Lágrimas de rosas {Ômega & Edward}
edwarddsharpe:
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- É, Tikerbell não soa bem. Ômega é mais bonito. - afirmou categórico, permitindo-se sorrir mais uma vez. Talvez não tivesse feito um estrago tão grande assim na conversa. E, além do mais, ele gostava quando ela ria. Gostava tanto que riu também, deixando para lá aquela coisa de reis. Naquele momento ser só Edward parecia bem mais adequado.
Assentiu, sem ter certeza de como lidar com o fato de que a garota o olhava firme, sem titubear. Já não costumava saber como lidar com as coisas cotidianas das pessoas normais, mas, mesmo assim, não pode deixar de constatar que se sentia um pouco mais tímido que o normal naquela hora particular. Desviou o olhar para as flores que acenavam para ele, silenciosas, sem conseguir sustentar o olhar da fada por muito tempo. Ficou pensando no reino de onde ela vinha. Imaginou que deveria ser triste, muito triste, morar longe das flores, e compadeceu-se dela sem palavras, mas com um olhar tão franco que não poderia mesmo durar mais que uns poucos segundos. E não durou. Depressa, já retrucava tímido: - Acho que gostam sim. A gente já passou e ainda passa muito tempo junto, sabe? - olhou para as flores. Era verdade, e elas gostavam mesmo dele, mais do que as pessoas costumavam gostar. Ainda mais em Yareach. As pessoas por lá não tinham o hábito de conversar com elas - e nem com o elfo. De alguma forma, era como se encontrassem um no outro uma companhia, um complemento. Eram bons amigos, no fim das contas.
Ruborizou no momento em que Ômega deu o primeiro passo para se aproximar de sua figura esguia e amedrontada. A ausência de um sorriso alarmou sua mente conturbada, é claro. Se perguntava onde é que tinha errado daquela vez. Mas não tinha. E a forma como a jovem lhe sorriu quando dividiam o mesmo ar foi gentilmente enfática quanto a essa questão. Já o rosto de Ed era, então, completamente rubro. Aquela proximidade o embasbacava e lhe confundia os sentidos e as palavras, tudo ao mesmo tempo. A fada estava tão perto… Tão perto que o rapaz não sabia o que dizer e nem como agir, e ficou assistindo-a, com seus imensos olhos assustados e muito azuis, mostrar-lhe as asas e acolhê-lo dentro delas. Seu coração batia um pouco mais rápido quando ele meneou a cabeça em concordância, balançando as bochechas coradas para cima e para baixo quase que mecanicamente. De fato, estava muito melhor.
Teria sido inteligente da parte de Edward fazer aquele comentário. Já não sentia frio: o calor que emanava como uma chama tremulante das asas que a moça ao mesmo tempo segredava-lhe e confidenciava-lhe mal permitia que ele se lembrasse daquela situação. Olhou-as com encanto por mais de um minuto. Só depois de encará-las e examiná-las longamente ele se deu conta de que, provavelmente, não tinha sido muito discreto e nem educado. Desesperou-se em silêncio, sem graça por tê-la fitado com tanto esmero e buscando nos recônditos de sua mente algum tipo de comentário que não fosse parecer ridículo naquela situação. Não encontrou nada, mas decidiu tentar a sorte com um clichê que vira algumas vezes nos livros, e que não parecia mesmo tão ruim. - Eu posso levar você para casa. Se você quiser, e tal… - Não falava com a mesma firmeza que os personagens das grandes obras. Nem mesmo como os das pequenas, tão assustada e falha saía sua voz vacilante mesmo nas frases mais simples. Ainda sim, apesar do nervosismo que começava a cutucá-lo com ainda mais agressividade, lançou a Ômega mais um de seus sorrisos tímidos, porém sinceros. Ela provavelmente já tinha percebido que o jovem não tinha a menor ideia do que estava fazendo, o próprio Edward já havia notado. E, ainda por cima, parecia achar bastante graça nesse fato, embora essa parte tenha passado desapercebida pelo mais novo. Era engraçado o quão obtuso ele podia ser quando existia outra pessoa, ainda mais uma moça, em questão.
Ômega sorriu para o rapaz, suas bochas tomando um pouco de cor naquele frio esmagador. Ela pensou em erguer uma das mãos e tocar seu rosto, mas lembrou-se, com certa dose de dor, que era inteiramente gelada, e que seus dedos não seriam de grande ajuda para aquecer o menino a sua frente, então apenas os encolheu contra o peito, segurando ambas as mãos e o olhando com carinho. Aquela criatura entre suas asas merecia ser protegida, ela sabia. Merecia ter todo o calor do mundo.
Foi com toda a paciência do mundo que Ômega permitiu que ele a olhasse, que as íris cristalinas vislumbrassem cada canto do seu rosto e corpo, sem nenhum pudor, completamente inocentes. Aquilo sim era uma sensação nova: ser observada sem a luxúria. A menina sorriu com mansidão, acompanhando o olhar do menino pelos seus ombros, pelas asas douradas que se projetavam acima dos dois. Estava um pouco mais quente, na verdade. Ela mal sentia os pés afundando na neve, mas aquilo era trivial visto que os olhos de Edward a esquentavam como suas asas o aqueciam.
Assim que a proposta foi dita, a fada o olhou com surpresa, arregalando os olhos e logo sorrindo abertamente. Mal sentia o traço ácido das lágrimas que corriam por seu rosto minutos atrás. Ela assentiu, colocando os fios loiros para trás das orelhas - Eu não acho que você saiba onde é minha casa, mas seria um prazer mostrá-la para você. - respondeu com delicadeza, virando-se de modo a ficar ao lado do menino, uma de suas asas ainda o envolvendo do modo mais protetor que encontrou. Ela começou a andar delicadamente, sem se importar com quem os veria assim. Nada importava, porque ela não tinha vontade de chorar, e, também, não estava com frio.













