jade w, 2011
eu também não sei dessas noites geladas em que a gente tenta se esconder embaixo da cama. lá fora os gatos reviram as latas de lixo e os cachorros salivam de tanta raiva. aqui dentro você assiste um vídeo seu, gravado em 2009, onde você é um vulto de sorriso amarelado causado pela nicotina. aquele rascunho borrado perto da tomada é seu? a frase fala sobre o medo. o medo de perder. semana passada o mundo quase matou a minha menina e eu senti saudade. saudade de vê-la segura enquanto chorava deitada em minhas coxas mais frias que a noite de hoje. mais um cigarro queima e a fumaça é você de um jeito bruto, triste e crua. no ar você toma todas as formas possíveis. até que você some e o teu cheiro fica nas mãos, nas roupas, nos cômodos e nas coisas. esses dias eu te encontrei nos olhos de um homem, nos olhos mais perdidos que eu já vi na vida. logo depois lembrei da cena em que você procura blake no meio daquela multidão e sorri. você anuncia um funeral e eu sei que depois quis chorar, mas apesar de tudo aquela foi a última vez que vi o teu olhar em paz. o amor arde antes de curar, meu bem. a injustiça que te levou me aperta o peito todos os dias. a dor de saber que você morreu sozinha aumenta o meu medo do escuro, a tua última lembrança enquanto ainda estava com vida virou uma lágrima que não escorreu para te deixar ir embora com tudo aquilo que te faltava.
- antologicos












