• — você não ficou sabendo? [ albie s. botticelli ] acabou de chegar em sg, vamos ser sinceros ele se parece muito com [ adam dimarco ]. você sabe, aquele que tem [ 28 ] anos e é conhecido por ser [ winehunter ]? eu fiquei sabendo que ele pode ser [determinado], mas também [reservado]. só me pergunto o que o futuro reserva para ele.
BIOGRAFIA
Na mitologia, Ulisses foi o primeiro grego a visitar a Sicília, onde encontrou um grupo de ciclopes que habitavam uma terra fértil. As pastagens brotavam sem esforço permitindo-lhes viver apenas de pastorear seus rebanhos de ovelhas. Lá fora feito prisioneiro do ciclope Polifemo, que já comera dois de seus homens no jantar e dois no café da manhã. A história se segue quando o grego entorpece o gigante servindo-o abundantemente de vinho. Grato, Polifemo pergunta a Ulisses seu nome, prometendo que ele seria o último a morrer. O rei lhe responde: Outis, ninguém, em grego. Assim que o ciclope adormece, o herói aquece uma ponta de estaca na fogueira e, com quatro de seus homens, enterra-a no olho do monstro. Cego e angustiado de dor, Polifemo começa a gritar. Seus vizinhos ciclopes vêm em seu socorro e perguntam quem o havia ferido, ao que Polifemo responde: “Ninguém”. Com isso, Ulisses e seus homens conseguem escapar, mas, ao partir, zomba do ciclope que atira pedras do alto do Etna em direção à voz do grego, quase acertando seu navio e deixando enormes pedras na costa que podem ser vistas até hoje.
Próximo as pedras do da costa, localiza-se a frondosa mansão de Màrtin Botticelli, construída sobre os lucros exorbitantes da bem sucedida viniola La Trattoria, onde há décadas pais educam seus primogénitos para uma dia o sucederem. Tal qual a tradição, esse era o seguimento que o primogénito de Martin e sua impecável esposa, a designer de jóias, Antonella Savoia tinha predestinado para si, desde seus primeiros dias. Calculosamente educado para ser um bom empresário, Alberto Botticelli, ou Albie como chamado pelos familiares, apredeu ainda em terna idade que gentileza e carisma, ainda que embebida de segundas intenções, eram uma das chaves do sucesso,assistira isso diversas vezes quando seu pai, tal qual Ulisses, embebia diversos sócios discordantes até chegarem ao senso comum, ou mesmo quando o fazia com sua mãe, com as diversas amantes que tivera durante o tempo de casamento.
Um berço de ouro talhado pelas melhores uvas que se poderia buscar por toda Sicília sempre rendera a Albie os privilégios dos quais ele nunca se esquivava, desde as roupas confortáveis ao sucesso acadêmico, que nem sempre vinha por mérito, embora fosse um jovem esperto e empenhado, bem sabia que se algum dia desejasse, não precisava ser nada daquilo. Podia ser só o que desejasse, ter só o que desejasse, com um sorriso convincente e uma conta recheada. Alberto ainda pela adolescência se tornou um home interessante, que disfarçava com excelência a atenção de interesses que seus pais mantinham sobre si, as discussões e discordâncias eram sempre compradas, bem como acontecia com sua mãe e suas irmãs caculas. Até que, como em qualquer corrida pouco leal, Alberto cansou e talvez também sua mãe, considerando o pedido de divórcio feito pela mulher em meio a o jantar de aniversário de 16 anos do primogênito. A situação na casa durante todo o processo de separação foi um verdadeiro inferno e deixou cada um dos filhos com marcas irreparáveis, mesmo aqueles que correram para longe, como foi o caso de Albie. Comprometido com a escola em Veneza e a posterior faculdade de administração em Oxford, o rapaz pisava em casa apenas para fazer sua parte na empresa, porque apesar da vontade de laços cortados, a tradicional ambição ainda o fazia voltar. Tanto que, ao fim da graduação, lá estava Alberto, enfiado em Roma, embebido em negócios ou viajando de um canto a outro procurando novas vinícolas, novas combinações de uva, novos toques. Talvez a andança se devesse ao fato de não suportar assistir seu pai se enfiar numa sequência de relacionamentos falidos, ou sua mãe, que casara com tamanha intensidade com o trabalho que mal tinha tempo para os filhos, inclusive para o casamento de Angela, a filha cacula. Bem como os pais, Albie foi se tornando cada vez mais ausente, enfiando-se nas funções que o interessavam.
Todavia, mesmo escapando da cidade natal, foi a ela que retornou quando a notícia de uma acidente envolvendo sua mãe foi sabida. Saiu ás pressas da Grécia em retorno a mansão que o aguardava. Màrtin, mesmo após os anos de separação era o homem mais desolado do mundo e, embora houvesse certo grau de rancor... Alberto simplesmente não conseguiu mais ir embora, por um longo tempo. O luto trouxe uma aproximação entre os dois que talvez nunca tivesse existido antes, fora também quando começou a entrar ainda mais dentro dos negócios da família, tornando-se o sucessor obvio mesmo quando as Angela e Francesca eram nitidamente mais responsáveis... Vocês sabem como funcionam dinarquias, sejam elas pautadas em terras a conquistar ou a cultivar, no final das contas, se molham em concessões, porque vocês bem sabem que um pai faz tudo pelo filho e o bom filho à casa torna.
Era agora responsável por muitos dos negócios fechados, saia mundo a fora para fazê-los, foi em uma dessas viagens, numa volta a Veneza que o homem conheceu Anna, a mulher que fez seu coração bater mais forte do que qualquer outra coisa que já tivesse vívido. Embora tivessem diferenças, tanto pelo estilo de vida quando pela sutil diferença de idade que tinham, pareciam complementares ao ponto de pouca coisa importar. Para Alberto, nem o fato de ela ter outra pessoa importava, porque ele tinha a certeza de tê-la tão apaixonada quanto ele estava e que, a qualquer momento resolveria sua situação com outro homem. Não se importava muito de ser amante da amada, porque... por um longo tempo, inteligência a parte, realmente acreditou que acabariam juntos, ao menos até vê-la chegar em um evento beneficente importante de bracos dados com outro homem. Seu pai. O outro homem no mundo de Anna era Màrtin Boticelli e foi isso que bastou para parecer que parte do mundo de Albie havia desabado. Uma discussão acalourada porém silenciosa aconteceu naquela noite num canto do jardim, chegando num consenso de afastamento que...
Bem, Alberto tentou se afastar. Mas, ficou díficil quando os olhos de cigana de Anna agora estavam com frequência rondando sua casa, quando as longas encaradas eram trocadas em uma sala cheia ou um jantar familiar. Parte dele não estava pronto para abrir mão dela e a reciproca parecia verdadeira mesmo após o casamento que a transformara em sua madrasta. O que havia começado em belos restaurantes e hotéis italianos agora se fazia na sombra da noite, a espreita e parecia um ciclo vicioso entre o prazer e a culpa, até a noite em que não conseguiu aguentar mais e precisou de uma resposta, de uma decisão. A qual Anna tomou. Não deixaria o casamento, não deixaria a informada maturidade do relacionamento que tinha. Não deixaria o acordo pré-nupcial milionário que havia assinado. Não poderia. Bem como, a partir daquele instante, o peso da rejeição embebido da culpa do que vinha fazendo não o deixaria ficar mais ali. Saiu mais uma vez em viagem, sob o pretexto de fechar um excelente porém demorado negócio nos Alpes Suicos, se instalando numa casa de campo da família na cidade de Saint Gigolph. Bem... Não que, ao contrário de Ulisses, era péssimo em vencer batalhas e bom em fugir?
PERSONALIDADE
Alberto é o que pelo menos 70% das pessoas poderia almejar ser ou ter, e parte dele sabe disso. Seu sorriso de canto vestindo uma confiança velada e discreta podem moldar uma boa carapuça, embora tenha tido o ego ferido após a rejeição. É com certa frequência sociável, embora com um tanto de introversão, se tornando um melhor ouvinte do que contador de histórias, especialmente por querer deixar alguns detalhes de sua vida embebidos e enterrados abaixo de uvas. Apesar da frequente fuga de drama familiar, Alberto costuma ser alguém determinado as coisas que quer, claro, contanto um pouco com a sorte dos deuses, afinal, Baco costuma ser generoso, bem como o próprio Boticelli, que não mede esforços para recompensar os que julga merecer.

















