WOLFGANG NOVOGRATZ — Alto, quem vem lá? Oh, só podia ser LOUIS YANIS MARTIN, jardineiro de 29 anos que veio de FONTENAY. Você quase se atrasou hoje, hein? Eu sei que você é normalmente PRESTATIVO e ESFORÇADO, mas também sei bem que é DESCONFIADO e PESSIMISTA, então nem tente me enganar. Ande, estão te esperando; entre pela porta de trás.
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A fazenda era tudo o que Louis conhecia. Quando criança, seus pais ainda o levavam para o museu, permitiam sua presença no local, que ele explorasse os ambientes e conhecesse sobre a arte e a história. Com o passar do tempo, viram que seria muito mais útil ter o filho trabalhando na fazenda e passaram a impedir suas visitas, fazendo-o focar primeiro no trabalho das tarefas caseiras antes de ir até o Museu. Não demorou muito para a rotina pesada alcançar Louis e deixá-lo exausto, sem mais disposição para ir até um de seus locais favoritos.
Trabalhar em casa não era ruim, Louis ainda separava tempo para ler livros e tentar se dedicar ao hobby da pintura, algo que seus pais não podiam de maneira alguma desconfiar que ele ainda fazia já que, de acordo com o pai, era uma atividade inútil. Seus segredos apenas cresciam ao longo dos anos, não concordava com os ensinamentos dos pais, se é que podia chamar assim; não concordava com as crenças e com os costumes que ele e a irmã eram obrigados a seguir. A pouca instrução que tinha vinha de seu próprio esforço em frequentar aulas comunitárias perto da fazenda, escondido das vistas dos pais, obviamente.
Tendo sempre uma pergunta ou um argumento para fazer quando recebia uma ordem direta dos pais, Louis se tornava um jovem questionador, cansado de abaixar a cabeça e aceitar tudo o que diziam. Foi por causa dessa chama que acabou sendo atraído por algo que certamente faria o senhor Martin perder o restante dos cabelos. Ainda na adolescência, encontrou um panfleto surrado com algumas mensagens estranhas. Decifrar o código ali escrito não foi tão difícil, Loui possuía um conhecimento aleatório sobre diversos assuntos; chegar numa resposta o levou a uma reunião dos Guardiões. A partir daquela noite, sua vida mudava.
Envolver-se nas questões que o grupo problematizava foi como encontrar a si mesmo, pessoas que acreditavam nas mesmas coisas e que discordavam do sistema de liderança atual. Louis estava em casa. Assumiu ali dentro o nome de Rémi, não querendo revelar sua verdadeira identidade para tornar suas atividades mais seguras. Sua arte finalmente tinha um propósito, produzir panfletos. Ajudar nesse departamento foi um meio de se fazer útil, mas também estabelecer para si um propósito melhor do que limpar fezes de animais e consertar tábuas quebradas da cerca da fazenda.
O movimento ia bem, sentia-se com mais fé no futuro, mais esperança para si e as futuras gerações. Mas é claro que o destino tinha seus meios de puxar o tapete. Não foi a aposentadoria dos pais que o estressou, não foi o fato de serem expulsos de casa para viver em Paris sem um emprego decente ou meios de manter o sustento; mas sim Vivienne revelando que faria parte da Seleção. Render-se aquele circo? Apoiar a realeza? Isso era ridículo! Eles a comeriam viva. Sabendo que sua irmã não estaria segura, seja fisicamente ou apenas seu coração, Louis pediu um favor ao grupo de Guardiões. Queria estar perto da irmã para a proteger como sempre fez, mas para isso, sabia que teria que estar dentro do palácio. Um emprego foi seu pedido, não importava o que fosse, apenas queria estar lá dentro.
Acostumado a mexer com a terra, não foi difícil arranjar um emprego como jardineiro do palácio. A única exigência é que ele teria que passar informações sobre o dia a dia da realeza, dos convidados e dos possíveis eventos. Atuar como um espião não era difícil, ninguém presta atenção em um homem prostrado no chão com os joelhos na terra e as mãos enfiadas em luvas amarelas. O disfarce perfeito, mas também a posição certeira para continuar a cuidar da irmã.
EXTRAS
Louis atualmente ignora as cartas que recebe dos pais, falar sobre eles é um assunto sensível para si que sempre sentiu o desprezo por parte dos dois e via como eles tratavam sua irmã, portanto, prefere esquecer essa parte de sua vida.
Vivienne é o motivo dele resistir em Paris, cuidar da irmã é algo que aprendeu a fazer desde que era pequeno e isso se estende até os dias atuais. É protetor com ela mas tenta lhe dar espaço pois não quer sufocá-la, apenas tenta fazer o que os pais deveriam: amá-la e cuidar para que ela não se machuque no processo de crescimento.
Trabalhar como jardineiro no Palácio não é algo tão ruim quanto pensou que seria, tem comida e um teto, além de poder ficar perto da irmã, tem agora sempre um trocado para comprar tintas e telas.
É bissexual, mas só assumiu sua sexualidade quando saiu da fazenda e veio para Paris, costuma dizer que nem tudo da mudança foi ruim porque pelo menos pôde ser mais livre.
Louis adora pintar e desenhar, é um segredo que ainda guarda consigo a sete chaves. Apenas as pessoas dos Guardiões sabem desse seu talento por causa de seu envolvimento em fazer os panfletos enigmáticos do grupo. Para isso, Loui, ou melhor, Rémi, adora colocar enigmas dentro de sua arte.








