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Claire Keane

tannertan36
trying on a metaphor

⣠Chile in a Photography âŁ
The Bowery Presents
we're not kids anymore.
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@f-elicitat

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NĂŁo tenho a quem culpar. Entre feridas, farpas e vazios, nĂŁo hĂĄ uma Ășnica pessoa capaz de ser responsabilizada integralmente pelo meu caos, com exceção de mim, por Ăłbvio. Eu me permiti estar assim. Fiquei quando deveria ter ido. Fui quando deveria ter ficado. Desisti quando o certo era permanecer. Soltei a minha prĂłpria mĂŁo em uma velocidade que, talvez, eu nĂŁo conseguisse aplicar a mais ninguĂ©m. Fechei os olhos para mim mesma, sem perceber que ao deixar de me ver por dentro, tambĂ©m estava perdendo qualquer parte de mim que poderia ser enxergada por fora. NĂŁo mais sei quem sou por fora. NĂŁo mais reconheço o reflexo que me encara no espelho. NĂŁo mais sei o que consigo consertar. Ă como se eu tivesse caminhado a minha vida toda por uma estrada Ăngreme, que nĂŁo me leva a canto algum e mesmo assim eu nĂŁo conseguisse voltar. Os meus passos sĂŁo apenas e sempre de ida. JĂĄ nĂŁo me lembro qual direção Ă© a correta. Leste ou Oeste? E o melhor: hĂĄ retorno? A gente vive dizendo que tudo pode ser recomeçado como se nĂŁo estivĂ©ssemos em um constante tic-tac. Como se o tempo voltasse para voltarmos para nĂłs. Que inocĂȘncia a minha. NĂŁo se pode voltar para casa quando nunca se fez de si um lar. Ă por isso que Ă© inviĂĄvel retornar. Porque eu sempre estive do lado de fora de mim mesma. Felicitat.
âQue coisa mais triste, tudo Ă© tĂŁo triste, a gente passa a vida inteira feito bobo pra depois morrer que nem besta.â
â Charles Bukowski
hĂĄ pessoas inesquecĂveis e nĂŁo hĂĄ cura
Bukowiski

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hĂĄ uma vitĂłria no deixar de lado; uma paz no relevar; uma calmaria na ausĂȘncia de expectativa;
quando o nada se espera, nada acontece, inclusive dentro de vocĂȘ; quando se espera o pior, e ele chega, nada se rompe, inclusive dentro de vocĂȘ;
hå um prazer silencioso em desprezar quem com pouco esforço te tirou do eixo e destruiu os seus limites, mesmo sabendo de cada um eles;
hĂĄ uma serenidade que sĂł o esquecimento oferece, independentemente da profundidade da ferida
parece até incoerente, mas, no fim, não é a vingança a melhor resposta,
Ă© justamente a ausĂȘncia dela.
isso porque hĂĄ um enorme prazer em saber que vocĂȘ se recompĂŽs e percebeu que aquilo que um dia te destruiu jĂĄ nĂŁo possui mais acesso a nenhuma versĂŁo de vocĂȘ.
felicitat
âMas nem sempre Ă© necessĂĄrio tornar-se forte. Temos que respeitar a nossa fraqueza.â
â Clarice LispectorÂ
fiona
hĂĄ pessoas inesquecĂveis e nĂŁo hĂĄ cura
Bukowiski

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esbarros
quando Ă© pra dar certo o universo colide.
esse deserto vai chegar ao fim
o Senhor estĂĄ cuidando de mim
pensei em escrever tudo que vem Ă mente, mas achei as minhas palavras soltas demais. falhas, atĂ©. Ă© como se no desenrolar da escrita as letras nĂŁo conseguissem formar algo conexo; como se elas estivessem completamente desvinculadas, sem lembrarem a razĂŁo de ser. desconhecem o portuguĂȘs e a regĂȘncia verbal, assim como eu desconheço o motivo de nĂŁo conseguir unir vogais e consoantes. e agora, enquanto olho para a tela e vejo esse espaço vazio, pronto para ser preenchido por qualquer coisa que saia de mim, eu me questiono o porquĂȘ de nĂŁo ter nada a dizer, se tanto sinto; se tanto penso e tanto questiono, por qual razĂŁo nĂŁo consigo explicar o que me aflinge? se eu sou, em alguma medida, aquilo que carrego dentro de mim, como nĂŁo saber descrevĂȘ-lo? que algo Ă© esse que nĂŁo pode ser explicitado ou posto em linhas? se tudo o que sou estĂĄ agora pairando sob minha mente, e tem tomado conta dos meus dias, me arrancando a voz, como tambĂ©m pode afastar a vontade de definir, em palavras, o tudo? ou serĂĄ que na verdade estou diante de um nada? um nada complexo, que embora esvaziado em si mesmo ocupe todo o meu ser? um nada que me cause torpor suficiente para nada sentir e, contraditoriamente, me fazer pensar que tudo sinto? estou diante do que, afinal? e como discernir, se nem ao menos sei expressar? no final das contas, sĂł me resta a certeza de que estava correta desde o inĂcio. as minhas palavras, neste momento, de nada servem. estĂŁo soltas demais para formar algo digno de ser entendido. isso Ă© que dĂĄ tentar dizer, por meio de linhas falhas, o que resiste Ă linguagem.
felicitat.

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numa quarta-feira de cinzas vocĂȘ estĂĄ dominado pela ansiedade, sem dormir, com a cabeça a mil, o coração saindo pela garganta e questionando: o que Ă© a vida? ah, o que Ă© a vida? A vida Ă© esse encontro entre vocĂȘ e as pessoas que te amam. A vida Ă© esse momento de dĂșvida sobre o futuro, mas de certeza que no presente vocĂȘ tem O grande amor que sempre sonhou. A vida Ă© pegar condução lotada Ă s seis e ĂŽnibus para trabalhar. Ou quem sabe ir Ă praia, aproveitar a ĂĄgua gelada do mar do Rio de Janeiro. A vida Ă© o calor que vocĂȘ sente quando estĂĄ cercado de gente que vocĂȘ escolheu para ser sua famĂlia. Ou o calor de 50 graus da cidade maravilhosa. A vida Ă© a mensagem do melhor amigo que mora em outro estado contando uma fofoca ou simplesmente dizendo que conseguiu um novo emprego e vocĂȘ ficando feliz por ele. A vida Ă© a risada dos seus sobrinhos num ĂĄudio Ă s sete da noite, depois de ver solos deformando num laboratĂłrio. Solos que deformam por cargas aplicadas. Seria o mesmo que acontece com a gente? A vida Ă© talvez seja um material viscoelĂĄstico. Ou talvez nĂŁo. A vida Ă© a foto que vocĂȘ guarda da formatura do ensino mĂ©dio e tambĂ©m aquela com sua mĂŁe e avĂł nos jardins da universidade federal. O primeiro a conseguir um diploma. Que vida, hein? Ă©, a vida Ă© a beleza e a tristeza. A vida Ă© o abraço apertado. A vida Ă© o beijo molhado. A vida Ă© o bolo de chocolate ou o cafĂ© passado no coador de pano. A vida Ă© a lembrança que vocĂȘ guarda e revive todos os dias com medo de esquecer. A vida Ă© a projeção do que vocĂȘ espera dos dias que virĂŁo. A vida Ă© o instante do agora em que vocĂȘ escuta uma playlist de folkindie para acalmar o coração. A vida Ă© tudo isso. E pode ser muito mais. Muito mais.
sou um ser feito de barro, apenas.