Um coração elástico
Ela rodopiava, leve, como se não pesasse absolutamente nada. Com os olhos fechados, não se sentia no palco. Não, ela estava flutuando no universo, por entre estrelas quentes e coloridas.
Ela se sentia cheia de poder. Mergulhada na inércia da dança, era impossível pará-la. Seu coração batia acelerado, seus lábios desenhavam um sorriso lindo. E havia verdade naquele sorriso: quem o visse saberia que ela era impossível de ser contida, que estava feliz.
Pensava nela, e de repente cachos infinitos de um cabelo mais escuro que o universo se espalharam na frente das estrelas. Ela deu uma cambalhota, quase não conseguindo conter uma risada alta. Embora ela não estivesse de verdade ali, podia sentir na ponta dos dedos a suavidade da pele dela, escura, macia, brilhante... Os olhos encheram de lágrimas, mas ela não estava triste.
Então a dança acabou. Não em nenhum silêncio depois do fim da música, mas numa enorme salva de palmas. Ela soube, naquele momento, que estava livre para ser o melhor que pudesse ser.


















