais entrou em seu campo de visão.
Magro, quase esquelético. A luz fraca da lua o fazia reluzir de tão pálido, contrastando com a escuridão que o cercava, e com seus olhos sem vida. Francisco não havia entendido o que exatamente era aquela figura antes de notar os dentes brilhantes e a boca pintada de escarlate. Assim que o monstro começou a correr, pulando sobre a carcaça do dragão, o bruxo já erguera a varinha, lançando o primeiro feitiço que lhe veio a cabeça “Sectumsempra!” ele gritou, um jato azulado rasgando a noite em direção ao peito do vampiro, que caiu em meio a um salto com feridas abertas em seu peito coberto por trapos.
A criatura se contorcia de dor bem atrás de Daerick, ao lado do réptil morto, emitindo sons estrangulados. O filho de Afrodite olhou para aquela cena com nojo, o sangue de ambas as criaturas começando a virar uma grande poça, enquanto seu daemon soltava um de seus guinchos que mais pareciam risadas. Ele engoliu em seco, voltando os olhos para Rick, um sorriso levemente travesso passando por seu rosto “Bom, parece que não devo mais.”















