âNĂŁo Ă© justo, nĂŁo mesmo! Enquanto eu fico aqui com o coração apertado, sentindo como se estivesse faltando alguma parte de mim, vocĂȘ estĂĄ aĂ seguindo a sua vida da forma mais tranquila possĂvel. Como se nada tivesse acontecido. Ă como se eu nĂŁo fizesse a mĂnima falta, e nĂŁo significasse nada pra vocĂȘ. E dĂłi, dĂłi muito. As lĂĄgrimas teimam em querer sair, mas eu me faço de forte, fecho os olhos e respiro fundo, atĂ© que elas desaparecem. NĂŁo vou demonstrar fraqueza e correr o risco de me machucar mais ainda. Eu tentei, juro que tentei. Tentei me doar, mas nunca fui suficiente pra vocĂȘ e por mais doloroso que seja admitir isso, Ă© a verdade, eu sempre soube, mas sĂł hoje admiti em voz alta. E doeu, como doeu constatar que todo o meu esforço foi em vĂŁo, que todas as vezes que me deixei de lado por vocĂȘ, nĂŁo passei de um tapa buracos pra sua carĂȘncia. HĂĄ uns dias atrĂĄs eu quase te falei tudo o que eu sentia, quase consegui colocar pra fora o que tanto me atormentava hĂĄ dias, meses, anos⊠Quase te falei o motivo de todas as minhas lĂĄgrimas, um lado meu que ninguĂ©m nunca soube, mas eu queria que vocĂȘ soubesse e talvez se eu tivesse falado vocĂȘ teria entendido o motivo de toda a minha frieza, o porquĂȘ de eu ter me fechado tanto e ser o que sou hoje. Se eu tivesse te contado tudo talvez as coisas estivessem diferentes hoje, mas nĂŁo deu, eu tentei falar, vocĂȘ nĂŁo quis ouvir e o momento passou, a coragem se foi junto com o restinho da esperança que eu ainda tinha em vocĂȘ. Em nĂłs.â