Sabe aquelas bandas que você não consegue ouvir sem ficar parada? Essa é a The Baggios! Banda de Sergipe, que acaba de completar 10 anos, nos mostra que é possível fazer um som insanamente incrível só com guitarra e bateria. Julio (vocal e guitarra) e Gabriel (bateria) fazem um blues misturado com rock pra não botar defeito, e se as músicas digitais já são ótimas (dá pra ouvir tudo no spotify YESS), imaginem só como é ao vivo! Realmente não dá pra parar de mexer!
Com isso, em um de seus shows, tive a ótima oportunidade de entrevistá-los para o Facas Na Bota, segue aí:
Facas Na Bota: Vocês estão na segunda parte da turnê, já passaram por São Paulo, Brasilia, Vitória… Tocaram em vários lugares que já tinham tocado antes, e vários novos, como ta sendo isso para vocês?
Julio: Essas turnês são meio que uma versão um pouco mais prolongada das que fizemos nos últimos 4 anos, nunca tínhamos feito uma tour tão grande, e é legal explorar novos lugares como foi em Vitória e Curitiba. Tiveram algumas cidades do interior de São Paulo que nunca tínhamos ido, e é legal que aumentamos nosso público porque nós tocamos em cidades que nunca tivemos a possibilidade de tocar, como o Circuito Paulista fez com que nós fizéssemos shows em Lorena, por exemplo. Tocamos em praça pública, pegando o público jovem, velhos, crianças... Agora o Nordeste nós tínhamos que voltar porque já fazia 2 anos que não fazíamos tour por lá e todo mundo estava cobrando, mas foi questão de logística e complicava data, as condições não ajudavam... E para fazermos essa turnê no Nordeste agora casou até com uns festivais, como o DoSol, um show lá em Fortaleza que é uma festa em continuação do Ponto CE. Então deu facilidade pra gente conseguir fazer essa rota.
FNB: Já são 10 anos de banda e com certeza deve ter alguma história maluca de algo que aconteceu em algum show, ou fã louco… Contem aí!
Julio: No início da banda teve um show que fizemos, foi em 2004, aí eram 10 bandas para tocar na noite num lugar que normalmente rolava problema por causa da vizinhança, aí nós fomos escolhidos por sorteio para tocar por último, mas aí cheguei lá umas 17h, fiquei curtindo, morguei, curti novamente aí nesse meio tempo a polícia chegou e parou a festa, aí passou uma hora parada e voltou, tocou mais duas bandas, a polícia voltou, mandou parar novamente mas aí tocou mais duas bandas, e isso era tipo 4h da manhã, e a gente subiu no palco e os caras já estavam desmontando o som e falei “velho, a gente ainda vai tocar!” aí ele “não, não tem mais banda que vai tocar, nosso prazo do contrato era até essa hora, então vamos parar por aqui” aí eu “deixa a gente tocar pelo menos duas músicas” aí tocamos as duas para uns quatro bêbados, que eram nossos amigos, e os caras do som bem putos desligaram o som, acabou o show e fui pra casa, quase sendo roubado também porque no caminho tinha umonte de mala, assim, só esperando.. Sorte que deixamos nossos equipamentos com um amigo. Ahhh, teve um lance também de a gente tocar no interior do Sergipe e a gente sair correndo porque os caras tavam metendo tiro pra cima, mas essas aventuras rolou mais no começo da banda, tipo esquecer equipamento e tal.
Gabriel: Teve também uma passagem de som que fizemos em SP que um cara tava gritando “toca Raul Seixas! Toca Raul!” aí do nada esse cara atira uma faca pra cima.
Julio: Aí a gente olho prum lado, olhou pro outro, não tinha ninguém que pudesse fazer alguma coisa, aí tocamos ‘Maluco Beleza’, daí quando chegou no refrão, o cara cantou junto e botou o facão pra cima gritando “ficar com certeza, maluco belezaaaa” aí rolou aquela tensão porque você não sabia o que o cara ia fazer, aí ele “toca outra aí!” e fiquei meio que ameaçado né haha o cara era meio louco.
FNB: Essa é a primeira entrevista de um projeto que estamos fazendo para apresentar bandas brasileiras independentes para nossos leitores, vocês podiam contar para o pessoal como que começou tudo?
Julio: A banda começou em 2004. O nome veio de um músico andarilho lá de São Cristovão, que é no interior do Sergipe e de onde surgirmos, e o cara tinha um passado meio louco porque ele já tinha tentado a sorte como músico fora do estado, indo para Salvador, SP, numa época que não existia internet, que o contato era bem difícil, e ele simplesmente foi, botou o violão nas costas e viajou. Aí eu e um amigo meu, antes do (Gabriel) Perninha, tocava outro cara e nós tocávamos em outras bandas que sempre davam errado, e sempre tava faltando um baterista, aí a gente montou a Baggios, que seria um projeto experimental, aí começamos a tocar e gravar e lançamos alguns EPs, com outro baterista, o Lucas, mas aí ele foi morar na Suíça – tá morando lá até hoje – aí lançamos mais Eps, o Gabriel entrou em 2008 e foi aí que a gente passou a viajar mais, fizemos shows em Salvador, Goiânia; em 2009 nós lançamos outro EP, e em 2011 lançamos nosso primeiro álbum oficial, depois de 7 anos de banda, foi aí que a banda começou a ficar mais conhecida, a sair em listas de discos mais ouvidos do ano, lançamos clipes que até então tínhamos lançado só uns clipes mais caseiros. A gente lançou o Sina ano passado e foi um disco importante porque aumentou demais a visibilidade da banda e ficou em listas de melhores álbuns e músicas, ganhou clipes legais, lançamos em vinil, que foi a primeira vez que tínhamos feito nesse formato, e são conquistas demais, a gente lança um EPzinho fuleira, e depois lança um disco, depois um álbum mais produzido em vinil, faz turnês maiores, toca em festivais maiores como o Porão do Rock que foi para 30mil pessoas em Brasília, que é uma cidade que mal temos público, mas estávamos aproveitando alí num festival que é foda, com Nação Zumbi e tal, e teve comentários da própria Pitty falando da banda, e o público comentando bem de nós, demais isso! A banda ta passando por uma fase muito boa nesse momento, e espero que ano que vem esteja melhor ainda, mas acho que basicamente a história é essa: a gente passou por mudança de três bateristas contando com o Perninha, lançou 3 Eps, 2 álbuns, alguns vídeo clipes, várias turnês, festivais adoidado, o que a gente gosta mesmo de fazer é viajar, tá espalhando nosso som o máximo possível, e isso é o mais importante, porque além de ser um trabalho, é uma forma de satisfazer profissionalmente.
FNB: Em Abril desse ano vocês fizeram um show em Aracaju para gravar o DVD de 10 anos da banda, chamaram um bom pessoal, amigos músicos, antigos bateristas.. como foi isso para vocês?
Gabriel: O DVD já está em fase de edição, deve tá saindo no primeiro semestre de 2015. Foi massa demais, na verdade não era a ideia fazer um DVD, só um registro, daqui a pouco fomos conversando e vimos que dava certo fazer o DVD, e foi bem massa a gente conseguir reunir os três bateras da banda, inclusive o Lucas que mora na Suíça, veio pra cá, também teve o Leo AirPlane, Big John que tocou sanfona, Fabinho, o pessoal de lá mesmo, Pedrinho Mendonça, a galera dos metais.
Julio: A Galera que participou dos discos né, que fez parte da banda, e foi todo mundo de Sergipe, o massa é isso. Lá em SE mesmo tem uma safra muito boa de músicos, a gente meio que sentiu tudo com todo mundo. E no teatro que nunca tínhamos feito show, foi algo bem organizado, alfo novo com uma produção nossa, teve letreiro.. Foi o melhor show que fizemos na vida. Foi um público que foi só pra nos ver e a gente realmente sentia a energia que tava lá, e tava foda, porque a galera cantava todas as músicas, e tudo isso tá registrado no DVD, que a gente só tá finalizando mesmo a parte do tratamento de cores, e deixamos isso na mão de um pessoal de Aracaju, aí próximo ano estamos lançando ele.
"Todos os Baggios juntos" Por Thiago Souza Santos
FNB: Depois que acabar a turnê e quando o DVD estiver finalizado, vocês já tem algum outro projeto em mente?
Julio: A gente sempre tem! Tem o DVD que já está bem encaminhado, então é algo que podemos adiantar, tem um livro também de fotos que tá sendo finalizado a parte da curadoria, mas ainda não sabemos quando iremos lançar, porque o processo é lento e sempre depende do dinheiro e de pessoas que tão te ajudando, e tem clipes também que estamos produzindo, como ‘Salomé Me Disse’ que meio que começou a ser gravado antes da turnê e teve que ser interferido no meio do caminho, mas vamos tentar finaliza-lo esse ano ainda.
Gabriel: A gente já está pensando na pré-produção do próximo disco, já estamos trabalhando nas composições e tudo!
Julio: A gente quer fazer um disco também que não seja como qualquer outro disco, porque a viagem é sempre estar fazendo coisas novas, para não ficar aquela chatice, mas a gente já tá nessa pilha, acabar a turnê e pensar em terminar esse clipe (de ‘Salomé Me Disse’), de repente fazer mais outro clipe para fechar esse ciclo do Sina e começar a fazer a pré-produção do próximo álbum, e também fazer turnês fora do Brasil, que é a nossa pretensão para o ano que vem, tudo depende de tempo, grana, a gente tá realmente se programando pra isso.
FNB: Falem um pouco dos projetos paralelos de vocês!
Julio: Em Aracaju, pra se viver de música, é preciso ter vários projetos paralelos porque a cidade é uma que oferece um público limitado, então a gente não pode tá tocando todo final de semana com a Baggios, eu faço projetos tocando Bob Dylan, Raul Seixas, tenho outro que toco só blues, esses blues meio lado B dos anos 30, umas versões mais elétricas com guitarra mesmo, aí convido várias pessoas; recentemente eu fiz um projeto com o Leo AirPlane, ele tocando teclado e eu violão, a gente tocou Secos e Molhados, muito Lou Reed, Velvet Underground, Bob Dylan, algumas nacionais como Tim Maia, Paulo Diniz..
Gabriel: Eu tenho uns projetos que toco em bar, que fazemos muito lá para pegar uma grana extra, aí tenho um projeto que é só tocando anos 60/70 brasileiro, eu toco com um cara chamado João Maia, e a gente é chamado de Perninha e Presidente, que é uma viagem, fazemos altas releituras das músicas e tal, e estamos começando a fazer autorais. Tenho outra banda autoral, mais pesada, chamada Seu Montanha, que na real é uma banda de família, eu, meu irmão e meu amigo de infância, a gente até lançou um EP no começo do ano, e acho que só.
FNB: O céu é o limite, realmente, se vocês pudessem escolher qualquer banda, artista, etc, tanto nacional quanto internacional para fazer parceria, qual seria?
Gabriel: Gringo tem uma banda que a gente gosta pra caralho, que nem é tão conhecida. É a Buffalo Killers, muito massa mesmo, acho que ela tem a ver demais com o nosso som e no Brasil, tem o BaianaSystem que acabou de lançar um CD massa, tem muita gente, muita que a gente conhece e que já tem muita parceria, como o Vanguart.
Julio: Cara, tem o que eu ouço pra caralho que é o Buffalo Killers, eu gosto muito do Daniel Norgren que é um figura da Suécia, seria massa demais ter parceria com esses caras que gosto de ouvir no dia a dia, mas acho que Buffalo Killers é a banda que mais piro mesmo, é aquela que fazem discos que você pensa “meu irmão, como é que esses caras conseguem fazer um disco tão foda” e brasileiro teve o Vanguart, foi do caralho tocar com eles, e em 2010 a gente gravou com eles, tava ouvindo demais o disco dos caras, mas assim, eu gosto muito do Jorge Ben, ele é uma das grandes influências improváveis da The Baggios sabe, a galera não vê, mas existe muita coisa assim, tem o Curimim, o Russo acho massa também, fora a galera que eu queria... Tudo morreu né (risos), mas aí tem o Arnaud Rodrigues, que tocava no Baiano & Novos Caetanos, acho genial Raul Seixas, pra mim ele é o master, deus alfa da música brasileira no rock, e ele fez isso bem feito, ele foi a primeira grande influência da música no Brasil.
Gabriel: Tem Tim Maia, esses clássicos, bem óbvios..
Julio: Tem o Sá Rodrigues, o Guarabyra, que pra mim é uma grande influência do rock nacional. É muita banda, e eu acho até meio injusto estar falando uns nomes e acabar esquecendo outros, quando chego em casa fico pensando “como não falei esse nome!!”, é foda, mas os principais com certeza eu falei!
FNB: E vocês tem muita influência do blues e do rock, né? Agora, vocês gostam de algum artista bem inusitado, tipo pop, bem nada a ver com o som de vocês?
Gabriel: É, não sei, eu gosto de rap, tem umas coisas que eu acho massa.
Julio: Tem reggae também, né?
Gabriel: É, mas reggae tem mais a ver né...
Julio: Com o som da gente não, mas reggae tem mais a ver com Edson Gomes. Tem um cara que eu ouço que é pop, só que ele lançou um CD de funk que eu acho foda. É o John Legend. Ele meio que é rhythm e blues, só que é muito puxado pro pop. Agora ele fez um disco chamado Wake Up que eu ouvi pra caralho.
Gabriel: Mas tem uns caras que é mais pro pop. Tipo, Jamiroquai é pop. Jamiroquai é foda. E tem essas coisas né, que tem uma pegada pop mas ligada pela voz, parada muito perfeitinha, só que é do caralho também.
Julio: Cara, eu tava ouvindo umas coisas agora que... É um lance mais afro, meio afrosamba, meio afrobeat, com umas coisas meio religiosas... Acho foda. Mas assim, é uma coisa que tô descobrindo aos poucos, coisa recente. Mas tô ouvindo pra caralho.
Gabriel: É, afrobeat a galera de Aracaju escuta muito, pelo menos a galera que eu conheço. Fela Kuti, o filho Seun Kuti, escutam muito lá. Na verdade a galera do Nordeste gosta muito de música de pulsação, percussiva, então sempre tá em contato lá. E também por causa do lance da universidade. Eu faço música, então você estuda vários tipos de coisa. Então a galera tem que estar ouvindo tudo na real.
Julio: MPB mesmo é uma coisa que eu ouço pra caralho, tipo Paulo Diniz, que eu sou fãzaço, gosto pra caralho, é uma coisa que foge um pouquinho do que a Baggios é de som, mas tá muito alí pra minha influência de compositor.
"Ei Irmão, Cadê Você?" É uma das músicas que muito provavelmente estará no próximo disco! Vídeo por Hannah Carvalho
FNB: E pro pessoal que ta começando agora, ta montando uma banda e quer viver de música, quais são as dicas que vocês dão?
Gabriel: Primeiro tem que ir na manha mesmo, ensaiar, tocar, ver qual é, ver se gosta mesmo daquilo, até chegar a um ponto e ver se é daquilo que quer, se quer levar como uma coisa séria. Primeiro tem que ser na diversão mesmo, tocar porque gosta até onde vai dar, ensaiando... Vai chegar um momento que vai ser claro, que a galera vai ver se aquilo vai tomar um rumo certo ou não.
Julio: Até porque é natural, até a pessoa se descobrir que é aquilo que ela quer pra vida.
Gabriel: Não existe uma forma. Cada banda, cada circulo de pessoas ali vai pra um caminho.
Julio: Acima de tudo tem que amar o que faz, tem que ser um cara fissurado por música mesmo porque não é fácil e todo mundo que você perguntar vai te falar que não é fácil. Não é fácil mesmo, você vai estar aí sempre... Nada vai ser fácil em qualquer emprego, mas o da gente é só um pouquinho mais difícil (risos).
Gabriel: Mas se o cara estiver a fim mesmo de ter a banda, tá afiado e a fim de gravarem que tomar aquilo como prioridade e tocar pra frente. Tem que estar pesquisando sempre pra se reinventar sempre, não cair naquele marasmo de fazer as coisas acontecerem de uma forma relaxada porque as vezes as pessoas tem essa preguiça de pesquisar e estudar musica.
FNB: Como vocês se veem daqui a 10 anos de carreira? Acham que muita coisa vai mudar? Acham que vão se manter os mesmos fãs de agora?
Gabriel: Eu pra ser sincero prefiro não pensar em nada porque 10 anos é muita coisa pra rolar que eu nunca parei na verdade pra imaginar. Mas tomara que esteja melhor, né.
Julio: A gente sempre espera melhorar, pelo menos é o que tem acontecido até agora nesses dez anos. A cada ano as coisas foram melhorando e a gente espera que essa escada continue subindo, que a cada ano que passe a gente conquiste mais alguma coisa que nos deixe motivados pra continuar a banda. Que chegue a dez, quinze, trinta, cinquenta anos, mas que chegue com vontade mesmo de estar fazendo o que faz.
FNB: De quem vocês conheçam, quem é a pessoa mais Faca na Bota na vida de vocês?
Gabriel: Eu admiro a Dani do Renegades of Punk que é uma banda de Sergipe, acho que é um exemplo massa porque ela é bem nessa onda mesmo. Ela produz as próprias paradas há muito tempo, tem a banda lá, tem o lance do restaurante vegan... Mas falando exclusivamente assim dela, acho que é isso.
Julio: Porque é raro na real pra mulher ter essa postura de meter as caras, estar produzindo as coisas, estar demonstrando as ideias claramente nas redes sociais também...
Gabriel: Tem a menina do The Biggs também, a Flávia, que organiza o acampamento pra meninas.
Dani, do The Renegades of Punk. Por Snapic
FNB: Ah, já ouvi falar desse acampamento pra meninas! É um que chama as meninas carentes e elas aprendem instrumentos, né?
Julio: É, lá em Sorocaba. E ela ta à frente desse projeto. Porque lá pro pessoal é foda viajar com uma banda de rock’n’roll que ela tem, mas pensar numa forma de estar alimentando tudo. Ela abraça a causa, tipo “ah, vamos motivar as meninas a tocarem também” porque às vezes o pessoal tem a vontade mas não se sente encorajado daquilo, e acho que ela faz uma função legal por aí.
Você pode saber mais sobre esse acampamento aqui!
Depois da entrevista teve show das bandas Sex on The Beach e Os Fuzzíveis, e então foi a vez da The Baggios, que como esperado, fez um showzaço, tocaram músicas tanto do The Baggios quanto do Sina, e ainda teve um bonus de música nova, a "Ei Irmão, Cadê Você?" como mostra o vídeo lá em cima. Não deixe de acompanhar a banda pelas redes sociais, e quando tiver uma nova turnê, não perca o show deles!
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