Quando digo que sou Sol, não estranhe, não sou quente e intocável. É que, parando para pensar melhor, sou parecida com o nosso astro: sou gigante, mas tão pequena se comparada às outras bolas de luz do nosso universo e, de certa forma, me sinto assim no dia a dia, sou gigante, mas existem tantos, tão maiores que eu; sou o centro do universo de algumas seletas pessoas, elas não vivem sem mim e eu não vivo sem elas, porém, em algum momento, eu vou devorá-las impiedosamente, mas, diferente de como acontecerá no espaço, eu não vou fazer isso de forma rápida, eu vou destruí-las devagar, infelizmente; e eu também, assim como o Sol, me mantenho de mim mesma, sendo que ele se "alimenta" de seus próprios gases até que acabe, e então, depois explode, levando consigo todo o sistema, eu uso como combustível minha própria força, não me apoio nos ombros de ninguém e dessa forma, uma hora meu estoque vai acabar, e eu vou explodir. Como uma granada.
E quando afirmo que sou solo, entenda que, sou um solo fértil, adubado com grandes e incríveis ideias, mas as circunstâncias climáticas fazem com que meus frutos morram. Mas, ao me conhecer, você entenderá quais são as minhas estações, qual o sabor das minhas frutas e as cores das minhas flores, mas tem de ser paciente e cuidadoso, pois sou frágil, como um broto. Todavia, também sou solo de só, sozinha, isolada; porque apesar de ter pessoas que orbitam minha vida, meu corpo tende as expelí-las, assim, vivo num limbo onde eu quero estar perto, mas ao mesmo tempo, quero distância. Não é por mal, na verdade, é por bem, pois sou uma pessoa cansada e tediosa, que mesmo desejando o melhor de todos, sou eu quem os faz mal.
E sim, sou tudo isso. Sou nova, de estatura baixa, cabelo enrolado, pele negra e sei bem o meu lugar. Não vivi tanto, quanto você que lê isso, talvez, mas todas as minhas experiências me agregaram muito, e hoje, não sou o que fui, e não sou o que serei, eu sei. No entanto, tudo o que fui, também é o que sou, e o que sou, será o que serei. Pode parecer confuso, mas pense: somos uma construção, onde os ventos e as chuvas nos levam e nos trazem coisas, somos histórias vivas, cheias de complexidades e simplicidades. E eu, entendi isso, agora sei que, meu passado é o meu presente, e devo fazer cada escolha pensando no meu futuro.
Sou o meu próprio tempo, minha própria história, minha própria cor e meu próprio mundo.
Sou, o que jamais ninguém será. Sou o Sol, sou o solo e sim, eu sou.