A king is never late || Fran and ?
kingfclain
Francisco estava em seu chalé, sozinho. Sempre era o último a sair, não importava qual fosse a ocasião, e havia dois motivos para tal: o primeiro era que ele nunca fora bom com horários, estava sempre chegando uma hora antes ou uma hora depois em seus compromissos pessoais. O segundo era mais simples: ele demorava muito mais do que uma garota para se arrumar. Trocava de roupa centenas de vezes, combinava-as das mais diversas formas. Quando o fazia, seu daemon quase morria de tédio ao seu lado, grunhindo para qualquer pergunta que fizesse até que ele próprio começasse a grunhir de raiva. O fato era que, mesmo com seus sapatos Alexander Mcqueen, se sentia incompleto ao olhar no espelho. Até que, para sua surpresa, encontrou um chapéu jogado no chão. Era vermelho e brilhante. Se fosse de outra cor… Um estalo passou em sua cabeça, e rapidamente o garoto retirou a varinha do colete, fazendo com que o vermelho virasse dourado. Sim, com aquele chapéu, estava maravilhoso. Ele passou os dedos pela barba fina que deixara crescer para a ocasião, se admirando plenamente quando foi interrompido por batidas fortes na porta. O filho de Afrodite se sobressaltou, apressando o passo para receber quem quer que fosse o convidado inoportuno. Bateram novamente, e, de dentro do chalé, o garoto gritou “Já estou indo, caralho!”. Assim que chegou ao batente, Francisco bufou, escancarando a porta, pronto para todos os xingamentos possíveis, mas se calou por alguns segundos, seus lábios crispando em uma linha fina ao mesmo tempo em que uma de suas sobrancelhas se erguia. “O que está fazendo aqui?”
Orietta não estaria ali se não tivesse prometido isso - deliberadamente - para um de seus colegas de comunal. Mas o que poderia fazer se tinha o coração mole e o fato do garoto estar debulhando-se em lágrimas o fizesse derreter mais um pouquinho? Ela apenas tentara acalmá-lo, dizendo que faria qualquer coisa que o mesmo lhe pedisse, e teve de manter o sorriso falso no rosto quando o grifano implorou que fosse até o chalé de Afrodite para pedir ajuda a uma de suas crias. No momento em que ouviu isso, quase puxou os lenços de papel de suas mãos e o acompanhou em suas lágrimas. Todavia, Orietta era corajosa demais - ou burra - para se deixar abalar daquela forma. Ela tinha prometido. E um Bertolazzo nunca deixa de cumprir uma promessa.
Assim ela viera parar em frente ao chalé de Afrodite, com aquelas irritantes flores. Coçou o nariz uma media dúzia de vezes, de uma forma nada meiga, antes de bater na porta. E bateu de novo. De novo. De novo. Quando ninguém lhe atendeu e a menina cogitava a ideia de apelar para os pulmões e gritar alguma coisa, foi surpreendida pela porta aberta.
Diferente de si, o garoto parecia ter se produzido o dia inteiro apenas para o Banquete. Arqueou as sobrancelhas, estática, em um misto de surpresa e admiração, porque sua produção havia valido a pena. Ela quase sentiu-se miserável em seus velhos shorts jeans e toucas, exceto pelo fato de que já sentia-se assim antes mesmo de vê-lo. O sentimento apenas aumentou um pouco mais, mas não era como se isso realmente incomodasse a italiana. Ao menos, ela seria como esconder decentemente o incômodo.
“Um colega está pedindo a ajuda de um filho de Afrodite para se vestir e eu vim ver se algum de vocês não estaria interessado. Ele está chorando e dizendo que não existe nenhuma roupa bonita em seu guarda-roupa. Você poderia me ajudar, por favor?” Indagou, usando um tom educado, embora parecesse um pouco impaciente e aborrecida por estar ali. Talvez seu nariz inchado e vermelho por já ter sido coçado tantas vezes também não ajudasse em uma boa imagem, assim como as roupas puídas, cabelos mal alinhados e um dos olhos que aos poucos deixava de ser rodeado pela cor arroxeada, resultado de mais uma de suas brigas.














