dnoxsidus :
Dividia a atenção entre a loira e Spark, tendo que puxar um pouco a coleira, quando o cachorro decidia querer correr um pouco mais para frente deles. Mas não deixava de prestar atenção nas palavras alheias, balançando a cabeça positivamente, ao assentir com ela. — Justo. — não tinha motivos para discordar com ela, não fazia ideia de como a própria psiquê funcionava, quanto mais tinha noção do modus operandi da psiquê de outras criaturas, sendo elas mortais ou imortais, Astrid era quem tinha aquele conhecimento consigo, não Drako. O erguer de uma de suas sobrancelhas fora inevitável, como se estivesse mostrando que a desafiava, assim como desconfiara. — Eu nunca te subestimaria, sei o seu potencial. — não conseguia subestimar seu menor inimigo, jamais faria isso com alguém tão próximo de si, principalmente quando se tratava da híbrida, se tinha alguém que ele deveria esperar de tudo, essa pessoa estava logo ao seu lado, então sim, ele dizia tais coisas como um bom desafio, querendo saber até onde ela poderia ir.
— Eu estava tentando ser educado… — virou o rosto na direção da mais nova, se surpreendendo com o que o riso fraco alheio o tinha causado. Engoliu em seco, tinha, por um breve segundo, se perdido no belo rosto angelical da mulher e não desejava voltar a se perder de tal forma. Tinha medo do que poderia acontecer, morria de medo de sentimentos que não poderia conter. Noxsidus nunca gostou de ter algo fora de seu controle, isso não mudaria agora, por mais que tenha mudado muito desde pisar em definitivo no mundo mortal. — Mas …mas você me faz concordar contigo. Você é quem me causou muita dor de cabeça. — balançou a cabeça para os lados, tentando expulsar os pensamentos anteriores, logo dando um sorriso fraco, quase amarelo, ao brincar com a Caltraan.
— Não hesitarei. — mas faria o possível para que não a envolvesse mais do que já estava envolvida, não pretendia fazê-la voltar naquela construção, jamais desejaria isso, visto como ela tinha ficado com a experiência que passara lá dentro. Franziu o cenho, ao ouvi-la reclamando, o que fez com que ele voltasse toda sua atenção à ela, novamente. — Juro que o meu lado demônio está desejando que ele queime no mármore do inferno. — falou com um tom cômico na voz, por mais que não negasse que tivesse ficado um pouco chateado com a notícia, esperava passar um bom resto de dia ao lado da companheira, mas percebeu que a tarde seria fadada ao fracasso e adiamento. — Eu até me disponibilizaria pra ajudá-la nisso, mas acho que só atrapalharia. — não pôde deixar transparecer seu desapontamento com o ocorrido, mas tinha ciência que aquele era um problema em que não poderia interferir. — Então parece que nos despediremos por aqui… — enfim, não tinha muito do que reclamar, aquele já havia sido um dia muito mais interessante do que seria, caso não a tivesse encontrado, por acaso. — Nos vemos por ai, então. — despedidas, ai estava uma coisa com que o híbrido não sabia lidar, na verdade, não fazia ideia de como se despedir de alguém, faltava-lhe experiência para o tal. — Fale até mais para Astrid, Spark. — pediu, para o cão, aliviando sua coleira, para que o mesmo fosse na direção da loira sem nenhum problema.
(. f l a s h b a c k.)
Quem diria que algum dia teria seu potencial reconhecido por um dos comandantes do exército de demônios. Finalmente. Ficara ainda mais feliz em perceber que não fora necessário matar ninguém para fazê-lo. Não sabia ao certo o porquê dele parecer querer agradá-la. Não era contra a ideia, mas sua curiosidade se aguçara ao se dar conta daquela questão. Talvez apenas quisesse manter uma nova reputação ali, construíra a imagem de um rapaz educado e solícito e se certificaria de que ela seria mantida assim. — Você não é o primeiro a me dizer isso. — Replicou sarcasticamente, dando de ombros. Aquela afirmação não podia estar mais distante da realidade. Na verdade, Astrid estava longe de ser uma criatura tóxica para aqueles ao seu redor. Era sim transtornada e problemática, constantemente era obrigada a lidar com seus próprios demônios – ou seriam anjos? – mas era apenas prejudicial para si mesma. E, claro, seus inimigos.
Seu comentário a fez rir. — Todos os meus lados estão desejando isso. Realmente acreditei que conseguiria descansar mais tarde. E, não se preocupe, você já me ajudou o bastante por hoje. — Pôde perceber que ele ficara desapontado com a notícia, e aquilo a fazia se sentir estranhamente satisfeita, o que poderia ser considerado egoísmo de sua parte. Mas, era gratificante saber que sua companhia não era desagradável. Ainda sem saber como se despedir de Noxsidus, apenas acenou positivamente com a cabeça. Com tapinhas em sua coxa, chamou o animal para que se aproximasse, e então se abaixou para acaricia-lo. — Até mais, Spark. Foi uma honra te conhecer e te nomear. — Sua voz soava mais doce que o normal, o que era o efeito comum que os cães causavam. — Até mais, Drako. — Disse, voltando-se para ele e se levantando.
Em seguida, se aproximou, pousando um braço sobre o ombro do rapaz, o puxando para um abraço. Parecia hesitante no início, mas logo o envolvia em um abraço mais apertado, colando seu corpo no dele. — Muito obrigada. — Disse quase como um sussurro. Acreditava não precisar de explicações. Por mais que ele provavelmente não soubesse o quão importante fora sua ajuda para dar um fim àquelas asas, tinha a certeza de que ele tinha consciência de que significara algo para ela. Então se afastou, o encarando por alguns segundos ao lhe oferecer um sorriso de gratidão. Por mais que a decepcionasse ver que seus planos haviam sido abruptamente interrompidos, Astrid estava convencida de que aquele reencontro não havia chegado ao fim, que aquela não seria a última vez que veria o rapaz. Bem, talvez ainda tivessem que lidar com as consequências do que haviam feito dentro daquele prédio. — Qualquer dia eu te sigo e te assusto por aí. — Brincou, finalmente começando a se afastar, seguindo na direção contrária a que caminhavam anteriormente. Se os seus caminhos não voltassem a se cruzar naturalmente, ela daria um jeito de fazê-lo por si só.














