alto, quem vem lá? oh, só podia ser OLYMPE GERMAINE DE STAËL, a VETERINÁRIA de 24 anos que veio de MISTRALOIS. você quase se atrasou hoje, hein? eu sei que você é normalmente ASSERTIVA E DESENVOLTA, mas também sei bem que é IRRITADIÇA E INFLEXÍVEL, então nem tente me enganar. ande, estão te esperando; entre pela porta de trás.
extra: pinterest
tw: menção de aborto e morte de pais
Rezam as más línguas que sua história de origem iniciava em cômodos escuros e passeios secretos à cavalo, as únicas formas que seus pais tinham de se encontrar longe dos olhos curiosos e atentos da corte francesa. Seu pai, Auguste, era um veterinário recém contratado por uma família abastada quando se apaixonou por sua filha, já prometida à outro homem — com quem, por ironia do destino, também compartilhava o nome. Embora soubesse das dificuldades de darem certo devido às diferenças sociais, só foi descobrir que sua amada estava prometida em casamento quando a mulher lhe procurou, aos prantos, afirmando estar grávida.
( tw: menção de aborto ) Era bastante óbvio que não poderia manter a criança consigo, afinal, o que diriam por aí? Porém, por mais despreparado que estivesse para a notícia, o homem implorou para que não tentasse se livrar dela. Diante do caos familiar e da pura revolta do chefe da família com sua filha, Auguste propôs um acordo: manteriam a mulher longe dos olhos públicos até ganhar a criança e, então, ele a levaria para longe para poder criá-la. Quando Olympe nasceu meses depois, assim foi feito; como um primeiro e último presente de sua mãe, a mulher utilizou de sua proximidade com a rainha Anne para conseguir um emprego para Auguste no Palácio de Versailles. Assim, não só o homem poderia criar a filha sem muitas dificuldades, como sua mãe estaria minimamente ciente de seu paradeiro caso desejasse.
Cresceu, então, entre os corredores e os enormes jardins junto às outras crianças do castelo — os próprios filhos do rei e dos funcionários. Apesar de seu início turbulento de vida, Olympe não se sentiu afetada por muito tempo: tinha um pai espetacular e que lhe amava muito, amigos e um lugar para considerar sua casa. Poderia brincar e estudar como uma criança normal, além de estar sempre em contato com animais já que assumiria o lugar do pai algum dia. À medida em que crescia, no entanto, passou a compreender melhor a hierarquia e as diferenças sociais que provocava, o suficiente para deixar que afetasse as relações que já possuía ali dentro. Um exemplo prático é que não importava quantas vezes a princesa lhe cantasse enquanto cresciam, Olympe jamais consideraria ser sério. Até que isso, também, mudou.
( tw: menção de morte ) De uma forma bastante súbita, sua vida anteriormente estável começou a desandar. Os primeiros sinais foram o cansaço extremo de seu pai e sua fraqueza, de modo que já começou a assumir mais sua parte do trabalho do que antes. Quase que ao mesmo tempo, os funcionários sussurravam pelos corredores como a saúde do rei Louis não estava das melhores, o que também lhe afetava — não eram próximos, obviamente, mas era uma figura pela qual nutria carinho, ainda mais pelo que havia feito por seu pai, além de ser pai de seus amigos. O falecimento de Auguste veio primeiro, puxando o mundo debaixo de seus pés. Por mais que soubesse que aquilo iria acontecer algum dia, não esperava que fosse tão cedo. Sequer sabia como viver sem o homem consigo. Em seguida, veio a notícia sobre o rei e, então, o anúncio da Seleção. Três golpes seguidos, cada um à sua forma.
Aprendendo a digerir sua nova realidade, atualmente Olympe encontra-se lidando com o luto e a adaptação à mudança de sua rotina, além de tentar compreender de que lado está realmente no conflito político iminente no seio francês.












