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@kayamiller

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@malkavjr: Ué, to solteiro e não sabia? lol
@missmiller: Também fiquei surpresa com essa novidade :B
Crazy In Love | Kaya & Christian
Não tivera tempo nem vontade de observar meticulosamente para observar as reações de Kaya, sequer notara que ela praticamente tinha perdido toda a cor. A ameaça dela sobre gritar caso ele se aproximasse fez com que Malk risse, um riso sincero embora completamente encharcado em sarcasmo. — Ah, pode ter certeza que vai. — Ao dizer isso já se aproximava e estava pouco ligando que o pai dela estava ouvindo do outro lado da linha. O celular foi arrancado da mão dela e completamente destruído. A colega de quarto não teria escolha, iria sair por bem ou por mal, tanto que quando ela exitou foi empurrada pelos ombros pra fora, para só então a porta ser batida novamente. Christian estava pouco ligando para qualquer consequência que teria ao tocar nela, consequências de qualquer tipo. Isso porque a garota aterrorizada que fora obrigada a sair podia muito bem chamar a polícia, quem sabe?
A menina não teve pra onde fugir, e a cada vez que ela dava um passo pra trás, o rapaz avançava com mais certeza do que faria a seguir. Christian sentia o corpo tremer de cima à baixo, além das mãos formigarem um pouco. Os pensamentos estavam à mil e mal conseguia se concentrar em outra coisa que não fosse a raiva. O protesto dela ao ser prendida contra o colchão fora completamente ignorado e segundos depois segurava com firmeza o cinto na mão. Após bater a primeira vez, parou alguns instantes para dirigir à palavra a prima. Revirou os olhos com a resposta e novamente agitou o cinto no ar contra a pele dela, não uma, mas duas vezes. — Errado. Vou te dar mais uma chance. O que você fez foi certo, Kaya? — Indagou, agora usando o próprio corpo para prender o dela, apoiando ambos os joelhos sobre o colchão, e ainda assim, sem aliviar a mão que pressionava a parte superior do corpo feminino.
Malk podia não enxergar as expressões dela, mas pelo tom de voz ele soube que ela segurava o choro. Dessa vez não teve pena ou piedade, muito pelo contrário. A respiração dele estava pesada e por alguns instantes ele apoiou a mão sobre o colchão e inclinou o corpo sobre o dela, até que o rosto estivesse bem próximo da orelha dela. Apertou os dedos no ombro de Kaya antes de se pronunciar. — Você é a única culpada por ter de passar por isso, por complicar tanto as coisas. — O tom de voz dele desceu alguns decibéis e era quase gentil ao falar, assim como um animal prestes a atacar sua presa. Nisso, ele voltou a erguer o tronco e deslizar o couro pelas costas da menina, mesmo que cobertas pela roupa, descendo pela cintura e passando pela bunda dela, sem realmente bater, só esperando um pronunciamento da parte dela. Ah, estava sendo bastante paciente. Mais paciente do que achou que seria.
À essa altura, Hans deveria estar agindo feito um completo louco ao ver que a ligação caíra. Especialmente quando tentou ligar para a filha outra vez e ela não atendera a chamada. Talvez a própria Kaya devesse ter dito a Anne que chamasse alguém, qualquer pessoa. Porém, não queria se tornar um assunto público e não acreditava que ele iria lhe bater ou qualquer coisa assim. Estava completamente enganada. Já presa contra o colchão, quanto mais esperneava, mais ele lhe pressionava e mais sufocada se sentia. Isso lhe deixava não apenas com raiva mas desesperada, aumentando a sensação nervosa que sentia correr por debaixo da pele, sensação de auto-preservação. Dera um jeito de virar o rosto para o lado esquerdo, a respiração pesada batendo contra o lençol e fazendo um barulho audível. Após responder de modo afiado, o que se seguiu era o esperado: ele lhe bateu de novo.
Em momentos de dor, o cérebro - órgão curioso era esse - se concentrava em qualquer outros detalhes, desde o leve brilho acetinado do branquíssimo lençol de cama ao barulho da cinta cortando o ar, antes de estalar contra a sua pele. A moça encolheu os ombros, apertou ainda mais as mãos no lençol e trincou os dentes, segurando a respiração. Mas não tivera tempo de se recuperar o suficiente, então quando a cinta descera outra vez, ela novamente impulsionou o corpo pra frente, dessa vez grunhindo de dor e estremecendo. Uma das lágrimas escorreu pela bochecha até molhar o lençol, enquanto se mantinha em silêncio. Apenas demonstrou reação no momento que sentira o peso mudar em cima da cama e Malkav se aproximar. Todos os músculos do corpo tensionaram visivelmente, sentindo o calor humano próximo, a voz em seu ouvido. Se estivesse livre o suficiente naquele momento, teria feito uma besteira, tamanha foi a raiva que sentiu dele.
Sentia raiva, obviamente, aquela raiva que lhe esquentava o corpo e que se tivesse a oportunidade, arrancaria a língua dele com as unhas. Só que, mais uma vez, era traída por reações desconhecidas. Quando estava com ele, experimentava um lado completamente novo seu, como se estranhasse a pessoa que olhava no espelho todos os dias. A tira de couro foi lhe correndo o corpo de um jeito lento, logo alcançando a sensível pele de suas nádegas. Sem conseguir controlar, cada centímetro de pele e pelo se eriçou; também arfou alto o suficiente para ser vergonhoso e inconscientemente, empinou a bunda um pouco mais. Lambeu a lágrima salgada dos próprios lábios e engoliu a saliva com dificuldade, tentando relaxar. – Quer saber de algo? – Questionou. – Pode não ter sido certo, mas eu faria tudo de novo. Foi merecido. Você é um escroto. – Rebateu no mesmo tom rouco de antes, preparando-se outra vez pra cintada.
Crazy In Love | Kaya & Christian
Era cedo. Bastante cedo. Porém, o rapaz já estava de pé e devidamente vestido. Inclusive, tentava pensar em novas estratégias com um tabuleiro de xadrez à sua frente. Achou estranho quando recebeu o alerta no celular que o alarme do carro tinha apitado. Mas, claro, ele se apressou para ir conferir. Pegou a chave e seguiu para fora do prédio da fraternidade Trinity, não demorando muito até chegar ao estacionamento. Mais estranho ainda foi ver algumas pessoas em volta do carro, sem que realmente pudesse enxergá-lo de longe. Passou por entre estas e… — Puta que pariu. — A fala foi quase inaudível até pra si mesmo. Mal podia acreditar nos próprios olhos. O porsche estava completamente destruído; os vidros quebrados, a tintura descascada, pneu furado e a lataria amaçada. Ergueu a mão e fechou os dedos em punho de frente aos lábios, lentamente maneando a cabeça em negação. Ouvia os outros alunos do local sussurrarem comentários, mas em meio a isso só uma coisa aumentava dentro dele: ódio.
Sequer notou que tinha prendido a respiração até que os pulmões clamaram por ar. Passou ambas as mãos pelo rosto e descobriu que estava tremendo. Não teve coragem de se aproximar, nem mesmo se lembrou que ao menos deveria desligar o alarme. Ah, não. — Eu vou matá-la. — Agora sim a voz era audível para quem quisesse ouvir. Rangeu os dentes e girou os calcanhares, empurrando quem quer que estivesse na sua frente. — SAI DA MINHA FRENTE, PORRA! — Gritou jogando toda a sua educação no lixo. Malkav pisou firme pelos terrenos da escola. O sangue borbulhava em suas veias e os olhos queimavam com a raiva, estava num estado tão crítico de agitação que sabia que tinha corado um pouco devido a pele alva.
Não houve cerimônias ao chegar no prédio da Walford. Abriu a porta e subiu a escada de dois em dois degraus, bufando. De frente do quarto de Kaya, nem mesmo se conteve em bater. Não pensou duas vezes em reunir força na perna ao chutar a porta, de forma que o barulho ecoasse pelo corredor. Pra piorar a situação, a prima arrumava as malas e falava com o pai no celular, algo sobre cancelar o contrato. — Primeiro você termina comigo, destrói o meu carro e ainda quer cancelar o contrato POR ALGO QUE NUNCA ACONTECEU?!! Desgraçada. —Entrou no local e avançou para o lado dela. — Me dá essa merda. — Puxou o aparelho da mão dela e tacou no chão, pisando na tela com toda a força. Não apenas uma vez, várias, até que já não funcionasse mais. Engoliu em fundo e mirou a colega de quarto dela, que parecia aterrorizada. — VOCÊ. FORA. AGORA! — Empurrou a menina pelo ombro até que passasse pela porta, sem se importar se estava sendo rude. Bateu a porta novamente e trancou.
Virou-se para a Miller, sem amenizar a expressão, agora se aproximando de forma lenta e mesmo assim ameaçador, com as mãos em punhos. — Eu devia ter te traído mesmo, PRA VALER A PORRA DO PREJUÍZO! — Passou mais uma vez a mão pelo rosto e fechou os olhos, agora próximo o suficiente pra segurar no braço dela, e empurrá-la de bruços sobre a cama. — Mexeu com a pessoa errada, Kaya. — Segurou o corpo da menina no colchão com uma das mãos, e com a outra subia a saia dela. Com essa mesma mão, desabotoou o cinto com pressa, sem nem mesmo mudar a expressão do rosto. Segurou com firmeza o couro e não pensou, bateu com força na bunda dela. Depois disso, puxou o ar com força e a olhou de cima. — Espero que saiba o porquê de estar apanhando. — Abaixou o tom de voz alguns decibéis, aquele que costumava usar quando se obrigava a se controlar e ainda assim demonstrava o quão filho da puta era.
O caro telefone ficava preso entre o ouvido e o ombro dela, que com uma das mãos terminava de desembaraçar as ondas e com a outra ajudava a colega de quarto a fechar uma das malas. Tinha tanta coisa jogada de qualquer jeito ali dentro que seu esforço teria de ser maior, tanto que soltou o pente e agora apoiava o peso em cima da tampa. – Não vou voltar atrás. Sinto muito, mas não posso fazer is- – A frase morreu na metade quando a porta foi aberta no chute, quebrando a tranca e possibilitando esta de ser fechada apenas no ferrolho. O barulho findou fazendo com que ela saltasse no mesmo lugar e o encarasse com olhos arregalados. Repentinamente, perdera toda a cor do rosto, tamanho era o seu medo e o susto. Quer dizer, estava brava, mas sabia que ele também tinha motivos para estar. Só que ela esperava estar bem longe dali quando o estrago fosse descoberto. – Você não ouse se aproximar ou eu vou gritar. – Apontou o indicador no rosto dele antes de ter o telefone destruído.
Anne, a colega de quarto que observava a cena com verdadeiro terror, encarou Kaya como se perguntasse se deveria sair ou não. – Está tudo bem. Pode ir. Não conte pra ninguém, eu ficarei bem. Ele não vai fazer coisa alguma. – Murmurou pra ela, até mesmo forçando um sorriso de encorajamento enquanto a porta fechava outra vez. Agora, trancada na chave. Quando Christian se virou outra vez para lhe olhar, ela deu um passo pra trás a cada passo que ele dera em sua direção. Só parou quando os pés bateram em uma mala no chão e soube que dali não tinha mais pra onde fugir. A cada grito ela tremia e tentou puxar o braço de volta ao ser segura, mas logo fora jogada na cama, tentando engatinhar pro outro lado. Tivera o corpo pressionado no colchão, porém, assim como o rosto, esperneando o suficiente para arrancar ambos os sapatos. – O que você pensa que está fazendo?! Me solta, Christian! Me solt- – Mais uma frase ficara incompleta. Dessa vez, ao sentir o impacto da cinta contra a própria carne.
O corpo fora inconscientemente impulsionado pra frente, retesando todos os músculos. A loira perdeu o ar por alguns segundos e o puxou de um jeito audível, desesperado. Cravou as unhas de uma mão no lençol, a outra no travesseiro, nem mesmo conseguindo liberar qualquer som que fosse. Parte do seu cérebro registrava a dor, a outra parte sentia vergonha. Nunca havia apanhado nem dos próprios pais, nem mesmo um puxão de orelha... Mas era submetida à uma situação dessas por ele. – Porque você é um covarde. – Revidou imediatamente, a voz rouca pelo choro contido. Com o rosto pressionado contra o lençol, sentiu os olhos marejarem. Por sorte, os cabelos claros lhe cobriam uma certa porção do rosto, dificultando a visão de suas expressões.
Crazy In Love | Kaya & Christian
Alcançara a fraternidade o mais rápido que conseguiu e assim que entrou, fora notada por Anne. O telefone celular fora jogado na mão da garota assim como uma carteira de cartões, pedindo à ela que comprasse a primeira passagem de avião pra Califórnia, em seu nome. Sem muito entender - porém bastante colaborativa -, a garota concordou em ajudar enquanto Kaya entrava no banheiro. Breves minutos depois, já tinha a passagem comprada, puxara as malas de debaixo da cama e arrancava todas as roupas do guarda roupa, jogando-as com as cruzetas mesmo lá dentro. – Não tem muito o que explicar, Annie. No momento, só preciso que você me ajude a fechar essas malas, ok? O mais rápido possível. Juro que mando um e-mail contando tudo, assim que eu pousar em Los Angeles. – Disse às pressas, andando de um lado para o outro no quarto. Um peixinho nadava dentro do aquário, por enquanto, ainda desavisado de que seria o próximo a passear de avião.
Os compridos cabelos ondulados ainda pingavam gotículas de água conforme se movia, usando a plissada saia preta do uniforme, aquela que ia até os joelhos; trocara os sapatos de boneca por louboutins pretos, de bico fino e após abotoar a blusa social preta, passara o suéter pela cabeça. Ainda puxava as mechas loiras de dentro da gola da roupa quando colocou o celular na orelha, conversando rapidamente com o homem do outro lado. – Foi tudo por água abaixo, pai. Não deu certo, nunca vai dar certo, ele errou, eu errei mais ainda, estragamos tudo. Não, pai. Pai. Pai, me escuta primeiro, fala depois, não tenho muito tempo. Preciso que você declare falência em até três horas, entendido? Acione os advogados e o Relações Públicas, destruam todas as cópias do contrato. Vou estar dentro do avião em trinta minutos. A viagem vai ser longa, mas assim que eu chegar resolveremos isso. – Com uma das mãos, passava a escova pelos cabelos e com a outra fechava o zíper de mais uma mala.

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I get drunk on jealousy | POV
Estava arriscando uma senhora punição caso fosse pega. Como seus planos eram mesmo sair dali, não se fez de rogada. Foi em direção vestiário do time de Lacrosse e assim roubara um daqueles tacos de lacrosse, agora apoiado em cima de um dos ombros magros da garota. Depois da discussão, saíra com tanta raiva que seu intuito óbvio fora revidar. Não era de arroubos de ciúmes, mas tivera tantas provas da traição dele! Não ia traí-lo de volta, seria se rebaixar a um nível irreparável e se considerava melhor do que aquilo. Se fosse tentar agredir ele fisicamente, acabaria apanhando, em consideração a não ter tanta força quanto ele. Então, teria de atingir exatamente onde doeria mais... O lustroso porsche preto brilhava em toda a sua majestosidade, sendo - em sua visão - um exemplo metafórico da arrogância e imponência de seu dono.
E por quê não destruir exatamente o melhor símbolo disso? Nem mesmo se importou em precisar de razões que justificassem seus atos, agindo apenas por impulso. Segurando o meio do cabo com as duas mãos, a loira baixou o taco com toda a força que tinha no para-brisa do carro. O trinco se espalhou pelo vidro, ao que ela bateu pelo ao menos mais três vezes antes de estilhaçar. Com isso, o alarme ensurdecedor soou pelo impacto. Não dando a mínima para isso, descera outra vez o taco, agora contra o capô do carro. Usava o peso do próprio corpo a cada movimento repetido, certeiro, aumentando o estrago e amassando a lataria, arrancando a tintura. Fazia com que as fendas que prendiam este ao carro fossem afundadas, de modo a dificultarem o trabalho de quem fosse consertar. Se tivesse conserto, obviamente. A parte de cima do taco se estragou pelas pancadas, começando a atrapalhar seu serviço. Fora arrancada de cima após alguns puxões da loira e, menos de vinte segundos depois, novamente tornara a bater no carro.
Agora nas portas e vidro do lado do motorista, quebrando a ambos. Dera um chute numa das rodas e acabou tropeçando nos saltos do sapato de boneca por breves instantes, apoiando-se na lataria, enquanto chorava. Estava descabelada, suada, corada, com o rosto molhado de tantas lágrimas, numa versão extremamente descontrolada da garota que era. Ainda motivada pela raiva, dera a volta no carro e economizava tempo por dar uma pancada a cada passo, destruindo a traseira enquanto encaminhava-se para o outro lado. Também destruíra os vidros e portas, batendo tanto que cansara, desgastando o taco o suficiente para quebrar-lhe a ponta. Seu trabalho estava feito, certo? Podia ir embora. Em brevee, as pessoas perceberiam que havia algo muito errado por um alarme não ter sido desligado, como o esperado. Destruíra o carro o suficiente para se sentir de alma lavada.
Mas não ainda. Como se fosse o ato final de consagração, usou a ponta quebrada e afiada do taco para tentar enfiá-la numa das rodas, com todo o peso que tinha como auxílio. Tentou a primeira, a segunda e somente na terceira é que atravessou a grossa camada de borracha, fazendo aquele barulho de estouro e sacolejando o carro no processo. Terminou por enfiar o cabo dentro da roda, afastando-se com passos trôpegos pra trás. Precisava ir embora, definitivamente. Kaya enxugou a boca com as costas da mão, repentinamente enjoada. Sentia as palmas arderem, provavelmente machucadas pelo ato repetitivo em pele delicada. Enquanto ainda tinha adrenalina o suficiente no corpo - o suficiente para conseguir se mover sem ter consciência de seus atos - apressou-se para sair do local, correndo pra fraternidade. Teria de sair de lá naquele mesmo dia.
Percebeu que não tinha sido uma boa ideia responder quando ela pareceu ficar tensa. Ao sentir ela apertar as unhas em sua bochecha, Christian de modo furtivo mexeu o rosto, com intenção de se soltar dos dedos dela, inutilmente. As sobrancelhas voltaram a se erguer e sequer desviou o olhar, um tanto confuso pela reação. Na cabeça dele, aquilo fazia total sentido. Quer dizer, era só uma forma de evitar discussões desnecessárias. Ela tinha se erguido e sabia que a pele tinha ficado avermelhada onde ela tinha apertado anteriormente. Passou a própria mão pelo rosto e o olhar passou de curioso para um confuso. — O quê?! — Inicialmente mal acreditou na conclusão que ela havia tirado daquilo, tanto que a chegou a entreabrir minimamente os lábios ao encará-la. — Eu não te trai. — Afirmou com convicção, embora ainda incrédulo.
Desencostou-se do sofá e inclinou o corpo pra frente, até que os cotovelos fizessem os joelhos de apoio. Era só podia estar brincando. Quando é que tinha dado indício que poderia sequer pensar em traí-la? Passou as mãos pelo rosto quando ela começou a chorar. Definitivamente não sabia lidar com esse tipo de situação. — Kaya. — Chamou o nome dela, pra que ela prestasse atenção. — Eu não te trai. — Repetiu. Ameaças se seguiram, e tudo o que ele fez foi encarar os próprios sapatos. Passou os dedos da mão direita pelos olhos e permaneceu assim por alguns instantes. — Mas que merda… — Murmurou pra si mesmo. Era incrível, quanto mais queria paz, mais problema aparecia. — Pare de chorar. Pela última vez, eu não te trai, caralho. Se eu fosse trair, pode ter certeza que não seria com ela. — Foi a vez dele de se erguer, de súbito, indo pro outro lado da sala e cruzar os braços.
Eram bastante eloquentes, donos de si mesmos, acostumados a engabelar a Deus e o mundo com palavras. Só que detinham a incrível capacidade de meterem os pés pelas mãos toda vez que abriam a boca um com o outro, sempre terminando em briga devido a entendimentos ruins. – Não minta pra mim, Christian. Você não ouse mentir pra mim. – O chamara pelo primeiro nome e isso significava um distanciamento automático da parte dela, apenas acentuado por todas as lágrimas que lhe rolavam as bochechas coradas e a voz trêmula. A loira tentou abafar um dos soluços de choro com a mão mas isso apenas fazia eles ficarem ainda mais altos, mais quebrados aos ouvidos alheios e dela própria. Ainda andando de um lado para o outro, sacudiu a cabeça em um negativo desolado. Ela passou a mão pelo rosto, esfregando as lágrimas sentidas. – E eu achei que ela só era legal com você porque alguém mais conseguiu ver por detrás de quem você demonstra ser. Ela disse que estava tentando lhe ajudar e eu ainda incentivei! – Falava praticamente sozinha, pelo ao menos até ele se levantar e diretamente se dirigir a ela. Quer dizer, tinha feito isso antes, Kaya apenas não dera atenção.
Mas agora dava... E ele teria sido bem sucedido, não fosse a última sentença dita. Os olhos verdes se arregalaram e a boca rosada se abriu num perfeito ‘’O’’, o encarando em choque. – Então, você pensa em me trair de novo? E com outra pessoa?! Ela não foi o suficiente pra você?! Quantas mais? Quantas mais, Christian?! Todas as garotas que você considerar ‘’aptas’’ pro serviço? Porque você chegou a achar ela boa o suficiente pra ir se enfiar dentro dela. E agora não serve mais? – A voz dela se quebrou no fim e agora, ela parecia realmente magoada, num nível completamente novo. – VOCÊS SE APROVEITARAM E AGIRAM FEITO DOIS ANIMAIS, PELAS MINHAS COSTAS!!!! – Numa mira certeira, ela atirou um dos vasos de flores na direção da cabeça dele. Teria de desviar para não ser atingido, até mesmo pelos cacos de vidro. Com o barulho, a porta se abriu devido a entrada de uns dez curiosos, fazendo com que ela parasse. Visivelmente interrompiam algo e pareciam sem ação com a cena ali desenrolada.
A moça limpou a boca com as costas da mão e um relógio tão delicado que parecia uma joia se mexeu no pulso fino dela, antes de tornar a abaixar o braço. Olhava pra ele com mágoa, raiva, tristeza, tudo isso brotado de uma única suspeita. Apenas porque achava que tinha sido traída e ele só contribuía pra que ela seguisse com esse pensamento. – Eu não preciso disso. Vou embora amanhã mesmo. – Cuspiu as palavras. – Vai se foder, Christian. Você, a vagabunda com cara de nerd, a empresa. Foda-se o contrato mas, acima de tudo e principalmente, foda-se você e foda-se ela. Melhor: fodam um ao outro. – Tinha começado a se encaminhar pra saída mas parou na metade, rindo de um jeito sarcástico, quebrado e visivelmente forçado. Virou-se para olhá-lo por sobre os ombros, segurando o olhar azul com o seu. – Opsie. Esqueci. Vocês já estão fazendo isso, certo? – Encerrou, dando-lhe as costas e as pessoas abrindo caminho conforme ela passava. Automaticamente, mensagens começaram a ser enviadas, um burburinho aumentou de volume e muita gente ficou confusa com a menção de um contrato.
Malkav certamente não era imune as técnicas dela de manipulação, tanto que quando ela demonstrou o que tinha dito, os olhos do rapaz recaíram sobre os lábios dela, acompanhando o lento lamber de lábios. Numa reação automática, além da própria mania, acabou mordiscando o próprio lábio inferior e erguendo minimamente as sobrancelhas. Simplesmente decidiu não responder a respeito disso, pois sabia que nesse caso ela estava certa. Seguiu em silêncio quando a garota se ergueu e começou a andar de um lado pro outro até que… Lhe retrucou de novo. Christian realmente tentava não ficar bravo com ela, tentava mesmo, mas quem disse que Kaya colaborava? — E com que frequência isso acontece? — As sobrancelhas mais uma vez foram erguidas. Tentava ao máximo controlar a irritação com a possível discussão que acabaria se desenrolando. Era incrível como sempre acabavam brigando. Nessa tentativa, acabou se prendendo ao barulho do salto da sapatilha escolar que ela calçava ecoando pela sala.
Nada ia mudar porque as coisas eram simples assim. Não gostava de complicações, e gostava menos ainda das lembranças que vinham com elas. Soltou pesadamente o ar por entre os lábios. — Se você diz… — Mais uma vez tentava evitar discussão. Coçou a lateral do rosto sobre a barba que voltava a crescer e a medida que ela se aproximava de si, desencostou os pés da mesinha e fez o chão de apoio mais uma vez, permanecendo sentado embora o rosto tivesse se erguido um pouco. Por puro instinto, quando a prima se sentou no seu colo, um dos braços a envolveram pela cintura, enquanto a outra mão foi parar em um dos joelhos dela, acariciando o local com o polegar. Por um momento realmente acreditou que teriam um momento de paz, porém, mais uma vez, se enganou. Teve as bochechas seguradas pelos dedos femininos e ele não fez menção de se afastar até que ela dissesse o que era. — Tem coisa que não tem necessidade de você saber, Kaya. Não faz diferença alguma. — A frase não era em forma de provocação, era exatamente o contrário.
Vê-lo mordendo o lábio inferior lhe fez sorrir de canto, marota. Poderiam estar usando o tempo para coisas mais úteis... Só que nem só de correspondência física se fazia um relacionamento. Ela nem mesmo se importou em lançar um olhar sujo pra ele ou qualquer coisa do tipo quando fora questionada, mesmo que tivesse ficado brava. Quando sentou-se no colo dele, aconchegou-se um pouco mais ao ser envolvida num meio abraço. Não queria brigar, realmente não queria. Talvez até tivesse aberto mão dos outros assuntos se não fosse aquele último, insistentemente martelando em sua cabeça. Malkav só precisava saber responder a coisa certa para aquela pergunta. Mas, como sempre, as coisas nunca funcionavam de modo a ficarem em paz. Os dedos afrouxaram o aperto e apesar da resposta simples, os olhos verdes - que seguravam os azuis - endureceram sem gentileza.
As unhas dela apertaram ainda mais o aperto nas bochechas dele, agora com a intenção de machucar e foi isso o que fez, pesadamente arrastando as unhas pela mandíbula até soltar-lhe o queixo. Em segundos, Kaya se levantou e começou a andar de um lado pro outro de forma apressada. – Se você não me conta, significa que está escondendo algo. Significa que você... – O tom de voz rouco se calou ao tampar a própria boca, sacudindo a cabeça em negativo. – Não acredito que você me traiu. – Chorou ainda no começo. – Ah, meu Deus, como eu sou burra. E eu achando que ela não poderia... – Sufocou outro soluço, ainda andando, até que parou a um metro do sofá. Abraçou a si mesma e tornou a balançar a cabeça em negativo, o rosto banhado em lágrimas. – Eu vou acabar com você, Malkav. Você vai ver só. Você não deveria ter me traído. Não depois de tudo... Sou mesmo uma garotinha estúpida, com sonhos estúpidos. – Continuou, arrasada. Entendera tudo errado, mas quem disse que sabia? Agora a situação já estava pronta e desfazer a mente dela seria tarefa complicada.
Olha, eu realmente não tenho interesse em saber o que você faz com a bunda dele, porque aí eu imagino a cena e não é muito agradável imaginá-lo pelado.
Eu me incomodo com o fato de que ele está perdendo experiências e afastando pessoas que poderiam ser perfeitas para ele. Quantos amigos ele não perdeu com essa atitude? Eu sinto como se tivesse a missão de ajudá-lo a se abrir e não ser tão ele.
Desculpa, não foi a intenção. Mesmo.
Muitos, pra ser sincera. Quase ninguém durou, mesmo após tanta insistência. E está fazendo um ótimo trabalho, continue assim. É uma boa forma de monitoria. Talvez o Arisquinho deixe de ser tão arisquinho, com o tempo?
Não, meus pais nem se importam comigo, mas quase ninguém sabe disso, daí tem medo que eles possam … Sei lá … Expulsá-los daqui.
Quem disse que não faço coisas do tipo? As pessoas que não fazem comigo, somente isso, e talvez esse seja o lado bom de ter os pais ricos que te trazem uma boa imagem. Você pode fazer qualquer coisas com os outros, chantagens e esses tipos de coisas, mas os outro não fazem com você por ter um certo tipo de “poder”.
Você, meu caro, é um trapaceiro nato. Meus parabéns, está conseguindo ludibriar até a seleção natural.
Poder aquisitivo, o nome disso. E entendo perfeitamente bem a sua colocação, muito esperto, a propósito. Inclusive: já pensou em entrar pro Clube de Xadrez? Você poderia se dar bem.

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Deixou o livro sobre o colo e virou o corpo na direção dela, assim como ela tinha feito pra lhe encarar. As expressões dele seguiam impassíveis, demonstrando quase tédio. Não disfarçou ao revirar os olhos. — A sua ironia também está gerando ótimos resultados como pode notar. — Apoiou a lateral do corpo no encosto do sofá, assim como o cotovelo direito, de forma que a mão pudesse servir de apoio para a cabeça. — E quando é que eu abraço alguém, Kaya? — Indagou no meio da frase dela, interrompendo-a por alguns segundos. — Eu sei lá, desde o natal, acho… Por que insiste nisso? Nada mudou, e nada vai mudar. — Saco. Quanto mais tentava fugir do assunto mais ela insistia. Era nesses momentos que sentia falta do seu primeiro ano ali, sem qualquer familiar por perto pra lhe obrigar a pensar, a falar sobre esse tipo de coisa.
A lateral da cabeça já tinha começado a latejar e chegou a fechar os olhos por alguns segundos após dizer que isso não dizia respeito à ela. Teve de respirar fundo ao fitá-la novamente. — Está exagerando. Sabe que não foi isso que eu disse. — A voz saíra um tanto mais arrastada. Arrastou os dentes sobre o lábio inferior e voltou a posição anterior, largando-se sobre o sofá e se atreveu a apoiar os pés na mesinha de centro. — Era só isso? — Indagou finalmente.
Quando ele revirou os olhos e lhe retrucou com uma ironia tão certa quanto a sua, a loira o encarou por alguns segundos silenciosos. E riu de forma curta, sem humor algum apesar de ter uma pequena porcentagem de incredulidade no som. – Sinceramente? Você é o único homem com quem preciso usar de ironia numa conversa. – E então inclinou o corpo um pouco na direção dele, como quem ia fazer uma confissão. – Eles geralmente não me questionam quando estão ocupados demais me vendo lamber os lábios e pensando em outras coisas. – Provocou. Só pra frisar o que dizia, lambeu os lábios bem lentamente antes de se colocar de pé e começar a andar de um lado para o outro em frente ao sofá que ele estava sentado. – Você me abraça, não abraça? Ou é tudo só por interesse? – Olhou ele de cima, ainda andando de forma lenta e então voltando a olhar pra frente. Tinha os braços cruzados defronte ao peito e os saltos do sapato de boneca ecoavam a cada passo, acentuando o silêncio e postura dela.
Nada ia mudar porque ele não queria e discutir com uma porta teria mais eficácia. Até que ele pareceu amenizar após a chateação dela e a loira sacudiu a cabeça em negativo, suspirando pesadamente. – Foi exatamente o que você quis dizer, Malkav. – Cortou em imediato apesar de não ter usado um tom rude, mesmo com as palavras escolhidas. Mordendo o lábio inferior de um jeito pensativo, não respondeu de imediato e demorou mais algum tempo quieta. Por fim, parou de andar e se aproximou dele, sentando no colo do rapaz. De lado, com as longas pernas meio esticadas pra cima do sofá - não podia fazer por inteiro por serem compridas - e a saia até subindo um pouco pela forma que ficou. O braço direito foi passado em volta do pescoço dele e a mão livre brincou com os botões da camisa social, parecendo distraída. Pelo ao menos até segurar o rosto dele pelo queixo com uma única mão, as pontas das unhas meio apertadas nas bochechas do loiro. – Quando você ia me contar que tem uma monitora? Uma monitora muito bonita e que lhe trata por apelidos? Pior ainda, você sabia que ela deu uma boa checada na sua bunda? – Perguntou num tom calmo, sem afrouxar o aperto.
Kaya Miller’s Moodboard - Family (about Tommen Miller, The Big Brother) - 002/?
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Malkav é triste,. Pior que Christian, vou continuar chamando ele de Arisquinho.
É, é um desperdício ele ter aquela bunda e ser tão arisco. Eu gosto de acreditar que no fundo ele é um garotinho assustado e magoado, e se recusa a se abrir com alguém, por isso é arisco.
À vontade. E ah, nem tão desperdício assim. Garanto que sei aproveitar ela e ele ser tão arisco assim, acredite se quiser, não afasta todas as garotas do pé dele. Quem me dera se elas pensassem como você.
Mas não adianta forçar a barra com ele, você precisa deixar que ele tente se abrir, com o tempo. Ele se abre comigo, com muito esforço. E sim, pode-se dizer isso, só não lembre ele disso. Malk tem os próprios motivos, só nos cabe aceitar.

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Bem… Eu meio que corri quando ela virou pra procurar o celular e vim pra cá pra… Ahn, passar o tempo.
Você vai estar tão ferrada quando encontrar com ela de novo. Deveria ter ido se explicar, ela vai ficar achando que foi de propósito.
É, mais ou menos por aí…
Não, ele vive discutindo comigo sobre o apelido, dizendo que é estupido e infantil, mas eu me recuso a chamá-lo de Christian. Sério, ele é seu namorado? Como uma pessoa tão sociável pode namorar aquela criatura anti-social?
Imaginei que ele discutisse. Poucas vezes o vi aceitar qualquer coisa sem brigar. Mas ele também não gosta que o chamem de Christian, prefere Malkav. É um pouco formal por ser o sobrenome, mas com o tempo a gente acostuma.
Bom, nós duas concordamos que ele tem uma bunda bonita, não é mesmo? Isso contribui bastante. - E riu de um jeito divertido, sacudindo a cabeça em negativo. - Ele é uma boa pessoa, lá no fundo. Só é ‘’arisquinho’’ por natureza.