Eu não sei o que é ser normal
A vida toda eu fui feito de mudanças, mas a vida permaneceu, mesmo quando eu já não queria mais permanecer
Eu sempre me senti tão pequeno, que o vento parecia poder me levar, e que eu poderia ser simplesmente esmagado pelo peso do mundo
Nas costas eu sempre senti a dor de existir, sem entender qual caminho seguir
Não sei qual caminho percorrer ainda, nem sei mais quem sou eu, mas eu sou alguém, eu sou algo a ser visto.
E por que eu não consigo me ver? por que eu não consigo me enxergar como eu sou?
Todas as questões que fazem parte de mim, fazem com que eu não me sinta parte de nada
E a sinceridade dura da vida, me deixa desnorteado, perdido, quero afeto, quero abrigo, mas não encontro nem o meu caminho
Me guio muitas vezes pelo meu sentir, mas meu sentir é tão intenso, que eu mesmo me desmonto, eu mesmo me engulo por inteiro
E eu vomito tudo de uma vez só, em um momento, tudo o que tinha dentro de mim, se vai com a força do meu próprio corpo de expelir tudo o que dói em mim
sempre foi assim, mas eu queria mudar, eu queria mudar e queria ser melhor, eu queria me contentar com o fato de que eu não me encaixo em nenhuma caixinha
Quando eu era criança eu entrei em uma caixinha, pra fingir que era Emília
Agora eu tento me enfiar em caixas, pra encontrar quem eu sou, sem fingir ser alguém que eu nunca fui
Mas as vezes, tudo o que eu tenho é o que eu fingi ser por toda a vida, até eu mesmo acreditei em tantas coisas que escondi de mim mesmo
Diversas vezes eu me senti perfeito e pleno, como se tudo estivesse em seu devido lugar, mas a verdade é que nunca tá, e nunca esteve, e o sentimento de medo paira no ar, as vezes eu não consigo respirar
Talvez eu encontre um caminho, uma estrada, um lugar, mas talvez não exista a estrada ou o caminho e eu esteja me cansando sem causa, sem sentido ou motivo
Ou talvez existam motivos pra andar e tentar encontrar alguma luz, acho que talvez eu saiba, ou talvez eu não saiba nunca
Simplesmente por não saber o que é ser normal, eu sempre sou excêntrico, sempre fui, as vezes excluído, as vezes a vítima, as vezes passivo demais, as vezes muito frágil, bobo
Hoje eu consigo ver que em alguns relances, a minha bobice não me deixa mais em perigo, continuo excêntrico, mas pelo menos sou o excêntrico, e ser excluído se tornou uma parte de mim, já que as vezes eu mesmo não quero existir
As dores nunca foram embora, mas ao menos elas mudaram, e eu acho que viver é sentir dor, viver é dor, mas as vezes a barriga dói de rir, as vezes o peito dói de tanto amar, as vezes a cabeça dói depois de uma festa com os amigos, as vezes a dor pode vir de algo melhor do que tudo o que me fez sangrar e agonizar, vomitar tudo o que existia em mim pra poder levantar novamente.
Eu só espero que eu possa crescer e ver, que eu não preciso ser, estar, encaixar, mas que eu posso ser amor, ser Agape onde quer que eu vá.