* ✕ 。 • — você não ficou sabendo? cygnus orion sage acabou de chegar em sg, vamos ser sinceros, ele se parece muito com max irons. você sabe, aquele que tem trinta e três anos e é conhecido por ser piloto náutico? eu fiquei sabendo que ele pode ser leal, mas também impulsivo. só me pergunto o que o futuro reserva para ele.
tw.: suicício, abuso físico, psicológico e verbal, violência patrimonial.
Cygnus nasceu em Annecy, na França, filho de uma francesa com um irlandês. A vida não era ruim, de verdade. Seu pai, Gael, era um empresário, embora não um bem-sucedido, que lutava para ascender socialmente em uma das maiores corporativas da pequena cidade. Já sua mãe, Andromeda, era uma mulher sonhadora, que aspirava um dia ser uma grande escritora. O nascimento de Cyg em si fez com que sua mãe tivesse que escolher entre o emprego e o seu filho (enquanto nem foi um questionamento para Gael), abandonando os progressos em seus livros e o trabalho numa pequena editora local. Você nem ganha tanto dinheiro, falava Gael, em discussões que eles tinham quando o menino ainda era pequeno demais para se lembrar. Sua mãe sempre ressentiu a escolha, e talvez isso tivesse se traduzido na criação fria que dera ao menino loiro. As coisas pioraram quando chegaram Caelum e Auriga, quando Andromeda resolveu entregar-se de vez ao etilismo. Seu pai tentava segurar as pontas, mas sustentar três filhos não era a mesma coisa que quando apenas era Cygnus. Os dias andando de barco com seu pai pelos canais de Annecy foram diminuindo até tornarem-se inexistentes, assim como qualquer evento em que seu pai fosse remotamente presente.
De certa maneira, como sua mãe estava bêbada demais pra poder administrar algo e seu pai estava sempre trabalhando, desde que se entende por gente ele ocupou o papel de criador de seus irmãos. Antes mesmo de propriamente conseguir fazer coisas de um adolescente normal, sabia trocar fraldas, cuidar de crianças, do sobrado que tinham, e até do pobre cachorro. Pode entender o porquê era tão dificil para ele de prestar atenção nas aulas, ou até sequer atendê-las. A situação piorou após a morte do seu pai, que apesar de deixar uma herança significativa e outras quantias associadas, não era o suficiente para sustentar a família por muito tempo. Então ainda aos seus 15 anos, começou a trabalhar em qualquer lugar que aceitasse um rapaz naquela idade, alternando entre os mais diversos subempregos. Foi mais ou menos nessa época que, secretamente, começou a juntar uma quantia para tentar de volta o barco do pai, que sua mãe vendera meses após a morte dele para poder pagar dívidas em bares.
Apesar da bebedeira constante, do mau humor absurdo e do péssimo auto-cuidado, um ano após a morte de Gael, ela conseguiu se casar novamente, com um francês que namorara durante a adolescência. Tinha bastante dinheiro, mas, como um clássico padrasto, era um completo idiota. Também abusava de álcool, e se antes Cygnus precisava se policiar por conta de um bêbado na casa, a dose dupla apenas fazia com que sua vida caminhasse para cada vez mais se tornar o mais verdadeiro inferno. Já aos dezessete anos, começara a fumar absurdamente, tanto cigarro quanto maconha, o que lhe rendia maus bocados na escola. A diretora já não estava muito satisfeita com seu comportamento, brigava demais, fumava demais, e provavelmente só não bebia por medo de se tornar igual àqueles que reprovava. As reclamações na escola fizeram com que Pierre se sentisse no direito de “tomar suas medidas”, e em sua melhor demonstração da “educação francesa”, começou a agredir fisicamente o rapaz sempre que ele transgredia alguma das infinitas regras que passou a criar em sua cabeça. Andromeda não ligava, de maneira que assim ele também começou a se comportar com Caelum e Auriga, o que sempre culminava em discussões acaloradas e brigas violentas entre o loiro e Pierre. Ele nem esperou que Cygnus completasse seus dezoito anos para colocá-lo para fora de casa, e sua mãe nada teve a falar.
Tinha juntado o suficiente para conseguir comprar seu barco e conseguir se virar entre empregos e escola, e com a raiva que sentia, esperou apenas que completasse seu ensino médio para poder ir embora. E, obviamente, se arrependeu amargamente. Caelum, como mais velho, poucos anos depois conseguiu sair daquela casa de horrores, deixando Auriga para trás. Nessa época, Cygnus morava algumas cidades de distância, e estava tentando retomar sua vida. Sem irmãos para criar ou outras responsabilidades em seu colo, poderia florescer socialmente, finalmente atender de verdade às festas e ter amigos que não eram os seus irmãos. Ele nunca se desculpou por não ter pensado em Auriga. Mandava mensagens semanalmente para ela, mas aos poucos, o que era semanal virou mensal, e não era o suficiente para afastá-la da depressão em que se afundava. A notícia de que ela havia se suicidado fez com que o rapaz nunca se recuperasse daquilo.
De certa maneira, a morte dela atingiu Cygnus como atingiria a um pai ou tutor. Tinha mais memórias de criá-la quase que intactas, por já ser mais velho quando ela nasceu. Era impossível que não se culpasse ou culpasse os pais, que pouco tinham a falar sobre. Desculparam-se muito, mas também não afastaram-se dos vícios ou mudaram muito nos anos que se sucederam. O mesmo não se pode dizer para o rapaz. A tristeza em seu olhar é verdadeira, carrega o luto e a amargura que os anos torturantes de sua vida geraram. Sua paixão pelos barcos fez com que se tornasse um piloto náutico, e mudou-se dali uma vez que teve certeza que Caelum estava bem. Não queria mais estar na França, e com uma oferta de emprego na Suíça, na região dos Alpes Suiços, ele apenas agarrou a oportunidade e mudou-se. Agora podia dirigir grandes barcos para pessoas ricas de verdade, e morar não mais em seu barco, mas em um apartamento perto do cais. E um menino que saíra de subempregos para conseguir conquistar segurança financeira (e até conforto financeiro) provavelmente deveria estar feliz, mas não estava.Nos últimos dez anos em que morou em Alpes, Cygnus é conhecido por ser o homem triste, com humor sarcástico ou irônico, que anda sempre com raiva, e ainda sim, consegue entregar surpreendentes gentilezas. A vida não poupou o rapaz, e ele decidiu descontar a raiva em si mesmo: hoje bebe (não muito), fuma absurdamente (qualquer coisa) e passa longas horas em seu barco ou em sua moto. Ah, isso quando não está se comportando como uma perfeita galinha (calma, com responsabilidade emocional, afinal, criou uma menina).















