Urnas eletrônicas e nosso comodismo com uma fraude
Todos nós, em algum momento da história nos orgulhamos de ter um sistema de voto tão avançado tecnologicamente falando. Ao longo de anos, eleição após eleição vemos a mesma notícia do nosso TSE gritando as quatro ventos que as urnas eletrônicas são as mais seguras do mundo, que diversos países compraram e ainda usam, bem, a verdade não é tão bonita assim.
Aproveitando o momento crítico em que nos vivemos, não vejo hora melhor para falarmos sobre a segurança das urnas eletrônicas brasileiras, ano de eleição, ou melhor, pela falta de segurança delas.
Fiz uma extensa pesquisa, dentre fontes internacionais e nacionais que, sabe-se lá o motivo(sic), todos ignoramos quando são lançadas a público. Notícias que expõe a fragilidade do nosso sistema de voto foram e são postadas em grandes canais de noticias do nosso país todo ano eleitoral e nossas autoridades ignoram os fatos, nós ignoramos os fatos. O fato, é que nosso sistema de urnas eletrônicos é velho, ultrapassado e extremamente fraudulento e logo abaixo, explicarei e mostrarei os fatos que me levam a essa conclusão:
Começo pelo equipamento utilizado hoje no país do modelo DRE (Direct Record Electronic) foi criado em 1991. Ele conta votos eletronicamente, mas não permite a verificação ou a recontagem independente de software. Isso quer dizer que se a votação ou a apuração for violada dificilmente será identificada e sua auditoria não é possível, isso é o que apontam especialistas como pode ser visto no link e ainda, na mesma notícia de 2014(!) lê-se o seguinte:
Os especialistas destacam o modelo E2E (End-to-End auditability) que é de 3ª geração como o mais transparente. Essas máquinas começaram a ser usadas em 2006 na Argentina e em regiões dos Estados Unidos. O modelo concentra as duas versões de voto, a impressa e a digital. O voto é eletrônico, mas gera um papel com voto e um chip com o registro do voto eletrônico. Assim, caso haja alguma discrepância entre uma contagem eletrônica e do voto impresso, é possível identificar a origem do erro ou da fraude.
Além disso, o professor da Unicamp Diego Aranha, levanta a seguinte questão sobre a concentração de poder na justiça eleitoral:
"O TSE são juízes e administradores. A regra de transparência é estabelecida por eles. Se você questiona, eles vestem a roupa de juiz e vão julgar se erraram?", questiona.
"Até onde sei, dentre as democracias atuais, só no Brasil as votações oficiais são regulamentadas, executadas e julgadas por uma mesma instituição. Mais precisamente, por um ramo atípico do judiciário cuja cúpula congrega metade dos juízes da Corte Suprema, os quais não se constrangem em alardear, até em sentenças, a falaciosa suposta invulnerabilidade do sistema de votação que eles controlam", declarou Pedro Rezende.
Diego Aranha, na época era professor de ciência da computação da UnB liderou o grupo responsável por fazer testes de segurança nas urnas em 2012(o relatório é de 2013) e abaixo, cito alguns trechos interessantes e preocupantes do relatório feito por ele. O relatório tem 40 páginas e pode ser lido no final do post.
Começo destacando o inicio do relatório onde chama atenção o quão frágil o sistema de segurança da urna é, não precisa ser um expert em tecnologia e segurança para entender que o sistema em si é falho e foi feito para ser:
Me poupando do trabalho técnico, o relatório ainda explica detalhadamente e com uma excelente analogia para que todos possamos entender a gravidade dessa questão.
Após uma série teste e todos darem positivos para falhas no sistema de urna, o relatório também destaca uma estranha atitude por parte do TSE, inclusive, destacada no relatório como sendo uma atitude suspeita e preocupante.
Eu diria até mais que preocupante, não? Em poucas linhas chegamos a conclusão de que o mesmo TSE que nos diz ano após ano que as urnas eletrônicas brasileiras são as mais seguras do mundo, é o mesmo que desacredita/desqualifica e tenta minimizar as falhas descobertas, veja bem, falhas descobertas e expostas pela equipe de teste, não são supostas falhas ou eventuais, são falhas reais e que estavam implementadas no sistema. A consequência dessas falhas, o relatório expõe abaixo:
Como se não bastasse, misteriosamente o TSE decidiu que não faria mais testes públicos nas urnas, e assim foi nas eleições de 2014:
TSE não fará teste público das urnas eletrônicas antes das eleições
O site direito e liberdade tem um interessante post sobre a segurança das urnas, destacarei alguns pontos, dentre eles, o que citei no início do post, de que outros países usam (e amam) as urnas eletrônicas brasileiras:
Em um trecho do post, o site cita o relatório que estou mostrando aqui e adiciona um comentário do TSE sobre as falhas que o relatório expõe.
“[..] O TSE, como de praxe, minimizou os efeitos e afirmou que uma simples melhora do algoritmo poderia acabar com estes problemas.[..]”
O professor Diego Aranha, responsável pelo relatório diz o seguiten:
“Eu aguardava ansiosamente os testes de 2014 para verificar pelo menos se os problemas de segurança que descobrimos em 2012 haviam sido corrigidos — disse ao GLOBO o professor de computação Diego Aranha, hoje trabalhando na Unicamp. — Mas isso não vai acontecer e lamento por isso. Eu realmente acredito que as urnas eletrônicas brasileiras seriam viradas pelo avesso se pudéssemos fazer testes realistas e sem restrições nelas. Mas o TSE nos impede.”
O que mais me intriga é que todas essas informações são públicas e ninguém faz nada quanto a isso, a segurança das urnas e principalmente a confiança da população nelas é posta em dúvida e ninguém da a mínima.
Quase como uma piada, o TSE para provar a segurança das urnas, contratou um grupo de especialistas para testa-las, na noticia:
“Para tentar contornar essa questão, em fevereiro o TSE lançou uma portaria convocando um “grupo de segurança” para testar os aparelhos e sistemas usados nas eleições. A equipe de 12 pessoas tem, no entanto, apenas um membro “independente”. OITO SÃO ORIUNDOS DE TRIBUNAIS REGIONAIS E TRÊS DO PRÓPRIO TSE.”
Voltando ao relatório, fica exposta a fragilidade do sistema através de um simples algoritmo, que até o mais leigo em programação conseguirá entender, o gráfico explica o sistema de ‘embaralhamento’ que é feito com os votos, teoricamente, de forma aleatória os votos são embaralhados para dar maior segurança ao processo.
Abaixo, parte do algoritmo utilizado, me sinto envergonhado em saber que um algoritmo de programação básica é utilizado e propagado como sendo ‘um sistema infalível de segurança:
O relatório completo pode ser visto aqui
Merece atenção ainda mais alguns pontos, principalmente ligados ao TSE e a mentira contada mil vezes de que ‘a urna é tão segura que outros países adotaram’, pois bem, realmente outros 3 países compraram as urnas brasileiras, foram eles: Paraguai, Holanda e Alemanha. Os três casos as urnas não foram utilizadas pois ficou evidente a fragilidade do sistema.
Link
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Se o sistema é tão seguro quanto o nosso TSE afirma, porque só o Brasil usa o sistema atualmente? Até a índia já abandonou o barco, literalmente somos o único país no mundo a utilizar esse tipo de urna. O que os especialistas recomendam é a utilização da urna ‘geração 3′ que mistura o voto eletrônico com o voto no papel, por ser mais confiável e mais difícil a fraude.
Sistema esse que já tentamos implementar no Brasil, mas foi vetado pela presidente Dilma ano passado, com alegação de que seria um gasto desnecessário e que não poderíamos pagar por isso, o gasto aproximado para implementar o sistema seria de 1,8 bilhões de reais.
Pela terceira vez, uma lei que obriga o uso do voto impresso conferível pelo eleitor nas urnas eletrônicas foi derrubado por pressão do órgão administrador eleitoral brasileiro (o Tribunal Superior Eleitoral - TSE) . - Palavras do Engenheiro Amilcar Brunazo Filho, defensor de que as urnas brasileiras são atrasadas e - talvez - fraudadas.
O relatório é extenso é possui 40 páginas, o começo tem um breve resumo e já da para ter uma ideia de como o nosso sistema democrático funciona.
É extremamente alarmante que todas, repito, todas essas informações sejam públicas e nada é feito. Acredito que nesse ponto da leitura você, assim como eu, chegou a conclusão de que nada é feito pois há um grande sistema de beneficiados com as fragilidades na segurança de nossas urnas eletrônicas.
"
Quem vota e como vota não importa; quem conta os votos é que realmente importa.
"
Joseph Stalin
Links no post:
Dilma veta implantação da urna eletrônica com voto impresso
Vulnerabilidades no software da urna eletrônica brasileira - relatório UnB
Urna eletrônica pode ser fraudada? Especialistas explicam
TSE não fará teste público das urnas eletrônicas antes das eleições
A urna eletrônica é realmente segura?
Federal Constitutional Court Stops Electronic Voting Roulette
Dutch pull the plug on e-voting
Eleições no Paraguai não terão urnas eletrônicas
















