De todas as pessoas, ele lamentava por ter cruzado justo com Araminta. Depois de toda aquela história de cotovelo morto mencionada por Anette, Njord só podia assumir que a De Vill era tão maluca quanto a colega de quarto, e não era de hoje que lhe hostilizava gratuitamente. Já era de se esperar que desmerecesse suas reclamações com aquela língua afiada. “ Agora está preocupada com a situação no meu reino? Eu até te ofereceria o cargo de conselheira real, s eminha mãe não o ocupasse com tanto esmero ” mentiu, pendendo a cabeça com cinismo.“ É uma terra mágica de flores gigantes e cidades de porcelana. Você acha que vai encontrar algum urso por aqui? ” riu brevemente, trocando o machado de mãos como se fosse fazer algo naquele exato momento, ao mesmo tempo em que a encarava por sob os cílios. Impossível não reparar na forma como queria sempre posar como a mais esperta enquanto alfinetava, e o Westergaard não podia perder a oportunidade. “ E por que mais eu teria trazido você se não fosse pra colocar essa mente brilhante pra funcionar? O que é um punhado de armadilhas para você, não é, Minty? ”
Preocupada não era a palavra certa para descrevê-la, apenas terrivelmente intrometida e um pouco amargurada. Araminta não escondia seu descontentamento com Njord, por mais que também não tentasse ativamente arranjar confusão com o príncipe, e ele tampouco parecia fazer questão de suas opiniões; todavia, desde o Calanmai e a conversa que tivera com Delilah, ficava particularmente incomodada com a presença de Westergaard e sua cara de quem lambia o próprio reflexo no espelho. “Ah, Njord, fico lisonjeada por você ter me considerado, mas já estarei ocupando o cargo em outra corte, de toda forma. Lembre-se de me visitar em Asablanca depois da formatura, sim?” Ela lançou-o um sorriso cínico. Sabendo dos conflitos entre ele e Hugo, a probabilidade daquilo acontecer era a mesma do Clube de Proteção aos Animais a aceitando como membro. “Hmm, tem razão. Talvez eu só deva fazer você dar uma machadada em si mesmo, já que todos os homens são animais.” Respondeu, pouco afetada pelas palavras alheias, mas não antes de dar um passo para trás; embora não acreditasse que Njord tivesse intenções nefastas, não conteve a reação instintiva de afastar-se quando ele passou o machado de uma mão para a outra. Araminta era tudo, menos uma lutadora, e confiar nos outros era algo que raramente fazia. A postura, no entanto, continuava confiante e desafiadora, com o queixo erguido e os braços cruzados sobre o peito ㅡ morreria antes de ir contra o próprio orgulho. “Primeiro me ameaça de morte, depois me elogia... Está tentando me paquerar, Njord? Porque sinto muito em dizer, mas além de não ser talarica, não estou solteira. Posso te ajudar com as armadilhas, though, se eu puder ficar com metade do que estiver no castelo. É o mínimo que minha mente brilhante merece pelos esforços, não acha?”